16 novembro 2012

Perfídia.

O erro que eu cometi foi tão banal
Amargo e inocente, o singular pelo plural
Mas foi de um preço alto pra se aguentar
Algo que nem morrendo eu vou conseguir pagar
Eu trouxe a vida errada pra este lugar
E a amaldiçoei com a solidão
E é por isso que não vou conseguir caminhar
O fardo é pesado demais pra carregar
Não sei dizer se um dia vou me perdoar
Mas num corpo sem alma eu tenho tempo pra tentar

10 novembro 2012

Partida.

Minha vida;
Queria ter-te aqui na minha vida.
Não posso, mas eu bem que gostaria.
Faria de você o que já fui eu.
Ao passar da minha vida,
Eu tenho que esquecer essa utopia
De que um dia aqui eu te teria,
Pra então lidar com o que aconteceu.
E em meio ao caos
Sobrou um chalé,
Do qual vejo você partir,
Mas permaneço aqui de pé.
Agora já não sei o que difere ódio de amar.
E nestas ruínas de um mundo perfeito,
A paz traz a dor neste breu sorrateiro.
Não posso mais sorrir,
Mas eu não me permito chorar.

08 novembro 2012

Grama e Madeira.

A alegria do seu olhar, e tudo que nele se resumia em poucas palavras, de brilho angelical e demoníaco. Seus olhos, e as cores da imensidão imutável que é o quadro ao meu redor, criado em lentas pinceladas de insinuações piscadas. O charme, o medo, a tristeza, o zelo, a melancolia, o amor e o desespero, tudo semicerrado junto a tua expressão que é tão sua, e apenas sua. Toda a nuance acentuada, a pura arte apresentada, seus olhos, verde e castanho, grama e madeira sobre o lago negro congelado dos teus pensamentos, fustigado pela neve e pelas folhas do Outono do jardim que um dia foi nosso. A alegria do seu olhar, minhas lembranças através das tuas janelas, e céus, como eu amei te amar.