29 abril 2013

Última Corrida.

Tenho me sentido cansado. Não apenas como um pensador exaurido por suas próprias questões e conclusões, mas também como um atleta, um velocista que tem como meta a linha de chegada, também como um animal fiel ao seu instinto de sempre dar o bote antes de recebê-lo. É cansativa essa rotina louca, imprevisível - e muitas vezes desleal - da vida. Os limites de velocidade estão lá por escolha dela, mas são quebrados pela mesma, sem maiores sinais arrependimento ou hesitação. É quase como a lei do mais forte, onde o animal mais letal fica no topo da cadeia alimentar, tendo os demais como presa, mas nenhum como caçador. Azar o meu, aliás, o nosso, que temos de acompanhar da melhor forma possível, tentando não tropeçar nos próprios pés na tentativa de enfim emparelhar e encontrar uma maneira de vencer de forma implacável, sem consequências póstumas. Não é possível. Existem os que estão lado a lado na corrida, que já são fortes o suficiente para aguentar no mesmo ritmo, mas é aí que pisam em falso e caem assustados demais pra levantar. Mas como deixar pra lá? Como parar de correr e deixar a vida vencer, sair de vista? Não dá. Os que perdem o interesse de vencer a eterna corrida perdem também o interesse pela pista, param e sentam, deitam pra descansar, e por lá ficam. Não tombam, mas findam da mesma forma que o mais veloz, que tanto acompanhou a vida lado a lado até perder a cautela e pisar em falso. É preciso saber dosar, entender que durante o processo é possível acompanhá-la de perto, e às vezes até ultrapassá-la, mas que ao final ela vence, por ser a única que conhece todo o trajeto de cabo a rabo, por ser a criadora dos prêmios e das armadilhas. Compreendendo tal situação se estabalece um próprio nível, as metas dentro da meta, as vitórias pessoais, e enfim o crescimento. Mas a prática é extenuante, ainda mais para os jovens e afobados, categoria na qual ainda me incluo, e ter noção disso ainda não é a chave para mudar de categoria, de etapa. Estou cansando cada vez mais rápido, o pique longo já se tornou curto, talvez porque assim quer a vida, ou porque ainda não sei como fazer para ignorar aquela vitória impossível que só a vida terá, e enfim encontrar meu próprio ritmo.

21 abril 2013

Nesse Caso.

Nesse caso não houve chance. Não houve tentativa. Não houve esperança, revanche, vingança. Não houve forma, jeito, atalho, saída, final perfeito. Nesse caso não houve maneira de conseguir, de dar tempo ao tempo, de falar, de tentar mudar. Nesse caso perdi e fim, e até doeu, mas não guardo rancor, certas coisas são assim.

20 abril 2013

Tava.

Eu tentei. Uma. Duas. Três vezes. Tentei viver sem planos, sem promessas. Mas de novo, um oceano nos separa. Só que dessa vez não é um oceano literal. É um oceano de coisas, de vidas, de pessoas, de histórias. De variações de humor, de sentimentos conhecidos que fingimos desconhecer. Um oceano de sentimentos que temos e que fingimos não ter.
E não tem outra forma de atravessar um oceano que não seja de avião. Ou de navio. Mas eu sempre tive medo de avião. E se o avião cair? E se o barco afundar? O amor não vai impedir de afogar. O amor não ensinou a nadar. A gente aprende a nadar na escola. Ou por conta.
O problema da paixão é que ela envolve outra pessoa. E a outra pessoa está do outro lado do oceano. Ninguém constrói uma ponte para atravessar um oceano. Ficar na margem é mais seguro.
Os planos se foram com o avião. As promessas afundaram com o navio. E a paixão ficou pra terceira pessoa, do outro lado da margem.

Pouco Pra Dizer.

Aquele farol que um dia me guiou, que um dia me fez acreditar que era possível
Hoje é luz perdida no mar que me afogou, e a sensação de afundar é indescritível
Jamais acreditei naquele belo azul do céu, eu sabia que era apenas ilusão
Mas me surpreendeu que um laço dito tão fiel, me trairia em troca de perdão


Pouco pra dizer, muito pra sentir, e agora é irrelevante
Nada a se fazer, nem pra onde fugir, e é aterrorizante
E se o sorriso é de mentira, eu já não sei dizer
Mas o teu vício é a ferida, e o meu é o perecer