Pode parecer que não, mas eu me esforço. Em certas coisas eu apenas faço meu melhor. Mas parece que não é suficiente. Estou decepcionado comigo, e com um pouco de tudo. Parece que nada funciona, nada dá certo. Acho que devo ter algum problema, algum defeito tão profundo que não consigo sequer ter dimensão da raiz. Quem dera se isso desse certo. Não dá. Nunca deu. Acordado sou um sonâmbulo, dormindo sou presa de minha própria mente. Não há paz, e estou me sentindo incapaz. Estou cansado. Não sei lidar com esse fardo. Não deixo a ferida cicatrizar, sempre tenho que abrir e ver sangrar. Tenho que admitir, é tão certo quanto a existência do ar, estou perdido, não sei como (sobre)viver e acreditar.
"E não há nada ou ninguém que diga que ele é assim. Por fora tudo está tão bem, por dentro o choro não tem fim. E hoje ele está tentando implantar memórias de um passado que não é real, pra amenizar a dor de aceitar, que tudo que ele fez pra ser alguém normal, não serviu."
20 julho 2016
Plágio De Um Dadaísta.
"Quando eu grito não faz barulho".
Li essa frase hoje, faz parte de um quadrinho nacional independente. Me fez pensar. Eu não sei dizer quantas vezes me senti impotente, ultrapassado, quebrado, como um daqueles videogames da primeira linha de produção que vão à venda com defeitos, e depois são recolhidos e substituídos. Infelizmente eu faço parte de um jogo real, e a dificuldade é justamente seguir com estes defeitos internos que faz com que cada um tenha a individualidade, o diferencial. É igual e diferente pra todos ao mesmo tempo. Confuso, não? Eu sei. Mas voltando a meu próprio ser, não posso desistir do jogo. Aliás, poder até posso, mas não haverá segunda chance se eu fizer isso, e os que me acompanham ficariam decepcionados, talvez até tristes com minha desistência. Aparentemente minha caminhada é importante pra eles, e só sei disso porque a deles é importante pra mim. Essas pontes e laços são intrigantes, mas não é algo que se precise explicar. Tudo que sei é que não quero apenas ir embora, e honestamente não posso dizer se é normal sentir-se assim na minha idade, mas ficar imerso nesse mundo é incômodo e entediante. Mas eu sigo. Não sou nada do que poderia ter sido e não tenho ideia do que posso ainda vir a ser, mas vou levando da melhor forma possível, de acordo com meus defeitos de fabricação. Acho que é bonito conseguir encontrar momentos e ações gratificantes ao redor, mesmo que aos tropeços, mesmo que sem ter uma ideia exata de como se faz isso. Eu acredito que tenho minhas qualidades, não sou um vazio completo. O que me faz cair em desesperança é notar que o vazio é grande, e que a desolação vem por meios ainda desconhecidos, de modo que não posso prever. Seria mais fácil se não fosse tão frequente, se eu não sentisse esse pesar entrar em meu corpo no ar que respiro, se não soubesse que me envenena por dentro. Cabe a mim encontrar uma maneira de decifrar os mistérios desse labirinto, marcá-lo de um jeito lógico, entender como ele funciona, e finalmente alcançar o conhecimento de como encontrar a beleza real por vontade própria. O caso é que se existe essa fórmula, até hoje eu não consegui descobrir. O caminho é tortuoso e cheio de armadilhas, sendo algumas mortais. E quando olho em volta, tudo que vejo é cinza, é névoa, é infertilidade. Sei que não se muda de um dia pro outro, mas nem eu e nem ninguém parece ter evoluído, e se eu chamo, não vejo retorno. Talvez seja por isso que eu escrevo, mas não divulgo. Falo, mas não converso. Vejo, mas não enxergo. Vivo, mas não existo. Os traumas das quedas ainda estão machucando. Caminhar é cansativo. E eu tentei e tentarei ainda mais. Mas é como li. Quando eu grito não faz barulho. Acho que esse vácuo é denso demais pra diluir. Caramba, quando eu grito não faz barulho. Pensa nisso.
Li essa frase hoje, faz parte de um quadrinho nacional independente. Me fez pensar. Eu não sei dizer quantas vezes me senti impotente, ultrapassado, quebrado, como um daqueles videogames da primeira linha de produção que vão à venda com defeitos, e depois são recolhidos e substituídos. Infelizmente eu faço parte de um jogo real, e a dificuldade é justamente seguir com estes defeitos internos que faz com que cada um tenha a individualidade, o diferencial. É igual e diferente pra todos ao mesmo tempo. Confuso, não? Eu sei. Mas voltando a meu próprio ser, não posso desistir do jogo. Aliás, poder até posso, mas não haverá segunda chance se eu fizer isso, e os que me acompanham ficariam decepcionados, talvez até tristes com minha desistência. Aparentemente minha caminhada é importante pra eles, e só sei disso porque a deles é importante pra mim. Essas pontes e laços são intrigantes, mas não é algo que se precise explicar. Tudo que sei é que não quero apenas ir embora, e honestamente não posso dizer se é normal sentir-se assim na minha idade, mas ficar imerso nesse mundo é incômodo e entediante. Mas eu sigo. Não sou nada do que poderia ter sido e não tenho ideia do que posso ainda vir a ser, mas vou levando da melhor forma possível, de acordo com meus defeitos de fabricação. Acho que é bonito conseguir encontrar momentos e ações gratificantes ao redor, mesmo que aos tropeços, mesmo que sem ter uma ideia exata de como se faz isso. Eu acredito que tenho minhas qualidades, não sou um vazio completo. O que me faz cair em desesperança é notar que o vazio é grande, e que a desolação vem por meios ainda desconhecidos, de modo que não posso prever. Seria mais fácil se não fosse tão frequente, se eu não sentisse esse pesar entrar em meu corpo no ar que respiro, se não soubesse que me envenena por dentro. Cabe a mim encontrar uma maneira de decifrar os mistérios desse labirinto, marcá-lo de um jeito lógico, entender como ele funciona, e finalmente alcançar o conhecimento de como encontrar a beleza real por vontade própria. O caso é que se existe essa fórmula, até hoje eu não consegui descobrir. O caminho é tortuoso e cheio de armadilhas, sendo algumas mortais. E quando olho em volta, tudo que vejo é cinza, é névoa, é infertilidade. Sei que não se muda de um dia pro outro, mas nem eu e nem ninguém parece ter evoluído, e se eu chamo, não vejo retorno. Talvez seja por isso que eu escrevo, mas não divulgo. Falo, mas não converso. Vejo, mas não enxergo. Vivo, mas não existo. Os traumas das quedas ainda estão machucando. Caminhar é cansativo. E eu tentei e tentarei ainda mais. Mas é como li. Quando eu grito não faz barulho. Acho que esse vácuo é denso demais pra diluir. Caramba, quando eu grito não faz barulho. Pensa nisso.
17 julho 2016
Sempiterno.
Eu acho que estou cansado.
Quando você nasce e cresce em meio ao caos de uma cidade grande decadente, é difícil perceber quando realmente se está cansado. Se você passa tempo demais sob a chuva, não sente mais ela cair, não ouve mais o som. É como se nunca tivesse começado, e como se nunca fosse ter fim. É desesperador, mas dormente. Passo meus dias respirando, mas tenho a impressão que é impossível fazer isso de forma lógica, compassada. Nada vai embora. As vozes na minha cabeça me condenam, mas eu tenho medo de seguir o que dizem. Não consigo me adequar, não consigo respirar. Sinto como se me fosse permitido somente vagar, sem realmente existir, uma queda tão rápida que altera minha noção de movimento, que me faz ficar parado em queda livre. É a benção mais maldita que já tive, e eu não consigo sair.
Você já tentou expelir todo o ar dos pulmões? Já tentou aspirar o máximo de ar que conseguir? É quase como um colapso, como secar em morte ou explodir em vida. Fique cheio ou vazio demais e vai se ver quebrar, despedaçar. Não há salvação, não há saída. Encha seus pulmões de ar e será como uma maldita onda gigante, que vai te arrastar e quebrar seus ossos. Não há aviso. Esvazie-os e você estará acorrentado ao chão do poço mais profundo, enquanto a chuva vai te matar lentamente. Não há esperança. O fato é que existe uma forma de atravessar o lago sombrio em que fomos atirados sem consentimento, mas eu não a conheço, eu não sei nadar. Estou no fundo do lago, mas sequer o alcancei. Estou caindo, mas continuo parado. É perpétuo. Sempiterno.
Gostaria de ter forças pra gritar até sentir minha garganta sangrar, até os olhos saltarem das órbitas, até o coração parar, mas dia após dia, passo após passo, e eu continuo ofegante. O engraçado é que realmente se torna difícil notar o estado da minha consciência inconsciente. Quando você permanece tanto tempo preso dentro do caixão de suas próprias barreiras existenciais, você simplesmente se acostuma. Mas quando se dá conta, é claustrofóbico. Eu arranho a tampa desse caixão até minhas unhas caírem, até o sangue gotejar no meu rosto e o suor escorrer testa abaixo, mas é impossível transpassar. Eu não sei mais. Continuarei seguindo, mas sentindo tudo isso dentro de mim, tenho que me corrigir.
Sim, eu estou cansado.
Quando você nasce e cresce em meio ao caos de uma cidade grande decadente, é difícil perceber quando realmente se está cansado. Se você passa tempo demais sob a chuva, não sente mais ela cair, não ouve mais o som. É como se nunca tivesse começado, e como se nunca fosse ter fim. É desesperador, mas dormente. Passo meus dias respirando, mas tenho a impressão que é impossível fazer isso de forma lógica, compassada. Nada vai embora. As vozes na minha cabeça me condenam, mas eu tenho medo de seguir o que dizem. Não consigo me adequar, não consigo respirar. Sinto como se me fosse permitido somente vagar, sem realmente existir, uma queda tão rápida que altera minha noção de movimento, que me faz ficar parado em queda livre. É a benção mais maldita que já tive, e eu não consigo sair.
Você já tentou expelir todo o ar dos pulmões? Já tentou aspirar o máximo de ar que conseguir? É quase como um colapso, como secar em morte ou explodir em vida. Fique cheio ou vazio demais e vai se ver quebrar, despedaçar. Não há salvação, não há saída. Encha seus pulmões de ar e será como uma maldita onda gigante, que vai te arrastar e quebrar seus ossos. Não há aviso. Esvazie-os e você estará acorrentado ao chão do poço mais profundo, enquanto a chuva vai te matar lentamente. Não há esperança. O fato é que existe uma forma de atravessar o lago sombrio em que fomos atirados sem consentimento, mas eu não a conheço, eu não sei nadar. Estou no fundo do lago, mas sequer o alcancei. Estou caindo, mas continuo parado. É perpétuo. Sempiterno.
Gostaria de ter forças pra gritar até sentir minha garganta sangrar, até os olhos saltarem das órbitas, até o coração parar, mas dia após dia, passo após passo, e eu continuo ofegante. O engraçado é que realmente se torna difícil notar o estado da minha consciência inconsciente. Quando você permanece tanto tempo preso dentro do caixão de suas próprias barreiras existenciais, você simplesmente se acostuma. Mas quando se dá conta, é claustrofóbico. Eu arranho a tampa desse caixão até minhas unhas caírem, até o sangue gotejar no meu rosto e o suor escorrer testa abaixo, mas é impossível transpassar. Eu não sei mais. Continuarei seguindo, mas sentindo tudo isso dentro de mim, tenho que me corrigir.
Sim, eu estou cansado.
10 julho 2016
Tango y Promesas de Amor.
Voy por el año en el 78 santa fe
Llego a tu casa y en la calle hacía mucho frio
Pasaron veinte años vas perdida en Saint Germain
Pasan los gritos por la calle te fuiste de copas
Ya no recuerdo bien cuándo fue la última vez
Atravesamos ipanema como dos extraños
Yo me perdía por la Europa de ciudad en ciudad
Vos te besabas con tu novio en nuestra Barcelona
Promesas de amor
Que el tiempo llevo de aquí allá
Seguimos en el mundo intentado todo mientras el mundo se va…
Los dos nos dimos cuenta que no daba para mas
Entre las sombras de una discoteca en Buenos Aires
Me diste fuego y esa luz fue la que ilumino
Tu rostro joven y mis ojos algo ya cansados
Promesas de amor
Que el tiempo llevo de aquí hacia allá
Amamos en el mundo peleamos en el mundo
No llevo un resto de rencor
Sos una parte de mi corazón
Yo sé, siempre fui un canalla sabes
Pero también sé que te ame
Es que me acorde del ayer Mi amor
No espero que lo entiendes, solo que quería hoy
Voy a dar un concierto y pienso en vos
Ahora si te dejo y sigo con la música
Que las palabras se me vuelven más y más confusas
Te mando besos, mil cariños y que seas feliz
Mañana que otro martes toco
Y a seguir la ruta
Promesas de amor que el tiempo
Que el tiempo llevo
Yo se que estas muy bien en otros brazos
Ya no me hagas caso
Yo me vuelvo a caminar
La noche que volves a iluminar.
Llego a tu casa y en la calle hacía mucho frio
Pasaron veinte años vas perdida en Saint Germain
Pasan los gritos por la calle te fuiste de copas
Ya no recuerdo bien cuándo fue la última vez
Atravesamos ipanema como dos extraños
Yo me perdía por la Europa de ciudad en ciudad
Vos te besabas con tu novio en nuestra Barcelona
Promesas de amor
Que el tiempo llevo de aquí allá
Seguimos en el mundo intentado todo mientras el mundo se va…
Los dos nos dimos cuenta que no daba para mas
Entre las sombras de una discoteca en Buenos Aires
Me diste fuego y esa luz fue la que ilumino
Tu rostro joven y mis ojos algo ya cansados
Promesas de amor
Que el tiempo llevo de aquí hacia allá
Amamos en el mundo peleamos en el mundo
No llevo un resto de rencor
Sos una parte de mi corazón
Yo sé, siempre fui un canalla sabes
Pero también sé que te ame
Es que me acorde del ayer Mi amor
No espero que lo entiendes, solo que quería hoy
Voy a dar un concierto y pienso en vos
Ahora si te dejo y sigo con la música
Que las palabras se me vuelven más y más confusas
Te mando besos, mil cariños y que seas feliz
Mañana que otro martes toco
Y a seguir la ruta
Promesas de amor que el tiempo
Que el tiempo llevo
Yo se que estas muy bien en otros brazos
Ya no me hagas caso
Yo me vuelvo a caminar
La noche que volves a iluminar.
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