07 agosto 2020

Dante Spinetta - Soltar

Soltar, soltarte de las manos y confiar

Que sólo el tiempo sabe la verdad
Que lo que pudo ser, ya no será
Al menos esta vez

Y así, tu color se borra
Con la lluvia
Al menos esta vez, pon tu alma
Si me vas a matar, tendrás que gatillar

Creer, abrirse como un gajo y entender
Que la distancia es parte de crecer
Que todo esto es por algo, ¿No lo ves?
Dime, ¿No lo ves?

Sin sol
Nuestra flor se marchita bajo la luna
Al menos esta vez, pon tu alma
Si me vas a matar, hazlo con la verdad

Nunca me olvidé de ti, te amo hasta enloquecer
Y siento que te hice mal, debo desaparecer
Soltarte me cuesta la vida, soltarte

Y así, el dolor
Se alimenta de la luna
Al menos esta vez, muéstrame tu alma
Y si me vas a matar, tendrás que gatillar

Nunca me olvidé de ti, te amo hasta enloquecer
Y siento que te hice mal, debo desaparecer
Soltarte me cuesta la vida, soltarte

03 agosto 2020

Antenor.

"Eu gosto de acordar cedo. Acordei cedo durante toda a minha vida, desde garoto. Quando era jovem, acordar cedo era uma obrigação, e depois de alguns anos virou uma necessidade. A gente precisava trabalhar, trazer o pão de cada dia pra casa. Eram tempos difíceis, mas também eram mais simples, eu sinto que naquela época a gente tinha mais orgulho de ser anônimo, de ter só o reconhecimento pelo nosso trabalho e o respeito de quem a gente ama.
Eu trabalhei muito tempo da minha vida pra conseguir me mudar, ter uma vida melhor que a do interior, e nesse tempo eu namorei, me casei, tive meus três filhos, mudei pra São Paulo com eles e fui atrás de moradia. A gente morou um tempo de aluguel, num apartamento pequeno demais pra cinco pessoas, ainda mais sendo três crianças, você entende, criança tem energia, gosta de correr, de aprontar, de rir alto sem perceber que tá tarde, mas graças ao bom Deus, eu e a Nadir sempre conseguimos dar pra eles o amor e a bronca na medida certa, nunca faltou nada pra eles, a infância deles foi boa.
Depois de uns anos de aperto guardando um dinheirinho, a gente conseguiu dar entrada numa casa. Foi difícil, mas deu certo. Eu acordava cedo e fazia dois turnos no trabalho pra conseguir uma renda extra, e a Nadir se esforçava pra administrar a casa, e assim levamos por anos. Tiveram anos mais complicados, outros mais tranquilos, mas nunca faltou amor, todo mundo era bastante unido e eu me orgulhava disso. Meus filhos conseguiram estudar, formar, e ir atrás dos seus sonhos.
Depois de um tempo eles foram indo embora de casa, mas é da vida. A minha mais velha casou, o caçula também, o do meio é solteiro ainda, trabalha bastante, mora num apartamento bonito num bairro chique, mas eu acho que ele é feliz assim. No fim das contas é isso que importa pra quem é pai ou mãe, não é verdade? Pelo menos eu penso assim.
Hoje em dia eu ainda vivo na mesma casa, é minha, graças a Deus. Faz quatro anos que a Nadir morreu, e há quatro anos eu vou visitar no cemitério uma vez por mês. O Ricardo, meu filho do meio, diz que já é hora de parar de ir lá, mas eu ainda sinto vontade de ir, então eu vou. Eu moro sozinho, mas eles vivem me visitando, o meu caçula sempre quer saber como eu estou, se está tudo bem, eles se preocupam comigo. Minha mais velha me deu um celular desses modernos e tá me ensinando a mexer pra gente se falar mais fácil.
Eu continuo acordando cedo, mas agora não é mais obrigação, nem necessidade, eu sinto que gosto de acordar bem cedo e dormir cedo também. De manhã ainda é quieto na minha rua, e eu gosto de passar o café e sentar no meu quintal, depois assisto o telejornal e vejo a previsão do tempo. Quando faz sol de manhã eu lembro da Nadir. Eu sempre acordei cedo, mas acho que foi vivendo com ela que eu aprendi a gostar, sabe? E ela aprendeu a gostar do café mais fraco porque eu preferia assim. A gente passou muito aperto, mas viveu bem. E eu continuo gostando de acordar cedo, acho que sempre vou gostar."

01 agosto 2020

2020.

Ultimamente tenho sentido falta de coisas que nunca achei que sentiria dessa maneira. Saudade de sair de casa. Sair, caminhar por aí, ir em uma exposição ou ao parque, ir até algum barzinho. Sinto falta de andar pela rua em manhãs frias, fumando meu cigarro e ouvindo música, e também das tardes quentes, sentado nos degraus de uma calçada, com uma long neck gelada na mão. Sinto falta de vestir minha roupa social e gastar as solas dos sapatos indo encontrar amigos em algum bar, pra conversar até de noite e dar risada, e também de rever os lugares que eu ia e via com frequência, e das fotos que eu tirava sem pretensão alguma. Sinto saudade de não me preocupar com qualquer tosse ou espirro, e de como eu não precisava enxergar o quão valioso é isso. Minha vida já foi muito mais simples e prazerosa, eu já fui muito mais feliz num contexto geral quando tinha meus 19 anos, mas atualmente realmente é um dos anos mais difíceis que já me deparei. Acho que a vida é naturalmente difícil mesmo, sei lá. Queria que não fosse. Não tanto, não assim.