28 dezembro 2010

Erro.

Estou me sentindo inseguro. Cansado.
Não sei o que fazer, na verdade nunca soube.
Isso não é novidade...
De qualquer forma estou completamente dividido.
Só sei que não seria justo seguir par,
Mas também não é seguir impar.
Confusão...
Isso me mantém imerso em medo.
Como eu disse, ja vi isso acontecer antes.
Nunca, absolutamente nunca acaba bem.
Como uma bala no peito...
As coisas jamais podem dar certo.
Seja uma ou outra.
Vida ou morte.
Noite ou dia.
As coisas não darão certo. Eu sei.

Estou cansado disso...

26 dezembro 2010

Lu.

Ultimamente eu não tenho tido muito ânimo para nada.
Mas isso vem mudando sempre falo com a Lu.
Sempre que falo com ela me animo considerávelmente.
É incrível como ela consegue, com poucas palavras, dizer tudo que me deixa feliz.
É quase como uma valvula de escape.
Ela é uma amiga e tanto, sempre me aturando sem reclamar.
=D

Ela sempre vê o melhor das pessoas.
Isso é algo que eu admiro muito.
Nossa amizade tem crescido, e isso é ótimo.
É algo que me deixa realmente feliz.
Ela me deixa viajar e falar, e sempre me dá atenção.
É como se ela soubesse exatamente o que fazer e dizer pra me animar.
Como me disseram uma vez...
Uma garota interessante do tipo apaixonante. Haha! ^^
Ela me deixa feliz, e eu a amo por isso.
E por ser uma amiga em quem posso confiar.
=D

Enfim, por enquanto é só.
Até outra hora...

21 dezembro 2010

V & M.

Eu tentei ser alguém bom.
E eu tentei ser alguém merecedor.
Tudo estava bem e parecia correto.
Mas as coisas deram errado.
Você foi embora sem dizer ao menos Adeus ou Obrigado.
Me desculpe por não estar com você.
Eu implorei uma última vez para que você ficasse.
Mas você já está em seu caminho...

Você era tudo que eu mais queria.
Você era tudo que eu mais precisava.
Você era meu anjo.
Então você foi embora e quebrou meu coração.
Me deixou aqui com estes pensamentos tristes.
E no fim eu sou apenas um amigo.
Eu gostaria que as coisas fossem assim, mas eu não consigo.
De qualquer forma você não está aqui para me ouvir.

Tão perto e tão longe.
Como estrelas diferentes...
E seu brilho ainda me ofusca.

14 dezembro 2010

Cair.

À beira de algo real.
Eu tenho uma escolha, mas não sei o que sentir.
Cansado de todo esse medo.
Antes de eu escolher,
Deixe-me saber que você estará aqui.

Quando eu estou longe de onde você está,
Tudo bem, porque estamos sob as mesmas estrelas.
Estou tentando largar essa carga pesada.
Talvez agora eu possa finalmente deixar isso pra lá.
Talvez eu possa finalmente deixar você saber.

Que eu não tenho medo de cair,
Se você for a única que vai me pegar.
Me diga que você estará lá,
Quando eu estiver prestes a perder tudo.
Você será a única que me ajudará a ver,
Que às vezes está tudo bem em cair.
Eu vou cair...

10 dezembro 2010

Enredo.

Eu realmente não sei o que fazer...
Não vejo como isso pode dar certo.
Vai dar na mesma, sei disso. Já vi acontecer antes.
Não vejo como eu poderia fazer tudo mudar...
O passado que criei me ensinou que não é assim que funciona.
Tentar não vai ajudar.
Quando menos se espera a ferida abre e dói...
E eu sei como dói...
Porque não pára por pares ou ímpares.
Então que diferença faria?
Não sei...
Mas estou com medo de ir em frente.
Tudo que eu posso oferecer são palavras.
Não dará certo...
Já vi acontecer antes...
Já vi...

07 dezembro 2010

Uma Recaída...

Uma recaída...
Palavras vazias. Promessas vazias.
Me mostre que não fui afastado.
Da estrada deste coração...
Apenas porque não sou frio o suficiente.
Havia tanto a se fazer,
Em tão pouco tempo.
Era preciso consertar tudo antes que ficasse errado.
Eu deixei meu sorriso nos seus braços.
Pegue o relógio e volte...
Tudo que você precisa fazer é acreditar.
O tempo está do seu lado.
Apesar de tudo...
O tempo realmente está do seu lado.
.
.

Mas eu sei que não vai acontecer.

05 dezembro 2010

Love Fool.

You might think that I'm a fool for falling over you.
So tell me what can I do to prove to you,
That it's not so hard to do...
Give love a try, one more time.
'Cause you know that I'm on your side.
Give love a try, one more time...
.
.

I love the sound of violins.
And making someone smile...
:)

Problema Feliz.

Eu realmente estou me sentindo em outro problema.
Mas esse problema me deixa incrivelmente bobo.
Eu sou bom em perder tempo...
Mas de qualquer forma não saberia como agir.
Só espero que as coisas finalmente se acertem...
Tudo que tenho vontade de fazer é pensar sobre isso.
E é o que vou fazer...
.
.


I love the sound of violins.
And making someone smile...
:)

04 dezembro 2010

Centésimo Quadragésimo.

Ironia Sincera.

"Nada como a beleza de uma flor murcha.
A graça de um dia chuvoso.
Nada como a leveza de um sorriso triste.
A elegância de uma lua opaca.
Nada como...

Nada como a clareza de um pesadelo.
A vida de um céu nublado.
Nada como a certeza da dor sentida.
O calor de uma chama findada.
Nada como...

Nada como a sutileza de um trovão.
A alegria de não ter saída.
Nada como a franqueza de uma derrota.
A ternura de um abraço falso.
Nada como... Um amor desbotado."

By - [Halos]

02 dezembro 2010

Centésimo Trigésimo Nono.

Cidade Dos Sonhos.

"Você não está sozinho esta noite.
Apenas erga suas mãos e toque o céu.
Você pode fazer isso durar eternamente.
Como a graça de sentir-se vivo.
A orquestra do tempo irá aquecer seu coração.
E eu sei, isso é um pouco louco.
E eu sei, isso é um pouco alto.
E eu sei, você jamais fingirá isso.
Pois você é livre em seu sonho de paixão.
Sorte lhe tem o nome de esperança.
Como o mais nobre dos sentimentos.
Então aproveite a vista e curta o momento.
Pois você não está sozinho esta noite."

By - [Halos]

28 novembro 2010

Quero O Fim.

Eu estou fazendo tudo que posso.
E eu estou dando tudo que posso.
Mas você tem que seguir o seu caminho.
E esse caminho não é meu...

Nada mudou.
Nada muda.
Nada mudará.

Apenas quero outra vida.
Uma vida sem sentimentos.
Não consigo mais ser quem sou.
Desisto.

Seja o que achar melhor.
Fuja como quiser.
Eu prometo não segurar sua mão.
Eu prometo não secar suas lágrimas.
Cansei.
Não me importo mais...

26 novembro 2010

Centésimo Trigésimo Sétimo.

Mar Sem Vida.

"Ela vai embora.
As cores desbotam para o cinza.
Como um dia de verão sem sol.
Onde asas angelicais levam o amor.
Sem consentimento do tempo...

O som dos violinos morre.
Já não ouço a melodia do vento.
E sinto-me como a centelha da dor.
Pois me era a esperança para o desespero.
Mas agora ela se foi...

Odeio olhar o céu.
Me lembra de sorrisos alheios.
E mesmo nublado não consigo encarar.
Pois estou preso em meu querer.
Tão preso em você...

Tudo está fora de foco.
Apenas não me importo mais.
Quero apenas o gole amargo da derrota.
Não pude segurar tua mão ao partir.
E você não vai voltar..."

By - [Halos]

20 novembro 2010

Decepção...

"Nem uma nuvem no céu.
Todo mundo está se sentindo bem.
E tudo vai dar certo.
Então não se preocupe.
O amor está esperando do outro lado.
Cada pequena coisa vai dar certo."

.
.
Jura que você acreditou nisso?
Se acreditou, sinto muito...

19 novembro 2010

Fall.

Eu posso te sentir em todo lugar.
Neste silêncio, eu ouço o som...
De seus passos no chão.
E o meu coração acelera.

Estou esperando pela luz do luar.
Então eu posso encontrá-la nesse sonho perfeito.
Não pense que você pode se esconder nas sombras.
Menina, você não é invisível...
Você é tudo que eu posso ver.

É a sua risada e seu sorriso.
Quero ficar por algum tempo.
Eu não quero ir...
Eu só quero você em meus braços.

Eu não consigo estar bem desta forma.
Como se você fosse o ar que respiro.
Isto é crítico, estou me sentindo impotente.
Tão histérico, e isso não pode ser bom.

Tão preso em você.
E meu coração desacelera...

17 novembro 2010

Centésimo Trigésimo Quarto.

As Dunas.

"Querer não é o suficiente, sinto lhe dizer.
Ela apenas não entende, mata teu querer.
Jamais cura a dor na alma, sinta o entorpecer.
Sem mundo de vida, só o perecer.
Dunas de tristeza, cabe a ensandecer.
Feitas de areia, e um falso poder.
Chora o teu amado, sem o amanhecer.
Vai tua querida, traz o anoitecer.
Dunas deste medo, foge o teu prazer.
Casta melodia, sempre a enaltecer.
Preço do destino, culpe o teu viver.
Traz este desejo, eterno adormecer."

By - [Halos]

16 novembro 2010

Fraquejo.

Primeiro entender.
Depois aprender.
Em breve querer.
Então fingir ser.
E logo perder.

Não creio que a sina da grande maioria seja diferente disso.
Mas no momento ela parece apenas minha, garanto isso...
Como uma coreografia de dores pessoais.
Porém todos fingem aceitar horas infernais.
De qualquer forma não sei fugir do que me inflinge dor.
Nada é realmente eterno, nem sofrimento nem amor.
Tudo acaba desaparecendo, seja para bem ou para mal.
Entretanto não devo pensar de forma normal.
Pois parece que isto não irá jamais cessar.
Como se o único jeito fosse o coração não mais pulsar.
Apenas quando a respiração falhar.
E o cérebro enfim desligar.


Não sei dizer o por que, mas tudo que consigo fazer...
É fraquejar.

15 novembro 2010

Centésimo Trigésimo Segundo.

Estima Inversa.

"Vidas passadas de cores opacas.
Tempos perdidos de lágrimas antigas.
Que fará deste querer quando o céu lhe abandonar?
Que dirá destes amores quando a dor lhe tocar?
Como ondas de decepções.
Trazidas por ventos de incerteza e medo.
Não terá tempo para sorrisos este dia.
Pois a noite não reserva calor ao ser incauto.
Pretensão seria ansear...
Apenas siga tua estrada de corpos e vozes.
Veja o sangue gotejar rua abaixo.
Vá para o que é teu por direito...
Este imenso invólucro de torpores.
Longe dos clamores.
Tomado por temores."

By - [Halos]

Dúvidas.

Ultimamente tenho imaginado o que farei de minha vida.
Realmente não sei dizer o que quero fazer, ou como será o mínimo rascunho de meu futuro.
É algo extremamente confuso...
Apenas gostaria que estas dúvidas não existissem.
Mas é complicado, pois duas décadas já se passaram e nada foi construído.
Alias, consegui destruir o pouco que tinha...
Ando pensando em coisas... digamos... funestas.
Não é exatamente o que eu deveria pensar, mas é inevitável.
Só sei que gostaria que estas perguntas desaparecessem.
Não sinto vontade de arriscar...
Não quero saber como será o amanhã.
Não quero dias melhores nem piores.
Quero apenas me manter na minha casca, sozinho.
Mas o coração não deixa, a mente reprova, e eu acabo me aventurando.
Consequentemente termino ferido.
É sempre assim...
Sabe, como se alguém tentasse tirar o melhor de você.
Mas ironicamente eu não tenho muito potencial.
Logo, acabo drenado facilmente.
Mas quem disse que vida seria boa e feliz?
Se alguém disse, eu advirto.
Não se engane, porque não é assim... Nunca é.

13 novembro 2010

Centésimo Trigésimo.

Noite Gelada.

"Frio infinito.
Como torrentes de dias passados.
Névoa funesta.
Como o querer de dias melhores.
Noite sombria.
Como a realidade do meu presente.

Insensível é meu olhar.
Vago é meu pensamento.
Disperso é meu sentimento.
Pois não quero este coração.
Não quero este sangue quente.
Desisto destes dizeres.

A respiração cessando...
Como nuvens de casto terror.
A voz falhando...
Como a chuva de mil derrotas.
A morte chegando...
Como meu único desejo.

Frio infinito.
As mesmas sensações.
As mesmas alucinações.
Quem poderia sequer imaginar...
Vida e Morte são irmãs.
Irmãs de sofrimento igual."

By - [Halos]

12 novembro 2010

Oh, Céus...

Vejam só, meus caros...
Mais uma vez estou mexendo com o que não deveria.
É, eu nunca aprendo a maldita lição...
É sempre a mesma história, sabem?
Amizade, olhos nos olhos, belas Primaveras e um fim trágico.
Acredito que nunca será diferente disso.
O que quer que seja relacionado a mim neste sentido acaba tragicamente.
Mas não, eu não consigo aprender...
Estou me perdendo nas curvas do perfume novamente.
Mais uma vez está começando como sempre.
Sempre sou eu a dar o tiro por minhas próprias costas.
Não sei quanto mais consigo suportar...
Mas eu nunca consigo evitar.
Estou cansado disso... Já sei como vai terminar.
Maldita mente.
Maldito coração.

11/11.

Maldita data.
É sempre um péssimo dia.
Sim, eu detesto meu aniversário.
Não vejo porque gostar de algo tão banal e ridículo.
Mais um 11/11 se passou em minha vida.
Nada de mais.
Milhões de pessoas nasceram no mesmo dia.
Mas as pessoas ao meu redor insistem em achar que é algo especial.
Na boa, pro inferno com eles.
Duas décadas... Grande coisa. ¬¬
Duas décadas que não valeram de nada.
Aonde os momentos ruins sempre superaram os bons.
Sim, até aqui nada valeu a pena.
Mas não importa a minha vontade...
Não adianta eu dizer que não quero parabéns, que não gosto.
As pessoas insistem!
Malditas sejam!
Não quero parabéns, abraços, beijos, apertos de mãos, votos de felicidade, benção de deus ou presentes! Não quero nada disso! Entendam de uma vez!
Tudo que quero neste dia do inferno é ficar quieto.
Sozinho...
Só quero ser deixado em paz.
E sim, eu tenho todo o direito de ficar bravo.
Não quero essa sinceridade.
Não quero essa falsidade.
Só quero que passe logo. Que o amanhã venha ligeiro.
Que merda! Me deixem!!

09 novembro 2010

Centésimo Vigésimo Sétimo.

Verdade.

"Eu sou o curso da morte.
Trago em meu peito o mal.
Eu sou o silêncio cruel.
Precedo a desgraça.
Prevejo a mágoa.
Eu sou a melancolia.
Sou a causa da lágrima.
A rachadura do correto.
Eu trago problemas.
Eu trago mentiras.
Espalhando destruição.
Plantando toda a dor.
Eu sou o demônio escondido.
O abismo infinito.
Caos do orgulho infundado.
Vento cortante dos céus.
Você não vê?
Estar perto de mim é perecer."

By - [Halos]

...

"Com o passar do tempo, ele caiu em desespero.
E perdeu toda a esperança.
Pois quem seria capaz de amar um monstro?"

Há, que ironia não?!

05 novembro 2010

Pensamento Diferente.

Hoje o dia está estranho.
Estou pensativo...
Não sei se pelo fato de estar superando isso,
Ou se pelo fato de estar me afundando novamente.
Mas é incrível como tenho noção de algumas coisas.
Mesmo sendo um perdedor nato,
Sou melhor que muitos que conheço.
Tenho convicção de que minha derrota é melhor que muitas vitórias.
Claro que saber disso não é um consolo.
Muito menos um atestado de sabedoria,
Ou uma honraria de bravura.
Mas hoje meu pensamento está rumando para níveis diferentes.
Sei que sou um perdedor...
Alguém que nunca tem o seu melhor como suficiente.
Mas veja, sou melhor que muitos.
E hoje estou pensando que tudo que posso dizer é:
Algum dia alguém será melhor que eu.
Mas não será hoje.
E não será você.

Please.

Não sei o que fazer diante de certas coisas.
Mas sei que vejo coisas que esta pessoa não vê.
Sei que tudo que ela tem aqui é pouco.
E que a saudade tem falado mais alto.
Mas sei também que eu estou aqui... Nós estamos.
E não mediriamos esforços...
Mas parece que não é suficiente.
Só espero que ela veja o que está acontecendo.
Antes que seja tarde demais.
.
.

Hope.
And I hope you've seen the light.
'Cause no one really cares.
They're just pretending...

02 novembro 2010

Centésimo Vigésimo Terceiro.

Sol Negro.

"O dia a muito se foi.
Sem motivos ou explicações.
Meu olhar morreu...
O tempo trouxe verdades.
Sem aviso ou misericórdia.
Meu coração congelou...
O frio soprou cortante.
E senti a luz da lua chegar.
Mas mesmo que ela esteja no céu,
Para que a quero...
Se a noite sou eu?"

By - [Halos]

28 outubro 2010

Basset.

Sou uma bolinha de borracha preta.
Amigo de uma bolinha de borracha branca.
Não temos utilidade ou alegria.
Mas ao menos nos resta essa pequena amizade.
Acostumamo-nos a ficar paradas, encostadas na parede.
Mas um dia ele chegou.
Este Basset sedento por sorrisos e diversão.
Conosco passou horas e mais horas.
Dias e mais dias, como uma nova amizade.
E felizes ficamos.
Ainda que seus caninos vez ou outra nos arranhassem,
Felizes estávamos.
Era bom finalmente ter alguém com quem brincar.
Porém um dia este Basset nos empurrou para longe.
Realmente longe...
E rolamos mais rápido que nunca.
Chegamos ao outro lado do quintal gigante.
E lá outras bolinhas de borracha jaziam.
O Basset veio correndo,
Mas não nos mordeu carinhosamente.

Olhou desnorteado, as outras bolinhas.
Todas tão diferentes.
Todas tão coloridas.
E lembrou-se que um dia, com elas ele brincou.
Assim latiu, animado, e correu de encontro à elas.
Todas rolaram, num mar de infinitas cores.
O Basset olhou para trás, aonde estávamos.
Mas nos deixou ali.

Correu atrás da bolinha mais brilhante.
E nós ficamos ali... Paradas...
Amargamente percebi, não éramos mais que distração.
Algo que o Basset usaria quando estivesse entediado.
Pois ele corria sempre atrás da mais brilhante.
Pensando ter verdadeiras amizades ali.
Mas ele não podia enxergar a verdade.
Quem realmente rolava por ele, éramos nós.
Nem coloridas, nem brilhantes.
Apenas nós...
A bolinha de borracha preta.
E a bolinha de borracha branca.

21 outubro 2010

Enferrujou.

Quanta solidão...
E eu sei que isso fui eu que causei.
A desilusão...
Eu tento te acalmar, mas eu não sei.

Entra aqui...
Não vou te impedir de entrar.
No meu peito...
Ouça o coração gritar.
E ouça o meu...
Tente tentar escutar.
Pranto...
Que não vai mais acabar.
Olha aqui...
Tente ao menos enxergar.
Dentro de mim...
Sinta o gelo evaporar.

E veja que estou frio,
Como o ferro de que eu julgava ser feito.
Que enferrujou...
.
.

Fresno.

19 outubro 2010

"Isso".

Pessoas como eu só precisam fingir.
Tudo que eu preciso é ser falso.
Isso prova que não sou realmente uma boa pessoa.
Mas apesar de eu estar em pedaços, ninguém se importa.
Só preciso sorrir e iludir todos à minha volta.
É minha natureza, e é melhor que seja assim.
Cabeça baixa, olhos tristes...
Este é meu sinônimo de vitória.
E quando tento sair disso, quando tento ser "feliz" eu vejo...
"A tentativa é o primeiro passo para o fracasso."
Fugir disso não vai adiantar.
Porque essa verdade sempre volta para me atingir.
E ela sempre vence...
Um sonho nunca será mais que apenas isso:
Um sonho.
Mas por mais que eu tente não vou conseguir.
Sei que vou me entregar ao impossível...
De novo e de novo e de novo.
Não sei quando me tornei o que sou.
Mas faz parte da minha derrota, e ninguém pode ajudar.
Talvez as coisas mudassem se eu desse algo em troca.
Mas eu não tenho nada a dar...
Pois não sou realmente importante.
Mas enquanto a máscara se mantiver em pé,
Eu vou suportar tudo que precisar...
Certo, gostaria que isso fosse verdade, mas não é.
Nunca é...
Afinal não há nome certo para o que me tornei.
Sou apenas "isso".

18 outubro 2010

Tolo.

Eu estou sozinho, e te vejo desaparecer como nuvens.
No alto e no céu...
Eu sou fraco e tão frio.
Como eu estou sozinho...
Adeus.

Oh, como eu te amo tanto, perdido naquelas memórias.
E agora você se foi...
Eu sinto a dor, me sentindo como um tolo.
Adeus.

Meu amor por você queima profundamente.
Dentro de mim, tão forte.
Brasas de momentos que tivemos.
E agora aqui estou perdido em uma memória...
Eu vejo seu rosto e sorriso.
Adeus.
.
.

Não se importe comigo.
Não chore.
Eu irei chorar por você.

Out Of Control.

Are you listening?
Just tell me if you're not...
I'll go away right now if you want.
Just... Let me know one thing...
If am I just a fucking mistake, why'd you make me stay?!
Okay, you don't know...
But that mess makes me sad...
I don't understand... If you don't want me, let me go.
But you don't let.
Please... Decide what you want from me.
'Cause I'm just holding what I haven't got...
Pretending that our past really existed.
And don't look at me like that way.
I loved you... You know that.

13 outubro 2010

Go Away With The Rain.

Like roses,
And cigarettes.
My Julia...
Is gone.
She's my past.
And my present.
I've waited...
For so long...
But she didn't come.
Life's just a dream...
That's never ending.
But even still I...
Woke up from my dream.
.
.

The one biggest lesson that I've learned was...
No matter what...
You're gonna carry that weight.

11 outubro 2010

Sometimes.

Estou sonhando com amanhã.
E pensando sobre ontem.
Estou me consumindo em mágoa.
Esse momento é a hora,
Que eu me traí.
Eu estou procurando as respostas.

Eu nunca sei o que você quer.
Eu nunca sei o que você precisa.
Está tudo tão diferente.
Do começo...
Quando você me partiu em dois.
Eu jamais pensei que fosse sangrar.
Eu estou procurando as respostas.

Agora eu vou sozinho...
Não preciso da ajuda de ninguém.
Eu tenho que fazer isso por mim mesmo.
Sozinho, sozinho, sozinho, sozinho.

Quando olho em volta,
As vezes eu fico louco.
Pois eu não sei em que direção seguir.
Quando olho em volta,
As vezes eu fico louco.
Pois minha vida está girando fora de controle.

.
.
P.Roach

Deixe De Sonhar.

Observe os passos mas nunca os acompanhe.
Esta é minha sina sagrada.
O que não mata apenas fortalece.
Mas minha tortura não me eleva ao céu.
Todos podem ver a verdade.
Bem, talvez eu esteja manipulando-a.
Mas eu preciso de mais uma chance.
Nós podemos...
Sei que realmente podemos...
Mas a sina sagrada sempre intervém.
Observe os passos mas nunca os acompanhe, ela diz.
Que posso fazer então?
Eu sinto que ainda podemos tocar o vento.
Mas esta rosa sangra pétalas de distância.
Segundas chances...
Coisas desse tipo não existem.

10 outubro 2010

Irmãzinha...

Não sei direito qual é o problema...
Mas conversando com a minha pequena percebi que há algo errado. Ela é a minha irmãzinha, sabem?
Sempre que precisava de mim eu procurava ouvir e tentava ajudar. Me sinto realmente como um irmão mais velho...
Do tipo que tem que abraçar se ela precisar, cuidar quando ela estiver mal. Do tipo que sorri quando ela sente necessidade.
Mas não sei, de uns tempos pra cá eu acho que inverti as coisas. E isso não é certo, é?
Não, não creio que seja. Mesmo porque eu não gosto que seja assim.Não gosto de vê-la com problemas, mas preferia quando eu cuidava dela.
Era algo sincero... E eu podia ver que conseguia ajuda-la vez ou outra. Mas vejam só, agora quem está perdido em dúvidas sou eu...
E então ela precisou se dispor para me ouvir.
Mas não era isso que EU deveria fazer?
Acho que sou egoísta de ficar "chorando meus problemas" para ela.
Que tipo de irmão mais velho sou eu afinal?!
Realmente estou me sentindo meio indignado...
Porque ela não precisa ouvir nada...
Mas ela sempre está ali quando preciso.
E é isso que me faz pensar que estou agindo errado.
Não sei porque, mas não era eu que cuidava dela antes?
Porque não cuido mais agora?

09 outubro 2010

Eu Não Entendo...

Está me puxando para baixo.
Bem lá para o fundo...
Me parece que a escuridão chegou para ficar.
Estou perdido e com medo.
E toda a minha fé começa a desaparecer.
De qualquer jeito a atração é muito forte.
Eu escuto o chamado.
Nem ligo para a advertência.
Não preciso chorar.
Essa é a minha grande chance.
Essa é a salvação...
Esse vapor de pecado.
Está adormecendo minha pele.
Mas tudo parece mais fácil agora.
Estou perdendo o meu chão.
Em um caminho fatal.
Com cada passo que dou.
Por que vou para longe de você?
Promessas que quebrei.
Como posso encontrar o caminho de volta pra você?
Mas com tudo que ganhei.
Vou cair cada vez mais fundo...

07 outubro 2010

Horas, Horas E Mais Horas...

Estou sem ânimo...
Sem ânimo pra qualquer tipo de coisa.
Treinar freestyle, desenhar, jogar videogame, escrever, postar aqui.
Não sinto vontade de fazer nada... sequer comer.
Tudo que quero é deitar no escuro e ouvir meu jazz até dormir...
Pessoas dizendo coisas pelas minhas costas.
Pessoas achando que me conhecem.
E agora a pessoa até então mais importante resolve "me deixar em paz".
Quem dera fosse simples assim...
Mas ela não vê isso, eu não espero que veja.
Ela sequer tem motivos para ver algo desse tipo, e espero que nunca tenha.
Mas o fato é que voltei a ser o que não queria.
Um desperdício. Escorado na parede do conformismo.
Sem ânimo pra tentar algo novo.
Lembranças se remoendo e me atingindo uma após a outra...
Não sei quanto mais eu suporto isso.
Mas parece que por enquanto não vai mudar.
Tudo que eu queria era dormir com aquela musica na cabeça...
E acordar só daqui a muito tempo.

Por Favor, Não Me Conforte...

Você disse que entende.
Juro que te respondi com ironia... Não, você não entende.
Sei que não sou a "vítima", muito menos você.
Mas realmente, você não entende.
Você não sabe o que é pensar em alguém e isso ser o suficiente pra te drenar por completo.
Não sabe como é desejar o impossível.
Saber que nunca conseguirá juntar todos os pedaços.
Que nem uma foto de lembrança foi tirada...
Que nunca mais será a mesma coisa.
Não sabe o que é ouvir algo e acreditar... E depois ver que foi só ilusão.
Não consigo te entender...
Disse que queria me conhecer melhor mas nunca me responde.
Sempre evasiva. Sempre defensiva.
Eu nunca te magoei, nunca te machuquei.
Embora você tenha feito isso comigo, ainda que involuntariamente...
Não penso em revidar nada, nunca pensei.
E não te culpo por absolutamente nada... Na verdade a culpa foi minha.
Mas por favor, não me diga que entende.
Porque não, você não entende nada.

06 outubro 2010

Minha "Julia" Se Foi...

Certo, eu nunca tive esse amor...
Mas hoje perdi uma amizade...
E agora eu vejo que nunca será igual...
Nunca será...
Eu fiz tudo errado sabem?
Eu errei...
Essa verdade é minha...

05 outubro 2010

Centésimo Nono.

Crônica De Amor.

"Havia uma garota.
Uma estranha e encantadora garota.
Ela dizia vir de longe.
Muito longe...
Além da terra e mar.
O rosto tímido de olhar triste.
Mas as palavras eram sábias.
Então um dia ela se foi.
Novamente cruzando este caminho.
Eu tentava entender,
E ela disse sua despedida.
A coisa mais importante a se aprender.
É amar e em troca ser amado.
E assim ela foi.
Ainda estranha e encantadora.
Para seu muito longe.
Além da terra e mar..."

By - [Halos]

04 outubro 2010

Centésimo Oitavo.

Cair Da Noite.

"Pensamentos difusos se esvaem.
Torrentes de sonhos perdidos e insensatos.
Horas manejam medo e dor.
Porém estas asas angelicais envolvem.
Do pranto retiram dias felizes.
Como a fragrância de uma rosa perfeita.
Calorosas e castas elas flutuam.
Trazendo sorrisos mudos e olhares singelos.
Envolvendo o semblante fechado.
Como nuvens de paz e graciosidade sincera.
Aplacando a chuva como um toque alvo na escuridão.
Afastando todas as incertezas do vento."

By - [Halos]

30 setembro 2010

Outro Grande Fracasso...

Apenas outro grande fracasso...
Eu nunca consigo ter algo duradouro, mútuo, recíproco.
Hoje eu descobri que foi apenas um erro.
Mais que isso, eu fui um erro. Foi doloroso lidar com aquelas palavras.
Ela nunca esteve realmente comigo.
Nunca sentiu algo. Nunca...
Talvez desde o primeiro dia tenha pensado em terminar tudo.
Mas mesmo que ela não esteja comigo eu estou com ela.
Fingindo estar aonde não estou mais.
O ruim é que esse erro foi meu único acerto.
Foi o meu melhor. O meu real. Meu coração pulsava por isto.
Mas a essência disso tudo foi pura ilusão.
Eu acabei estragando tudo... Estou com medo do fim completo.
Porque mesmo que ela esteja ao meu lado ela não está comigo.
Mesmo ao meu lado ela está tão distante...
E eu nunca consigo traze-la de volta.
Talvez isso estivesse na minha cara o tempo todo...
Talvez eu não visse por ter parado de querer.
Mas foi a primeira vez que senti algo. Algo sincero e forte.
Só sei que agora estou desanimado. Cansado.
Queria enterrar todas essas atitudes...
Cansei de ser um erro na vida das pessoas... Estou exaurido.
Céus, o que eu fiz de errado?
Eu não consigo entender...
Porque a verdade sempre tem que doer?

26 setembro 2010

Outra Manhã. - Parte 11

Depois de um tempo que não pude calcular cheguei ao bar. Desci do carro e entrei. Ray estava sentado atrás do balcão, o rosto apoiado na mão, fazendo palavras cruzadas. Olhou rapidamente para a porta, surpreso.

- Veja só se não é o meu garoto Tony! – Disse com sua voz rouca habitual.

- Gin tônica. – Eu disse enquanto sentava à sua frente no balcão. Ele notou que eu não estava em minha melhor hora.

- Noite difícil?

- Trabalho.

- O que houve?

- Matei um canalha contrabandista.

- Você nunca teve problem...

- Matei uma garota. 19 anos no máximo. Ela estava assustada. Absolutamente amedrontada. E eu a matei sem hesitar. Ela provavelmente sequer sabia por que estava sendo caçada, mas como sempre, a Morte tirou-lhe o dom da vida sem perguntar se podia.

Eu falava calmamente, olhar baixo, encarando o tampo do balcão. Uma lágrima caiu diretamente no balcão. Surpreso, eu olhei para Ray. Meu amigo, o pai que não tive.

- O que há comigo, Ray? O que há comigo?

E de repente Ray me olhou com a sabedoria de um homem idoso. De alguém que viveu e sabe o que é sofrer, o que é pisar em cacos de vidro dia após dia e ver o sangue gotejar. Me olhou com a altivez de um homem que já tinha vivido muitos amores e infinitas dores. Que já tinha enterrado amigos. Perdido motivos para continuar.

Preparou um drink para ele e deixou meu copo com gin tônica no balcão. Deu a volta. Sentou-se ao meu lado e falou com sua voz rouca inconfundível. Desta vez sem o costumeiro humor debochado.

- É Tony... Parece que a Morte também inveja a vida.

Olhei-o enquanto passava a mão nos cabelos de minha nuca, as lágrimas ainda caindo. Eu tinha dinheiro. Vivia naquele apartamento para não chamar a atenção, mas neste ritmo de trabalhos, poderia me aposentar aos 36 anos. Mas tudo que eu queria era abandonar aquilo tudo. Bebi um gole maior do que esperava e engasguei.

- Você pensou na Lígia, não é?

Apenas balancei a cabeça concordando, as lágrimas secando em meu rosto.

Ray bebeu um gole do seu drink e acendeu um cigarro. Soltando a fumaça pelo nariz, falou a verdade da forma mais compreensiva possível.

- A Morte é poderosa, Tony. Mas ela também chora...

Bebendo outro gole do meu drink, apenas concordei fitando o nada.

- Sim... A Morte também chora...


26 de Setembro de 2010. Por: Régis S. Oliveira.

Outra Manhã. - Parte 10

Olhei ao redor, aparentemente vazio. Mas meu feeling me dizia que tinha alguém ali. Entrei e fechei a porta, olhando com atenção. Ouvi respiração contida.

Fácil. Fácil demais. Confiança é um veneno perigoso. Mas eles eram realmente amadores. Não sabiam com quem estavam se metendo.

Abri a porta de um guarda-roupa de madeira maciça escura e me deparei com uma linda garota de olhos verdes. Assustada. Paralisada de medo.

Uma garota. A pele branca com poucas sardas exalando terror. Uma garota. Os cabelos louros e lisos colando à testa com o suor repentino. Uma garota. Lígia.

Paralisei por um instante, a pistola apontada diretamente para a testa da garota.

Ela podia ver apenas meus olhos azuis, como um mau presságio. Aproximei o dedo do gatilho. Não podia... Era apenas uma garota, provavelmente filha do contrabandista morto no quarto da frente. Ela nem devia saber que o pai era apenas um canalha.

Respirei fundo. Retomei o controle. Atirei na garota, que tombou para dentro do guarda-roupa e ali permaneceu.

Guardei as pistolas no coldre e saí da casa rapidamente.

Entrei no Opala. Mãos tremendo. Tirei o gorro, eu estava com os cabelos ensopados em suor. Tinha matado uma garota inocente que não tinha culpa alguma. Culpa. Sim, essa era a palavra que me atormentava agora. Mas eu era um matador, a destemida Morte de olhos azuis. Eu seria capaz de matar qualquer pessoa. Seria capaz de derrubar qualquer sorriso. Mas veja que ironia, estava me remoendo por uma lembrança.

- Morte... Hã?! – Indaguei a mim mesmo pegando o celular no porta luvas. Disquei o número. Uma voz masculina calma e educada me atendeu.

- Serviço feito, Morte?

- Serviço feito, Chefe.

- Que maravilha. Notou meu sarcasmo?

- Notei. Eram verdadeiros amadores.

- Realmente eram, mas Harris estava fugindo demais ao controle. Precisava de uma boa lição. O valor já foi depositado em sua conta secreta, Morte.

- Algum outro serviço?

- Eu te ligo.

Dizendo isso, ele desligou.

Liguei o motor, olhei a hora. Quase dez horas da noite. Dirigi cantando pneus e pisando no acelerador. O olhar inexpressivo.


26 de Setembro de 2010. Por: Régis S. Oliveira.

Outra Manhã. - Parte 9

Que alarmes de última geração o que! Era apenas mais um João-Ninguém que tinha dado um passo maior que a própria perna. Sorri. O humor do Chefe era incontestável. Realmente havia me trapaceado nessa. Mas o dinheiro e a adrenalina faziam valer a pena.

Abri a segunda porta e me deparei com um lindo banheiro, também de decoração vitoriana. Era realmente uma casa e tanto para um peixe pequeno.

Abrindo a terceira porta encontrei um homem de cabelos curtos e grisalhos vestindo um pijama azul bebê ridículo. Ele estava agachado ao lado da cama. Farejei medo.

As rugas da testa estavam acentuadas e sua barriga saliente embaixo do pijama parecia pulsar pela respiração rápida. Ele tinha um rosto gorducho amedrontado e olhos castanhos que queriam perfurar a parede e fugir das órbitas.

Semicerrei os olhos e encarei o contrabandista suado de pavor. Falei calmamente, a voz baixa anunciando o fim de tudo.

- Hoje é a última vez que sentirá seu coração pulsar.

Ele ergueu uma Sig Sauer prateada com a mão trêmula. Senti vontade de rir. O infeliz sequer conseguia empunha-la.

- É bom que acerte, Harris. – Sua expressão se apavorou mais ainda ao constatar que eu sabia seu nome – Mas veja, não há como me matar.

O homem não pareceu entender o que eu dizia, mas tentou escapar da forma mais digna que sua mente deturpada conseguiu imaginar.

- O-olhe... Podemos conversar. Eu s-sou rico, posso te pagar o dobro do que está recebendo. Só me diga seu nome e eu te darei o que me pedir.

O homem estava desesperado. Sem coragem para atirar, tentando se apegar a todas as formas possíveis de acordo. Seu desespero me divertiu rapidamente, mas era hora de terminar aquele trabalho ridículo.

- Meu nome? - Deixei a questão valorizar-se. Ele me olhou com expectativa.

- Costumam me chamar de Morte. – Finalizei.

Senti o desespero tomar conta do desgraçado e apontei a pistola para sua cabeça. Aquela era a assinatura. O jogo psicológico. A Morte chegando faceira, inevitável, anunciando sua presença ao réu julgado. Ele gritou. Sim, era o que eu queria. Todas as formas de desespero possíveis. Todos os níveis de agonia transparecendo seus sentidos.

Acertei o tiro na testa do homem, fazendo-o tombar com lágrimas nos olhos. Saí do quarto e me encaminhei para a última porta do corredor.

Abri e me deparei com um quarto tão rebuscado quanto o outro, porém mais agradável.


26 de Setembro de 2010. Por: Régis S. Oliveira.

Outra Manhã. - Parte 8

Do outro lado da rua, e ainda despercebido por meus oponentes, mirei a cabeça, segurei a respiração e apertei o gatilho rapidamente. O silenciador abafou o barulho do tiro. O corpo tombou imediatamente. Certeiro. Antes que o outro segurança tivesse reação para notar algo, mirei sua cabeça e puxei novamente o gatilho. Rapidamente ele acompanhou seu parceiro na viagem ao mundo dos mortos.

Dois tiros. Dois mortos. Assim começava minha obra de arte. Silêncio. Ser uma sombra, vagar pela noite e chegar despercebido. A Morte pedindo passagem.

Corri imediatamente, atravessando a rua e contornando a casa enorme, cheguei ao portão de entrada nos fundos da casa, e logo avistei outros dois seguranças. Antes que pudessem tirar suas mentes do torpor do tédio, os matei com mais dois tiros nas cabeças.

Ah, como eu era bom! Realmente era o melhor no que fazia. Realmente era a verdadeira Morte. Ceifando almas sem permissão dos céus.

Pulei o portão preto e largo da entrada dos fundos e cai silenciosamente, amortecendo o impacto da queda alta com um giro rápido de corpo no chão. Àquela altura provavelmente já sabiam que um intruso adentrara a propriedade. Mas esse era meu segundo ato, minha segunda camada de tinta escarlate em meu quadro de tons funestos. Primeiro, a doença silenciosa. Depois, o estrondo mortal.

Retirei o silenciador da pistola e saquei a outra. Uma em cada mão. Ser uma sombra já não bastava, eu queria o barulho. A constatação seguida do medo. Desordem. Pânico.

O suor frio escorrendo pela testa, pois jamais escapariam. Eu queria que olhassem as câmeras e não soubessem quem era. A Morte não mostraria sua face, mas cumprimentaria com a foice de lâmina fria. A adrenalina encheu meu peito.

Ainda correndo pelo gramado escuro, notei uma porta aos fundos, mas dei a volta e encontrei a porta da frente. Corri para ela e atirei na maçaneta, dando um chute com a sola do coturno para abri-la. Queria uma entrada triunfal.

Entrei em uma sala de estar de móveis pequenos, antigos e bem cuidados. Decoração vitoriana. Coisa de gente excêntrica. Notei uma porta ao fundo do cômodo e caminhei em direção dela. Entrei em uma cozinha enorme e absurdamente limpa. Meus olhos experimentados varreram o lugar à procura de movimento. Nada.

Voltei até a sala de estar e subi as escadas rapidamente, os sentidos aguçados, os reflexos preparados. No corredor de cima não notei movimento, câmeras ou seguranças. O que acontecia naquela casa? Apenas dois seguranças em cada entrada? Estranho.

Quatro portas intercaladas se estendiam pelo corredor. Abri a primeira e encontrei apenas o vazio. Um sistema de câmeras desligado. Amadores.

26 de Setembro de 2010. Por: Régis S. Oliveira.

Outra Manhã. - Parte 7

Não sentia medo da morte física, pois já havia morrido. Foi quando conheci Ray. Quando ele me ensinou a atirar e a lutar, a confiar mais nas armas, nos instintos e reflexos e menos nas pessoas e em seus sentimentos.

Quando me tornei promotor, júri e juiz. Quando decidi tirar o dom que me foi negado tão dolorosamente pelo destino. Foi quando me tornei a Morte.

No fundo da caixa ainda estavam as alianças de noivado. Olhei o relógio. Oito horas da noite. Eu havia passado horas no meu transe apocalíptico. Guardando a foto na caixa, fechei-a e coloquei-a embaixo da cama novamente, respirei fundo e transformei as lágrimas de meu âmago em força. Afastei a sombra do homem que um dia fui.

Hora de trabalhar. Não haveria espaço para sentimentos.

Abri o guarda-roupa do antigo morador e me despi, pegando as roupas de trabalho.

Vesti a calça de couro e a camiseta de manga comprida e gola alta preta.Colete a prova de balas, fino e discreto, mas eficiente. Coisa cara. Em seguida os coturnos de cano alto e o coldre de ombro. Guardei minhas facas nos suportes da calça, fui até a sala e coloquei as pistolas no coldre. Voltei ao quarto e peguei por fim meu sobretudo preto de trabalho, mais longo e pesado. Peguei o gorro preto e guardei em um dos bolsos do sobretudo, juntos com os dois silenciadores.

A Morte se preparando para o mais apoteótico espetáculo. Ceifar vidas.

- Hoje, Harris Coltrain, você verá quão cruel o destino pode ser. – Sentenciei.

Preparado para o que me esperava, caminhei lentamente pelo clima úmido da rua de noite sombria, os coturnos estalando sobre os pedriscos da calçada molhada. Cheguei ao estacionamento e peguei meu Opala, dirigindo calmamente.

Meia hora depois eu chegava ao local. Parei o carro uma rua antes, acoplei o silenciador a uma das pistolas e desci. Caminhando rapidamente, sorri por não precisar estudar a casa e as formas de entrar. Hoje seria à minha maneira. Hoje seria minha poesia.

Vesti o gorro, cobrindo minha cabeça completamente, apenas os olhos azuis à mostra. Arma na mão. Se alguém passasse na rua naquele momento iria descobrir se Deus realmente existe. Avistei a casa ao longe. Não foi difícil reconhecer.

Uma casa realmente grande, com um sobrado imenso e um portão extremamente largo.

A casa tinha traços rústicos, como um chalé fora do lugar, uma chaminé longa de pedras se erguia encoberta por parte do sobrado. Uma bela moradia.

Andando pelas sombras da noite imperturbável, distante o suficiente para não ser notado, pude ver os dois seguranças na entrada, altos, fortes, vestindo os característicos ternos e óculos escuros, e em posição de vigia.

26 de Setembro de 2010. Por: Régis S. Oliveira.

Outra Manhã. - Parte 6

Entrei no carro e voltei ao estacionamento, guardando-o e seguindo a pé até o apartamento, as armas e a carta guardados em meu sobretudo.

Entrei e tranquei a porta, deixei as armas em cima da pequena mesa da sala e tirei o sobretudo e o chapéu, jogando-os ao sofá.

Ainda na sala, tirei minhas roupas e deixei-as no chão, caminhando até o banheiro.

Liguei o chuveiro repleto de teias de aranha e deixei a água esquentar enquanto me olhava no espelho rachado. Cabelos pretos curtos, olhos azuis tristes. Rosto sisudo, boca bem desenhada e nariz fino. Corpo esguio, porém forte e bem definido para os meus 32 anos. Mãos de dedos longos e unhas bem feitas. Cicatrizes de antigos serviços nas costas e nos braços. Ossos do ofício. Esse era eu. Anthony Darren.

Solitário e defensivo, amargurado e derrotado, exaurido e melancólico. Tirava vidas de pessoas para viver. Irônico, a imagem da morte. O espelho já estava embaçado pelo vapor da água quente. Deixei a água bater em meu corpo sentindo o choque térmico.

Depois do banho, me sequei e vesti um jeans preto desbotado, uma camiseta preta e meias brancas. Fui até a cozinha, peguei a caixa de cereal e a garrafa de leite na geladeira. Voltei ao quarto, sentei na cama e comi cereal regado a leite gelado, de forma lenta e maquinal.

- Às vezes você bebe o leite, às vezes o leite bebe você. – Conclui.

Deixei a caixa e a garrafa no chão, estalando os lábios e esfregando os cabelos ainda úmidos para retirar o excesso de umidade. A janela estava aberta.

Olhando o clima frio e úmido lembrei do dia em que morri.

O dia em que aquela mulher me matou. Caminhei até a cama e debaixo dela peguei uma pequena caixinha de sapato empoeirada. Abri-a e peguei uma foto aonde o rosto de uma linda mulher aparecia a um canto. O Sol iluminava seus cabelos castanhos deixando-os ligeiramente alourados. Os óculos escuros escondiam seus belíssimos olhos castanhos, e o sorriso branco e esplendoroso trazia leves rugas ao seu nariz fino e bem desenhado. A pele branca era ligeiramente rosada nas maçãs do rosto e na ponta do queixo. Ao fundo havia flores e mais flores, de várias cores diferentes, como um lindo jardim secreto. Algumas pessoas passavam mais ao fundo, perto de postes de luz de três lâmpadas. Lígia Maggiorini Bueno, 23 anos, em Paris. Eu bati a foto. Fizemos aquela viagem para comemorar nosso noivado. Mas um dia acordei ao lado de um bilhete que dizia apenas adeus e sinto muito, a aliança inerte sobre a cama. Foi então que morri.


26 de Setembro de 2010. Por: Régis S. Oliveira.