Inspiradora como o céu azul e o mar
Misteriosa e etérea
Tão linda quanto o luar
E tem um sorriso que vai além
Tão leve e gentil que nos faz sorrir também
Sua presença me remete a primavera
Aconchegante ao toque
Cores mais vivas na pintura mais bela
A luz morna do sol em minha pele
Um sorvete, mãos dadas, um beijo breve
O caminho entre o nascer e o poente
O querer do teu amor pra todo sempre
...
Sonhos de uma realidade que nunca vão acontecer me encantam e me assombram na mesma medida, sendo a vida feita de escolhas e feridas, eu sei que parte do meu erro foi escolher você em vez de mim. É, acho que nasci pra perseguir meu fim, algumas coisas simplesmente são assim.
20 março 2025
Linhas não complementares.
19 março 2025
Pouco a dizer.
Eu não vou mudar
Não vou chorar
Não vou mais lutar
Cansei de tentar
Preciso parar
Preciso respirar
Me reencontrar
Me dar a mão
Buscar me libertar
Do que me castiga
Do que me obriga
Do que me atormenta
Do que não lamenta
E aos poucos vai me matar
12 março 2025
Sessão gritos inaudíveis #15
Eu não ligo pra data nenhuma.
Acho que poderia se resumir nisso. É complicado dizer isso, eu posso parecer um monte de coisas, frio, indelicado, preguiçoso, egoísta, entre tantas outras coisas. E eu estou cansado desse peso. Eu não tenho os elementos pra entender a razão em sua essência, mas a verdade é que eu nunca tive muito apego com datas, desde que me conheço por gente. Meus aniversários sempre me aborreciam mais do que me alegravam, algumas outras datas também, e depois de um tempo, conforme eu ia crescendo, os presentes não mascaravam mais esse sentimento.
Nunca compreendi 100% isso, mas sempre senti essa pressão de ter que comemorar, ter que me alegrar e considerar as datas comemorativas como fidedignamente especiais, enxergar essa magia, essa comunhão em família, entre amigos, com a parceria romântica, sozinho também. Cansei de ouvir que não importa se eu prefiro ou não comemorar, eu tenho que comemorar, eu tenho que gostar disso e eu tenho que ver isso como uma das coisas mais importantes. Não tenho escolha porque ninguém tem. Todo mundo tem que ser feliz e curtir essas datas.
O resultado disso é que em toda minha vida eu sempre senti essa pressão enorme em todas as datas. Carnaval, Páscoa, Natal, Ano Novo, aniversários dos outros, de namoro, dia das mães, dos pais, da mulher, da consciência negra, etc... Sentia e ainda sinto essa pressão por parte da sociedade, dos indivíduos e de mim também, que durante a vida acabei criando esse pensamento de ter que melhorar nisso, ter que ver a importância das datas, ter que enxergar que eu preciso comemorá-las igual todo mundo faz. E eu me esforço pra isso. Pode parecer que não mas eu me esforço muito pra isso. Às vezes compensa por ver o outro feliz, por ver que ali naquele outro o coração está naquele momento mais aquecido porque estou ali, porque lembrei, porque presenteei, porque comemorei, e essa sensação também tem um grande valor que me ajudou e ainda me ajuda a manter o exercício disso. Me faz bem. Por outro lado essa pressão nunca foi realmente embora, e eu muitas vezes tenho que fingir que quero fazer alguma coisa, a questão é que às vezes eu não quero fazer nada.
É difícil explicar esse conceito, nunca achei alguém que entendesse exatamente. Não é como se eu não tivesse amor por minha mãe, por meus amigos, pelas parcerias românticas que tive em minha vida, não é como se eu não tivesse amor por mim e por muitas outras situações e fases da minha vida. Eu tenho. Tenho tanto qualquer outra pessoa pode ser capaz de ter. Mas eu não ligo pra data nenhuma. Minhas melhores e maiores lembranças com quem amo e com quem amei são em outros momentos. Momentos da rotina, momentos mais espontâneos pra mim, seja com quem for no nível de relação que for, um dia que fomos num lugar diferente, uma ida ao parque, ao cinema, o dia que comprei uma pizza, que me deram um chaveiro de presente, o dia que ajudei na mudança, aquele dia em que demos um beijo e um abraço apertado, aquela vez que bebemos muito e dormimos jogados depois de rir muito, quando escapamos de um apuro na madrugada, quando passamos o dia deitados de ressaca, quando fomos no estádio ver um jogo de futebol.
Coisas como essa são as que eu lembro melhor, as que eu valorizo melhor, as que me tocam mais genuinamente, e às vezes me cansa tanto essa pressão, que é sempre um alívio quando posso passar batido por qualquer data comemorativa que seja, o que também não significa que nos moldes certos eu não consiga curtir um bom momento numa dessas datas. Nada disso me faz melhor ou pior como uma pessoa, filho, amigo, namorado, nem me fará melhor ou pior como pai, marido, tio, avô, padrasto. Eu me esforço, e eu amo cada um de vocês, e essa será uma batalha que terei até o fim da minha vida, vocês entendendo isso ou não, concordando ou não, acreditando ou não. No fim, não é sobre nenhum de vocês. Como eu disse, eu amo vocês. Só que eu não ligo pra data nenhuma. Eu me esforço e eu faço meu melhor, eu aproveito da melhor forma que posso, e é o máximo que tenho pra cada um de vocês. Provavelmente ninguém vai entender direito, mas a essa altura da vida, confesso que isso eu já não espero.
Postscriptum.
Nem tudo é um sinal
Nem tudo é sobre mim
Nem tudo é sobre você
Nem tudo é sobre nós
E nem sempre será
Pois vivamos sem supor
Linhas mal endereçadas
Nem tudo é uma cartada
Tentemos nos lembrar
Existem sentimentos
Sem protagonistas
E passos e pensamentos
Que teremos por nós a sós
Sem esses ressentimentos
Já em outras não será
Mas no fim somos pessoas
Queremos sempre acertar
Parte da caminhada
É saber diferenciar