30 setembro 2011
Taste.
Or why they happen with these bastards.
But if I had one movement of action.
One chance to change some regrets.
One second to roll the dice.
One wish...
I'll just ask to live twice.
Insônia.
Tenho tido tempo para pensar.
Formulei questões incômodas.
Mas não consegui formular respostas.
Então eu me pergunto.
Quem você pensa que é para roubar minha luxúria de mim?
Quem você pensa que é para supor coisas sobre mim?
A princípio não sei.
Talvez simplesmente seja inevitável.
Concordo que tenho parcela de culpa nisso.
Mas é difícil fazer você enxergar.
De qualquer forma eu sou um desperdício de tempo.
Porque não sei quem você pensa ser.
Mas pensando bem sei o que você é para mim.
A pessoa mais importante atualmente.
Com me importo.
Por quem me importo.
Ainda assim não consigo simplesmente deixar tudo de lado.
Mas entenda...
Por favor, perceba.
Por favor...
26 setembro 2011
Joy.
No right words to say.
Where I was taken once more.
Once more...
She has passed beyond my reach.
She has passed...
She has passed beyond.
Come back to me now.
Back to me now.
Come back to me now.
To me now.
My love...
.
.
F.
25 setembro 2011
The Imperial Forces.
Come join us. Join us now.
We want to convert you.
To convert others.
To start converting more.
Pass this message to everyone.
This goes beyond anything you've known before.
You know what to do...
Join The Dark Side.
24 setembro 2011
Céu Rachado.
O mundo se revelou difícil demais.
Difícil demais para que ele pudesse aguentar.
Ainda assim ele tentou ter paz.
E com o olhar da sina se identificou.
Não se sabe como aquilo começou.
Porque ele caiu para o alto infinito.
E longe da beleza eterna quis ficar.
Mas ao entrar no jardim de memórias se perdeu.
Pois ouviu diversas propostas.
Cogitou diferentes caminhos.
E viu muitas feridas expostas.
Bem, você não disse que seria fácil.
Então ele continuou vivendo.
E por você tentou ser mais do que era.
Melhorar no que nunca pôde.
E ser forte como nunca conseguira.
Mas o labirinto de flores terminou sem aviso.
E o vento cantou em seus ouvidos.
Era hora de abandonar as fraquezas.
Pobre garoto tolo.
Resolveu esperar por você.
Gritou aos céus que esperaria para sempre.
Que estaria ali para você eternamente.
Mas a queda foi alta demais.
E o impacto, final. Friamente fatal.
He died for what he loved.
And what he loved was you.
23 setembro 2011
Amargo.
Eu tenho o dom de magoá-las.
E enquanto tento protegê-las.
Acabo dando-lhes a flor do adeus.
Não faço por intenção.
Mas nunca foi... Nunca é...
Isso não melhora as coisas.
Nem afasta a dor dos mais próximos.
Eu nunca quis estar ausente.
Mas como posso vencer esta barreira?
A distância é muito grande.
E ainda assim você sorri para mim.
Ainda assim você mostra o seu melhor.
E cá estou eu.
Congelado em passados recentes.
Morto...
Seu destino.
Espero que ele seja melhor que o meu.
Espero poder ser digno um dia.
Mas você é tão gentil...
Você é boa demais para mim.
Como jamais fui para alguém em vida.
Como não posso ser em morte.
O que é bom ainda está fraco demais em mim.
Me perdoe por isto.
22 setembro 2011
Fada Azul.
Quase não sinto sua respiração. Não tenha medo.
Uma noite mortal está esperando.
Daqui eu vejo uma bruxa sorrindo,
Em cima de uma carruagem de abóbora.
Vejo você nos seus sonhos,
Mesmo se forem pesadelos...
Fada azul, se for por você, eu destruirei as estrelas.
Vou usá-las para decorar esse luar negro.
Porque quando eu estava perdido, você me deu um motivo para acreditar em mim mesmo.
E quando você estiver perdida, aqui estarei.
Para sempre com sua alma.
Se você levantar os olhos, tudo irá brilhar assim como a lua.
De um jardim, junto ao seu destino,
Escorre uma doce gota escarlate.
Agarre-a e faça tudo acontecer.
Mas não faça acordos com o demônio.
Assim ninguém ficará com medo.
Fada Azul, você me deu a razão de viver.
E esse sentimento é eterno.
Eu vou te encontrar, minha querida, não importa onde você vá.
Agora que eu achei meu objetivo não vou te deixar escapar.
"Não acredite totalmente em ninguém, a opressão e o tempo sempre existirão."
Suas palavras sempre estarão no meu coração, todos os dias.
Eu vou destruir as estrelas só por você, Fada Azul.
E usá-las para decorar suas palavras.
"Pare de se perder em sonhos!" você disse a mim,
Por isso eu quero escapar com esse momento.
Fada Azul, você me deu a razão de viver.
A única escolha na qual eu confio.
Você não está sozinha.
Quando você estiver perdida, aqui estarei.
Para sempre com sua alma.
Lutando por você. Confie em mim.
Time Of Dying.
I'll wait here for you.
I feel alive.
When you're beside me.
I will not die.
I'll wait here for you.
In my time of dying.
20 setembro 2011
Sigh...
Com o fato de não poder te dizer tudo.
De não poder dizer que apenas gostaria de te olhar.
De segurar sua mão e acariciar seu rosto.
De mexer no seu cabelo gentilmente e sorrir.
Você fica nos meus pensamentos ao dormir.
E eu sei que estará lá quando acordar.
Mas não posso te dizer...
Não quero te assustar, te pressionar.
E ao mesmo tempo quero apenas te abraçar.
Sem avisos ou palavras.
Ah, minha pequena, como eu gostaria.
É difícil lidar com isso.
Mais do que jamais pensei que fôsse.
18 setembro 2011
The Sky Is Falling.
Make a wish.
Count to three.
Sometimes a dream turns into a dream.
So wait me on the other side.
I'm coming towards you.
I promise that I'll be faster.
And if we truly wish, we'll be free.
I'm counting on you to hold my hand.
I'm counting on you to love my heart.
I'm counting on you to save my soul.
Believe me, I'll just want to stay with you.
But I know that this would be impossible.
Can we be a couple?
I could say it but I'd lie.
I've got the bullets. In my own chest.
I've got the blood. Like all the rest.
Close your eyes and trust me.
The sky is falling...
So hold your breath.
Make a wish.
Count to three.
Love. Dust. Love. Lust.
14 setembro 2011
Mais Uma Noite Rotineira.
Você levanta. Está irritado. Vai até a cozinha, abre a geladeira e não pega nada. Fecha a geladeira. Abre de novo. Fecha novamente. Vai até a janela, abre e olha o céu. Frio. Lua. Ela. É estranho perceber que você se lembra dela em quase todos os momentos. Você fala sozinho, se pergunta o que ela deve estar fazendo. Provavelmente dormindo, é óbvio.
Você fecha a janela. Abre a geladeira e bebe um pouco de refrigerante direto do gargalo. O que você não daria por uma maldita cerveja. Vai até o sofá, senta e recosta a cabeça. Olha para o teto. Fala sozinho. Você não acredita que não está com ela. Não por uma razão que a princípio poderia parecer fácil de resolver. Mas você não consegue mudar. Você é um merda de um convicto. Você respira fundo e suspira. Esfrega os olhos com força. Pragueja em voz alta. Tudo que queria era poder estar com ela sem maiores complicações.
Lá vai você, pensando nela de novo. Pensa quando quer e quando não quer. Lembra várias vezes. Liga. Manda mensagens. Se preocupa. É inevitável. Você simplesmente gosta de tudo isso. Você simplesmente gosta dela. Você levanta do sofá. Liga o som. Coloca sua música triste preferida e ouve enquanto senta no braço do sofá. Desliga o som com a letra e sua amada na cabeça. Vai até a geladeira e bebe refrigerante. No gargalo. Você está adquirindo maus hábitos.
Deita e liga a tv. Passa pelos canais e desliga. Você não quer assistir. Ela ainda está nos seus pensamentos. Você sorri. Uma ponta de tristeza se acentua, mas você continua sorrindo. Respira fundo e fecha os olhos. Ainda assim você sabe que não vai adormecer.
13 setembro 2011
I Know... I Know...
Eu vou estar lá para te abraçar durante a noite.
Vamos correr tão rápido, que podemos voar esta noite.
E mesmo quando estamos a milhas e milhas de distância,
Você ainda guarda todo o meu coração.
Eu prometo que nunca ficará escuro.
Eu sei, nós somos inseparáveis...
L.D.L.L.
Eu reescrevo o que não devo.
Engulo meu próprio veneno.
Consumindo tudo involuntariamente.
Eu abro o portão dos meus segredos.
E meus pensamentos me esquecem.
Me esquecem em minha desgraça.
Heartbeats.
I've got the bullets. I've got the blood.
Love. Dust. Love. Lust.
É, Foi Isso.
Não era bom tentar. Tentei.
Mas por conta de minha crença na descrença.
Não pude fazer com que meu simples querer vença.
Ao menos ouvi sua sinceridade.
Gostei de saber desta bela verdade.
Seria cômico se não fosse trágico.
É pura tolice desejar um final mágico.
12 setembro 2011
Mas Até Quando?
Vem que eu dou um pouco mais.
Se é o que quer...
Eu tenho um pouco mais.
Eu te dou sempre um pouco mais.
Vem...
I'll Never Dream.
Taking away memories.
Just hoping for a miracle embracing my life without you.
I try...
I'm asleep but I can never dream.
'Cause dreaming brings me back to you.
I try to think of what the future holds.
Because my past belongs to you.
It brings me back...
I'll never dream...
11 setembro 2011
A Vida Real.
Então, um dia, fiz uma coisa idiota. Eu estava assistindo a um desenho no qual um dos personages era sugado por um aspirador. Não aconteceu nada de mau com ele. Ele saiu do saco, cheio de poeira e lixo, e furioso. Era muito engraçado.
Tão engraçado que tentei fazer o mesmo. Com a tarântula.
Não preciso dizer que as coisas não aconteceram como no desenho animado. A aranha foi feita em pedaços. Eu chorei bastante, mas era tarde demais para lágrimas. Meu bicho de estimação estava morto, por minha culpa, e eu não podia fazer nada a respeito.
Na vida real, aspiradores de pó matam aranhas. Se você atravessa uma rua movimentada sem olhar, acaba atropelado por um carro. Se você cai de uma árvore, quebra alguns ossos.
A vida real é horrível. É cruel. Não se importa com heróis e finais felizes e como as coisas devem ser. Na vida real, acontecem coisas más. As pessoas morrem. Lutas são perdidas. O mal sempre vence."
.
.
By Darren Shan.
09 setembro 2011
All About...
All about the water.
All about the sky.
All about the water...
Don't pretend that you know, 'cause you don't.
Don't forget.
Don't forget...
O Que Você É.
Ou que teria tanto carinho para dar em tão pouco tempo.
É estranho admitir que me sinto diferente.
Que você me faz sentir diferente.
Não sei dizer quando nem porque, mas é fato.
E isso me deixa com medo.
Eu tenho muito pouco a oferecer.
Muito menos do que os anos deveriam provar.
E não sei dizer o que você pensa de mim.
Nem consigo perguntar o que sente ao me ver.
É mais do que aquilo que ouço.
Mas deve ser menos do que desejo.
É complicado. Muito complicado...
Faz Sentido.
Jurei que não iria mais falar de mim.
Porque eu achei que eu tinha outras historias pra contar..."
Aposto que pra você faz sentido também.
08 setembro 2011
É Isso Mesmo.
05 setembro 2011
Stronger.
Now it's time to show them all, what I am, who I am, what I think!
Answer me for all the I'm asking.
Taking back what I've been missing.
Looking back making me stronger.
My despair makes me live longer.
My despair!
.
.
DBA.
04 setembro 2011
Again, My Dear.
Ultimamente tenho me sentido diferente.
Em relação a coisas que são assustadoras.
Impossível dizer como começa.
Mas eu sei exatamente como termina.
É algo absolutamente singular.
Ainda assim eu tenho essa vontade.
De seguir e crer no inimaginável;
De cair de novo, só pelo prazer da queda.
Não posso dizer o que acontecerá.
Mas o fato é que já me sinto desta forma.
Estou perdido novamente...
Apenas não pude evitar.
Porque me faz sentir tão... É, isso mesmo.
.
.
Droga, eu sou um incorrigível. Hehe. ^^'
02 setembro 2011
Café.
Outra vez estou caminhando lentamente com as mãos nos bolsos enquanto o vento frio cumprimenta meu rosto desprotegido. Estamos no inverno, mas o sol aparece entre algumas nuvens e prédios e esquenta ligeiramente meu corpo muito bem agasalhado. Ainda que esteja frio, o clima está agradável, eu apenas gostaria de não precisar vestir este casaco pesado, mas infelizmente é necessário.
Atravessei um cruzamento e depois de mais alguns metros cheguei ao Monsieur Petit Déjeuner, um café vinte e quatro horas em que costumo passar grandes partes das minhas horas matutinas. Sentei em uma das mesinhas redondas e aconchegantes na parte de fora do café, e logo uma moça de aparência simpática com uma touca de proteção nos cabelos e um avental azul escuro com o nome do café bordado veio em minha direção.
- Bom dia, senhor Daniel. O que vai querer hoje?
- Lizzy, eu venho aqui quase todos os dias a mais de um ano. Pode me chamar pelo meu primeiro nome... Na verdade até prefiro assim.
- Eu sei Kurt, só estava tentando te irritar. - Ela sorriu animadamente.
- Cada dia que passa você fica mais boba. - Sorri de volta.
- Eu faço o que posso. Bem, o mesmo de sempre?
- Sim, por favor.
- Você manda Kurt.
Depois que ela entrou para preparar meu pedido, me estiquei na cadeira e relaxei os músculos do pescoço. Olho meu relógio, quase nove da manhã. Ela está atrasada. Bem, ela sempre foi uma mulher de muitos compromissos e pouca pontualidade. O sol estava longe das nuvens e o vento parou de soprar forte, então tirei meu casaco e o pendurei na cadeira. Ajeitei a gola alta da camiseta no pescoço, isto devia bastar.Em alguns minutos Lizzy voltou carregando uma bandeja com uma caneca fumegante de café preto, e um prato com três croissants de chocolate. Colocou tudo na mesa e se afastou um passo enquanto abraçava a bandeja. Esperei que ela voltasse para dentro, mas ela não se moveu um centímetro sequer.
- Algum problema? - Apoiei meu queixo em uma das mãos e franzi a testa.
- Só um...
- Então vamos a ele.
- Acha mesmo que eu trouxe tudo apenas por causa dos seus belos olhos castanhos?
- E o que você quer?
- Fora o dinheiro do pedido, acho que um 'obrigado' é suficiente. - Ela sorriu. Parecia estar de divertindo com a minha cara.
- Obrigado por este desjejum tão bem feito e tão saboroso que você teve o sacrifício de me trazer. Serei eternamente grato! - Disse exageradamente enquanto fazia uma pequena mesura. Ela riu.
- Agora está melhor. Posso voltar ao trabalho com o alívio de saber que alguém tão importante quanto o senhor José-Ninguém Kurt Daniel é grato por meus serviços! - Ela realmente estava se divertindo com a minha cara.
- Você é um doce Lizzy. - Acentuei com sarcasmo enquanto semicerrei os olhos.
- Hahaha, eu faço o que posso. - Ela disse fingindo jogar o cabelo com a mão enquanto voltava para dentro. Sorri sem mostrar os dentes. Aquela garota era realmente uma peste, mas eu a adorava.
Peguei meu caderninho de bolso e uma caneta no casaco, bebi um gole do café fumegante e comecei a tentar me inspirar. Depois de alguns goles e vários jogos da velha rabiscados, desisti e coloquei tudo de volta no casaco. Horas. Nove e vinte e cinco. Bem, eu não estava com pressa. Mas exatamente quando pensei nisso uma mulher de botas e casaco bege veio caminhando pela calçada de forma barulhenta. Já não era sem tempo. Ela me cumprimentou com um beijo rápido nos lábios e sentou em minha frente.
- Ufa, me desculpe pelo atraso, precisei dar uma passada no atelier pra ver algumas coisas.
- Tudo bem... - Eu não estava surpreso. Giovanna sempre fora assim.
- E então, você pediu algo para mim?
- Na verdade não, mas fique a vontade. - Apontei para o pequeno botão em relevo ao canto da mesa. Ela apertou-o e um minuto depois Lizzy veio à nossa mesa com uma expressão de tédio.
- O que vai querer? - Ela perguntou com uma indisposição que beirava a incredulidade.
- Hã... Um café com menta e uma porção pequena de pães de queijo.
- Só isso?
- Só isso. Pode ir. - Ela acenou com a mão, mandando-a embora. Lizzy abriu a boca para responder algo que com certeza seria de mau tom para uma garçonete, então resolvi intervir.
- Por favor! - Eu disse olhando para Giovanna de forma condenadora.
- O que foi?! Eu não disse nada de mais.
- É... Só esqueceu sua educação atrás do sofá juntamente com sua pontualidade.
- Bem, acho que isso valeu mais que um mero agradecimento. Obrigada Kurt. - Disse Lizzy com um sorriso triunfante enquanto ia preparar o pedido. Me preparei para o que com certeza viria.
- Vai me humilhar em público agora?!
- Você se humilha em público...
- Vai ficar do lado da garçonete em vez da sua namorada?!
- Você não pediu por favor...
- Isso não vem ao caso! Você é meu namorado, devia ficar a meu favor, e não contra mim!
- Sou seu namorado, não seu advogado...
- Ah! Você consegue me tirar do sério!
- Pare com isso Giovanna, já acabou... Não faça disso um verdadeiro teatro, por favor. - Falei o por favor bem devagar para que ela entendesse. Ela me olhou com um certo mau humor, respirou fundo e pegou um dos meus croissants de chocolate.
- Certo. - Disse enquanto mordia o croissant. - Na verdade eu marquei este encontro com você porque queria conversar sobre algo importante.
- Defina 'importante'.
- Nós.
- E lá vamos nós...
- Sem piadas Kurt, estou falando sério!
- Okay. Estou ouvindo.
- Bem... Ultimamente eu tenho me sentido diferente em relação ao nosso namoro. Estamos a dois anos juntos, mas de alguns meses para cá venho querendo te dizer umas coisas.
- Hum.
- Hum?! Essa é sua resposta?
- Diga logo o que quer dizer... Não gosto de rodeios. Principalmente porque já sei o que está por vir.
- Está bem. Então escute. Eu sei que nós amamos um ao outro, mas isto não está dando certo. Eu sou uma mulher de princípios, Kurt. Sei de minhas responsabilidades. Vou ao atelier, faço meu trabalho, traço planos, alço vôos mais altos. Eu sou uma mulher feliz com meus objetivos. Mas você... Você é um sonhador, Kurt.
- Eu sou é?
- Pare com esse sarcasmo! Você é um escritor de muito talento que está passando por uma fase medíocre á quase um ano! Não importa quantos trabalhos na redação daquele escritório empoeirado você faça para poder pagar as contas, esta não é a sua profissão! Você é um escritor que não escreve! Acha mesmo que as coisas vão mudar sem você fazer nada?!
- Geralmente não gosto de forçar inspiração. Como produtora de um atelier, você deveria compreender. E ganho o suficiente com meu trabalho na redação do escritório, posso me sustentar muito bem obrigado...
- Com licença. - Lizzy interrompeu enquanto colocava o pedido de Giovanna na mesa. - Café com menta, pães de queijo, briga de casal. Ah, este último não estava no pedido, mas fica por conta da casa - Ela sorriu enquanto olhava para mim.
- A briga de casal é sempre por conta da casa, não é? - Sorri de volta.
- Claro, que estabelecimento gostaria de se gabar de vender corações partidos?
- Acho justo.
- Com licença, mas estamos tentando conversar aqui! - Giovanna disse com uma expressão irritada.
- Obrigado Lizzy, mas nos dê licença um minuto, sim?
- Está bem Kurt. Boa sorte. - Ela se afastou para atender outra mesa.
- Essa garçonete é muito irritante!
- Calma, ela não faz por mal.
- Pare de defendê-la na minha frente!
- Ela não tem culpa por estarmos com problemas. Mas enfim, você dizia... ?
- Bem... Eu te amo Kurt, mas você é o oposto de mim. Não posso continuar uma relação com uma pessoa assim. Você não é disciplinado, não tem ambição, você é um homem de vinte e sete anos com o espírito de um homem de setenta! Eu sempre gostei muito do seu jeito de lidar com os problemas, mas eu olho para você e não vejo meu namorado, vejo uma grande massa ranzinza sem cor.
- Entendo... Suponho que isto seja o fim então?
- Sim... Eu não queria que as coisas terminassem desta maneira, mas você e eu somos incompatíveis.
- O dia está bonito, não?
- O que?
- O dia... Olhe ao seu redor um instante. Está realmente um belo dia. O frio diminuiu um pouco, o sol está agradável. Sem trânsito, sem correria, sem pressa. É o tipo de coisa que faz você pensar que o mundo é realmente um lugar maravilhoso, não é mesmo?
- O que você está dizen...
- Você tem sua maneira de lidar com as coisas, e eu tenho a minha. Só me responda, por favor.
- Bem, está um dia bonito. Muito bonito.
- Absolutamente. Mas sabe qual é a ironia disso tudo? A verdade do universo é um momento mentiroso. Enquanto estamos aqui, bebendo café e conversando, alguém neste momento está saindo de casa e se perguntando aonde foi parar o carro. Alguém não tem dinheiro para pagar a tarifa do ônibus, e agora tem que andar quatorze quadras para trabalhar em alguma loja que está quase o demitindo. Enquanto estamos aqui fazendo nada, alguém está olhando muito cansado para o seu laptop, tentando se inspirar. Alguém está engolindo os próprios pensamentos para não dar um tiro na própria cabeça. Você sabe o que está entre nós e todos eles?
- Não, como eu saberia uma besteira dessas?!
- Sempre pensei que você fosse uma mulher mais perspicaz. Bem, entre nós e eles há o mesmo dia lindo. Consegue ver a grande ironia disso?
- O que você está tentando me dizer?
- Que apesar de ter sido doloroso escutar tudo o que você disse, eu compreendo e não a culpo, porque mesmo no dia mais bonito, enquanto coisas lindas nos distraem coisas ruins acontecem. É uma pena que desta vez tenha acontecido conosco...
Ela parecia ligeiramente espantada com minha reação. Depois de muito tempo a vi completamente calada. Talvez esperasse mais irritação ou mais frases sarcásticas, mas com certeza não esperava minha sinceridade. Isto foi de longe a pior dor que pude sentir. Mas eu não poderia culpá-la, realmente éramos diferentes. Giovanna bebeu alguns goles do seu café e depois de alguns segundos pareceu mais desperta. Se levantou e passou a mão pela lateral do meu rosto.
- Você sempre foi um ótimo escritor.
- Você sempre foi linda e obstinada. - Devolvi com gentileza no olhar.
- Adeus Kurt.
- Foi um enorme prazer Giovanna. Adeus.
Ela bebeu o café rapidamente, abriu a bolsa e tirou algumas notas da carteira, deixou em cima da mesa e foi embora. Fiquei olhando ela partir sem olhar para trás. Então Lizzy se aproximou e sentou rapidamente, me assustando.
- E ai, como foi?
Não respondi.
- Situação difícil?
- Sim... Mas o que na vida não há de ser, não é mesmo?
- Se quer saber a minha opinião, vocês não combinam.
- É tão visível assim?
- Bastante.
- Bem, Giovanna sempre foi uma mulher de muitos compromissos e pouca pontualidade. É uma pena que não tenha encontrado um espaço para mim em sua vida.
- Certo, senhor Kurt Daniel, meu horário encerra em quinze minutos. Que tal irmos tomar um sorvete depois para você afogar as mágoas?
- Acha mesmo que sou uma pessoa que afoga as mágoas com sorvete?
- O que você sugere?
- Um belo drink, talvez?
- Não, sorvete é mais divertido. Vejo você em quinze minutos! - Ela se levantou sorrindo calorosamente.
- Certo. Sorvete então...
Comi os pães de queijo que Giovanna havia pedido, e depois que terminei meus croissants de chocolate, Lizzy saiu sem a touca de proteção nos cabelos e sem o avental, correndo animadamente em direção à minha mesa, os cabelos castanhos balançando de um lado para o outro.
- E então, senhor depressão, vamos?
Olhei o relógio. Ela estava atrasada. Qual era o problema das pessoas com horários?
- Demorou cinco minutos a mais.
- E quem está contando? Vamos logo! - Ela me pegou pelo braço e andou apressada para a calçada.
Andamos algumas poucas ruas e logo chegamos a uma sorveteria. Não gostei da decoração colorida do lugar e muito menos do cheiro de tutti frutti, mas Lizzy estava contente, então não comentei nada. Pedi um sorvete de baunilha comum e ela pediu um sorvete enorme cheio de confeitos e todas essas coisas que crianças adoram. Depois de muitas taças de sorvete tínhamos conversado muito mais do que jamais cheguei a conversar com Giovanna em dois anos de relacionamento. E apesar de ainda doer ter sido rejeitado por ela, Lizzy estava conseguindo implantar algum ânimo em minha melancolia.
- Certo. Então vamos recapitular. Você é uma mulher de vinte e três anos que cursou três anos e meio de direito, largou tudo e começou a trabalhar em um café para pagar por um aluguel barato e um curso de fotografia e pintura?
Ela estava exibindo um sorriso orgulhoso. - Exatamente!
- Você é realmente muito louca.
- Falou o senhor escritor que não escreve. Quer algo mais louco que se especializar em uma área tão linda e não exercer o que realmente se quer?
- Touché.
- É, eu sei. - Ela sorriu.
- Sabe Lizzy, você é uma garota realmente diferente do que estou acostumado.
- Diferente como?
- Você é cheia de vida e de cores.
- Haha! É, é o que dizem por ai.
- Não seja convencida, sua boba.
- Bem, quem falou que sou cheia de vida e cores fui eu?
- Okay, dois a zero para você.
- Ah, como eu adoro vencer!
Demos mais risadas conforme a tarde foi passando, e quando olhei o relógio, percebi que tinha esgotado todo o meu domingo naquela sorveteria. Quase seis horas da tarde.
- Ei, percebeu que estamos aqui a mais ou menos umas oito horas?!
- Na verdade sim, mas eu não me importo.
- Bom, não posso dizer que eu me importo, seria uma mentira e tanto.
- É por isso que gosto de você Kurt.
- Hã?! - Aquela havia me pegado de surpresa.
- Você não se preocupa com detalhes que não precisam de real preocupação. Você é uma alma criativa e livre. E apesar de ser triste na essência, e de ter uma mania chata para horários, você é muito parecido comigo.
- Não vejo tudo isso em mim.
- Eu me espantaria se visse. Ninguém nunca vê nada excepcional em si mesmo.
- Verdade...
- Só achei que depois de ouvir que sou a vida em pessoa, você devia ouvir que também é.
- Quer dizer que isto é só um mero consolo?
- Quer dizer que você foi elogiado, seu ranzinza! – Ela sorria calmamente.
- Bem, se também sou a vida em pessoa, quem eu mantenho vivo? Minha namorada que supostamente deveria ser esta pessoa já não está comigo e...
De repente Lizzy se debruçou sobre a mesa, me puxou gentilmente para perto e me beijou. Não sei exatamente por que, mas retribui o beijo. E foi algo que me fez sentir completamente diferente. Foi algo que jamais senti ao beijar Giovanna. Foi algo completamente novo.
Não sei dizer quanto tempo ficamos debruçados sobre uma mesa cheia de taças vazias de sorvete, mas não me importei. Tudo em que eu pensava era em como eu adorava estar perto daquela menina mulher. Em como as horas passaram rápido e em como ela sempre me animava com seus comentários sempre que eu ia ao café. Ela me tirava do sério, mas eu a adorava, e a partir daquele beijo percebi que não apenas a adorava. Voilà! Algo mais forte estava nascendo.
Finalmente paramos de nos beijar e nos sentamos abruptamente. Um silêncio sobrenatural cresceu, e depois de alguns minutos de indecisão foi quebrado por mim.
- O que... O que foi isso? – Eu estava realmente atordoado.
- Um beijo. Ao menos nos filmes chamam assim. – Suas maçãs do rosto estavam vermelhas de vergonha, mas o olhar era firme e a pele clara do rosto acentuava o contraste com seus cabelos castanhos. Fiquei impressionado em como jamais percebi isto antes.
- Você... É linda...
- Você também não é de se jogar fora. - Ela piscou rapidamente enquanto falava.
- Lizzy... Você sentiu isso também?
- Isso o que?
- Não sei... Não sei dizer...
- Vem cá seu bobo, chega de gaguejar. Vamos pagar a conta.
Ela me pegou pelo braço e me arrastou para o caixa, e depois de pagarmos a conta saímos para um fim de tarde bastante gelado. Ajeitei meu casaco no corpo e começamos a andar. Caminhamos algum tempo sem dizer nada, ela estava agarrada ao meu braço, e sorria sem mostrar os dentes. Eu não conseguia prestar real atenção em para onde estava indo, ainda pensava no que tinha acontecido na sorveteria. Estaria Kurt se apaixonando por Lizzy? Eu começava a achar que sim, mas algo assim seria realmente possível? Isto eu não conseguia responder, mas comum aquele momento não tinha sido. Depois de mais alguns minutos chegamos a um cruzamento, onde ela parou e me fez parar também.
- O moço melancólico continua reto?
- Sim.
- Eu viro aqui.
- Ah sim. Bem, então acho que é adeus não é?
- Não. É até amanhã.
- Certo, até amanhã.
- Isso soa bem melhor, não?
- Realmente...
Outro beijo extremamente carinhoso. Eu nunca havia sentido algo tão espetacular antes. Depois que nos beijamos, ela sussurrou em meu ouvido. - Espero te ver sempre que puder Kurt. Não desapareça. - E dizendo isso, seguiu o caminho de sua casa. Entendi o que aquelas palavras realmente significavam. Atravessei o cruzamento e coloquei as mãos nos bolsos. Pensei em como meu dia tinha sido diferente. Eu terminara um relacionamento e provavelmente estava começando outro em um espaço de algumas horas. O estranho era sentir-me tão diferente. Tão feliz. Entrei em casa e servi uma dose de café preto em uma caneca. Bebi um gole e sentei no sofá, apreciando o gosto ligeiramente amargo.
- A verdade do universo é um momento mentiroso.
Bem, agora aquela frase tinha outro sentido para mim. Eu estava perdidamente apaixonado por uma mulher que não tinha uma vida financeira exatamente estável, que tinha largado a faculdade e que preferia trabalhar em um café vinte e quatro horas do que em um hospital ou que preferia sorvete a um drink. Apesar da idade, ela mantinha a essência de uma adolescente apaixonada. Eu devia ser louco de aceitar algo como aquilo. Pensei durante alguns instantes. Bebi outro gole.
- Nunca estive tão certo sobre querer ser louco. - Sorri calmamente.
01 setembro 2011
Não Sei...
E seus olhos penetrantes estavam fixos bem em mim.
Eu não consigo acreditar nesse sentimento.
Você me faz sentir diferente.
Eu quero você sempre perto de mim.
Isso realmente é o que parece?
Eu finalmente achei isso de novo?
E isso veio pra mim com uma visão.
Agora eu sei que preciso de você.
Você me faz arder infinitamente.
Eu realmente sinto isso...