Outra vez estou caminhando lentamente com as mãos nos bolsos enquanto o vento frio cumprimenta meu rosto desprotegido. Estamos no inverno, mas o sol aparece entre algumas nuvens e prédios e esquenta ligeiramente meu corpo muito bem agasalhado. Ainda que esteja frio, o clima está agradável, eu apenas gostaria de não precisar vestir este casaco pesado, mas infelizmente é necessário.
Atravessei um cruzamento e depois de mais alguns metros cheguei ao Monsieur Petit Déjeuner, um café vinte e quatro horas em que costumo passar grandes partes das minhas horas matutinas. Sentei em uma das mesinhas redondas e aconchegantes na parte de fora do café, e logo uma moça de aparência simpática com uma touca de proteção nos cabelos e um avental azul escuro com o nome do café bordado veio em minha direção.
- Bom dia, senhor Daniel. O que vai querer hoje?
- Lizzy, eu venho aqui quase todos os dias a mais de um ano. Pode me chamar pelo meu primeiro nome... Na verdade até prefiro assim.
- Eu sei Kurt, só estava tentando te irritar. - Ela sorriu animadamente.
- Cada dia que passa você fica mais boba. - Sorri de volta.
- Eu faço o que posso. Bem, o mesmo de sempre?
- Sim, por favor.
- Você manda Kurt.
Depois que ela entrou para preparar meu pedido, me estiquei na cadeira e relaxei os músculos do pescoço. Olho meu relógio, quase nove da manhã. Ela está atrasada. Bem, ela sempre foi uma mulher de muitos compromissos e pouca pontualidade. O sol estava longe das nuvens e o vento parou de soprar forte, então tirei meu casaco e o pendurei na cadeira. Ajeitei a gola alta da camiseta no pescoço, isto devia bastar.Em alguns minutos Lizzy voltou carregando uma bandeja com uma caneca fumegante de café preto, e um prato com três croissants de chocolate. Colocou tudo na mesa e se afastou um passo enquanto abraçava a bandeja. Esperei que ela voltasse para dentro, mas ela não se moveu um centímetro sequer.
- Algum problema? - Apoiei meu queixo em uma das mãos e franzi a testa.
- Só um...
- Então vamos a ele.
- Acha mesmo que eu trouxe tudo apenas por causa dos seus belos olhos castanhos?
- E o que você quer?
- Fora o dinheiro do pedido, acho que um 'obrigado' é suficiente. - Ela sorriu. Parecia estar de divertindo com a minha cara.
- Obrigado por este desjejum tão bem feito e tão saboroso que você teve o sacrifício de me trazer. Serei eternamente grato! - Disse exageradamente enquanto fazia uma pequena mesura. Ela riu.
- Agora está melhor. Posso voltar ao trabalho com o alívio de saber que alguém tão importante quanto o senhor José-Ninguém Kurt Daniel é grato por meus serviços! - Ela realmente estava se divertindo com a minha cara.
- Você é um doce Lizzy. - Acentuei com sarcasmo enquanto semicerrei os olhos.
- Hahaha, eu faço o que posso. - Ela disse fingindo jogar o cabelo com a mão enquanto voltava para dentro. Sorri sem mostrar os dentes. Aquela garota era realmente uma peste, mas eu a adorava.
Peguei meu caderninho de bolso e uma caneta no casaco, bebi um gole do café fumegante e comecei a tentar me inspirar. Depois de alguns goles e vários jogos da velha rabiscados, desisti e coloquei tudo de volta no casaco. Horas. Nove e vinte e cinco. Bem, eu não estava com pressa. Mas exatamente quando pensei nisso uma mulher de botas e casaco bege veio caminhando pela calçada de forma barulhenta. Já não era sem tempo. Ela me cumprimentou com um beijo rápido nos lábios e sentou em minha frente.
- Ufa, me desculpe pelo atraso, precisei dar uma passada no atelier pra ver algumas coisas.
- Tudo bem... - Eu não estava surpreso. Giovanna sempre fora assim.
- E então, você pediu algo para mim?
- Na verdade não, mas fique a vontade. - Apontei para o pequeno botão em relevo ao canto da mesa. Ela apertou-o e um minuto depois Lizzy veio à nossa mesa com uma expressão de tédio.
- O que vai querer? - Ela perguntou com uma indisposição que beirava a incredulidade.
- Hã... Um café com menta e uma porção pequena de pães de queijo.
- Só isso?
- Só isso. Pode ir. - Ela acenou com a mão, mandando-a embora. Lizzy abriu a boca para responder algo que com certeza seria de mau tom para uma garçonete, então resolvi intervir.
- Por favor! - Eu disse olhando para Giovanna de forma condenadora.
- O que foi?! Eu não disse nada de mais.
- É... Só esqueceu sua educação atrás do sofá juntamente com sua pontualidade.
- Bem, acho que isso valeu mais que um mero agradecimento. Obrigada Kurt. - Disse Lizzy com um sorriso triunfante enquanto ia preparar o pedido. Me preparei para o que com certeza viria.
- Vai me humilhar em público agora?!
- Você se humilha em público...
- Vai ficar do lado da garçonete em vez da sua namorada?!
- Você não pediu por favor...
- Isso não vem ao caso! Você é meu namorado, devia ficar a meu favor, e não contra mim!
- Sou seu namorado, não seu advogado...
- Ah! Você consegue me tirar do sério!
- Pare com isso Giovanna, já acabou... Não faça disso um verdadeiro teatro, por favor. - Falei o por favor bem devagar para que ela entendesse. Ela me olhou com um certo mau humor, respirou fundo e pegou um dos meus croissants de chocolate.
- Certo. - Disse enquanto mordia o croissant. - Na verdade eu marquei este encontro com você porque queria conversar sobre algo importante.
- Defina 'importante'.
- Nós.
- E lá vamos nós...
- Sem piadas Kurt, estou falando sério!
- Okay. Estou ouvindo.
- Bem... Ultimamente eu tenho me sentido diferente em relação ao nosso namoro. Estamos a dois anos juntos, mas de alguns meses para cá venho querendo te dizer umas coisas.
- Hum.
- Hum?! Essa é sua resposta?
- Diga logo o que quer dizer... Não gosto de rodeios. Principalmente porque já sei o que está por vir.
- Está bem. Então escute. Eu sei que nós amamos um ao outro, mas isto não está dando certo. Eu sou uma mulher de princípios, Kurt. Sei de minhas responsabilidades. Vou ao atelier, faço meu trabalho, traço planos, alço vôos mais altos. Eu sou uma mulher feliz com meus objetivos. Mas você... Você é um sonhador, Kurt.
- Eu sou é?
- Pare com esse sarcasmo! Você é um escritor de muito talento que está passando por uma fase medíocre á quase um ano! Não importa quantos trabalhos na redação daquele escritório empoeirado você faça para poder pagar as contas, esta não é a sua profissão! Você é um escritor que não escreve! Acha mesmo que as coisas vão mudar sem você fazer nada?!
- Geralmente não gosto de forçar inspiração. Como produtora de um atelier, você deveria compreender. E ganho o suficiente com meu trabalho na redação do escritório, posso me sustentar muito bem obrigado...
- Com licença. - Lizzy interrompeu enquanto colocava o pedido de Giovanna na mesa. - Café com menta, pães de queijo, briga de casal. Ah, este último não estava no pedido, mas fica por conta da casa - Ela sorriu enquanto olhava para mim.
- A briga de casal é sempre por conta da casa, não é? - Sorri de volta.
- Claro, que estabelecimento gostaria de se gabar de vender corações partidos?
- Acho justo.
- Com licença, mas estamos tentando conversar aqui! - Giovanna disse com uma expressão irritada.
- Obrigado Lizzy, mas nos dê licença um minuto, sim?
- Está bem Kurt. Boa sorte. - Ela se afastou para atender outra mesa.
- Essa garçonete é muito irritante!
- Calma, ela não faz por mal.
- Pare de defendê-la na minha frente!
- Ela não tem culpa por estarmos com problemas. Mas enfim, você dizia... ?
- Bem... Eu te amo Kurt, mas você é o oposto de mim. Não posso continuar uma relação com uma pessoa assim. Você não é disciplinado, não tem ambição, você é um homem de vinte e sete anos com o espírito de um homem de setenta! Eu sempre gostei muito do seu jeito de lidar com os problemas, mas eu olho para você e não vejo meu namorado, vejo uma grande massa ranzinza sem cor.
- Entendo... Suponho que isto seja o fim então?
- Sim... Eu não queria que as coisas terminassem desta maneira, mas você e eu somos incompatíveis.
- O dia está bonito, não?
- O que?
- O dia... Olhe ao seu redor um instante. Está realmente um belo dia. O frio diminuiu um pouco, o sol está agradável. Sem trânsito, sem correria, sem pressa. É o tipo de coisa que faz você pensar que o mundo é realmente um lugar maravilhoso, não é mesmo?
- O que você está dizen...
- Você tem sua maneira de lidar com as coisas, e eu tenho a minha. Só me responda, por favor.
- Bem, está um dia bonito. Muito bonito.
- Absolutamente. Mas sabe qual é a ironia disso tudo? A verdade do universo é um momento mentiroso. Enquanto estamos aqui, bebendo café e conversando, alguém neste momento está saindo de casa e se perguntando aonde foi parar o carro. Alguém não tem dinheiro para pagar a tarifa do ônibus, e agora tem que andar quatorze quadras para trabalhar em alguma loja que está quase o demitindo. Enquanto estamos aqui fazendo nada, alguém está olhando muito cansado para o seu laptop, tentando se inspirar. Alguém está engolindo os próprios pensamentos para não dar um tiro na própria cabeça. Você sabe o que está entre nós e todos eles?
- Não, como eu saberia uma besteira dessas?!
- Sempre pensei que você fosse uma mulher mais perspicaz. Bem, entre nós e eles há o mesmo dia lindo. Consegue ver a grande ironia disso?
- O que você está tentando me dizer?
- Que apesar de ter sido doloroso escutar tudo o que você disse, eu compreendo e não a culpo, porque mesmo no dia mais bonito, enquanto coisas lindas nos distraem coisas ruins acontecem. É uma pena que desta vez tenha acontecido conosco...
Ela parecia ligeiramente espantada com minha reação. Depois de muito tempo a vi completamente calada. Talvez esperasse mais irritação ou mais frases sarcásticas, mas com certeza não esperava minha sinceridade. Isto foi de longe a pior dor que pude sentir. Mas eu não poderia culpá-la, realmente éramos diferentes. Giovanna bebeu alguns goles do seu café e depois de alguns segundos pareceu mais desperta. Se levantou e passou a mão pela lateral do meu rosto.
- Você sempre foi um ótimo escritor.
- Você sempre foi linda e obstinada. - Devolvi com gentileza no olhar.
- Adeus Kurt.
- Foi um enorme prazer Giovanna. Adeus.
Ela bebeu o café rapidamente, abriu a bolsa e tirou algumas notas da carteira, deixou em cima da mesa e foi embora. Fiquei olhando ela partir sem olhar para trás. Então Lizzy se aproximou e sentou rapidamente, me assustando.
- E ai, como foi?
Não respondi.
- Situação difícil?
- Sim... Mas o que na vida não há de ser, não é mesmo?
- Se quer saber a minha opinião, vocês não combinam.
- É tão visível assim?
- Bastante.
- Bem, Giovanna sempre foi uma mulher de muitos compromissos e pouca pontualidade. É uma pena que não tenha encontrado um espaço para mim em sua vida.
- Certo, senhor Kurt Daniel, meu horário encerra em quinze minutos. Que tal irmos tomar um sorvete depois para você afogar as mágoas?
- Acha mesmo que sou uma pessoa que afoga as mágoas com sorvete?
- O que você sugere?
- Um belo drink, talvez?
- Não, sorvete é mais divertido. Vejo você em quinze minutos! - Ela se levantou sorrindo calorosamente.
- Certo. Sorvete então...
Comi os pães de queijo que Giovanna havia pedido, e depois que terminei meus croissants de chocolate, Lizzy saiu sem a touca de proteção nos cabelos e sem o avental, correndo animadamente em direção à minha mesa, os cabelos castanhos balançando de um lado para o outro.
- E então, senhor depressão, vamos?
Olhei o relógio. Ela estava atrasada. Qual era o problema das pessoas com horários?
- Demorou cinco minutos a mais.
- E quem está contando? Vamos logo! - Ela me pegou pelo braço e andou apressada para a calçada.
Andamos algumas poucas ruas e logo chegamos a uma sorveteria. Não gostei da decoração colorida do lugar e muito menos do cheiro de tutti frutti, mas Lizzy estava contente, então não comentei nada. Pedi um sorvete de baunilha comum e ela pediu um sorvete enorme cheio de confeitos e todas essas coisas que crianças adoram. Depois de muitas taças de sorvete tínhamos conversado muito mais do que jamais cheguei a conversar com Giovanna em dois anos de relacionamento. E apesar de ainda doer ter sido rejeitado por ela, Lizzy estava conseguindo implantar algum ânimo em minha melancolia.
- Certo. Então vamos recapitular. Você é uma mulher de vinte e três anos que cursou três anos e meio de direito, largou tudo e começou a trabalhar em um café para pagar por um aluguel barato e um curso de fotografia e pintura?
Ela estava exibindo um sorriso orgulhoso. - Exatamente!
- Você é realmente muito louca.
- Falou o senhor escritor que não escreve. Quer algo mais louco que se especializar em uma área tão linda e não exercer o que realmente se quer?
- Touché.
- É, eu sei. - Ela sorriu.
- Sabe Lizzy, você é uma garota realmente diferente do que estou acostumado.
- Diferente como?
- Você é cheia de vida e de cores.
- Haha! É, é o que dizem por ai.
- Não seja convencida, sua boba.
- Bem, quem falou que sou cheia de vida e cores fui eu?
- Okay, dois a zero para você.
- Ah, como eu adoro vencer!
Demos mais risadas conforme a tarde foi passando, e quando olhei o relógio, percebi que tinha esgotado todo o meu domingo naquela sorveteria. Quase seis horas da tarde.
- Ei, percebeu que estamos aqui a mais ou menos umas oito horas?!
- Na verdade sim, mas eu não me importo.
- Bom, não posso dizer que eu me importo, seria uma mentira e tanto.
- É por isso que gosto de você Kurt.
- Hã?! - Aquela havia me pegado de surpresa.
- Você não se preocupa com detalhes que não precisam de real preocupação. Você é uma alma criativa e livre. E apesar de ser triste na essência, e de ter uma mania chata para horários, você é muito parecido comigo.
- Não vejo tudo isso em mim.
- Eu me espantaria se visse. Ninguém nunca vê nada excepcional em si mesmo.
- Verdade...
- Só achei que depois de ouvir que sou a vida em pessoa, você devia ouvir que também é.
- Quer dizer que isto é só um mero consolo?
- Quer dizer que você foi elogiado, seu ranzinza! – Ela sorria calmamente.
- Bem, se também sou a vida em pessoa, quem eu mantenho vivo? Minha namorada que supostamente deveria ser esta pessoa já não está comigo e...
De repente Lizzy se debruçou sobre a mesa, me puxou gentilmente para perto e me beijou. Não sei exatamente por que, mas retribui o beijo. E foi algo que me fez sentir completamente diferente. Foi algo que jamais senti ao beijar Giovanna. Foi algo completamente novo.
Não sei dizer quanto tempo ficamos debruçados sobre uma mesa cheia de taças vazias de sorvete, mas não me importei. Tudo em que eu pensava era em como eu adorava estar perto daquela menina mulher. Em como as horas passaram rápido e em como ela sempre me animava com seus comentários sempre que eu ia ao café. Ela me tirava do sério, mas eu a adorava, e a partir daquele beijo percebi que não apenas a adorava. Voilà! Algo mais forte estava nascendo.
Finalmente paramos de nos beijar e nos sentamos abruptamente. Um silêncio sobrenatural cresceu, e depois de alguns minutos de indecisão foi quebrado por mim.
- O que... O que foi isso? – Eu estava realmente atordoado.
- Um beijo. Ao menos nos filmes chamam assim. – Suas maçãs do rosto estavam vermelhas de vergonha, mas o olhar era firme e a pele clara do rosto acentuava o contraste com seus cabelos castanhos. Fiquei impressionado em como jamais percebi isto antes.
- Você... É linda...
- Você também não é de se jogar fora. - Ela piscou rapidamente enquanto falava.
- Lizzy... Você sentiu isso também?
- Isso o que?
- Não sei... Não sei dizer...
- Vem cá seu bobo, chega de gaguejar. Vamos pagar a conta.
Ela me pegou pelo braço e me arrastou para o caixa, e depois de pagarmos a conta saímos para um fim de tarde bastante gelado. Ajeitei meu casaco no corpo e começamos a andar. Caminhamos algum tempo sem dizer nada, ela estava agarrada ao meu braço, e sorria sem mostrar os dentes. Eu não conseguia prestar real atenção em para onde estava indo, ainda pensava no que tinha acontecido na sorveteria. Estaria Kurt se apaixonando por Lizzy? Eu começava a achar que sim, mas algo assim seria realmente possível? Isto eu não conseguia responder, mas comum aquele momento não tinha sido. Depois de mais alguns minutos chegamos a um cruzamento, onde ela parou e me fez parar também.
- O moço melancólico continua reto?
- Sim.
- Eu viro aqui.
- Ah sim. Bem, então acho que é adeus não é?
- Não. É até amanhã.
- Certo, até amanhã.
- Isso soa bem melhor, não?
- Realmente...
Outro beijo extremamente carinhoso. Eu nunca havia sentido algo tão espetacular antes. Depois que nos beijamos, ela sussurrou em meu ouvido. - Espero te ver sempre que puder Kurt. Não desapareça. - E dizendo isso, seguiu o caminho de sua casa. Entendi o que aquelas palavras realmente significavam. Atravessei o cruzamento e coloquei as mãos nos bolsos. Pensei em como meu dia tinha sido diferente. Eu terminara um relacionamento e provavelmente estava começando outro em um espaço de algumas horas. O estranho era sentir-me tão diferente. Tão feliz. Entrei em casa e servi uma dose de café preto em uma caneca. Bebi um gole e sentei no sofá, apreciando o gosto ligeiramente amargo.
- A verdade do universo é um momento mentiroso.
Bem, agora aquela frase tinha outro sentido para mim. Eu estava perdidamente apaixonado por uma mulher que não tinha uma vida financeira exatamente estável, que tinha largado a faculdade e que preferia trabalhar em um café vinte e quatro horas do que em um hospital ou que preferia sorvete a um drink. Apesar da idade, ela mantinha a essência de uma adolescente apaixonada. Eu devia ser louco de aceitar algo como aquilo. Pensei durante alguns instantes. Bebi outro gole.
- Nunca estive tão certo sobre querer ser louco. - Sorri calmamente.
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