Você abre os olhos. Na verdade nem chegou a dormir e sequer sabe porque tentou novamente. Você liga a televisão, passa pelos canais e desliga. Esfrega o rosto. Mexe no cabelo. Porque dormir tem sido tão difícil? Você não sabe. O relógio anuncia que ainda é madrugada. Nenhuma surpresa. Ultimamente você fica mais acordado durante a noite que durante o dia.
Você levanta. Está irritado. Vai até a cozinha, abre a geladeira e não pega nada. Fecha a geladeira. Abre de novo. Fecha novamente. Vai até a janela, abre e olha o céu. Frio. Lua. Ela. É estranho perceber que você se lembra dela em quase todos os momentos. Você fala sozinho, se pergunta o que ela deve estar fazendo. Provavelmente dormindo, é óbvio.
Você fecha a janela. Abre a geladeira e bebe um pouco de refrigerante direto do gargalo. O que você não daria por uma maldita cerveja. Vai até o sofá, senta e recosta a cabeça. Olha para o teto. Fala sozinho. Você não acredita que não está com ela. Não por uma razão que a princípio poderia parecer fácil de resolver. Mas você não consegue mudar. Você é um merda de um convicto. Você respira fundo e suspira. Esfrega os olhos com força. Pragueja em voz alta. Tudo que queria era poder estar com ela sem maiores complicações.
Lá vai você, pensando nela de novo. Pensa quando quer e quando não quer. Lembra várias vezes. Liga. Manda mensagens. Se preocupa. É inevitável. Você simplesmente gosta de tudo isso. Você simplesmente gosta dela. Você levanta do sofá. Liga o som. Coloca sua música triste preferida e ouve enquanto senta no braço do sofá. Desliga o som com a letra e sua amada na cabeça. Vai até a geladeira e bebe refrigerante. No gargalo. Você está adquirindo maus hábitos.
Deita e liga a tv. Passa pelos canais e desliga. Você não quer assistir. Ela ainda está nos seus pensamentos. Você sorri. Uma ponta de tristeza se acentua, mas você continua sorrindo. Respira fundo e fecha os olhos. Ainda assim você sabe que não vai adormecer.
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