23 julho 2015

Over the Garden Wall.

Guiados pela névoa, sob a suave luz do luar
Tudo o que foi perdido é revelado
Nossos pesados fardos do passado, meros ecos da Primavera
Mas de onde viemos e onde vamos parar?
Se sonhos não podem se realizar, então por que não fingir?
Como o vento suave acena através das folhas
Enquanto as cores do Outono caem...

18 julho 2015

Atlântico.

Espero que todos os meus dias
Sejam iluminados por seu rosto
Espero que todos os anos
Segurem firmemente nossas promessas


Eu não quero envelhecer e dormir sozinho
Uma casa vazia não é um lar
Eu não quero envelhecer e sentir medo


Eu preciso de um lugar
Que está escondido nas profundezas
Onde anjos solitários cantem para você dormir
Ainda que todo o mundo esteja quebrado


Eu preciso de um lugar
Onde eu possa fazer minha cama
Do colo de uma amante onde
Eu possa descansar minha cabeça
Porque agora a sala está girando
O dia está começando...

14 julho 2015

Propósito.

De repente sou jovem, alto, forte o suficiente pra aguentar cada soco no estômago que a vida possa me dar. De repente eu sou tudo o que esperam de mim. E então não. Então eu tusso, eu sinto o gosto de sangue. Tudo muda tão rapidamente e dói pra respirar. Meu coração lentamente passa de vermelho à preto, tão sombrio quanto cada pesadelo e cada derrota que me sufoca de dentro pra fora. Mas ainda assim eu dou um sorriso enquanto caio de joelhos, eu cuspo sangue, que varia do preto ao vermelho vivo, e me faz lembrar de cada demônio disfarçado de rosa que levo tatuado em carne viva. Mas eu sirvo ao propósito, eu sou jovem, alto e forte o suficiente pra aguentar o que precisam, mas eu queimo de dentro pra fora. Não há esperança. Nunca houve.

06 julho 2015

Linha Do Horizonte.

O jeito que você me olha me desarma. Tira brevemente de mim os adjetivos. Não importa quantas pessoas estejam ao nosso redor, sempre que seu olhar encontra o meu, do teu jeito tão único, eu perco o chão, perco o fôlego, perco a sensibilidade pra qualquer outra coisa que não seja transmitida por você e seu olhar tão caloroso. E então tudo que eu quero é te envolver em meus braços e te admirar... Nada além de você é importante nesses momentos. Tudo se resume ao seu olhar.

05 julho 2015

50 E Poucos.

Era mais uma daquelas noites frias, onde você podia usar várias camadas de roupas e cobertores e mesmo assim ficaria com os pés gelados. Eu estava deitado, encarando o teto com certa impaciência, querendo um sono que não vinha. Olhei o celular, passava um pouco das dez, e me senti velho por querer dormir tão cedo.
Era uma sexta-feira. Eu odiava sextas-feiras. Houve um tempo em que eu saía sempre que podia, com ou sem dinheiro, pra beber com os amigos, ouvir música alta, matar a fome com uma cerveja. Hoje em dia minhas saídas eram mais pontuais, só o suficiente pra não enlouquecer, e agora quando sentia fome eu comia em vez de beber, mas continuava a ter cerveja no meu repertório, só que hoje em dia ela dividia espaço com o uísque. Eu encarava o teto escuro, experimentando uma sensação que eu acreditava se assemelhar a cegueira. Impaciente, sentei na cama e esfreguei o rosto, dormir não era tarefa fácil desde os 20, os comprimidos ajudavam, mas eu tomava além da conta, então parei. Não queria me viciar em comprimidos. Se fosse pra me matar lentamente, que fosse pelos meus prazeres já sabidos, álcool e tabaco.
Levantei e fui lentamente até a cozinha, enchi meio copo com uísque, peguei o maço, sentei no sofá e respirei fundo. Não me incomodei em acender as luzes, nem em colocar alguma música pra tocar, às vezes eu gostava do silêncio em maioria, de ouvir apenas o cigarro queimar a cada tragada, ou o som cadenciado de meus próprios goles. Era sabático. Quase como uma forma de lembrar que ainda existiam formas de suportar o tédio e a melancolia, muito embora fossem as companhias mais leais que eu já tivera em 50 e tantos anos de vida. Eu devia ser algum tipo de ingrato.
Embora o uísque estivesse me esquentando cada vez mais, os pés continuavam gelados, mas gente velha devia ser assim, eu acho. Tanto faz. Eu não era velho de fato, mas a muito que não era novo. Eu era um desses shows da tevê que o público vai perdendo o interesse no meio da temporada, eu era a porra de uma série cancelada. A essa altura eu já havia bebido umas três doses, e fumado alguns cigarros. Maldita sexta-feira. Eu odiava sextas-feiras. Elas não eram mais sinônimo de diversão, porque eu não me divertia mais saindo. Eu me divertia mais quando me isolava do restante. Fui deitar com esse pensamento, será que eu era mesmo alguém que entendia o que era se divertir? Eu não sabia mais dizer. Ironicamente, aos 30 e poucos eu acreditava que saberia mais da vida aos 50 e poucos. Pois é, parecia que eu sabia menos do que antes. Depois de algum tempo o sono finalmente chegou, e enquanto o resto da cidade urrava pelos bares, eu ia finalmente dormir. Tive que rir, eu era uma porra de uma série cancelada.