30 setembro 2010

Outro Grande Fracasso...

Apenas outro grande fracasso...
Eu nunca consigo ter algo duradouro, mútuo, recíproco.
Hoje eu descobri que foi apenas um erro.
Mais que isso, eu fui um erro. Foi doloroso lidar com aquelas palavras.
Ela nunca esteve realmente comigo.
Nunca sentiu algo. Nunca...
Talvez desde o primeiro dia tenha pensado em terminar tudo.
Mas mesmo que ela não esteja comigo eu estou com ela.
Fingindo estar aonde não estou mais.
O ruim é que esse erro foi meu único acerto.
Foi o meu melhor. O meu real. Meu coração pulsava por isto.
Mas a essência disso tudo foi pura ilusão.
Eu acabei estragando tudo... Estou com medo do fim completo.
Porque mesmo que ela esteja ao meu lado ela não está comigo.
Mesmo ao meu lado ela está tão distante...
E eu nunca consigo traze-la de volta.
Talvez isso estivesse na minha cara o tempo todo...
Talvez eu não visse por ter parado de querer.
Mas foi a primeira vez que senti algo. Algo sincero e forte.
Só sei que agora estou desanimado. Cansado.
Queria enterrar todas essas atitudes...
Cansei de ser um erro na vida das pessoas... Estou exaurido.
Céus, o que eu fiz de errado?
Eu não consigo entender...
Porque a verdade sempre tem que doer?

26 setembro 2010

Outra Manhã. - Parte 11

Depois de um tempo que não pude calcular cheguei ao bar. Desci do carro e entrei. Ray estava sentado atrás do balcão, o rosto apoiado na mão, fazendo palavras cruzadas. Olhou rapidamente para a porta, surpreso.

- Veja só se não é o meu garoto Tony! – Disse com sua voz rouca habitual.

- Gin tônica. – Eu disse enquanto sentava à sua frente no balcão. Ele notou que eu não estava em minha melhor hora.

- Noite difícil?

- Trabalho.

- O que houve?

- Matei um canalha contrabandista.

- Você nunca teve problem...

- Matei uma garota. 19 anos no máximo. Ela estava assustada. Absolutamente amedrontada. E eu a matei sem hesitar. Ela provavelmente sequer sabia por que estava sendo caçada, mas como sempre, a Morte tirou-lhe o dom da vida sem perguntar se podia.

Eu falava calmamente, olhar baixo, encarando o tampo do balcão. Uma lágrima caiu diretamente no balcão. Surpreso, eu olhei para Ray. Meu amigo, o pai que não tive.

- O que há comigo, Ray? O que há comigo?

E de repente Ray me olhou com a sabedoria de um homem idoso. De alguém que viveu e sabe o que é sofrer, o que é pisar em cacos de vidro dia após dia e ver o sangue gotejar. Me olhou com a altivez de um homem que já tinha vivido muitos amores e infinitas dores. Que já tinha enterrado amigos. Perdido motivos para continuar.

Preparou um drink para ele e deixou meu copo com gin tônica no balcão. Deu a volta. Sentou-se ao meu lado e falou com sua voz rouca inconfundível. Desta vez sem o costumeiro humor debochado.

- É Tony... Parece que a Morte também inveja a vida.

Olhei-o enquanto passava a mão nos cabelos de minha nuca, as lágrimas ainda caindo. Eu tinha dinheiro. Vivia naquele apartamento para não chamar a atenção, mas neste ritmo de trabalhos, poderia me aposentar aos 36 anos. Mas tudo que eu queria era abandonar aquilo tudo. Bebi um gole maior do que esperava e engasguei.

- Você pensou na Lígia, não é?

Apenas balancei a cabeça concordando, as lágrimas secando em meu rosto.

Ray bebeu um gole do seu drink e acendeu um cigarro. Soltando a fumaça pelo nariz, falou a verdade da forma mais compreensiva possível.

- A Morte é poderosa, Tony. Mas ela também chora...

Bebendo outro gole do meu drink, apenas concordei fitando o nada.

- Sim... A Morte também chora...


26 de Setembro de 2010. Por: Régis S. Oliveira.

Outra Manhã. - Parte 10

Olhei ao redor, aparentemente vazio. Mas meu feeling me dizia que tinha alguém ali. Entrei e fechei a porta, olhando com atenção. Ouvi respiração contida.

Fácil. Fácil demais. Confiança é um veneno perigoso. Mas eles eram realmente amadores. Não sabiam com quem estavam se metendo.

Abri a porta de um guarda-roupa de madeira maciça escura e me deparei com uma linda garota de olhos verdes. Assustada. Paralisada de medo.

Uma garota. A pele branca com poucas sardas exalando terror. Uma garota. Os cabelos louros e lisos colando à testa com o suor repentino. Uma garota. Lígia.

Paralisei por um instante, a pistola apontada diretamente para a testa da garota.

Ela podia ver apenas meus olhos azuis, como um mau presságio. Aproximei o dedo do gatilho. Não podia... Era apenas uma garota, provavelmente filha do contrabandista morto no quarto da frente. Ela nem devia saber que o pai era apenas um canalha.

Respirei fundo. Retomei o controle. Atirei na garota, que tombou para dentro do guarda-roupa e ali permaneceu.

Guardei as pistolas no coldre e saí da casa rapidamente.

Entrei no Opala. Mãos tremendo. Tirei o gorro, eu estava com os cabelos ensopados em suor. Tinha matado uma garota inocente que não tinha culpa alguma. Culpa. Sim, essa era a palavra que me atormentava agora. Mas eu era um matador, a destemida Morte de olhos azuis. Eu seria capaz de matar qualquer pessoa. Seria capaz de derrubar qualquer sorriso. Mas veja que ironia, estava me remoendo por uma lembrança.

- Morte... Hã?! – Indaguei a mim mesmo pegando o celular no porta luvas. Disquei o número. Uma voz masculina calma e educada me atendeu.

- Serviço feito, Morte?

- Serviço feito, Chefe.

- Que maravilha. Notou meu sarcasmo?

- Notei. Eram verdadeiros amadores.

- Realmente eram, mas Harris estava fugindo demais ao controle. Precisava de uma boa lição. O valor já foi depositado em sua conta secreta, Morte.

- Algum outro serviço?

- Eu te ligo.

Dizendo isso, ele desligou.

Liguei o motor, olhei a hora. Quase dez horas da noite. Dirigi cantando pneus e pisando no acelerador. O olhar inexpressivo.


26 de Setembro de 2010. Por: Régis S. Oliveira.

Outra Manhã. - Parte 9

Que alarmes de última geração o que! Era apenas mais um João-Ninguém que tinha dado um passo maior que a própria perna. Sorri. O humor do Chefe era incontestável. Realmente havia me trapaceado nessa. Mas o dinheiro e a adrenalina faziam valer a pena.

Abri a segunda porta e me deparei com um lindo banheiro, também de decoração vitoriana. Era realmente uma casa e tanto para um peixe pequeno.

Abrindo a terceira porta encontrei um homem de cabelos curtos e grisalhos vestindo um pijama azul bebê ridículo. Ele estava agachado ao lado da cama. Farejei medo.

As rugas da testa estavam acentuadas e sua barriga saliente embaixo do pijama parecia pulsar pela respiração rápida. Ele tinha um rosto gorducho amedrontado e olhos castanhos que queriam perfurar a parede e fugir das órbitas.

Semicerrei os olhos e encarei o contrabandista suado de pavor. Falei calmamente, a voz baixa anunciando o fim de tudo.

- Hoje é a última vez que sentirá seu coração pulsar.

Ele ergueu uma Sig Sauer prateada com a mão trêmula. Senti vontade de rir. O infeliz sequer conseguia empunha-la.

- É bom que acerte, Harris. – Sua expressão se apavorou mais ainda ao constatar que eu sabia seu nome – Mas veja, não há como me matar.

O homem não pareceu entender o que eu dizia, mas tentou escapar da forma mais digna que sua mente deturpada conseguiu imaginar.

- O-olhe... Podemos conversar. Eu s-sou rico, posso te pagar o dobro do que está recebendo. Só me diga seu nome e eu te darei o que me pedir.

O homem estava desesperado. Sem coragem para atirar, tentando se apegar a todas as formas possíveis de acordo. Seu desespero me divertiu rapidamente, mas era hora de terminar aquele trabalho ridículo.

- Meu nome? - Deixei a questão valorizar-se. Ele me olhou com expectativa.

- Costumam me chamar de Morte. – Finalizei.

Senti o desespero tomar conta do desgraçado e apontei a pistola para sua cabeça. Aquela era a assinatura. O jogo psicológico. A Morte chegando faceira, inevitável, anunciando sua presença ao réu julgado. Ele gritou. Sim, era o que eu queria. Todas as formas de desespero possíveis. Todos os níveis de agonia transparecendo seus sentidos.

Acertei o tiro na testa do homem, fazendo-o tombar com lágrimas nos olhos. Saí do quarto e me encaminhei para a última porta do corredor.

Abri e me deparei com um quarto tão rebuscado quanto o outro, porém mais agradável.


26 de Setembro de 2010. Por: Régis S. Oliveira.

Outra Manhã. - Parte 8

Do outro lado da rua, e ainda despercebido por meus oponentes, mirei a cabeça, segurei a respiração e apertei o gatilho rapidamente. O silenciador abafou o barulho do tiro. O corpo tombou imediatamente. Certeiro. Antes que o outro segurança tivesse reação para notar algo, mirei sua cabeça e puxei novamente o gatilho. Rapidamente ele acompanhou seu parceiro na viagem ao mundo dos mortos.

Dois tiros. Dois mortos. Assim começava minha obra de arte. Silêncio. Ser uma sombra, vagar pela noite e chegar despercebido. A Morte pedindo passagem.

Corri imediatamente, atravessando a rua e contornando a casa enorme, cheguei ao portão de entrada nos fundos da casa, e logo avistei outros dois seguranças. Antes que pudessem tirar suas mentes do torpor do tédio, os matei com mais dois tiros nas cabeças.

Ah, como eu era bom! Realmente era o melhor no que fazia. Realmente era a verdadeira Morte. Ceifando almas sem permissão dos céus.

Pulei o portão preto e largo da entrada dos fundos e cai silenciosamente, amortecendo o impacto da queda alta com um giro rápido de corpo no chão. Àquela altura provavelmente já sabiam que um intruso adentrara a propriedade. Mas esse era meu segundo ato, minha segunda camada de tinta escarlate em meu quadro de tons funestos. Primeiro, a doença silenciosa. Depois, o estrondo mortal.

Retirei o silenciador da pistola e saquei a outra. Uma em cada mão. Ser uma sombra já não bastava, eu queria o barulho. A constatação seguida do medo. Desordem. Pânico.

O suor frio escorrendo pela testa, pois jamais escapariam. Eu queria que olhassem as câmeras e não soubessem quem era. A Morte não mostraria sua face, mas cumprimentaria com a foice de lâmina fria. A adrenalina encheu meu peito.

Ainda correndo pelo gramado escuro, notei uma porta aos fundos, mas dei a volta e encontrei a porta da frente. Corri para ela e atirei na maçaneta, dando um chute com a sola do coturno para abri-la. Queria uma entrada triunfal.

Entrei em uma sala de estar de móveis pequenos, antigos e bem cuidados. Decoração vitoriana. Coisa de gente excêntrica. Notei uma porta ao fundo do cômodo e caminhei em direção dela. Entrei em uma cozinha enorme e absurdamente limpa. Meus olhos experimentados varreram o lugar à procura de movimento. Nada.

Voltei até a sala de estar e subi as escadas rapidamente, os sentidos aguçados, os reflexos preparados. No corredor de cima não notei movimento, câmeras ou seguranças. O que acontecia naquela casa? Apenas dois seguranças em cada entrada? Estranho.

Quatro portas intercaladas se estendiam pelo corredor. Abri a primeira e encontrei apenas o vazio. Um sistema de câmeras desligado. Amadores.

26 de Setembro de 2010. Por: Régis S. Oliveira.

Outra Manhã. - Parte 7

Não sentia medo da morte física, pois já havia morrido. Foi quando conheci Ray. Quando ele me ensinou a atirar e a lutar, a confiar mais nas armas, nos instintos e reflexos e menos nas pessoas e em seus sentimentos.

Quando me tornei promotor, júri e juiz. Quando decidi tirar o dom que me foi negado tão dolorosamente pelo destino. Foi quando me tornei a Morte.

No fundo da caixa ainda estavam as alianças de noivado. Olhei o relógio. Oito horas da noite. Eu havia passado horas no meu transe apocalíptico. Guardando a foto na caixa, fechei-a e coloquei-a embaixo da cama novamente, respirei fundo e transformei as lágrimas de meu âmago em força. Afastei a sombra do homem que um dia fui.

Hora de trabalhar. Não haveria espaço para sentimentos.

Abri o guarda-roupa do antigo morador e me despi, pegando as roupas de trabalho.

Vesti a calça de couro e a camiseta de manga comprida e gola alta preta.Colete a prova de balas, fino e discreto, mas eficiente. Coisa cara. Em seguida os coturnos de cano alto e o coldre de ombro. Guardei minhas facas nos suportes da calça, fui até a sala e coloquei as pistolas no coldre. Voltei ao quarto e peguei por fim meu sobretudo preto de trabalho, mais longo e pesado. Peguei o gorro preto e guardei em um dos bolsos do sobretudo, juntos com os dois silenciadores.

A Morte se preparando para o mais apoteótico espetáculo. Ceifar vidas.

- Hoje, Harris Coltrain, você verá quão cruel o destino pode ser. – Sentenciei.

Preparado para o que me esperava, caminhei lentamente pelo clima úmido da rua de noite sombria, os coturnos estalando sobre os pedriscos da calçada molhada. Cheguei ao estacionamento e peguei meu Opala, dirigindo calmamente.

Meia hora depois eu chegava ao local. Parei o carro uma rua antes, acoplei o silenciador a uma das pistolas e desci. Caminhando rapidamente, sorri por não precisar estudar a casa e as formas de entrar. Hoje seria à minha maneira. Hoje seria minha poesia.

Vesti o gorro, cobrindo minha cabeça completamente, apenas os olhos azuis à mostra. Arma na mão. Se alguém passasse na rua naquele momento iria descobrir se Deus realmente existe. Avistei a casa ao longe. Não foi difícil reconhecer.

Uma casa realmente grande, com um sobrado imenso e um portão extremamente largo.

A casa tinha traços rústicos, como um chalé fora do lugar, uma chaminé longa de pedras se erguia encoberta por parte do sobrado. Uma bela moradia.

Andando pelas sombras da noite imperturbável, distante o suficiente para não ser notado, pude ver os dois seguranças na entrada, altos, fortes, vestindo os característicos ternos e óculos escuros, e em posição de vigia.

26 de Setembro de 2010. Por: Régis S. Oliveira.

Outra Manhã. - Parte 6

Entrei no carro e voltei ao estacionamento, guardando-o e seguindo a pé até o apartamento, as armas e a carta guardados em meu sobretudo.

Entrei e tranquei a porta, deixei as armas em cima da pequena mesa da sala e tirei o sobretudo e o chapéu, jogando-os ao sofá.

Ainda na sala, tirei minhas roupas e deixei-as no chão, caminhando até o banheiro.

Liguei o chuveiro repleto de teias de aranha e deixei a água esquentar enquanto me olhava no espelho rachado. Cabelos pretos curtos, olhos azuis tristes. Rosto sisudo, boca bem desenhada e nariz fino. Corpo esguio, porém forte e bem definido para os meus 32 anos. Mãos de dedos longos e unhas bem feitas. Cicatrizes de antigos serviços nas costas e nos braços. Ossos do ofício. Esse era eu. Anthony Darren.

Solitário e defensivo, amargurado e derrotado, exaurido e melancólico. Tirava vidas de pessoas para viver. Irônico, a imagem da morte. O espelho já estava embaçado pelo vapor da água quente. Deixei a água bater em meu corpo sentindo o choque térmico.

Depois do banho, me sequei e vesti um jeans preto desbotado, uma camiseta preta e meias brancas. Fui até a cozinha, peguei a caixa de cereal e a garrafa de leite na geladeira. Voltei ao quarto, sentei na cama e comi cereal regado a leite gelado, de forma lenta e maquinal.

- Às vezes você bebe o leite, às vezes o leite bebe você. – Conclui.

Deixei a caixa e a garrafa no chão, estalando os lábios e esfregando os cabelos ainda úmidos para retirar o excesso de umidade. A janela estava aberta.

Olhando o clima frio e úmido lembrei do dia em que morri.

O dia em que aquela mulher me matou. Caminhei até a cama e debaixo dela peguei uma pequena caixinha de sapato empoeirada. Abri-a e peguei uma foto aonde o rosto de uma linda mulher aparecia a um canto. O Sol iluminava seus cabelos castanhos deixando-os ligeiramente alourados. Os óculos escuros escondiam seus belíssimos olhos castanhos, e o sorriso branco e esplendoroso trazia leves rugas ao seu nariz fino e bem desenhado. A pele branca era ligeiramente rosada nas maçãs do rosto e na ponta do queixo. Ao fundo havia flores e mais flores, de várias cores diferentes, como um lindo jardim secreto. Algumas pessoas passavam mais ao fundo, perto de postes de luz de três lâmpadas. Lígia Maggiorini Bueno, 23 anos, em Paris. Eu bati a foto. Fizemos aquela viagem para comemorar nosso noivado. Mas um dia acordei ao lado de um bilhete que dizia apenas adeus e sinto muito, a aliança inerte sobre a cama. Foi então que morri.


26 de Setembro de 2010. Por: Régis S. Oliveira.

Outra Manhã. - Parte 5

Sentei nos bancos individuais do balcão. Não precisei esperar muito. Depois do que me pareceram alguns segundos, o velho Luth Ray saiu por uma porta ao lado do balcão antigo e empoeirado.

Vestia sua clássica jaqueta de couro preto por cima da camiseta branca justa demais para seu corpo antigamente malhado. Os 60 anos de existência apareciam em suas rugas em volta dos olhos castanhos e do sorriso branco aonde um dos dentes da frente era de ouro.

Resultado de uma briga de bar em 78. Os cabelos perolados e compridos batiam à altura dos ombros vividos e fortes, calvície se anunciando nas entradas do cabelo. Tatuagens infindáveis lhe saiam da gola da camiseta até o pescoço.

- Veja só! Se não é o meu garoto Tony! – Disse ele em uma risada extremamente rouca. Ele era o único que podia me chamar daquela forma sem morrer logo em seguida. Aquele velho louco por cigarros e futebol era de fato o único que eu realmente respeitava no mundo.

- O mesmo de sempre?

Apenas acenei afirmativamente com a cabeça. Poucos segundos e ali estava o meu drink de gin tônica, gelado e pronto para ser apreciado. Dei uma longa golada e deixei a bebida correr por minha boca antes de engolir. Na televisão, Luis Nani acabara de marcar um gol para o Manchester United. Apenas esperei a explosão de gritos.

- Gol! Gol porra! Nani! Olha só que linda jogada do Giggs! É realmente um gênio, esse rapaz! Maldição, eu devia ter apostado aquele dinheiro com meu vizinho! O filho da puta deve estar se remoendo na cadeira puída dele! Há há há!

Eu já estava acostumado com os gritos em dias de jogos e conhecia os times e os jogadores, apesar de não gostar do esporte. Não gostava de esporte algum. A não ser o esporte que era meu trabalho. Matar era algo que me trazia adrenalina.

- Ray... Velho Ray...

- Diga filho. Há! Que belo drible do Rooney! Uuuh! Essa foi quase...

- Desligue essa porcaria um minuto que seja.

- Se não gosta pode ir embora, Tony. – Disse ele bem humorado.

O velho estava ficando abusado. Mas assim era o bom e velho Ray. Convicto e abusado.

Sorrindo terminei o drink rapidamente e pedi outro. Depois de seis drink’s e muita conversa, saí do bar ligeiramente irritado. Ainda estava completamente consciente. Queria sair de lá bêbado e feliz, pensando que todas as pessoas do mundo eram minhas amigas. Não consegui. Pior para mim.


26 de Setembro de 2010. Por: Régis S. Oliveira.

Outra Manhã. - Parte 4

Caro Morte.

Harris Coltrain. 52 anos. Contrabandista de armas internacionais.

Dois seguranças bem armados e treinados nas duas entradas. Alarmes de última geração.

Harris estará em casa o dia inteiro. Meios a seu critério.

Silenciar todos na propriedade. Deixar assinatura.

Atenciosamente. Chefe.

Abaixo continha o endereço do local e o valor que seria depositado na minha conta bancária assim que eu confirmasse o serviço. Eu não sabia exatamente porque o Chefe estava querendo tirá-lo do mapa, mas com o Chefe era assim. Você não sabe o nome dele, ele não sabe o seu. Você sabe apenas o que tem de saber, faz sua parte, recebe seu pagamento e vai para casa. Na verdade eu não me importava. Só tinha certeza de uma coisa. Harris Coltrain tinha entrado no caminho do Chefe e hoje encontraria com a Morte. O Chefe queria assinatura. Seria um trabalho agitado.

Olhei o relógio de pulso. Quase meio dia. Guardei tudo novamente no pacote pardo e sem dizer nada virei as costas aos dois idiotas.
Antes de fechar a porta do falso closet, ainda de costas, girei o pescoço e direcionei meus olhos para trás, falando calmamente.

- Da próxima vez, Dorothy... Eu te faço dormir por um mês inteiro. Bem longe do Kansas. – Disse secamente, citando outra vez O Mágico de Oz.

Craig se empertigou na cadeira, incomodado com o apelido infantil.

- Vamos ver, Morte, vamos ver...

Notei que ele não queria tentar a sorte de me chamar pelo nome. Bom para ele.

Ajeitei o chapéu preto na cabeça e fechei a porta do closet calmamente. Craig que tentasse, eu o fatiaria e daria de comida aos sem teto do bairro onde moro. Muitos músculos, pouco cérebro. Um clássico serviçal. Senti nojo.

Voltando ao carro, guardei o pacote pardo no porta-luvas e manobrei, seguindo a rota já conhecida em direção ao meu bar das horas vagas. Vinte minutos depois estacionei perto do lugar. Entrei. O local era mal iluminado e cheirava a bebida curtida e fumaça de cigarro. A maioria das mesas de madeira gasta estavam vazias, a mesa de bilhar estava solitária e a televisão antiga acima do bar estava ligada em um jogo de futebol. Arsenal contra Manchester United. O placar estava empatando em dois gols para cada.


26 de Setembro de 2010. Por: Régis S. Oliveira.

Outra Manhã. - Parte 3

Nesse momento o segundo homem se prostrou entre nós e conteve os ânimos da criança gigante. Ótimo. Eu não estava afim de brincar tão cedo.

- Calma aí Craig. Nós não estamos aqui pra brigar.

Ele tinha aparência mais amistosa. Cabelos ruivos e olhos verdes, 26 anos no máximo, sardas no rosto de traços joviais, físico franzino e um olhar bem humorado.

Depois de sentar o gorila burro novamente, veio até mim com um sorriso no rosto.

- E ai, Anthony! Como é que você está?

Puxando seu braço direito, girei-o rapidamente e torci seu braço às costas enquanto aplicava meu peso sobre seu corpo fraco, obrigando-o a se ajoelhar para não ter o braço quebrado. Surpreso, ele gemeu doloridamente e seu rosto ficou vermelho.

- O que está fazendo?! – Disse ele sofregamente. Interrompi sua fala torcendo seu braço com mais força. Seus dentes rilharam e suor brotou na testa. Cheguei com o rosto perto de sua orelha e falei de forma baixa e ameaçadora.

- Sabe qual é a diferença entre nós, Kevin? Sabe?

- Ai! N-não! – Gemeu ele.

- Eu posso te chamar de Kevin. Mas me chame de Anthony novamente e eu quebrarei mais que um braço seu. Entendeu o recado?

- S-sim...

Soltei-o rapidamente e endireitei o corpo cruzando os braços novamente. Ele afastou-se massageando o braço direito com o rosto vermelho expressando dor.

- Não precisava fazer isso... Hã... Morte. Bastava me dizer. Mas pensei que éramos amigos de profissão.

- Pensou errado.

- Ao menos de profissão, afinal trabalhamos para a mesma pessoa.

- Não tenho amigos. E se tivesse você não seria um deles. Você é o tipo de verme que agradeço por ter a oportunidade de matar e tirar deste mundo.

Ofendido e humilhado, ele se sentou novamente, a expressão mais séria.

- Enfim, o que você quer?

- O serviço e as armas.

- O Chefe deixou o pacote pra você. – Disse Craig, me entregando um pacote pardo grande e estufado para mim.

Abri o pacote, peguei duas pistolas carregadas, um par de silenciadores e um papel cartão escrito em letras digitadas tamanho 12.


26 de Setembro de 2010. Por: Régis S. Oliveira.

Outra Manhã. - Parte 2

Quando não é pelo calor, é pelo frio. Pela chuva. Pelo vento. Obturação do filho às nove. Passar no bar antes de ir pra casa. Jantar com a namorada. Sexo casual com o marido alheio. Algum famoso idiota no programa de entrevistas das onze.

Céus, como odeio essas peças de carne dotadas de movimento e fala, mas não de cérebro.

Mais 20 minutos caminhando pela garoa e cheguei ao estacionamento no qual meu Opala preto está guardado. Paguei a mensalidade do estacionamento e saí sem pressa. Coloquei o CD de jazz de sempre e segui calmamente. Outros 15 minutos dirigindo e cheguei ao lugar que preciso. Aparentemente uma casa de família rica. Muros altos brancos e portão largo escuro. Linhas de alta tensão beirando o topo dos muros. Toquei a campainha do interfone.

Alguns segundos de espera e uma voz masculina de falsa alegria atendeu.

- Em que posso ajudar?

- Preciso de armas.

A voz rapidamente tornou-se rouca e irritada, perdendo o falsete de recepção.

- Ah, é você. Cale a boca e entre logo! Estamos nos fundos.

Subi as escadas e entrei na casa bem cuidada, com móveis de família e ar decente. Abri a porta do que deveria ser um quarto comum, composto de cama, mesa de cabeceira e um closet. Entrei no que deveria ser o closet e encontrei dois homens sentados a uma mesa grande e redonda de madeira, despojados e despreocupados. Prateleiras jaziam no lugar de roupas, cheias de armas e munições. Um péssimo esconderijo.

Estavam jogando pôker. Parei perto da mesa e cruzei os braços, olhando de forma inexpressiva. Um dos homens adiantou-se, 43 anos, alto, braços musculosos tatuados, o queixo largo, cabeça raspada como a dos militares e barba por fazer, boca fina crispada. Os olhos pretos e miúdos me encaravam com raiva. O mesmo Craig de sempre.

- Você não pode falar que precisa de armas na calçada, merda! Use o código como nós usamos, seu idiota! Se eu tiver problemas com o Chefe por sua culpa, te mato!

- Sim, claro. Mata sim, Dorothy...

Craig aproximou-se fechando os punhos e tentou me intimidar com sua aparência de gorila super-nutrido, estalando os ossos do pescoço.

Franzi a testa e encarei-o, meus olhos azuis denunciando meu tédio com a situação.

- Mesmo Craig? Quer apanhar essa hora da manhã?

- Seu filho da... – Disse ele entre dentes erguendo o punho pesado.


26 de Setembro de 2010. Por: Régis S. Oliveira.

Outra Manhã. - Parte 1

Outra manhã.

Mais uma vez me levantei da cama como se levantasse da sarjeta de um beco escuro, e caminhei lentamente até meu banheiro sujo de azulejos quebrados.

Acionei a descarga depois de me aliviar e encarei o espelho rachado em cima da pia de louça escura, enquanto lavava as mãos e depois escovava os dentes. A rachadura trouxe o efeito de uma cicatriz enorme que fazia meu rosto desigual. Engraçado, talvez eu o preferisse assim. Desfigurado. Exatamente como meus sentimentos.

Enchi as mãos de água e molhei o rosto e meus cabelos pretos, curtos e espetados sem me importar com a aparência bagunçada. Voltei ao quarto pequeno e simples e olhei a hora. Onze horas da manhã em ponto. Abri a janela. O vento frio não me surpreendeu. Nublado. Garoa. Mau humor. Igual.

Depois de me vestir fui até a saleta composta apenas por um sofá velho de tecido verde musgo do antigo morador, uma TV velha e uma pequena mesa com duas cadeiras.

Liguei a maldita televisão e passando pelos canais vi apenas tragédias alheias, receitas de tortilhas e programas infantis que tratam as crianças como deficientes mentais.

Dando um suspiro irritado, apertei o botão de desligar no controle remoto e vi a tela da formadora de imbecis sociais do futuro apagar-se. Aquilo me enoja.

Fui até a cozinha de piso engordurado e azulejos rachados, abri a geladeira azul antiqüíssima também do antigo morador, e servi leite gelado em um copo.

Abri um armário de parede e peguei a caixa de cereal. Uma barata saiu de dentro dela e caiu no chão, se contorcendo. Não me importei. Enchi a boca com cereal direto da caixa e ainda mastigando bebi o leite para ajudar a engolir. A refeição mais importante do dia, dizem todos. Hipócritas. A grande maioria sequer sabe o que é comer algo pela manhã.

Peguei meu sobretudo e meu chapéu preto pendurado na maçaneta da porta, vesti-os, e saí. Passei rapidamente pelos corredores estreitos e mal iluminados do prédio velho, pichado e depredado, desviando de um corpo ensangüentado que está de bruços ali faz três dias. A poça de sangue já escura e completamente seca.

- Bom dia, antigo morador. – Disse educadamente ao corpo inanimado e sangrento sorrindo ironicamente para o nada.

Ganhei a calçada e a garoa fina me cumprimentou sem cerimônia. As pessoas estavam apressadas.

Sabe o que é irritante? Elas sempre estão apressadas. Sempre.


26 de Setembro de 2010. Por: Régis S. Oliveira.

22 setembro 2010

Nonagésimo Quinto.

Frio.

"Outro abraço de pecado.
Extremamente fatal em beleza.
Me puxando para o fundo.
Arranhando minha pele gelada.
A mais doce tentação.
Afastando-me da redenção.
Cada passo que dou me traindo.
Emoções misturadas...
E minha fé começa a sumir.
Promessas que quebrei.
Estrelas que desperdiçei.
E veja o preço que tenho de pagar.
Ternamente, a doçura se transforma em dor."

By - [Halos]

20 setembro 2010

Nonagésimo Quarto.

Perda.

"Tua sensualidade corrói.
Tua curvas perfumadas arrebatam.
Ela sabe estar onde quer.
Da melhor maneira que pode mudar.
Intrigante é teu amar.
E teus modos enfeitiçam os demais.
O sorriso encanta.
O olhar planeja o novo ardil.
As carícias de ego comandam tuas horas.
Irônico... Ela quer ser adorada.
Porém não há vida sem morte.
Tampouco noite sem dia.
Mas ela irá para outro sonho.
Mantendo tuas convicções erroneas.
Tua luz não irá cessar,
Mas confirmará a ferida da certeza.
Teus abraços trairão.
Teus acordes consumirão.
A vingança chegará faceira.
E a ira de tuas próprias pegadas lhe apagarão."

By - [Halos]

17 setembro 2010

Nonagésimo Terceiro.

Abraço De Despedida.

"O mundo mostra-se insensato.
Amargurado e cinza, abstrato.
Infestado de lindas paixões.
Mas completado por decepções.
As pessoas continuam insensíveis.
Fogem das respostas plausíveis.
Mantém os jogos de ilusões.
Sempre fugindo suas razões.
Com os espinhos de seus amores.
E as crenças em seus temores.
Os dias passam preguiçosos.
Os olhares ainda estão cobiçosos.
Todos exibem risos de sanidade.
Embora saibam ser falsidade.
O avanço aparenta ser bendito.
Porém o resultado é o dom maldito.
Tudo segue a amada desordem.
E ainda que as mentiras discordem.
Todos querem o fim da ordem.
A morte é esperada por aplausos.
A vida é ferida por descasos.
E assim segue o mundo moldado.
Segue pelo caminho explicado.
Para o final amaldiçoado."

By - [Halos]

15 setembro 2010

Nonagésimo Segundo.

Linda Eternidade Intocável.

"Uma mulher de pele alva.
Caminhando pela noite sombria.
A lua distante reflete tua melancolia.
Teus pensamentos estão voltados ao finito.
Tua harmonia impressiona ao clima morto.
E teus dizeres soam como música aos céus.
De forma sincera, ela procura teu amor.
Porém, a confiança lhe trouxe apenas dor.
Ainda assim, ela continua sorrindo.
E de forma pura, diz tua beleza ao abismo.
Teus cabelos negros distraem o destino.
E teus olhos castanhos mudam as cores para o passado.
Teu coração conquistou o vento da discórdia.
E indistintamente, ela chora em alegria.
A amizade da vida, teus gestos conseguiram.
E esplendorosamente, ela continua a caminhar.
Ainda sente os medos do futuro.
Ainda sente as feridas do passado.
Mas sem arrependimento, ela segue.
Pois sabe de tua importância ao mundo.
E tuas asas agora estão mais fortes.
Portanto, a escuridão jamais lhe alcançará.
Pois ela voa nos caminhos de teu próprio perfume.
E ainda que a noite seja sombria...
Teus passos iluminam teus desejos.
E teu destino será sempre regido pela aurora distante."

By - [Halos]

Escrito para minha incrivel amiga Janine Isis Franco.

When Your Lover Has Gone.

When you're alone,
Who cares for starlit skies?
When you're alone,
The magic moonlight dies...
At break of dawn,
There is no sunrise...
When your lover has gone...

What lonely hours,
The evening shadows bring...
What lonely hours,
With memories lingering...
Like faded flowers,
Life can't mean anything...
When your lover has gone...

10 setembro 2010

Dia Ruim.

Você disse que me amava.
E eu acreditei...
Eu realmente acreditei...
Porque eu te amei.
Eu realmente te amei.
Mas você se foi, não é?
Você tinha que ir...
Mas porque pisou em tudo assim?
Porque fez isso?
Porque comigo?
Eu te amei, maldição!
E ainda estou aqui como disse que estaria.
Mas não sei se você se importa...
Você me magoou.
Me fez provar do mel e do fel.
Não consigo mais suportar.
Não consigo mais fingir...
Estou cansado...
Estou triste...

09 setembro 2010

Octogésimo Nono.

Apenas Meu Desejo.

"Quero parar o tempo.
Contemplar você...
Minutos em silêncio.
E a Terra pára.

Quero sentir teu beijo.
Ele me faz tremer...
Minha noite vira dia.
E a Terra pára.

Quero pegar tua mão.
Até o amanhecer...
Pelo Sol esperar.
E assim, para sempre...

A Terra pára."

By - [Halos]

08 setembro 2010

Octogésimo Oitavo.

Caminho Perdido.

"Olhe para o mar calmo.
Veja cada onda em sua coreografia pessoal.
Veja tuas curvas conversarem com a areia.
Tua cor remetendo ao sincero...
Não sei por quê, mas sinto vontade de chorar.
Você sente, minha querida? Você sente?
Sente a luz do Sol banhar-lhe o ser?
Calorosa e gentil. Amorosa.
Você ouve os cânticos da brisa leve?
Agradável e pura. Sensível.
Você se lembra, minha linda?
Se lembra que um dia estive ao teu lado?
Se lembra que um dia fui teu?
Ainda te espero. Ainda tenho forças.
Respire fundo, olhe o céu.
Contemple as nuvens dançarem no vasto azul.
Ouça o silêncio do clima...
Dê um passo à frente e pegue minha mão.
Estou aqui. Fechei meus olhos para a dor.
Posso aspirar. Posso sentir.
O que é certo. Verdadeiro. Real...
Mas teu coração já não bate por mim.
Algum dia bateu?
Não sei dizer, mas prefiro não saber.
Terei outra chance, minha Borboleta? Terei?
Sinta o chão distanciar...
O tempo pode parar. Nós podemos voar.
Sinta meu sorriso. Meu querer.
Mas por favor, apenas não solte minha mão.
Não me deixe só.
Não me deixe cair."

By - [Halos]

07 setembro 2010

A Grande Verdade...

Eu só queria ser aceito desta vez.
Eu só queria ter uma boa resposta.
Mas quem disse que querer é poder?
De qualquer forma nada vai mudar.
Meu melhor nunca é o suficiente.
As coisas sempre dão errado...
Eu sempre estrago tudo...
O dia foi gentil de certa forma.
Mas eu vi o que ele quis realmente me dizer.
Eu vi...
E não foi nada bom.

"Para o seu amor, sinto muito.
Para a sua dor, não se preocupe.
Tudo desaperece..."

O problema é que o tempo é muito relativo.
Será? Eu pergunto... Será?
Não sei... Ninguém sabe.
Isso me incomoda muito.
De qualquer forma estou chegando ao ápice.
Quando chegar, é o fim.
Ali eu vou permanecer... E ponto.

06 setembro 2010

Octogésimo Sexto.

Dizer Inevitável.

"Um homem cabisbaixo chora a perda do tempo.
O remorso insinua teus dizeres ao céu.
Sentindo os erros levarem teu corpo,
Ele percebe não saber quem realmente é.
Correu sempre como se tua vida estivesse perdida.
Como se pudesse redefini-la,
Independentemente do que tivesse quebrado.
Dilacerado porém, ele notou que tua alma se esvaiu.
E o destino sorriu-lhe a tragicidade.
A tristeza abraçou-o carinhosamente.
E maliciosamente, a aflição adentrou tua mente.
Lágrimas são desnecessárias.
E ainda que a dor o corroa, ele sorri.
Teus olhos estão fechados para o amanhã.
Teus pés tocam a grama casta uma última vez.
Será outro erro, ele sabe.
Entretanto, não há como viver em morte.
Assim, entregando-se ao luar decadente...
O homem cai em perdição."

By - [Halos]

04 setembro 2010

Octogésimo Quinto.

Riso Cruel.

"A repercussão assusta.
Você tenta se esconder atrás de sorrisos alheios.
O desejo não é simples de ser alcançado.
O caminho da perdição também não é fácil.
Então siga teus instintos.
Cometa os mesmos erros novamente.
Anda, meu jovem.
Anda que o fracasso te aguarda.
E se o orgulho te nega licença,
O sucesso está logo acima.
Mas veja, você não é necessário para ele.
E quando for, o ruim corromperá.
Então segue tua sina...
Mantenha o olhar desperto.
Que justiça não lhe serve de nada agora.
Você está ao lado dos fracos.
Verdade seja dita, não há lado dos fortes.
Então não meça realidade.
Me seja diferente, pois daqui te vejo.
Já sucumbi ao querer.
Não tente enxergar-me, garoto.
Mas ouça o que digo.
A bifurcação logo chega ao olhar.
Abrace o veneno antes que ele te afogue."

By - [Halos]

Octogésimo Quarto.

Beleza Do Temido Amor.

"Uma mulher embebida pela dor.
Vacilante em teus sentimentos.
Presa as águas de um rio por tuas escolhas.
Resignada, ela sorri ao céu noturno.
Porém, tua tristeza vem por conformismo.
Pois tua escolha é finita.
E eterna será enquanto teus pés tocarem este rio.
Mas as águas já não são tão rasas.
E o rio corre friamente...
Assim, ela espera as lágrimas surgirem.
No momento em que elas caírem,
A noite atingirá o ápice do amor distante.
A carícia da culpa será completa.
E cruelmente, ela sentirá teu coração."

By - [Halos]

03 setembro 2010

Octogésimo Terceiro.

Sol Do Anoitecer.

"Ao viver recuso o sorriso.
Pois a sina de incertezas é o que tenho por estima.
Indignado, falo ao clima funesto.
Cobiçando arrancar da alma a divindade.
Regredindo lentamente...
Ao luar mostro meu pensamento.
E pelo pecado, entrelaço meus dedos distraídamente.
Caminhando sob os céus do desejo...
Assim, a crença me abandona.
Pois tomei ilusões e sonhos por realidade.
Acreditei em contos e otimismos.
Em resposta, a dor surgiu como um dia de luz.
Mas quando a toquei, chuva impiedosa surgiu.
E exaurido, procuro abrigo deste fardo.
Meu mundo está parando...
Meu coração está queimando...
Construi minha parede de espelhos.
Fingindo horas perfeitas e bons sentimentos.
Mas não quero ser ferido novamente.
Então estou fugindo.
Me trancando novamente..."

By - [Halos]