Do outro lado da rua, e ainda despercebido por meus oponentes, mirei a cabeça, segurei a respiração e apertei o gatilho rapidamente. O silenciador abafou o barulho do tiro. O corpo tombou imediatamente. Certeiro. Antes que o outro segurança tivesse reação para notar algo, mirei sua cabeça e puxei novamente o gatilho. Rapidamente ele acompanhou seu parceiro na viagem ao mundo dos mortos.
Dois tiros. Dois mortos. Assim começava minha obra de arte. Silêncio. Ser uma sombra, vagar pela noite e chegar despercebido. A Morte pedindo passagem.
Corri imediatamente, atravessando a rua e contornando a casa enorme, cheguei ao portão de entrada nos fundos da casa, e logo avistei outros dois seguranças. Antes que pudessem tirar suas mentes do torpor do tédio, os matei com mais dois tiros nas cabeças.
Ah, como eu era bom! Realmente era o melhor no que fazia. Realmente era a verdadeira Morte. Ceifando almas sem permissão dos céus.
Pulei o portão preto e largo da entrada dos fundos e cai silenciosamente, amortecendo o impacto da queda alta com um giro rápido de corpo no chão. Àquela altura provavelmente já sabiam que um intruso adentrara a propriedade. Mas esse era meu segundo ato, minha segunda camada de tinta escarlate em meu quadro de tons funestos. Primeiro, a doença silenciosa. Depois, o estrondo mortal.
Retirei o silenciador da pistola e saquei a outra. Uma em cada mão. Ser uma sombra já não bastava, eu queria o barulho. A constatação seguida do medo. Desordem. Pânico.
O suor frio escorrendo pela testa, pois jamais escapariam. Eu queria que olhassem as câmeras e não soubessem quem era. A Morte não mostraria sua face, mas cumprimentaria com a foice de lâmina fria. A adrenalina encheu meu peito.
Ainda correndo pelo gramado escuro, notei uma porta aos fundos, mas dei a volta e encontrei a porta da frente. Corri para ela e atirei na maçaneta, dando um chute com a sola do coturno para abri-la. Queria uma entrada triunfal.
Entrei em uma sala de estar de móveis pequenos, antigos e bem cuidados. Decoração vitoriana. Coisa de gente excêntrica. Notei uma porta ao fundo do cômodo e caminhei em direção dela. Entrei em uma cozinha enorme e absurdamente limpa. Meus olhos experimentados varreram o lugar à procura de movimento. Nada.
Voltei até a sala de estar e subi as escadas rapidamente, os sentidos aguçados, os reflexos preparados. No corredor de cima não notei movimento, câmeras ou seguranças. O que acontecia naquela casa? Apenas dois seguranças em cada entrada? Estranho.
Quatro portas intercaladas se estendiam pelo corredor. Abri a primeira e encontrei apenas o vazio. Um sistema de câmeras desligado. Amadores.26 de Setembro de 2010. Por: Régis S. Oliveira.
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