26 setembro 2010

Outra Manhã. - Parte 4

Caro Morte.

Harris Coltrain. 52 anos. Contrabandista de armas internacionais.

Dois seguranças bem armados e treinados nas duas entradas. Alarmes de última geração.

Harris estará em casa o dia inteiro. Meios a seu critério.

Silenciar todos na propriedade. Deixar assinatura.

Atenciosamente. Chefe.

Abaixo continha o endereço do local e o valor que seria depositado na minha conta bancária assim que eu confirmasse o serviço. Eu não sabia exatamente porque o Chefe estava querendo tirá-lo do mapa, mas com o Chefe era assim. Você não sabe o nome dele, ele não sabe o seu. Você sabe apenas o que tem de saber, faz sua parte, recebe seu pagamento e vai para casa. Na verdade eu não me importava. Só tinha certeza de uma coisa. Harris Coltrain tinha entrado no caminho do Chefe e hoje encontraria com a Morte. O Chefe queria assinatura. Seria um trabalho agitado.

Olhei o relógio de pulso. Quase meio dia. Guardei tudo novamente no pacote pardo e sem dizer nada virei as costas aos dois idiotas.
Antes de fechar a porta do falso closet, ainda de costas, girei o pescoço e direcionei meus olhos para trás, falando calmamente.

- Da próxima vez, Dorothy... Eu te faço dormir por um mês inteiro. Bem longe do Kansas. – Disse secamente, citando outra vez O Mágico de Oz.

Craig se empertigou na cadeira, incomodado com o apelido infantil.

- Vamos ver, Morte, vamos ver...

Notei que ele não queria tentar a sorte de me chamar pelo nome. Bom para ele.

Ajeitei o chapéu preto na cabeça e fechei a porta do closet calmamente. Craig que tentasse, eu o fatiaria e daria de comida aos sem teto do bairro onde moro. Muitos músculos, pouco cérebro. Um clássico serviçal. Senti nojo.

Voltando ao carro, guardei o pacote pardo no porta-luvas e manobrei, seguindo a rota já conhecida em direção ao meu bar das horas vagas. Vinte minutos depois estacionei perto do lugar. Entrei. O local era mal iluminado e cheirava a bebida curtida e fumaça de cigarro. A maioria das mesas de madeira gasta estavam vazias, a mesa de bilhar estava solitária e a televisão antiga acima do bar estava ligada em um jogo de futebol. Arsenal contra Manchester United. O placar estava empatando em dois gols para cada.


26 de Setembro de 2010. Por: Régis S. Oliveira.

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