26 dezembro 2012

Saudade.



Bebi saudade de você hoje. Não sei se pelo calor, que tá demais, ou se eu só queria lembrar do gosto pra não te esquecer de vez, muito embora eu saiba que isso não aconteceria, porque você morreu, mas vive de um jeito insuportável que não posso controlar. Senti na pele o resto do sol aumentando as queimaduras que você me deixou, porque eu nunca tive coragem de usar um protetor solar. Talvez esse tenha sido meu grande erro. Querer abraçar tudo de uma vez, aguentar o que viesse, como viesse, só porque vinha de você. Mas não era assim que morriam os corajosos e os desavisados? De qualquer forma não seria útil um protetor solar, que você me queimou de tão fria, me afogou de tanto gelo, me matou de hipotermia.
Não sei dizer quantas vezes eu achei que tinha ido embora de você, nem quantas achei que tinha deixado você ir de mim, só sei que não encontrei a paz que procurava longe de você, ainda que tenha sido pela falta dela que nós seguimos caminhos opostos. Se o tempo leva a dor das feridas embora, podia levar as cicatrizes também, que vê-las me lembra tudo que não quero, e nessas horas sinto raiva, pois você achou que não machucava apenas porque não via sangue. Bem, hoje eu bebi saudade de você... Do que você acha que esse drink tão gelado é feito?

24 dezembro 2012

Beleza.

Eu olhei aquela garota, e foi impossível não contemplá-la em silêncio, admirando diligentemente seu modo de arrumar os cabelos acerca de seus dedos delicados. Ela se destacava na multidão, e entre todos os decotes e olhares provocantes eu só conseguia enxergar seu rosto de feições tão ternamente bem desenhadas.
Havia algo de belo em tudo aquilo, algo de divino, e também algo de maléfico, de assustador. Como a beleza pode ser algo extraordinariamente controverso. O mesmo olhar que atrai, intimida. A mesma mão que chama, afasta. Como o fato deste dom ser tão exaltado também o condena amargamente à solidão dos perfeitos, ao isolamento dos imaculados. Jamais senti tanto conflito quanto naquele momento de admiração única. Jamais senti tanta inveja e tanta pena de uma mesma pessoa, jamais senti tanto amor e tanto ódio. A beleza é um mundo paralelo, um lugar inexplorado. Tão desconhecido por aqueles que o habitam quanto eu era para a garota inspiradora sobre qual meu olhar recaiu...

18 dezembro 2012

É Tarde.

Eu não vou mais tentar achar
Respostas que um nem sonhei em perguntar
Não posso mais tentar mudar
Não quero que a tristeza ocupe o seu lugar
Eu vou deixar pra poder passar
O tempo vai se encarregar
Pois que partamos daqui
Seguindo pra qualquer lugar
Mas é tão tarde demais
Nós dois não vamos mais amar
Ficamos tão mais banais
Um filme só com dois finais...

Delonga.

Na minha vida não existe apenas o agora. Existe o antes no meu peito e o depois lá fora. Mas se eu não quero outra vez usar o termo outrora, preciso aprender o jeito certo de ir embora. Preciso destruir a minha caixa de Pandora. Andar pra todo o sempre como alguém que ignora. Mas se eu não sei notar que tudo é só por hora... Serei enternamente quem a tal tristeza adora.

17 dezembro 2012

Resquício.

O que for meu agora é seu, mas dá um pouco da tristeza, que é pra não te amargurar. As cartas que você me deu traduzem toda a beleza, eu já nem sei o que falar. Daqui de cima me lembro de momentos, de nós andando de mão dadas. Das conversas sobre nossos sofrimentos, de deitar com você sobre almofadas. Foi bonito, verdadeiro, real. Mas finito, derradeiro, fatal.
Eu jamais faria nada pra te fazer chorar, embora você não acredite. Ninguém começa algo assim pensando em terminar, mesmo assim você não admite. Pensei que eu saberia o que fazer agora, eu sabia que ficaria sozinho. Mas tenho medo de sair lá fora, não quero ter de seguir outro caminho.
Quando você partiu eu sei que não prometeu voltar. Mas vou contigo mesmo sabendo que não prometi ficar. Vou de longe que é pra não te magoar ainda mais. Vou te amando e odiando te deixar em paz. Vou fazer o que for certo e o que puder por nós, mesmo que nossa sobra seja não ficar a sós.

16 dezembro 2012

Às Vezes.

Às vezes nada dá certo. Às vezes nada é capaz de te distrair. Nada é bom o bastante. Às vezes ficar na chuva não adianta, e ela não lava os pecados nem a paranóia pro ralo da memória. Às vezes o som dos dias te fazem desmoronar pelos ecos do passado, recente ou antigo, mas inesquecível.
Às vezes a bebida infecciona as feridas e tentar sorrir só te deixa mais doente que o normal, o som do jazz só te traz amargura, e respirar fundo não é suficiente pra trazer paz à mente. Às vezes os degraus pesam tanto dentro do peito que chega a doer, e fingir ser forte não passa de uma forma de te deixar mais fraco ainda.
Às vezes tudo o que você quer é desistir, é jogar tudo para o ar, é acabar com tudo de uma forma rápida e indolor. Às vezes não há mais esperança, e até a garganta se recusa a gritar, e o corpo já não quer mais caminhar. Às vezes você só quer que o tempo passe, pra você poder fechar os olhos e dormir sem pretensões de acordar...
Às vezes o às vezes dói, e céus, como dói.

14 dezembro 2012

O Adeus em 3 Atos.

No começo seu rosto vivia na minha memória.
Depois o tempo fez você parecer um rascunho mal feito.
Agora pra mim você é só uma mancha.
Pra alguns é arte abstrata, sei lá.

09 dezembro 2012

Não Outra Vez.

Não tenho mais forças pra tentar de novo.
É simples de dizer, apenas não tenho mais paciência ou esperança, embora me sinta extremamente sozinho e machucado, mas por hora não consigo, não mais.
Eu trago algum tipo de marca, algum tipo de maldição, não sei, algo que se mostra no pior momento, algo que magoa, fere, afasta, algo que pune sem pudor e sem razão. Não é mais que um simples dizer ou gesto ou olhar, mas devasta indistintamente, é um abismo. Estou cansado de perceber dia após dia que não sei amar, que ainda não aprendi, que parece cada vez mais que não irei aprender. Estou conformado com o conformismo, mas me sentindo um lixo. Mesmo assim não pretendo tentar mudar nada, vou deixar as coisas seguirem seu curso natural, porque às vezes lutar é apenas um desperdício, e eu não tenho razões para tal.
Sou um problema com vida, um furacão ambulante. Me resta aceitar.

27 novembro 2012

Sonho.

Queria pular de algum lugar bem alto. Tão alto que fosse só eu e o vento, que as lembranças fossem varridas como um simples devaneio. Tão alto que o resto silenciasse e apenas o assobio do vento me lembrasse de minha existência. E acelerando, minha consciência se fundiria com as cores, os sentidos e os sentimentos, e eu saberia que não iria mais voltar. Só eu e o vento, os braços abertos, um pássaro incapaz de voar, a queda iminente, e finalmente eu experimentaria aquela sensação pura... Aquela sensação de paz.

25 novembro 2012

Feche Bem Os Olhos.

Costumo imaginar olhos maléficos semicerrados à luz de um sorriso multifacetado; perverso e quase beatífico. O retrato da lucidez e loucura. O lado vil, traiçoeiro e déspota. O mal criado, encarnado e incontido. É impressionantemente real e desolador. Preciso me recuperar, assimilar, digerir, organizar meus pensamentos. É sempre tudo muito circunstancial e gradual. Ninguém é inocente. Muito menos inofensivo.

16 novembro 2012

Perfídia.

O erro que eu cometi foi tão banal
Amargo e inocente, o singular pelo plural
Mas foi de um preço alto pra se aguentar
Algo que nem morrendo eu vou conseguir pagar
Eu trouxe a vida errada pra este lugar
E a amaldiçoei com a solidão
E é por isso que não vou conseguir caminhar
O fardo é pesado demais pra carregar
Não sei dizer se um dia vou me perdoar
Mas num corpo sem alma eu tenho tempo pra tentar

10 novembro 2012

Partida.

Minha vida;
Queria ter-te aqui na minha vida.
Não posso, mas eu bem que gostaria.
Faria de você o que já fui eu.
Ao passar da minha vida,
Eu tenho que esquecer essa utopia
De que um dia aqui eu te teria,
Pra então lidar com o que aconteceu.
E em meio ao caos
Sobrou um chalé,
Do qual vejo você partir,
Mas permaneço aqui de pé.
Agora já não sei o que difere ódio de amar.
E nestas ruínas de um mundo perfeito,
A paz traz a dor neste breu sorrateiro.
Não posso mais sorrir,
Mas eu não me permito chorar.

08 novembro 2012

Grama e Madeira.

A alegria do seu olhar, e tudo que nele se resumia em poucas palavras, de brilho angelical e demoníaco. Seus olhos, e as cores da imensidão imutável que é o quadro ao meu redor, criado em lentas pinceladas de insinuações piscadas. O charme, o medo, a tristeza, o zelo, a melancolia, o amor e o desespero, tudo semicerrado junto a tua expressão que é tão sua, e apenas sua. Toda a nuance acentuada, a pura arte apresentada, seus olhos, verde e castanho, grama e madeira sobre o lago negro congelado dos teus pensamentos, fustigado pela neve e pelas folhas do Outono do jardim que um dia foi nosso. A alegria do seu olhar, minhas lembranças através das tuas janelas, e céus, como eu amei te amar.

31 outubro 2012

Percepção.

E foi quando eu percebi. Como, em sã consciência, eu poderia me aproximar de uma pessoa tão exageradamente boa em sua essência, como eu poderia entrar na vida de alguém que tinha tamanha alegria em seus trejeitos, como, se eu me tornaria sua sentença de morte?

16 outubro 2012

Coisas Que Escrevo Sem Saber.

Ela gosta de gatos.
Gosta muito de gatos.
Ela gosta do céu, de estrelas e nuvens.
Do azul imperturbável,
De signos e características.
Ela ama tudo isso.
Longas conversas,
Um pouco de frio e couro.
E preto, e vermelho e roxo.
Vinho, cerveja, pão sírio.
E música para refletir.
E no seu ceticismo há misticismo.
E ela é encantadora.
E ansiosa e calada e teimosa.
Que gosta de ar puro,
De natureza e calmaria.
Morangos, queijo, batata frita.
Filmes de terror e livros.
Ela gosta disso tudo.
Tanto quanto eu gosto dela.

Momento.

"Já reparou que você sempre arranja uma desculpa?" Acho que essa foi a coisa mais sábia sobre mim que ela me disse. Por alguma razão essa foi a opinião que mais significou depois de tudo, e ecoa na minha cabeça em vários momentos dos meus dias. E eu lembro de como, na voz dela, soou tão estranhamente correto e irrefutável, e de como eu me senti sem saída.
O engraçado foi o modo gentil que ela observou, embora tenha me atingido como um jab de direita. E vi estrelas, mas a tontura passou rápido. Eu me saí bem, e fingi bem que fora algo despercebido, e logo já tinha voltado ao normal. Mas foi marcante. Foi tão marcante quanto ela.

15 outubro 2012

É Você Ali...

A foto em preto e branco.
Você e um sorriso,
Não tão largo, estreito, tímido.
Bem você.
Seus olhos, do verde ao castanho.
Meio tristes, meio alegres.
Bonitos, chorosos.
Tão você...
A marca da catapora.
O nariz ligeiramente arrebitado.
Cabelos emoldurados.
Castanhos, cacheados.
É você.
É você ali.
E eu quase posso sentir seu cheiro,
Mesmo assim em preto e branco.
Quase consigo chegar perto.
Eu quase te toco.
Quase...

Pequena Anne.

A pequena e sonhadora Anne um dia será indecente.
Terá crises existenciais e problemas de humor.
Um dia ela vai preferir café puro a suco de laranja.
Pobre Anne, antes tão inocente.
Agora não passa de alguém decadente.
Com nada mais que seu sarcasmo fingido.
Ela terá abstinências e vícios.
Cocaína, mentiras, cigarros, tristezas.
O passado se dissolvendo gradualmente.
Deixando-a com nada que não seus tremores involuntários.
Alucinações, desastres e fúrias,
Saliva espumando, olhos revirando e solidão.
A então pequena Anne agora é anoréxica,
Problemática e tendenciosa.
Não restou nada para ela, nada...
Que não seus tropeços sujos de lama.
E seus sonhos agora tão estilhaçados.

09 outubro 2012

Estranheza.

E quando eu olho você
Vejo apenas uma criança com olhos vermelhos,
Vermelhos como sangue.
Vejo apenas incompreensão, confusão e dor.
Mas também despreparo,
Falta de vivência, de aceitação.
E com olhos enegrecidos eu te vejo.
Eu te vejo erguer a mão
Exibindo o coração como se fosse preciso.
Externando uma dor desnecessária.
Exatamente como uma criança faria,
Ou como um adulto cansado.
E diante de você não sei o que sou
Só sei o que fiz
E o que vou fazer.
E mostro meus dentes amarelos,
Tingidos pelo café de outras insônias,
Pra você ver que não é tão difícil.
Que basta pisar firme no chão e inspirar.
Que é só questão de confiar
De perder aquele medo primitivo que temos,
De tropeçar e ralar as palmas das mãos.
Porque no medo ficamos
E o desespero é que leva à queda.
Mas quando olho você
Eu vejo alguém tão longe,
Tão inalcançável quanto asas de sonhos.
Hora de por as mãos nos bolsos
De virar as costas e caminhar.
Deixando o som dos sapatos ecoando
Quase que eternamente,
Num tipo de vórtice inexplicável.
Mas você ainda exibe o coração irregular...
Por favor, guarde isso.
Mas você não escuta mais minha voz.
Como uma criança levada faria
Ou como um adulto teimoso.

07 outubro 2012

Life and Death.



The end?
Don't bet on it.
But I'm not afraid anymore.
It's the way things happen.
I'll face this damage.
I'll face my demons from now.
And I'll talk with these ghosts.
All the doubts.
All the blood.
Every single bad feeling.
I'll make them my best friends.
And I'll kiss the ground.
So take a look at me one last time.
You'll never see me again.
'Cause if you see me you'll be dead.
At my side,
Falling from the sky.
Burning in the snow.
Burning in the flames.
Drowning with me...
We're already in hell.
The end?
Haha, don't bet on it.
This is what they call life and death. 
This is what they call forever.

05 outubro 2012

As Características Do Terreno.

"Enquanto Gurney desviava os olhos da tela do laptop, ficou espantado ao ver Madeleine sentada na ponta da mesa, observando-o  - tão espantado que pulou na cadeira.
- Meu Deus! Há quanto tempo você está aí?
Ela deu de ombros e não se deu o trabalho de responder.
- Que horas são? -  indagou ele, e viu imediatamente como a pergunta era idiota. O relógio sobre o aparador estava em sua linha de visão, não na dela. As horas, 22h55, também apareciam na tela do computador à sua frente.
- O que você está fazendo? - quis saber ela. Parecia mais um desafio que uma pergunta.
Ele hesitou.
- Só tentando entender... isto.
- Hum. - Isso soou como uma nota de uma risada sem humor.
Ele tentou devolver o olhar firme dela, mas achou difícil.
- O que você está pensando? - interrogou.
Ela sorriu e franziu a testa quase ao mesmo tempo.
- Estou pensando em como a vida é curta - disse finalmente, como se tivesse chegado a uma triste conclusão.
- E por isso...
No instante em que ele achou que Madeleine não iria responder, ela falou.
- Por isso estamos ficando sem tempo. - Ela inclinou a cabeça (ou talvez tivesse sido um espasmo minúsculo, involuntário) e o olhou com curiosidade. Ele ficou tentado a perguntar: "Tempo para quê?", sentindo uma ânsia de transformar aquele diálogo sem pé nem cabeça numa discussão mais administrável, mas algo nos olhos dela o impediu. Em vez disso ele disse:
- Você quer conversar sobre isso?
Madeleine balançou a cabeça.
- A vida é curta. Só isso. É algo em que pensar."
.
.

John Verdon - Feche Bem os Olhos.

08 setembro 2012

Reencontros.

Reencontros.
A jornada de cada um de nós é cheia deles.
Alguns bons, outros nem tanto,
Mas todos inesperados e inspiradores.
Inocentes, ao acaso, intrigantes,
Um misto de surpresa e saudade,
Um tipo de novidade antiga.
Voltam algumas memórias antes escondidas.
Voltam, e chega a percepção do tempo.
E você franze a testa ao notar que ele passou,
Mas sorri ao perceber que tudo está bem.
De alguma forma eles ajudam.
Fazem de você mais sábio, receptivo.
Mais cauteloso, questionador.
Também mais inocente, descontraído.
Tudo em doses pequenas de palavras trocadas.
É algo bonito da forma que for.
Só é preciso prestar atenção pra encontrar.
Existem várias palavras que servem,
Mas é isso,
Pode-se resumir a vida nesta também.
Reencontros.

É Bem Verdade Sabem?

E o novo não mais vai mexer da forma que já mexeu, que a lágrima calejou e o sôfrego amanheceu.

05 setembro 2012

Dúvida.

Não se sabe como tudo aquilo começou, nem como o antídoto e o veneno se misturaram, tornando-se o vício do prazer mais letal. Não se sabe como tudo ensandeceu tão literalmente, ou como pétalas de rosa choveram tal qual espinhos do caule e gotas de sangue de dedos delicados e inocentes. Não se sabe porque acostumou-se ao gosto da ferrugem, do cobre, tão traiçoeiro quanto a rotina de decepções primárias, secundárias e terciárias. Mas irá terminar? Impossível dizer... Realmente não se sabe, e isso, ao fim das contas, é tudo que restou para saber.

01 julho 2012

The Boy.

Eu não sei porque ele continua a olhar o mar
Ele nunca trará de volta o que levou
Ainda assim ele se senta e assiste
O bater cadenciado das ondas no cais
O som remetia a choros sofridos
E risos sinceros de alguma amizade
Ele sabe que o tempo dele está se esgotando
Mas ele prometeu que esperaria
Portanto ele continua a esperar
Mesmo que a maré fique alta e violenta
Ele continuará a sonhar em vão
E continuará a cantar aquela mesma canção
Que um dia lhe foi mostrada

Índigo.

Um peso que não pode ser carregado
Uma memória que já se saturou
O passado e o presente se chocam
Restos de desejos um dia abraçados
A lua é insensível e traz dor

Deixando o resto sobre sangue azul
A máscara esconde a verdade
Do real querer da perdição
Impossível enxergar o fim da estrada
Do caminho feito para a maldição

24 junho 2012

One Second...

Nós sempre achamos que muitas situações já foram resolvidas.
Que por não pensarmos nelas foram esquecidas.

Mas nem sempre é assim que funciona.
E algumas vezes basta algo simples para relembrar.

Uma música, uma foto, uma frase; é sempre inesperado.
Um momento de nostalgia e seu passado volta.
E é aí que você percebe não ter superado a si mesmo.
Não ter superado nada...

Mas não há o que fazer, porque já aconteceu.
E você sabe que não irá embora.
De alguma forma você sabe que sempre irá se lembrar.
Porque sua derrota é você.
E você é sua derrota.

16 junho 2012

Wasteland.

Eu jamais imaginei um dia estar tão estagnado.
Tão frustrado e cansado.
É impressionante como as coisas mudaram.
Pessoas se foram...
Pessoas surgiram...
Ainda assim eu continuo aqui.
Tão inexpressivo e amedrontado quanto antes.
Porém, se meu destino está selado...
Deve meu coração lutar?
Deve minha mente se preocupar?
Eu não sei dizer.
Mas não acho que queira descobrir.
Não acho que queira tentar.
Pois quando me levanto caio novamente.
E em tão pouco tempo já perdi tanto...
Que talvez seja hora de parar.

07 junho 2012

Seasons.

A Primavera acabou.
O que acontece com você?
Algo não está certo com você.
Você é novo demais pra sentir esse peso.
Novo demais pra essa velhice.

O Verão passou também.
Qual o problema?
Não era pra você estar assim.
Você devia se renovar dia após dia.
Mas não é assim que acontece.

O Outono chegou cedo.
Talvez você não se importe.
Ou talvez apenas ainda não tenha noção.
Mas as coisas já mudaram.
E vão mudar ainda muito mais.

Cá está o Inverno.
Você pode se acostumar com o cinza.
Pode fazer dor virar rotina.
Mas há algo que você não vencerá.
Então vista algo quente.

Vista algo quente que o frio vai chegar...

30 maio 2012

Monster.

Here in the dark.
My thoughts are growing cold.
I've got to go alone.

Here in the light.
I've got to watch the glow.
Got no place to go.

I've got to let you go.
'Cause under the black clouds.
I am a monster.

- You know what that means?
- No...
- You can't escape me.

28 maio 2012

Liar.

Às vezes finjo que sou diferente.
Tento fingir que consigo voar.
Tento mentir que desligo minha mente.
Que de algum jeito consigo sonhar.

Eu sorrio e olho pra cima.
Do mundo vejo apenas o céu.
Mas o tempo faz esfriar o clima.
E eu volto a provar do meu fel.

No final nunca dá pra fugir.
No final nunca dá pra lutar.
Mas sempre procuro mentir.
Pois minto pra não me matar.

Decay.

Ninguém tem ideia do que fiz.
Ninguém sabe o que sou e suportei.
Minha única certeza é que o mundo não é justo.
E que a fé é apenas ilusão.
Pois pessoas como eu não deveriam existir.
E o sol não deveria brilhar para mim.
Felizmente eu tenho a culpa.
Tenho estas visões sujas de sangue negro.
Ainda que nunca sejam suficientes.
Pois não mereço vida ou redenção.
O mal que causei é caro, amargo e trágico.
Não há como fugir de sua maldição.
Espero que sua vida seja boa.
Perdão nunca me foi uma opção.

25 maio 2012

Anyone To Love.

Another night, another drink
Another time to contemplate and think
Will I ever, ever have anyone to love?

It's not that I don't try
Maybe I try too hard
Seems like I'm living a lie
So there's a game I just won't learn
And I wonder, will I always be alone?
I take a sip and wonder
Why I haven't anyone to love?

I guess I'll say goodnight
My drink's done and it's morning light
Sorry my friend but you see
What other ending could there be
And I wonder will I always be alone?
I take a drink and wonder
Will I ever have anyone to love?
.
.
 
Bublé.

18 maio 2012

Ice.

Eu sinto meu coração se despedaçar lentamente.
E eu vejo a luz da lua expor minha tristeza.
Você não está aqui…
Ninguém mais pode me ajudar.
As garras da morte tomaram forma de galhos.
E puxam meu corpo para o chão.
Eu sinto o fim chegar…
É tão frio quanto o gelo.

Fury.

Se fosse possível… Eu não queria te mostrar esta forma minha.
Os olhos vermelhos. O esgar cruel.
Eu renunciaria a tudo isto.
Me perdoe, mas isto tornou-se imperdoável.
Eu jamais te entregaria o fim se não fosse o que você me pede.
O corpo frio de inverno. O toque congelante.
Eu gostaria de poder fugir sem medo.
Mas o destino está mais do que selado em mim.
Fúria.

Se fosse possível… Eu não queria te mostrar esta forma minha.

Riot.

Eu não preciso dizer o que penso.
Não preciso sorrir para você.
Não preciso te abraçar e dizer que tudo vai ficar bem.
Porque nada é como parece ser.
E o comum pode não ser o correto.
Eu não preciso enxergar o mundo todo.
Pois não há muito a se dizer sobre.
Então não espere por isso.
Porque não irá acontecer.
Já tem lixo demais no mundo sem minha ajuda.

Moment.

E a culpa continuava a atormentar.
Entrando cada vez mais fundo em sua pele.
Aquele sangue jamais iria sair.
Estava impregnado em tudo que lhe era belo.
O cheiro de morte pairava no ar.
Fazendo o espelho refletir um monstro.
O som da água jamais iria se sobrepor. Jamais…

Memory.

A delicadeza de uma memória.
De uma lembrança recuperada no tempo.
A sutileza de um movimento;
Tão natural quanto a sombra ao chão.
Tão pura e bela quanto o calor do sol.
Memórias de lembranças,
Que nunca foram realmente suas…

30 abril 2012

Minha...


Eu não sei o motivo.
Ou talvez até saiba.
Mas você me conquistou.
E eu adoro isso.
Não pensei que me importaria.
Ou que precisaria tanto de alguém.
Mas preciso.
E você é esta pessoa.
Que eu quero perto de mim.
Que eu admiro.
Que eu chamo de amor.
Se eu pudesse apenas estar com você...
Eu não sei o motivo.
Ou talvez até saiba.
Mas no momento é tudo que quero.
Você.

23 abril 2012

Ternura.


Na noite faceira eu vejo um olhar.
Aviso de adeus à minha apatia.
Tangível é meu espanto ao notar.
Hoje o luar só trará alegria.
Alcanço as nuvens sem sair do chão.
Lançando às estrelas o fim da tristeza.
Intensa e profunda é minha paixão.
Audaz e fiel como a sua beleza.

By - [Halos]