24 dezembro 2012

Beleza.

Eu olhei aquela garota, e foi impossível não contemplá-la em silêncio, admirando diligentemente seu modo de arrumar os cabelos acerca de seus dedos delicados. Ela se destacava na multidão, e entre todos os decotes e olhares provocantes eu só conseguia enxergar seu rosto de feições tão ternamente bem desenhadas.
Havia algo de belo em tudo aquilo, algo de divino, e também algo de maléfico, de assustador. Como a beleza pode ser algo extraordinariamente controverso. O mesmo olhar que atrai, intimida. A mesma mão que chama, afasta. Como o fato deste dom ser tão exaltado também o condena amargamente à solidão dos perfeitos, ao isolamento dos imaculados. Jamais senti tanto conflito quanto naquele momento de admiração única. Jamais senti tanta inveja e tanta pena de uma mesma pessoa, jamais senti tanto amor e tanto ódio. A beleza é um mundo paralelo, um lugar inexplorado. Tão desconhecido por aqueles que o habitam quanto eu era para a garota inspiradora sobre qual meu olhar recaiu...

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