25 fevereiro 2021

Like you do.

Lately, I can't help but think
That our roads might take us down different phases
Don't wanna complicate the rhythm that we've got
But I'm speechless
When everything's so pure, can it be aimless?
Painless?

If you ever go, all the songs that we like
Will sound like bittersweet lullabies

Lost in the blue
They don't love me like you do
Those chills that I knew
They were nothing without you
And everyone else
They don't matter now
You're the one I can't lose
No one loves me like you do

Since I met you
All the gloomy days just seem to shine a little more brightly
Consider what we've got
'Cause I can never take you for granted
Is there another us on this whole planet?
Planet?

If you ever go, all the songs that we like
Will sound like bittersweet lullabies

Lost in the blue
They don't love me like you do
Those chills that I knew
They were nothing without you
And everyone else
They don't matter now
You're the one I can't lose
No one loves me like you do

No one loves me like you do

I don't wanna seem foolish
When I'm jumping into this
You're all that I see

Lost in the blue
They don't love me like you do
Those chills that I knew
They were nothing without you
And everyone else
They don't matter now
You're the one I can't lose
No one loves me like you do

No one loves me like you do
.
.

JOJI

24 fevereiro 2021

Lost in the blue.

Constantemente eu me perdia no azul. Na cor azul. De alguma maneira inexplicável ela me preenchia e me transbordava com calor e também frieza, com tranquilidade e também tristeza. O azul manchava minhas pupilas, enchia meus pulmões e diluía em meu sangue. Acho que o azul era um cobertor de ignorância, mas muitas vezes também era a adaga que cortou minhas amarras. O azul do céu, do mar, dos olhos entediados de alguém atravessando a rua, no esmalte das unhas, no cabelo pintado, no drinque que me deixava aéreo, no maço do meu cigarro e em cada trago, nas notas de dois reais que gastei ao acaso e no chiclete pra refrescar meu hálito. O azul conversava comigo, estava em tudo que me trazia fôlego ou me afogava, me fazia dono de muitas coisas e refém de tantas outras. O azul me atingia além da cor, na dose de realidade amarga, nas tonalidade das redes sociais, na luz da notificações, no algoritmo impessoal, na chuva e também no sol de cada dia. Eu tinha fascinação pelo azul, e mesmo assim queria distância. Vinha em cada música que me enterrava sete palmos abaixo do chão, mas também como a salvação que me dava esperança. O azul era extravagante e ainda assim discreto e comedido, e eu nunca entendi quando ele tomou protagonismo na minha vida, e mesmo eu morando enterrado até a cintura numa cidade cinza, mesmo eu cuspindo vermelho após cada flechada, era o azul que dominava tudo. Alegria, tristeza, amor e ódio desmedido. Me fazia narcoléptico, sonâmbulo, insone, viciado e maltrapilho, me fazia inteligente, honesto, gentil e interessante. Nunca entendi minha vida, e até hoje não sei perfeitamente onde me encaixo, mas o azul está sempre comigo. Para meu desespero e alívio.