23 novembro 2015

25.

Lembro que 10 anos atrás era tudo muito diferente. Eu tinha 15 anos e tudo parecia já bem resolvido, de certa forma. Não era como se eu já soubesse o caminho que iria seguir, mas de alguma forma tudo parecia bem, muito embora eu já fosse um rapaz melancólico nas horas que ficava sozinho. Sabe, a gente nunca acha que vai chegar aos 25 anos se sentindo deslocado assim. Lembro que naquela época às vezes eu sentia como se não me encaixasse no ambiente ao redor, mas quando a gente é mais novo pensa que sabe a razão de quase tudo, e eu não era diferente. Eu tinha uma certeza cega que as coisas mudariam só de eu olhar pra elas, como se só o fato de eu desejar algo fosse o suficiente pra tudo ser diferente. Eu vivia por aí dando risada sem motivo, com alguns poucos amigos, fazendo coisas sem pensar, mas no fim do dia sempre me sentia triste. Era esquisito.
Não achava que aos 25 anos eu seria um adulto triste. Não achava que seria um adulto sozinho, que passa a noite sem dormir pensando em como as coisas desandaram sem querer. Aliás, naquela época eu não achava nem que seria adulto. Ter 25 anos parecia algo tão distante, tão além... Pelo que me constava, eu tinha muito tempo pra viver os melhores anos, que no fim das contas passaram como se fosse a duração de uma música. Hoje eu me sinto velho demais pra pensar sobre isso. E jovem demais também. Tudo que eu sei é que 10 anos atrás eu me achava muito mais capaz e inteligente, mas os anos foram passando, e hoje eu sei que continuo tão perdido quanto antes. Talvez mais.

11 novembro 2015

Darren Shan.

"Quando eu tinha nove anos, meus pais me deram uma pequena tarântula. Não era venenosa, nem muito grande, mais foi o melhor presente que recebi na vida. Eu brincava com aquela aranha quase todas as horas do dia. Dava a ela todo tipo de guloseimas: moscas e baratas e pequenas minhocas. Eu a estraguei com mimos.
Então, um dia, fiz uma coisa idiota. Eu estava assistindo a um desenho no qual um dos personagens era sugado por um aspirador. Não aconteceu nada de mau com ele. Ele saiu do saco, cheio de poeira e lixo, e furioso. Era muito engraçado.
Tão engraçado que tentei fazer o mesmo. Com a tarântula.
Não preciso dizer que as coisas não aconteceram como no desenho animado. A aranha foi feita em pedaços. Eu chorei bastante, mas era tarde demais para lágrimas. Meu bicho de estimação estava morto, por minha culpa, e eu não podia fazer nada a respeito. Meus pais quase derrubaram o teto, tamanha foi a gritaria quando souberam o que eu tinha feito - a tarântula tinha custado caro. Disseram que eu era um bobo irresponsável e desse dia em diante nunca mais me deixaram ter um bicho de estimação, nem mesmo uma aranha comum do jardim.
O problema com a vida real é que, quando você faz uma coisa idiota, geralmente tem de pagar. Nos livros, os heróis podem cometer erros à vontade. Não importa o que façam, porque tudo acaba bem. Eles espancam os bandidos e endireitam as coisas e tudo acaba bonitinho.
Na vida real, aspiradores de pó matam aranhas. Se você atravessa uma rua movimentada sem olhar, acaba atropelado por um carro. Se você cai de uma árvore, quebra alguns ossos. A vida real é horrível. É cruel. Não se importa com heróis e finais felizes e como as coisas devem ser. Na vida real, acontecem coisas más. As pessoas morrem. Lutas são perdidas. O mal sempre vence. Eu só queria deixar isso bem claro."

07 novembro 2015

Pétalas Que Voam.

Ficarei a te esperar, parado no mesmo lugar.
Estarei observando as tardes de sol, e as noites de chuva.

Admirando cada flor viva da Primavera.
Acompanhando cada folha morta do Outono.

Ouvindo as mesmas músicas, lembrando cada passo.
Vou sentir seu perfume em cada sopro do vento.
Recordar nossas mãos dadas em todos os meus momentos.
Eu sei, tudo tem seu próprio tempo...
Você pode não voltar, e eu jamais vou te culpar.
Mas ficarei a te esperar. Aqui nesse lugar.
O lugar em que nos conhecemos...