Ouço a chuva cair durante a noite, suas gotas batendo rapidamente contra meu corpo, estimulando cada terminação nervosa. O vento sopra refrescante, exatamente como sua preseça ao meu lado. Um raio corta o céu escuro, eu vejo seu rosto, e ao som do trovão entrelaçamos nossos dedos. Já não sei quanto tempo faz que estamos sentados sob a chuva, mas não importa, sei que você está confortável, e eu também estou. Isso é tudo que preciso saber. Você observa meu sorriso, e sabendo em qual música estou pensando, encosta a cabeça no meu ombro e canta baixinho o refrão. Eu te enlaço em um abraço e nos beijamos, a chuva nos cumprimentando e nos aceitando, a noite ainda longe de acabar. Depois de mais alguns beijos você se levanta, olha pra mim e sorri, daquele jeito que só você pode fazer, me tirando um pouco da sensibilidade ao ambiente que nos cerca. Me levanto e seguro suas mãos. Sinto sua pele mais fria e percebo que é hora de irmos pra casa nos abrigar. Nos beijamos novamente e fomos caminhando sob a chuva, mãos dadas, num silêncio cheio de cumplicidade, calmamente quebrado por mim.
- Eu te amo.
Era como se tudo agora fosse silêncio. Parecia estar num mundo desprovido de som que não viesse de sua respiração suave, e em seguida, de sua voz maravilhosa.
- Eu também te amo.
Sorrimos. Eu sentia meu coração bater compassado ao seu. Tudo ficaria bem conosco. Com você ao meu lado, nada poderia fazer mais sentido. Nada poderia ser mais real.
28 setembro 2015
21 setembro 2015
00:52
Acho que ainda tenho muito pra viver. Sei que tenho muito pra amadurecer e que muita coisa ainda vai mudar, mas às vezes parece que vou permanecer vazio e sozinho até o amargo fim. Nesses momentos tudo que consigo sentir é desânimo e desespero. Sei que não vai ser sempre assim, mas às vezes realmente parece que vai, às vezes eu quase me convenço, e não consigo evitar de me sentir assim. Eu sou estranho.
08 setembro 2015
Noção das Estações.
O frio do Outono chega, e com ele as folhas caem vagarosamente das árvores, lembrando noites de um passado recente, onde tudo que importava era o modo que o amantes andavam de mãos dadas, envoltos em cachecóis e sorrindo calmamente, porque a companhia do amor lhes bastava.
A última folha finalmente cai, declarando o fim do Outono, prevendo a chegada do Inverno que sopra rapidamente, varrendo as folhas mortas da estação e levando junto alguns amores. Para esses, resta apenas a lembrança do que foram e o desejo daquilo que jamais terão ou serão outra vez. Durante belas madrugadas insones, afogarão suas mágoas e ressentimentos com goles vacilantes de uísque e tragos de cigarro, ou com goles quentes de café, enquanto as páginas de um bom livro as lembrarão daquele sentimento que nasceu em Primaveras passadas e lentamente desbotou e morreu, como tudo que é tocado pela força incontestável do tempo.
Por mais que você sonhe, vai sempre acabar acordando e enxergando o que é real.
A última folha finalmente cai, declarando o fim do Outono, prevendo a chegada do Inverno que sopra rapidamente, varrendo as folhas mortas da estação e levando junto alguns amores. Para esses, resta apenas a lembrança do que foram e o desejo daquilo que jamais terão ou serão outra vez. Durante belas madrugadas insones, afogarão suas mágoas e ressentimentos com goles vacilantes de uísque e tragos de cigarro, ou com goles quentes de café, enquanto as páginas de um bom livro as lembrarão daquele sentimento que nasceu em Primaveras passadas e lentamente desbotou e morreu, como tudo que é tocado pela força incontestável do tempo.
Por mais que você sonhe, vai sempre acabar acordando e enxergando o que é real.
01 setembro 2015
Vazio?
Às vezes sinto como se nenhuma ação minha fosse realmente produtiva. Parece que nada do que eu faço vale à pena, e nessas horas, por algum motivo, eu não sinto vontade de tentar mudar isso. É como se eu apenas estivesse me deixando levar pela correnteza. Enfim, eu não sei nadar, e honestamente não sei se quero aprender. Eu acendo um cigarro e vago por aí ouvindo jazz suave, sem um propósito real, somente algo disforme e de cor indefinida, querendo mais um gole de uísque ou de cerveja. Vivo entre sorrisos forçados e suicídios a longo prazo. Passo meus dias me sentindo solitário, ouvindo a chuva que não cessa a cobrir a mente e o peito amargurado. Bem... ainda que madrugadas como essa me façam sentir encurralado, ao menos a trilha sonora ainda me acompanha.
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