Não posso evitar de ter pensamentos existenciais ou percepções diferentes durante o sol poente ou a madrugada fria. Olho para o meu entorno e nada parece real. Me sinto deslocado da especificidade daquele momento ordinário, descolado sensorialmente a nível de consciência, mas meio preso fisicamente, confinado num casulo científico que limita meu entendimento de sensações. Esses são provavelmente o momentos mais aterrorizantes e lindos da minha vida como indivíduo da minha própria vida. É como correr sabendo que você não vai cansar, sabendo que não haverão cãibras, sem precisar aquecer, como praticar um esporte sem pensar em mais nada limitante porque seu limite ainda é muito distante de um vislumbre. A percepção de tudo passa a ser diferente, nada pode ser tão mágico e irreal, mas também tão esclarecedor dos cinco sentidos da realidade. E o que é na verdade a realidade? Se mesmo sabendo que posso correr fico ofegante. Quanto tempo será que eu tenho? O que estou fazendo da minha vida?
Eu não sei responder e acho que são poucas as pessoas capazes de compreender o que de fato quero dizer aqui das profundezas do meu ser. Eu fico ofegante sem correr, o coração acalera, mais um lance, mais uma jogada, um chute, uma chance, mais uma finta, outra linha, mais um freestyle de poesia, um momento pra ser tudo que eu queria. Esse piscar de olhos de confusão e expressividade pode ser o verdadeiro mundo real, quente e vermelho feito rosas sob o sol, como sangue bombeado, mas eu vivo rodeado de um lago azul tão líquido quanto congelado... tenho de lidar com os dois, vejo nisto meu legado.
15 junho 2022
Percepção da realidade.
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