23 janeiro 2015
Lesão Crônica.
Comprometimento. O tipo de coisa que implica em não estragar as coisas e resolver todos os possíveis problemas, mesmo que não sejam seus. O tipo de coisa em que na verdade nunca fui bom. É fato que finjo muito bem ser racional e estar no controle de minha própria mente e sentimentos na maioria das vezes, mas não é real. Não vai acontecer, visto que as circunstâncias apontam exatamente pro mais longe possível de mim, e eu sei disso. Por outro lado, tem ela, a única que está parada no mesmo lugar há quase 7 anos. Ou mais. É irônico. Não vai acontecer. Existem impedimentos demais que não posso suplantar somente com um "Vai ficar tudo bem". Ainda há muito tempo pra passar. Nesse ponto posso dizer que sou mais experiente. Farei meu papel dignamente. Tantas noites perdidas com dilemas e monólogos, ou com pesadelos e pensamentos ruins. Sou novo demais pra isso ao passo que sou velho demais também. Seria cômico se não fosse trágico. Acho que não estou realmente conectado a mais ninguém nesse sentido, não desde aquela última página virada. Foi um ponto final, e por enquanto eu ainda estou segurando a caneta no ar, esperando a inspiração pra uma frase nova. Algo que me complete. Uma frase bela e excitante, marcante e singela, o tipo de frase que não vai precisar de outra em sua frente pra fazer sentido. É como se a inspiração fosse sugada lentamente por minhas impressões digitais, marcando tudo que toco com o passado. Por mais que eu lave minhas mãos continuo manchando cada pedaço dos cérebros e corações alheios com impressões desbotadas do meu passado infértil. Parece que sou um tipo de desastre com vida. Pior pra vocês.
22 janeiro 2015
Minha Mais Bela Mentira.
Era inegável que ela fosse encantadora em todos os aspectos, era inegável que cada riso, cada olhar, até mesmo cada respiração dela fossem um tipo de alívio ao caos que cada um tem dentro de si. O modo como seu cabelo podia dizer tanto sobre sua personalidade, e o jeito que cada gesto podia ser confundido com a melodia de uma música preferida... Tudo aquilo era raro, belo, confortável. Ela é a descrição da beleza em sua própria maneira, não um padrão, mas sim a leveza e individualidade quase teatral de uma orquestra. E tudo na simples fração de segundo de um toque. Uma impressão rápida e lenta ao mesmo tempo, como pisar em falso. É isso, ela podia se contradizer e se completar sem necessidade de ensaio, ela é indecifrável, indefinível, e ainda assim clichê. Ela é, assim como a vida, a consequência de um dom que se expressa em cada momento inesquecível. Mistura entre real e irreal, som que se torna tangível, cor que se torna palpável. Ela é a obra de arte mais prodigiosa a ser delicadamente admirada.
08 janeiro 2015
Noite Impossível.
Aqui dentro, uma foto. Lá fora, as estrelas. Não posso encarar nenhuma das duas coisas. Eu devia dormir, mas não consigo. Eu devia parar de pensar em coisas tão vazias ou tão cheias de sentimentos. Eu não sei por quanto tempo ainda consigo fingir isso. Não sei mesmo. O cerco está se fechando cada vez mais e eu não tenho escapatória. As coisas são do jeito que são e eu não posso evitar que meu lado mais obscuro apareça, mesmo que seja somente na sombra de um olhar. Esse não era meu plano. É como a série, é como a música, uma assimetria bipolar, e não há tempo para questionamentos. Eu devo parar enquanto é tempo, mas não consigo. Não posso quebrar esse código de energia. Não posso. Não sei mais o que fazer, como atuar, como sorrir sem transparecer. Parece besteira, e talvez seja, mas pra mim não é. Pra mim é importante. Aterrador. Eu vou colocar a cabeça no lugar, vou sim.
Mas quando? E como?
Mas quando? E como?
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