27 dezembro 2011

D.

Meu corpo pesava, eu pensava em uma maneira de tornar aquilo mais fácil, menos doloroso. Impossível dizer quanto tempo levou até que eu finalmente chegasse até a sala. Ela me olhava com doçura. Uma doçura eternamente congelada...

Eu jamais quis ser diferente. Mas está em mim. Impregnado.
Esse pensamento sempre me consumiu em culpa quando criança. Não sei como nutri idéias tão densas durante a infância, mas era impossível não observar que eu era diferente. Eu não sabia como todas as outras crianças brincavam tão despreocupadamente, como elas sorriam tão animadamente e viviam seu próprio mundo feliz. Soava falso para mim. Eu não era assim.
Durante a adolescência eu observava bebedeiras, risos altos, óculos do sol gigantes e tatuagens. As crianças cresceram dentro de sua fantasia e agora eram adolescentes iludidos e deturpados. Amavam coisas inúteis, viviam sem enxergar. Eles estavam morrendo. Todos eles. Mas eles não tinham tempo para isso. Eles nunca tinham tempo para nada. Eu não era assim.
Jamais me comovi com tiros disparados em inocentes ou tragédias de âmbito nacional. Eu não podia compreender porque deveria sentir pena de alguém que não me fosse próximo, que não me fosse útil de alguma forma. Isto seria amizade, mas só a conheci em teoria. Ainda assim deixei que algumas pessoas se aproximassem durante minha vida, até certo ponto, até quando me cansei da invasão. Então eu as deixava. Sempre foi assim. E eu gostava de tudo como era.
Mas me lembro de quando as coisas começaram a mudar. Eu era um adulto sério e solitário. Alguém fora dos padrões, embora fingisse participar deles. Alguém frio e satisfeito. Eu era um espectador. Estava longe de ser enganado, e enganava todos que precisava, como precisava. Mas existe uma linha tênue entre usar e ser usado. Um ínfimo degrau entre converter e ser convertido. Eu cometi um erro. O erro. Deixei uma pessoa chegar mais perto que o normal. Uma mulher, para ser mais exato.
É, a desgraça estava feita. Seu nome era Hope. Eu detestava este nome. Fazia parte da conspiração, do embuste, do ardil. Ainda assim sua personalidade era bela em muitos aspectos. Embora algumas de suas convicções fizessem parte daquele mundo falso e fadado ao fracasso, ela sabia ignorar grande parte de toda aquela merda. Ela sabia ser diferente.
Como eu.
Não sei em que ponto falhei ao permitir que ela me enxergasse, mas admito que foi um experiência interessante. Ela olhava meu jeito e não parecia se importar com o fato de eu ser apenas um grande erro do universo. Estranho era perceber que eu jamais quis ser diferente e havia me atraído por ela justamente por esse motivo. Passamos dias juntos, como pessoas normais, mas vivíamos além da fronteira habitável à maioria, conseguíamos enxergar tudo como realmente deveria ser. Como realmente era.
Era divertido perceber que nem todas as pessoas do mundo eram exatamente um desperdício de tempo. Mas com o passar do tempo eu cometi outro erro. Me apaixonei. Um homem como eu não deveria se apaixonar, eu via coisas como essa dia após dia, a mentira mais antiga da humanidade. Amor, destino, almas gêmeas e todos esses contos de fadas para crianças. Mesmo assim não consegui evitar. Estar com Hope melhorava meu dia e as vezes até conseguia afastar um pouco meu senso crítico. Era algo e tanto para mim. Algo novo. Coisas novas geralmente trazem consequencias inesperadas. E isso para mim só podia ser algo ruim. Porque eu não era assim. Não era. Não eu. Ainda assim deixei que meu coração falasse por meu cérebro, e embora soubesse no fundo de minha mente que aquilo era um terrível engano, continuei seguindo a trama. Caí na armadilha. Pior para mim.
Aos poucos começamos a escrever nossas próprias páginas, e conforme os dias passavam eu sentia como se o mundo não fosse um prelúdio para o fim inevitável. Então aconteceu. Cometi outro erro. Você pode errar duas vezes e conseguir escapar, mas o terceiro sempre será derradeiro. Final. E comigo não foi diferente. Eu deixei a idéia do amor me cegar. Deixei que as coisas fugissem ao controle. Mas eu era diferente. Consegui externar alguma racionalidade e usei como válvula de escape. Voltei a enxergar o mundo como ele realmente era. Um grande vale de vermes pensantes. Entretanto, eu ainda a amava.
Fui tomado por um desespero inesgotável. Hope não podia viver em um mundo tão nojento e fétido. Não podia continuar deixar-se corromper por todo aquele teatro maldito. Não, eu não deixaria. Mas não sabia como evitar. Não sabia como tomar uma atitude. Eu era apenas um em um milhão, não tinha forças para um ato tão grandioso. Foi então que compreendi. Eu não devia matar o mundo, ele já fora morto mas não deixara de existir pelo egoísmo de todos. Mas Hope não era assim, ela era diferente. Eu era diferente. Eu devia matar Hope. Não por dor ou por prazer, mas por amor. Amor irracional.
Era estranho pensar que a forma mais racional que encontrei de salvar minha única centelha de fé na humanidade fosse baseada em um ato tão vil e animalesco. Não sei dizer quantas noites passei contemplando o teto
vazio e pensando em minhas próprias barreiras existenciais. As coisas poderiam ser diferentes, Hope poderia me salvar do ostracismo facilmente. Mas eu poderia fazer o mesmo por ela? Deixando-a neste monte de terra infrutífera e indecente, estaria meu amor poupando-a ou condenando-a? Todas as células do meu corpo gritavam que condenação era a resposta. Hope era boa demais para mim, boa demais para este mundo, e quanto mais eu convivia com seu jeito de ser mais eu me convencia de que esta era a verdadeira resposta. A única resposta plausível. Um modo de fazer-lhe bem.
Naquela noite fizemos amor. Não apenas sexo, aquela troca de fluídos tão erroneamente valorizada, mas amor, algo sincero e puro, almiscarado de querer e de sorrisos. Era incrível sentir tanta felicidade em um ato tão pequeno em comparação aos anos. Algumas horas passaram e me levantei. Tomei banho e coloquei uma roupa limpa. Olhei no espelho e repassei o plano em minha cabeça. Era o melhor a se fazer, eu repetia. Desci as escadas, fui até a cozinha, peguei uma faca de cozinha que eu havia afiado. Enquanto subia novamente me senti como um ser dotado de sabedoria e experiência. Sim, eu era o melhor que podia ser. Porque eu não era como os outros, embora houvesse um misto de desejo e repúdio naquilo tudo.
Entrei no quarto silenciosamente, mãos tremendo, faca em riste, minha foice e resposta. A respiração dela estava lenta e despreocupada. Céus, como ela havia me mudado. Parei ao seu lado e contemplei seu rosto por um instante. Quanta tranqüilidade, quanta paz infundada e quanta beleza, quanta graciosidade e... Enterrei a faca no seu ventre desprotegido. Seus olhos abriram e ela gritou. Quanta agonia agora! Ela transbordava dor! Assustado, desferi três facadas em seu peito, lágrimas rolavam de seu rosto e ela tentava se proteger enquanto usava seus últimos arquejos para gritar dolorosamente. Ela não entendia, não compreendia que eu precisava fazer aquilo. Que tirá-la deste mundo era meu mais belo presente. Ela não entendia que era meu amor que impulsionava minhas ações. Conforme a lâmina cumprimentava diligentemente sua carne macia, os gritos cessaram. O sangue vertia poderoso de seu corpo, manchando a cama e o chão com toda a sua dramaticidade. Estava feito.
Peguei seu corpo perfeito em meu colo e senti o sangue molhar minha roupa. Por alguma razão me senti fraco, e larguei-a novamente na cama. Segurei sua mão e a puxei para o chão, sem me preocupar com o fato de estar fazendo barulho. Eu estava fraco. Ou ela estava mais pesada? Eu não sabia, mas foi difícil levá-la até a porta. Eu não conseguia carregá-la, por que eu estava tão fraco? O sangue... Eu estava enjoado, aquele cheiro entrava pelas minhas narinas e me fazia querer desmaiar. Eu não esperava por isso.

Meu corpo pesava, eu pensava em uma maneira de tornar aquilo mais fácil, menos doloroso. Impossível dizer quanto tempo levou até que eu finalmente chegasse até a sala. Ela me olhava com doçura. Uma doçura eternamente congelada.
Arrastei-a para fora sofregamente, ansiando pelo fim daquilo o mais rápido possível. Por mais que eu considerasse a hipótese, eu já havia tirado uma vida, a única vida que realmente interessava tirar, e não poderia cessar minha própria existência como a princípio planejei. Peguei meu celular e liguei para a polícia. Confessei o crime. Sentando ao lado de seu corpo inerte, acariciei seus cabelos, outrora limpos e sedosos. O cheiro de sangue me deixava fraco. Deitei e esperei. Depois de algum tempo olhando para o céu ouvi as sirenes. Já não era sem tempo. Levantei com alguma dificuldade. Um dos policiais apontava sua arma diretamente para meu peito, o outro se adiantava para verificar o corpo de Hope. Brandi a faca e corri na direção do policial, gritando e aumentando minha coragem. Antes que eu pudesse alcançá-lo senti meu corpo ser perfurado três vezes. Grito. Queda. Então silêncio. Perfeito, eles conseguiram terminar o que eu não conseguiria. A dor chegou em seguida, apenas uma ínfima chama tremeluzente do que Hope havia sentido. Tudo havia dado certo. Eu havia conseguido tirar minha amada de toda esta imundície, e da mesma forma estava saindo dela, ainda que minha mente me dissesse que eu era o mais detestável entre todos.
Agora algumas vozes dançavam em meus ouvidos e a luz da noite ficava ligeiramente turva em meus olhos. Tentei gritar, mas não consegui, em vez disso cuspi sangue e me engasguei.
Não posso dizer que senti total arrependimento por tudo aquilo. Eu havia crescido e passado pelo mundo em outro nível de convivência, em outro estado de observação. Eu havia vivido do meu modo, e havia tido um amor. O único amor. Pensar naquilo ainda me fazia sentir raiva. Eu cometera três erros, e pagara por eles com a resposta mais obscura de todas. Bem, a culpa foi absolutamente minha, e eu havia pago por ela com minha razão e com minha emoção.
Agora era difícil respirar, muito mais do que jamais pensei que seria. Sorri fracamente. Era impossível falar, mas no último lampejo de minha mente pude dizer claramente para a Hope inerte e ensaguentada: ‘Me desculpe. Eu jamais quis ser diferente. Mas está em mim. Impregnado.’

16 dezembro 2011

And I Love Her...

I give her all my love.
That's all I do.
And if you saw my love.
You'd love her too.
I love her...

She gives my everything.
And tenderly.
The kiss my lover brings.
She brings to me.
And I love her...

A love like ours.
Could never die.
As long as I.
Have you near me.

Bright are the stars that shine.
Dark is the sky.
I know this love of mine.
Will never die.
And I love her...
.
.

Till Brönner.

13 dezembro 2011

Poeira.

Ás vezes, eu me pergunto porque eu desperdicei;
As noites solitárias, sonhando com uma canção.
A melodia assombra minha fantasia.
E eu mais uma vez com você.
Quando nosso amor era novo,
E cada beijo era uma inspiração.
Mas isso foi a muito tempo atrás.
E agora minha consolação;
Está na poeira de estrela de uma canção.
Ao lado da parede do jardim,
Quando as estrelas forem brilhantes,
Você estará nos meus braços.
O rouxinol conta seu conto de fadas.
Do paraíso onde as rosas cresceram.
Embora eu sonhe em vão;
No meu coração você sempre permanecerá.
Minha melodia da poeira de estrela,
A memória do refrão do amor.

11 dezembro 2011

Isso É Tudo.

Eu só posso te dar um amor que dure para sempre.
E uma promessa de estar perto cada vez que você chamar.
E o único coração que eu possuo,
É seu e só seu.
Isso é tudo.

Eu só posso te dar uma caminhada com você no outono.
E uma mão para segurar quando as folhas começarem a cair.
E um amor que queima,
E irá aquecer a noite de inverno.
Isso é tudo.

Existem algumas pessoas que estou certo que te disseram,
Que te dariam o mundo por um brinquedo.
Tudo o que eu tenho são esses braços para te abraçar.
E um amor que o tempo não pode destruir.

Se você esta se perguntando o que eu quero em retorno, querida.
Você vai ficar feliz em saber que minhas exigencias são pequenas.
Diga que sou eu quem você vai adorar,
Agora e para sempre.
Isso é tudo.

09 dezembro 2011

Sonhe.

Sonhe quando você estiver se sentindo triste.
Sonhar, essa é a coisa a se fazer.
Apenas assista os anéis de fumaça se levantarem no ar.
Você vai encontrar sua parte de memórias lá.

Então sonhe quando o dia acabar.
Sonhe e talvez se torne verdade.
As coisas nunca são tão ruins quanto parecem.
Então sonhe, sonhe, sonhe...

06 dezembro 2011

Bem, É Isso...

Meu sentimento por você permanece.
E a saudade que sinto também.
Jamais quis te magoar ou te entristecer.
Mas me desculpe, eu não consigo.
Não é questão de lutar ou não lutar.
Minhas convicções são essas.
São elas que me guiam no que acho plausível.
Eu me importo muito com você.
Mas sequer considerar me fez sentir como um hipócrita.
Não se trata de apenas não pensar nisso.
Não é como eu vejo.
Não é como eu vivo.
Sei que a culpa não é sua.
Mas também não é minha.
E eu não quero te decepcionar.
Mas as coisas não caminham para uma mudança.
Não adianta eu tentar me enganar.
Porque não é o que quero.
Ok, talvez um dia eu pense diferente.
O tempo muda muitas coisas.
Mas agora isso não vai acontecer.
Porque não estou fazendo nada de errado.
Porque não é o que quero para mim.
E na verdade eu não me importo realmente com isso.
Eu quero estar com você.
Do jeito que você é, e não pedirei que mude.
Só não me entenda mal.
Não estou irritado ou te culpando por algo.
Você jamais me pressionou.
Você jamais me magoou.
Eu realmente gosto de você, gosto mesmo.
Mas isso está além de minhas mãos.

05 dezembro 2011

Final De Maio.

Neblina dourada, outra manhã que parece ontem.
Final de maio, agora você se foi e ainda existem contas para pagar.
E sabe não ajuda tentar acreditar, que você está sentada próxima de mim.
Não ajuda, tentar acreditar que você está bem atrás de mim...
Dizendo que está tudo bem.

Dias mais longos,
Mais tempo para me sentar e assistir o balanço do pêndulo.
Com uma raiva silenciosa, estou olhando fixamente para esta página vazia do Notebook.
Em tempos como este você sente que está cansado de sentimentos.
Você sente que quer parar a dor da cicatrização.
Porque você sente que você é o único que já se sentiu desta forma.

Alguns dias em torpor, há dias mais brilhantes.
Engraçado como o sentimento nunca fica.
Mas eu sei que eu terei que chegar a um acordo quando estiver acordado.
Pensar em você é o glacê do bolo.
Me faz perceber o fato de você ter ido para sempre, pelo amor de deus.

Neblina dourada, outra manhã que parece ontem.
Final de maio, um ano se passou e eu ainda me sinto deste jeito.
Quando nos encontrarmos novamente eu vou perguntar como você está.
Você dirá muito bem e me perguntará como eu estou.
E então eu vou mentir e vou dizer comum, é só um dia comum.
.
.

Michael Bublé.

01 dezembro 2011

Sonhando.

É um novo dia.
Algo parece estranho.
Eu estou andando nas nuvens.
Estou quase tocando as estrelas.
Tudo é possível. Imaginável.

Eu estou sonhando?
Todas as coisas normais começam a mudar.
Sinto-me sem gravidade.
Eu passo fora da atmosfera.
Nada parece impossível. Inalcançável.

Eu assumo a liderança.
Eu deveria estar com medo, mas não estou.
Viajando na velocidade da luz.
Alma ardendo, mente piscando.
Como uma estrela cadente eu vôo.

Como é estranho sentir.
Estou me movendo em câmera lenta.
Eu acho que devo estar sonhando.
Não, isso é real.
Ou é minha imaginação?

Isto é apenas um sonho.
Eu acho que devo estar sonhando.
Sonhando...

28 novembro 2011

Sem Conserto.

Não consigo encontrar
Um lugar apropriado para o fim.
O tempo entrou em coma,
Perdi minhas memórias e nem percebi.

Um breve instante foi
Um presente que eu ganhei, mas ainda não abri.
Tempo perfeito não
Deixa sobras no futuro.
Igual a mim, igualzinho a mim.
Igual a mim...

Qualquer um que fotografar
Os pesadelos de quem não volta a dormir.
Vai andar olhando pro céu
Pois vai sempre estar a um passo de cair.

Um breve instante foi
Um presente que eu ganhei, mas ainda não abri.
Seguindo em frente então.
Sem memória, e sem futuro.
É melhor assim, bem melhor assim,
É o melhor pra mim...
.
.

Maquinado.

21 novembro 2011

I'm Sorry.

Tive vontade de segurar sua mão e correr.
Tive vontade de te pegar no colo e fugir.
E quando empurrei eu quis na verdade te abraçar.
E quando sorri eu quis na verdade te beijar.
Foi estranho lidar com isso.
Foi difícil de suprimir isso.
E se não falei foi para não me descontrolar.
E se não brinquei foi para ficar em meu lugar.
O lugar que hoje em dia penso ser puro destino.
O lugar que com o tempo passei a chamar de amigo.
Senti tanta saudade que queria mudar.
Senti tanto sua falta que não quis me importar.
Quis te elogiar até me dar por satisfeito.
Quis olhar seus olhos e tirar isso do peito.
Quis te chamar de linda até mudar o seu conceito.
Mas eu sabia que não poderia.
Eu sabia que não deveria.
Então calei e deixei a timidez assumir.
Então sonhei para o lado desatento agir.
E me desculpe se pareci desconfortável.
Nunca foi minha intenção soar tão desagradável.

18 novembro 2011

Ilusão...

A manhã está bonita. Difícil de descrever.
Sinto o cheiro da grama, e o ar fresco diurno enche meus pulmões.
Gosto de sentar na varanda, as tabuas de madeira rangendo sob meu corpo.
Vejo-a já ao longe, perto da cerejeira, olhando as pétalas rosas.
É impossível não sorrir ao vê-la.
Os cabelos castanhos refulgindo ao vento gentil.
O olhar é quente, e transmite um amor incalculável. Sinto o calor.
Agradável. Aconchegante. Esse calor, semelhante ao que sentimos de repente ao colocarmos a mão onde bate o sol...
É igual ao calor que se esvae dela como algo infinito.
Uma pétala da cerejeira cai lentamente, e ela a pega cuidadosamente.
Sorrindo com o feito, olha para trás e percebe minha presença.
Sorrio em resposta ao vê-la correndo em minha direção.
Céus, ela é maravilhosa...
Os cabelos dançam aos seus passos.
Mesmo em sua alegria pura ela corre de maneira graciosa.
Abro os braços e deixo ela jogar seu peso sobre mim.
Ela me beija carinhosamente. Eu retribuo como se fosse o primeiro beijo.
Sentamos, e ela me mostra a pétala, orgulhosa como uma criança que fez algo difícil.
O vento traz seu perfume e me inebria lentamente.
Ela deita a cabeça sobre meu colo, e coloca a pétala em sua testa.
Mostra a língua e faz careta, apontando para a pétala.
Dou um beijo em sua testa e acaricio seu rosto.
A manhã está realmente bonita.
Não... Está perfeita. Simples e perfeita. Como ela.
Nada poderia dar errado.
Ao lado dela eu sei que sempre serei feliz.
Ela é minha pétala de cerejeira. Eu a amo.

08 novembro 2011

E Se...

Quando o Sol se põe,
E o silêncio chega,
Como você descreve seu dia?
Como você descreve seu jeito de ser?
Seu dia é atarefado?
Produtivo e cansativo?
Ou vazio e melancólico?
Você se julga uma pessoa feliz?
Pensar sobre já torna tudo discutível.
Não se engane...
São apenas ilusões.
Disfarces de sensações.
Desistências de razões.
Crença em puras emoções.
Sim, você é feliz.
Mas e se quando a noite pairar,
E as estrelas surgirem,
Você perceber...
Que seu mundo é falsidade,
E a felicidade está no nada?

07 novembro 2011

Asas.

Ela chegou...
Entra e senta discretamente, cruza as pernas e traz as mãos ao colo.
Os cachos estão curtos, harmoniosos.
O jeans creme contrasta com o All Star clássico.
Ela sorri, sem mostrar os dentes, porém smpática.
Percebo que não a vi crescer...
Ela conversa animadamente, os olhos transmitem calor.
Os olhos... Nunca havia reparado neles antes.
São de um castanho arrebatador.
Belos, quentes e melodiosos, de tom amadeirado.
Céus, ela é absolutamente linda...
A pele, embora mais clara que o olhar, é tão bela quanto.
Nariz ligeiramente arrebitado.
Mãos pequenas, macias e delicadas.
Impossível não admirá-la em segredo.
Ela fala comigo, amável e sincera.
Mas tudo que consigo fazer é olhar. Contemplar.
Ela cresceu...
Tornou-se uma mulher deslumbrante.
Uma mulher plena... Em beleza, inteligência e habilidade.
Admirado, percebo:
Estou completamente apaixonado...

06 novembro 2011

S.

Ela pareceu vestida em todo o meu ser,
Esticada através de minha vergonha.
Todo o tormento e a dor,
Escaparam completamente e me cobriram.
Eu faria qualquer coisa para tê-la para mim.
Apenas para tê-la para mim...
Agora eu não sei o que fazer,
Eu não sei o que fazer...
Quando ela me entristece.

Ela é tudo para mim.
O sonho não correspondido.
Uma canção que ninguém canta.
O inalcançável.
Ela é um mito que eu tenho que acreditar.
Tudo que necessito para fazê-la real é mais uma razão.
Eu não sei o que fazer.
Eu não sei o que fazer...
Quando ela me entristece.
Mas eu não vou deixar isso crescer dentro de mim.

Um bloqueio em minha garganta.
Sufocante,
Rasgado em pedaços.
Eu não serei, não,
Eu não quero ser isso.
Mas eu não vou deixar isso crescer dentro de mim.
Eu não vou deixar isso crescer dentro de mim.
Ela não é real.
Eu não posso fazê-la real.






05 novembro 2011

Rosa De Outono.

É como se eu estivesse congelado no tempo.
Ainda assim ele continua a passar por mim.
Insondável... Imutável...
Eu não sei dizer porque me sinto desta forma.
Mas é impossível não enxergar isto.
É impossível não deixar o ritmo me levar para longe.
Eu sei que seus olhos jamais quiseram me cortar.
Que seu sorriso nunca quis me machucar.
E me desculpe se não sou o suficiente.
Só posso lhe dizer que este é meu máximo...
Ainda que a noite fria me traga suas memórias,
Sei que não conseguirei tocar seu belo rosto.
Eu jamais quis causar tanta dúvida em seu coração.
Me perdoe se isto te entristece as vezes.
.
.

Apenas saiba, minha linda Rosa de Outono...
Você é com quem quero estar.

03 novembro 2011

Sós. Nós.

Suas frágeis asas dobradas...
Estão apenas cansadas do puro céu azul.
Você não precisa forçar seu sorriso para ninguém.
Não tem problema sorrir pra si mesma.
Esta sensação de solidão está tentando te tomar,
E uma única vela ainda queima dentro de você.
Eu poderia enterrar tudo com palavras vazias.
Mas desta forma não seria coragem.
Porque nos sentimos tão sós a todo momento?
Enquanto conseguirmos nadar livremente em nossos sonhos,
Não precisaremos mais daquele céu.
Não pense em amar alguém como sendo peso demais.
Pois você não tem que aguentar o peso de tudo.
Mesmo que não consiga esquecer o passado,
Eu estarei lá para te encontrar amanhã.

30 outubro 2011

Céu e Cerejeira.

As cores contrastavam. Branco e Preto. Rosa e Azul. Hora de partir...

Era difícil para ele dizer quando aquilo havia começado.
Tanto quanto era para ela dizer como havia se deixado levar.
Ainda assim eles eram o que esperavam de si mesmos.
Ele viu seus olhos cor de rosa. Que deslumbrante.
Ela encarou seus olhos azuis. Que encantador.
Ele sempre usava preto.
Ela sempre usava branco.
Eles riram disso enquanto se abraçaram. Não importava.
O tempo não lhes era preocupante.
O tempo lhes era o que quisessem.
E beijos e carinhos eles compartilharam. Tudo bem.
Seu cabelo era como uma flor de cerejeira.
Ele a amava.
Seu cabelo era como o céu profundo e limpo.
Ela o amava.
E assim tudo estava. E era só o que importava.
Mas a espada do destino caiu perante eles.
Ostentando urgência do passado e planos do futuro.
As coisas mudaram.
O tempo, único aliado, traiu-os amargamente.
E então já não bastava apenas amor.
E tentando fugir, eles caíram em eterna perdição.
E do penhasco pularam. Para sempre unidos em vingança.
O ventou uivava impiedosamente.
Eles sorriram. Apesar de tudo, haviam conseguido.
Apesar de tudo, haviam finalmente fugido.
Ainda assim ele sabia.
Ao mesmo passo que ela soube.
Seu cabelo era como uma flor de cerejeira.
Seu cabelo era como o céu profundo e limpo.
Ele sempre usava preto.
Ela sempre usava branco.
Desta vez, porém, não houve risos despreocupados.
As cores contrastavam. Branco e Preto. Rosa e Azul. Hora de partir... De partir para sempre.

28 outubro 2011

Empty.

This world is like a cage.
And I don't think it's fair.
And I don't even think that anybody cares.
But it's okay.
'Cause I don't give a fuck for them.
I just live my life like a lazy motherfucker.
And that's the way that things happen.
Is life a beatiful gift?
Well, I don't think so.
Life is just a waste of time.
Nothing but this.
An empty count of time.

27 outubro 2011

Coldest Winter.

On lonely nights I start to fade.
Her love is a thousand miles away.
It's 4am and I can't sleep.
Her love is all that I can see.
If spring could take the snow away.
It melt away all of our mistakes.
Memories made in the coldest winter.
Winter...
Goodbye my friend will I never love again.

24 outubro 2011

UVERworld.

"Naquele dia, meu coração despedaçou-se em silêncio.
Mesmo que eu grite, as memórias não podem ser apagadas.
A escuridão passava em meus olhos.
E eu afundo em uma manhã que não terá cores."

23 outubro 2011

Dias Iguais.

Ultimamente ando com a cabeça cheia demais.
Não tenho me mexido muito, mas mesmo assim muitas coisas estão acontecendo. Estou atolado de pensamentos. E isso geralmente não me faz bem. Tenho dormido muito mal. E quando durmo meu cansaço não parece ir embora. É complicado. Sabe quando você está longe de quem quer perto e está perto de quem quer longe? Pois é... A bem da verdade isso tem acabado comigo.
Eu sei que sou um cara meio desatento, meio despreocupado. Sei que sou pessimista, que sou meio calado, mas é difícil tentar ser diferente quando quero afastar todos que estão perto de mim. Mas não seria verdade dizer que eu conseguiria mudar tão facilmente. Não sou tão bom assim.
Em contrapartida a única pessoa que quero perto parece estar tão distante de mim... Tão distante quanto possível. E isso me deixa com medo. Com muito medo.
Embora sejamos parecidos em muitos aspectos, vejo que ela percebe o quanto as nossas diferenças são impactantes, e sinto que com o tempo só sobrará uma linha tênue. Sei que costumo falar as mesmas infelicidades de sempre, que costumo tentar prever tristeza e tragédia em minha vida, mas não sou perfeito, ninguém é. De qualquer forma ultimamente eu ando extremamente cansado. Cansado de estar cansado. Cansado de falar com quem não quero realmente. Cansado de ter que procurar soluções. Está difícil pensar em coisas úteis, e a saudade que sinto não ajuda em nada. Enfim, é assim que as coisas são.
É isso que a vida tem de melhor. Preciso lidar com isso.

15 outubro 2011

Pff...

Eu sou um verdadeiro desperdício de tempo.
Não vejo como as coisas possam ser diferentes.
E mesmo que fossem, não sou do tipo que aprende.
Não sou do tipo que entende como as coisas são.
Sou absolutamente desnecessário.
Mas insisto em procurar o que não devo.
Isso não está certo. Não pode estar.
Eu fico aqui me enganando...
Fingindo que sou realmente útil na vida de alguém.
Quando nem na minha me faço necessário.
E fico aqui, governado por meus segredos.
Dominado por meus malditos deméritos.
Cometendo sempre o mesmo erro.
Não tenho propósito...
Não tenho razões, motivos.
Não tenho reais ambições.
É impossível para mim almejar algo.
Simplesmente porque não vejo a causa.
Muito menos o efeito.
Eu sou uma concha fútil e vazia.

12 outubro 2011

Como Se Fosse O Ryu.

"Lembro que com muita calma no coração e perfeitamente consciente desferi diversos golpes em sua boca até ela abrir e escorrer sangue em meu punho."


"E quando olhei para trás Léo estava com o rosto absolutamente vermelho.
Como um demônio dos piores contos.
Me aborreci com seus olhos que vazavam ódio e dor."


"Agarrei suas duas orelhas com minhas mãos ensanguentadas e desferi uma joelhada fatal entre seus olhos.
Seus ouvidos começaram a sangrar suas dores e ele aceitou enfim sua derrota."


"Mas eu não me sinto culpado pelo que aconteceu.
Foi uma batalha mais que honesta.
Trouxe muita escuridão em minha alma, mas acho que o segredo da vida é ir levando."


"Esperar que algo aconteça do nada é frustrante.
Mas é preciso acreditar.
Eu acredito. E você?"


.

.

Yuri Moraes.