Podemos ser melhores ou piores se quisermos
Para cada alternativa haverão dores
Podemos não ser nem um nem outro também
Haverão derrotas e vitórias para tudo
Não sei se quero saber o que sou
Não sei se quero saber quem somos
Nos rotular pode vir a trazer nosso final
É cansativo se colocar nesse lugar todas as vezes
O lugar do entendedor, do racional
O lugar daquele que busca algo materializado em sua mente
Daquele que é ciente de todas as consequências
Que leu o manual completo
Que entende das engrenagens e do efeito cascata
Acho que tudo que eu quero saber por hoje
É que podemos ser, indiscriminadamente podemos
Se seremos ou não o que quer que possamos vir a ser
Não nos cabe esmiuçar ou decifrar
Lhe peço que dessa vez apenas sinta comigo
Nossos trejeitos, sinais e olfato
Nossos corações descompassados em contato
Nossos olhos de cores diferentes
Nossos detalhes tão determinantes pra nos amarmos
Apenas desejo que dêmos as mãos
E saibamos que seja lá o que for, podemos ser
16 setembro 2022
Carta ao meu eu imaginário.
15 setembro 2022
Das coisas que transbordam do meu ser.
O mundo lá fora é rápido, luminoso e barulhento demais, e mesmo durante a noite as luzes artificais preenchem minha vista não importa aonde eu esteja. Me cansei de ser alguém tão sensível, mas quando a insensibilidade me toca sinto o desconforto dos meus movimentos tão pesados e lentos quanto estariam embaixo d'água, me lembrando do frio e das marcas de gelo que ficaram na fundação do meu eu, das queimaduras que esse gelo causou em minha pele, e em como ser vazio me entristece. A questão, ou uma das questões é que ser repleto me exaure. Não chega a ser uma problemática eterna, mas é uma constatação por vezes inquietante embora inerente ao meu ser. Quando caminho devagar e sinto todas as minhas sombras conversarem comigo eu compreendo que sou tão complexo quanto acredito que poderia ser, e de repente o som da chuva que cai se confunde com os ruídos da minha cabeça e se misturam em um som muito único e inexplicável, criando um estado de consciência acima do que eu chamaria de minha percepção sensorial natural. Agora eu nem sei mais exatamente o que dizer ou como descrever, mas é extremamente singular e tangível. Nesses momentos eu me acho uma pessoa muito complicada, às vezes nem eu me entendo, nem eu me explico, então continuo caminhando devagar seja lá pra qual for o meu destino e deixo a chuva cair. Certas vezes o ruído fica tão alto que vai embora. Certas vezes fica tão baixo que é tudo que há pra se ouvir.
07 setembro 2022
Summer is for falling in love.
We could drive along an ocean reflecting the sun
Or make a bed of green atop a wide open scene
Under a canvas of blue
I would draw ever nearer to you
To feel the dew on your skin
That is how it would begin
For summer is for falling in love
We could stay out late until the sun sets past eight
And the cotton candy haze mirrors the warmth of your gaze
Raise your glass to mine and as we drink, we would lock eyes
So we could disregard the thought of ever having to part
For summer is for falling in love
This lightness of being
We both know to be fleeting
Like the last breath of a sunset
Right before the day is dead
But maybe the heat of today
Could keep even winter away
So I'll remember your laugh
'Cause nothing ever changes the fact
That summer is for falling in love
Summer is for falling in love... 🌸
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Sarah Kang
02 setembro 2022
Uma daquelas sensações passageiras.
Às vezes eu tenho a sensação de que nada interessante de verdade nunca mais vai acontecer na minha vida. Que minha fase de descobertas passou pra tudo, que nunca mais terei primeiras experiências, que me tornei um adulto chato, dependente e previsível, que meu relacionamento é parado como um lago desabitado. Sinto falta de ser mais espontâneo e simplesmente fazer as coisas, beijar na boca, transar, sair por aí e beber outras bebidas, lidar com o que tiver que lidar quando tiver que lidar, sem calcular ou prever nada. Mas acho que eu simplesmente não sou mais assim.
Preâmbulos e divagações.
Difícil entender por completo a complexidade da minha mente, das pessoas e do mundo ao meu redor. É um paradoxo que pode ser simples e também muito complicado. Muitas vezes eu me sinto deslocado da realidade dos meus cinco sentidos, entorpecido e inerte, como se caminhando em gravidade zero, devagar e não mais inexpressivo que uma pétala levada pelo vento. Tudo que me rodeia é tão tridimensional quanto eu, mas em certos momentos tudo que eu quero é ser tão líquido quanto a água da chuva que eu considerava tão mais divertida e bem-vinda quando criança. Não sinto que consigo expressar com exatidão em palavras esse arame farpado emaranhado de sensações físicas, emoções e sentimentos. É tão fugaz quanto cada passo de qualquer um e tão eterno quanto o looping da rotina existencial que nos é inerente. Me sinto dormente por dentro, entorpecido, me movendo contra as ondas pesadas do ar, enfrentando a luz do dia com a mesma bravura que me faz conviver com minhas sombras e reflexos estampados nos olhos de quem se atreve a me acolher em seu olhar. Ser um ser humano definitivamente não é simples, o ponto final nunca é o que deveria ser, e caso seja, criemos outro significado. De preferência um mais conclusivo.
Registro de uma madrugada alcoólica.
De tempos em tempos sou tomado por um desejo de entender o vazio. O vazio de tudo, de sentimentos, pensamentos, de ética e moral, o vazio dos sentidos, do som e das pessoas ao meu redor. Queria ficar completamente sozinho, num vazio dentro de mim, no vazio exterior, sem precisar de ar pra respirar, caminhando e contemplando tudo que existe despudoradamente, sem interferir, sem interagir, apenas observar e comhecer do invólucro que seria o meu vazio tão imaculado e inexplicável. Não refletir, mas sim observar, sem exatamente me surpreender, sem saber o que é medo, com um tempo infinito a meu dispor. Entrar no mar e contemplar cada parte, caminhar até o verdadeiro fundo do mar e conhecer tudo que há lá. Entrar em vulcões, tempestades, ir ao centro da Terra e caminha pelo universo, pelas constelações, luas, sóis e buracos negros. Saber a verdade por vê-la do meu vazio, com uma noção de tempo totalmente inexplicável aos olhos e entendimento humanos. Entender o vazio por sê-lo em essência, caminhando pelas dobras da própria criação. Ser e não ser ao mesmo tempo, tão imaginário quanto real. O vazio mais indescritivelmente inexplicável. Fora de tudo, e portanto, fora de suas regras e leis, fora da lógica, mãos nos bolsos, olhos de rapina que enxergam além da vida e da morte. Tudo e nada que não é humano.