De tempos em tempos sou tomado por um desejo de entender o vazio. O vazio de tudo, de sentimentos, pensamentos, de ética e moral, o vazio dos sentidos, do som e das pessoas ao meu redor. Queria ficar completamente sozinho, num vazio dentro de mim, no vazio exterior, sem precisar de ar pra respirar, caminhando e contemplando tudo que existe despudoradamente, sem interferir, sem interagir, apenas observar e comhecer do invólucro que seria o meu vazio tão imaculado e inexplicável. Não refletir, mas sim observar, sem exatamente me surpreender, sem saber o que é medo, com um tempo infinito a meu dispor. Entrar no mar e contemplar cada parte, caminhar até o verdadeiro fundo do mar e conhecer tudo que há lá. Entrar em vulcões, tempestades, ir ao centro da Terra e caminha pelo universo, pelas constelações, luas, sóis e buracos negros. Saber a verdade por vê-la do meu vazio, com uma noção de tempo totalmente inexplicável aos olhos e entendimento humanos. Entender o vazio por sê-lo em essência, caminhando pelas dobras da própria criação. Ser e não ser ao mesmo tempo, tão imaginário quanto real. O vazio mais indescritivelmente inexplicável. Fora de tudo, e portanto, fora de suas regras e leis, fora da lógica, mãos nos bolsos, olhos de rapina que enxergam além da vida e da morte. Tudo e nada que não é humano.
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