15 setembro 2022

Das coisas que transbordam do meu ser.

O mundo lá fora é rápido, luminoso e barulhento demais, e mesmo durante a noite as luzes artificais preenchem minha vista não importa aonde eu esteja. Me cansei de ser alguém tão sensível, mas quando a insensibilidade me toca sinto o desconforto dos meus movimentos tão pesados e lentos quanto estariam embaixo d'água, me lembrando do frio e das marcas de gelo que ficaram na fundação do meu eu, das queimaduras que esse gelo causou em minha pele, e em como ser vazio me entristece. A questão, ou uma das questões é que ser repleto me exaure. Não chega a ser uma problemática eterna, mas é uma constatação por vezes inquietante embora inerente ao meu ser. Quando caminho devagar e sinto todas as minhas sombras conversarem comigo eu compreendo que sou tão complexo quanto acredito que poderia ser, e de repente o som da chuva que cai se confunde com os ruídos da minha cabeça e se misturam em um som muito único e inexplicável, criando um estado de consciência acima do que eu chamaria de minha percepção sensorial natural. Agora eu nem sei mais exatamente o que dizer ou como descrever, mas é extremamente singular e tangível. Nesses momentos eu me acho uma pessoa muito complicada, às vezes nem eu me entendo, nem eu me explico, então continuo caminhando devagar seja lá pra qual for o meu destino e deixo a chuva cair. Certas vezes o ruído fica tão alto que vai embora. Certas vezes fica tão baixo que é tudo que há pra se ouvir.

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