31 outubro 2012
Percepção.
E foi quando eu percebi. Como, em sã consciência, eu poderia me
aproximar de uma pessoa tão exageradamente boa em sua essência, como eu
poderia entrar na vida de alguém que tinha tamanha alegria em seus
trejeitos, como, se eu me tornaria sua sentença de morte?
16 outubro 2012
Coisas Que Escrevo Sem Saber.
Ela gosta de gatos.
Gosta muito de gatos.
Ela gosta do céu, de estrelas e nuvens.
Do azul imperturbável,
De signos e características.
Ela ama tudo isso.
Longas conversas,
Um pouco de frio e couro.
E preto, e vermelho e roxo.
Vinho, cerveja, pão sírio.
E música para refletir.
E no seu ceticismo há misticismo.
E ela é encantadora.
E ansiosa e calada e teimosa.
Que gosta de ar puro,
De natureza e calmaria.
Morangos, queijo, batata frita.
Filmes de terror e livros.
Ela gosta disso tudo.
Tanto quanto eu gosto dela.
Gosta muito de gatos.
Ela gosta do céu, de estrelas e nuvens.
Do azul imperturbável,
De signos e características.
Ela ama tudo isso.
Longas conversas,
Um pouco de frio e couro.
E preto, e vermelho e roxo.
Vinho, cerveja, pão sírio.
E música para refletir.
E no seu ceticismo há misticismo.
E ela é encantadora.
E ansiosa e calada e teimosa.
Que gosta de ar puro,
De natureza e calmaria.
Morangos, queijo, batata frita.
Filmes de terror e livros.
Ela gosta disso tudo.
Tanto quanto eu gosto dela.
Momento.
"Já reparou que você sempre arranja uma desculpa?" Acho que essa foi a coisa mais sábia sobre mim que ela me disse. Por alguma razão essa foi a opinião que mais significou depois de tudo, e ecoa na minha cabeça em vários momentos dos meus dias. E eu lembro de como, na voz dela, soou tão estranhamente correto e irrefutável, e de como eu me senti sem saída.
O engraçado foi o modo gentil que ela observou, embora tenha me atingido como um jab de direita. E vi estrelas, mas a tontura passou rápido. Eu me saí bem, e fingi bem que fora algo despercebido, e logo já tinha voltado ao normal. Mas foi marcante. Foi tão marcante quanto ela.
O engraçado foi o modo gentil que ela observou, embora tenha me atingido como um jab de direita. E vi estrelas, mas a tontura passou rápido. Eu me saí bem, e fingi bem que fora algo despercebido, e logo já tinha voltado ao normal. Mas foi marcante. Foi tão marcante quanto ela.
15 outubro 2012
É Você Ali...
A foto em preto e branco.
Você e um sorriso,
Não tão largo, estreito, tímido.
Bem você.
Seus olhos, do verde ao castanho.
Meio tristes, meio alegres.
Bonitos, chorosos.
Tão você...
A marca da catapora.
O nariz ligeiramente arrebitado.
Cabelos emoldurados.
Castanhos, cacheados.
É você.
É você ali.
E eu quase posso sentir seu cheiro,
Mesmo assim em preto e branco.
Quase consigo chegar perto.
Eu quase te toco.
Quase...
Você e um sorriso,
Não tão largo, estreito, tímido.
Bem você.
Seus olhos, do verde ao castanho.
Meio tristes, meio alegres.
Bonitos, chorosos.
Tão você...
A marca da catapora.
O nariz ligeiramente arrebitado.
Cabelos emoldurados.
Castanhos, cacheados.
É você.
É você ali.
E eu quase posso sentir seu cheiro,
Mesmo assim em preto e branco.
Quase consigo chegar perto.
Eu quase te toco.
Quase...
Pequena Anne.
A pequena e sonhadora Anne um dia será indecente.
Terá crises existenciais e problemas de humor.
Um dia ela vai preferir café puro a suco de laranja.
Pobre Anne, antes tão inocente.
Agora não passa de alguém decadente.
Com nada mais que seu sarcasmo fingido.
Ela terá abstinências e vícios.
Cocaína, mentiras, cigarros, tristezas.
O passado se dissolvendo gradualmente.
Deixando-a com nada que não seus tremores involuntários.
Alucinações, desastres e fúrias,
Saliva espumando, olhos revirando e solidão.
A então pequena Anne agora é anoréxica,
Problemática e tendenciosa.
Não restou nada para ela, nada...
Que não seus tropeços sujos de lama.
E seus sonhos agora tão estilhaçados.
Terá crises existenciais e problemas de humor.
Um dia ela vai preferir café puro a suco de laranja.
Pobre Anne, antes tão inocente.
Agora não passa de alguém decadente.
Com nada mais que seu sarcasmo fingido.
Ela terá abstinências e vícios.
Cocaína, mentiras, cigarros, tristezas.
O passado se dissolvendo gradualmente.
Deixando-a com nada que não seus tremores involuntários.
Alucinações, desastres e fúrias,
Saliva espumando, olhos revirando e solidão.
A então pequena Anne agora é anoréxica,
Problemática e tendenciosa.
Não restou nada para ela, nada...
Que não seus tropeços sujos de lama.
E seus sonhos agora tão estilhaçados.
09 outubro 2012
Estranheza.
E quando eu olho você
Vejo apenas uma criança com olhos vermelhos,
Vermelhos como sangue.
Vejo apenas incompreensão, confusão e dor.
Mas também despreparo,
Falta de vivência, de aceitação.
E com olhos enegrecidos eu te vejo.
Eu te vejo erguer a mão
Exibindo o coração como se fosse preciso.
Externando uma dor desnecessária.
Exatamente como uma criança faria,
Ou como um adulto cansado.
E diante de você não sei o que sou
Só sei o que fiz
E o que vou fazer.
E mostro meus dentes amarelos,
Tingidos pelo café de outras insônias,
Pra você ver que não é tão difícil.
Que basta pisar firme no chão e inspirar.
Que é só questão de confiar
De perder aquele medo primitivo que temos,
De tropeçar e ralar as palmas das mãos.
Porque no medo ficamos
E o desespero é que leva à queda.
Mas quando olho você
Eu vejo alguém tão longe,
Tão inalcançável quanto asas de sonhos.
Hora de por as mãos nos bolsos
De virar as costas e caminhar.
Deixando o som dos sapatos ecoando
Quase que eternamente,
Num tipo de vórtice inexplicável.
Mas você ainda exibe o coração irregular...
Por favor, guarde isso.
Mas você não escuta mais minha voz.
Como uma criança levada faria
Ou como um adulto teimoso.
Vejo apenas uma criança com olhos vermelhos,
Vermelhos como sangue.
Vejo apenas incompreensão, confusão e dor.
Mas também despreparo,
Falta de vivência, de aceitação.
E com olhos enegrecidos eu te vejo.
Eu te vejo erguer a mão
Exibindo o coração como se fosse preciso.
Externando uma dor desnecessária.
Exatamente como uma criança faria,
Ou como um adulto cansado.
E diante de você não sei o que sou
Só sei o que fiz
E o que vou fazer.
E mostro meus dentes amarelos,
Tingidos pelo café de outras insônias,
Pra você ver que não é tão difícil.
Que basta pisar firme no chão e inspirar.
Que é só questão de confiar
De perder aquele medo primitivo que temos,
De tropeçar e ralar as palmas das mãos.
Porque no medo ficamos
E o desespero é que leva à queda.
Mas quando olho você
Eu vejo alguém tão longe,
Tão inalcançável quanto asas de sonhos.
Hora de por as mãos nos bolsos
De virar as costas e caminhar.
Deixando o som dos sapatos ecoando
Quase que eternamente,
Num tipo de vórtice inexplicável.
Mas você ainda exibe o coração irregular...
Por favor, guarde isso.
Mas você não escuta mais minha voz.
Como uma criança levada faria
Ou como um adulto teimoso.
07 outubro 2012
Life and Death.
The end?
Don't bet
on it.
But I'm not
afraid anymore.
It's the
way things happen.
I'll face
this damage.
I'll face
my demons from now.
And I'll
talk with these ghosts.
All the
doubts.
All the
blood.
Every
single bad feeling.
I'll make
them my best friends.
And I'll
kiss the ground.
So take a
look at me one last time.
You'll
never see me again.
'Cause if
you see me you'll be dead.
At my side,
Falling
from the sky.
Burning in
the snow.
Burning in
the flames.
Drowning with me...
We're
already in hell.
The end?
Haha, don't
bet on it.
This is what they call life and death.
This is
what they call forever.
05 outubro 2012
As Características Do Terreno.
"Enquanto Gurney desviava os olhos da tela do laptop, ficou espantado ao ver Madeleine sentada na ponta da mesa, observando-o - tão espantado que pulou na cadeira.
- Meu Deus! Há quanto tempo você está aí?
Ela deu de ombros e não se deu o trabalho de responder.
- Que horas são? - indagou ele, e viu imediatamente como a pergunta era idiota. O relógio sobre o aparador estava em sua linha de visão, não na dela. As horas, 22h55, também apareciam na tela do computador à sua frente.
- O que você está fazendo? - quis saber ela. Parecia mais um desafio que uma pergunta.
Ele hesitou.
- Só tentando entender... isto.
- Hum. - Isso soou como uma nota de uma risada sem humor.
Ele tentou devolver o olhar firme dela, mas achou difícil.
- O que você está pensando? - interrogou.
Ela sorriu e franziu a testa quase ao mesmo tempo.
- Estou pensando em como a vida é curta - disse finalmente, como se tivesse chegado a uma triste conclusão.
- E por isso...
No instante em que ele achou que Madeleine não iria responder, ela falou.
- Por isso estamos ficando sem tempo. - Ela inclinou a cabeça (ou talvez tivesse sido um espasmo minúsculo, involuntário) e o olhou com curiosidade. Ele ficou tentado a perguntar: "Tempo para quê?", sentindo uma ânsia de transformar aquele diálogo sem pé nem cabeça numa discussão mais administrável, mas algo nos olhos dela o impediu. Em vez disso ele disse:
- Você quer conversar sobre isso?
Madeleine balançou a cabeça.
- A vida é curta. Só isso. É algo em que pensar."
.
.
John Verdon - Feche Bem os Olhos.
- Meu Deus! Há quanto tempo você está aí?
Ela deu de ombros e não se deu o trabalho de responder.
- Que horas são? - indagou ele, e viu imediatamente como a pergunta era idiota. O relógio sobre o aparador estava em sua linha de visão, não na dela. As horas, 22h55, também apareciam na tela do computador à sua frente.
- O que você está fazendo? - quis saber ela. Parecia mais um desafio que uma pergunta.
Ele hesitou.
- Só tentando entender... isto.
- Hum. - Isso soou como uma nota de uma risada sem humor.
Ele tentou devolver o olhar firme dela, mas achou difícil.
- O que você está pensando? - interrogou.
Ela sorriu e franziu a testa quase ao mesmo tempo.
- Estou pensando em como a vida é curta - disse finalmente, como se tivesse chegado a uma triste conclusão.
- E por isso...
No instante em que ele achou que Madeleine não iria responder, ela falou.
- Por isso estamos ficando sem tempo. - Ela inclinou a cabeça (ou talvez tivesse sido um espasmo minúsculo, involuntário) e o olhou com curiosidade. Ele ficou tentado a perguntar: "Tempo para quê?", sentindo uma ânsia de transformar aquele diálogo sem pé nem cabeça numa discussão mais administrável, mas algo nos olhos dela o impediu. Em vez disso ele disse:
- Você quer conversar sobre isso?
Madeleine balançou a cabeça.
- A vida é curta. Só isso. É algo em que pensar."
.
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John Verdon - Feche Bem os Olhos.
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