"Enquanto Gurney desviava os olhos da tela do laptop, ficou espantado ao ver Madeleine sentada na ponta da mesa, observando-o - tão espantado que pulou na cadeira.
- Meu Deus! Há quanto tempo você está aí?
Ela deu de ombros e não se deu o trabalho de responder.
- Que horas são? - indagou ele, e viu imediatamente como a pergunta era idiota. O relógio sobre o aparador estava em sua linha de visão, não na dela. As horas, 22h55, também apareciam na tela do computador à sua frente.
- O que você está fazendo? - quis saber ela. Parecia mais um desafio que uma pergunta.
Ele hesitou.
- Só tentando entender... isto.
- Hum. - Isso soou como uma nota de uma risada sem humor.
Ele tentou devolver o olhar firme dela, mas achou difícil.
- O que você está pensando? - interrogou.
Ela sorriu e franziu a testa quase ao mesmo tempo.
- Estou pensando em como a vida é curta - disse finalmente, como se tivesse chegado a uma triste conclusão.
- E por isso...
No instante em que ele achou que Madeleine não iria responder, ela falou.
- Por isso estamos ficando sem tempo. - Ela inclinou a cabeça (ou talvez tivesse sido um espasmo minúsculo, involuntário) e o olhou com curiosidade. Ele ficou tentado a perguntar: "Tempo para quê?", sentindo uma ânsia de transformar aquele diálogo sem pé nem cabeça numa discussão mais administrável, mas algo nos olhos dela o impediu. Em vez disso ele disse:
- Você quer conversar sobre isso?
Madeleine balançou a cabeça.
- A vida é curta. Só isso. É algo em que pensar."
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John Verdon - Feche Bem os Olhos.
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