28 janeiro 2013

Tô.

Tô arrependido de não ser o que era.
Tô arrependido de ser o que sou.
Tô arrependido de ter perdido tempo.
Tô arrependido de estar como estou.
Tô arrependido de ter errado.
Tô arrependido de não tentar.
Tô arrependido de ser um desperdício.
Tô arrependido de não saber mudar.
Tô arrependido da minha rotina.
Tô arrependido do meu passado.
Tô arrependido da minha vida.
Mas é o que eu sou... Só um ferrado.

Arquejo.

Eu tô meio sem vontade de viver. Não quero dizer que vou me matar, mesmo porque do jeito que estou acho até que já morri, sei lá. Eu não sinto mais aquela vontade de fazer as coisas, de tentar algo novo, de olhar por outra perspectiva. Não tenho mais aquela ansia de ler um livro novo, de experimentar um drinque, de ouvir uma banda diferente. Eu levanto da cama pensando em deitar e dormir de novo, saio pensando nisso, trabalho pensando nisso, volto, deito e durmo, e não me satisfaz porque me sinto um grande desperdício de tempo, mas não faço diferente simplesmente por já estar cansado de tentar e fazer tudo do jeito errado. Não sei, se é pra fracassar, que seja...
Quero entrar na vida de alguém, quero um relacionamento, alguém que precise de mim, mas sei que desse jeito eu só vou ser mais um desastre, mais uma experiência pra essa pessoa esquecer. Mas de qualquer forma eu já estragava tudo quando era mais vivo por dentro e por fora, embora por fora eu até finja bem que ainda entendo disso tudo. Aliás, nunca entendi, mas naquela época as coisas apenas pareciam fazer sentido, e isso fazia dar certo, mesmo que desse errado. Hoje em dia eu já nem sei mais o que viver realmente significa. E mesmo que soubesse, nem sei se quero mais...

Snuff.

Vamos falar de solidão
Nada disso me pertence mais
Vamos andar na escuridão
Eu já nem sei o que é ter paz

Agora não existe luz
Eu fico aqui entorpecido
E o amor já não reluz
É só um querer adormecido

Mas e agora como fugir?
Nós temos tanto a encarar
E agora estamos a cair
E só podemos lamentar

Não tenho mais como expor
É impossível esquecer
Eu finjo ser um bem feitor
Pra enterrar meu próprio ser


25 janeiro 2013

Dizer.

E daqui, pra ti, o que é maior que o céu?
E como atuar na trama,
Se já não sabe o teu papel?
Logo você, tão casta
Que um dia desdenhou da dor causada
Chora agora, nefasta
Por cima da minha blusa usada

Te dei mais de mim do que podia
Fiz por ti o que nem você faria
Caminhamos por minas e morteiros
Pra entender que do fim somos herdeiros

Eu sei que você, assim como eu
Tentou realmente, do teu coração
Mas isso que eu vi você não entendeu
Às vezes crescemos no amor,
Às vezes só na solidão

Hoje aquela bela flor que você me deu
É a falta de calor que me amadureceu 
E eu cresci pela dor
E aprendi, do amor
Nada se pode esperar
Você vive o que tem
E depois deixa ir
Crescer é saber libertar

24 janeiro 2013

Califórnia.

Você soltou a minha mão
Não ficou do meu lado
E eu tive que me contentar
Desenterrei a solidão
Me afoguei no passado
E contra o mal da perda eu não pude lutar

Tropecei pelos cacos de vidro e não pude mais levantar
Eu fingi tanto tempo e agora não posso mais me enganar
E por mais que eu te queira eu sei que não posso mais te escutar

Sei que tudo acabou
Que não vou mais te encontrar
Que não vai haver calor
Ou alguém pra me salvar
Sei que o teu querer mudou
No escuro eu vou ficar
Tentando enterrar o amor

E por você aqui sozinho
Esperei
Fiquei preso nesse caminho
Não te achei
Queria apenas conseguir mudar
E só seguir em frente sem me preocupar

E agora eu vou ficar fugindo
Pra sempre vou estar partindo
Não sei dizer o que aconteceu
Um dia você simplesmente me esqueceu
E da minha vida desapareceu

Você não sabe do amor

E agora eu sei, tudo que restou
Foi a tua e a minha dor
Pro meu peito carregar
Foi o peso do temor
De um dia o fim chegar
Só me faça esse favor
Jamais pense em retornar
Pois onde quer que você for
Eu já não posso mais lidar

Eu já não posso suportar
Você não sabe do amor

20 janeiro 2013

Domingo.


Ainda ouço passos ecoando no porão da minha memória. Passos leves e faceiros, mas tão densos e pesados quanto cada gota salgada do mar de minhas lamúrias, como um tipo de eco permanente feito de imagens maltratadas pelo tempo. Infelizmente o que está na memória não passa junto com o tempo. Borra, desbota, empoeira; às vezes até embolora um pouco por conta da umidade, mas nunca passa.
Não sei ao certo se é correto afirmar isso, mas certas coisas você simplesmente mantém mesmo que sem querer, e isso te faz esquecer de coisas que gostaria de lembrar. O dia de céu azul na praia, a tarde com os amigos, a letra da música, a cor favorita, o seu lado bom da vida. Eu paro de me perguntar quando e como isso vai findar, eu paro de tentar prever como vou conseguir transcender, me ultrapassar, mas por vezes me pego escrevendo sobre espinhos de caules e perfumes florais. Ah, eu e essa minha mania de ser cicatriz. Fazer o que se eu nasci pra ser assim...

13 janeiro 2013

Minha Forma.


Se tudo que me faz esquecer também me faz ser esquecido é porque tudo virou. Se manchei o céu de tinta é porque meu fim chegou. E se a tinta fosse sangue, o que você faria? Se eu morresse aqui e agora, alguma coisa mudaria?
Não saber dizer o que me faz amargo aos poucos vai me estragando, vou definhando, me apagando, a imagem partindo, o gosto ficando. É frustrante. Meu melhor é só normal perto do que você quer, e eu tento ser alguém importante, mas sempre acabo como um qualquer. É alarmante. Não dá pra prever quando tudo isso vai ceder, quando vai acontecer de chegar o momento daquela conversa, do embate, da sina perversa. Quando vou te magoar sem querer, sem ter insistido, quando irei pra casa como um zumbi, morto, e de coração partido. Vai chegar? Já chegou. Já quebrei o mundo ao meio. Não sei mais o que é amor, estou aqui só a passeio. O sol enegreceu, a lua se ocultou, a terra apodreceu, o mar evaporou. Acabou. Eu matei tudo, pintei tudo ao meu gosto, passei dos limites pra tentar esquecer. Deixei marcas na tua pele, me arrependo de entender, que mesmo zumbi andarilho, morri e esqueci de morrer.

12 janeiro 2013

Schoendorfer.

Hoje eu te vi de perto depois de tanto tempo. Eu sorri e te abracei, eu sentei do seu lado. No começo eu tentei não te olhar, mas não deu, porque preciso de você, seja do jeito que for. Eu segurei sua mão de leve, e reparei no seu esmalte, te deixei vestir minha camisa, brinquei com seu cabelo, e deixei você brincar com o meu. Eu fiquei com você no sofá e me lembrei de como você é bonita, das tuas poses, dos teus olhares, do teu jeito de sorrir. Deixei você colocar as pernas sobre meu colo, brinquei com seus pés tão delicados. Te olhei com doçura, você me olhou com gentileza, uma troca de carinho contida, calculada. Quase entrelacei meus dedos aos teus, mas não pude, não consegui. Fiquei perto de você o máximo que pude. Ouvi tua voz, tua risada, vi tuas marcas de expressão. Impliquei com você, deixei você me bater em resposta, te provoquei de leve, lembrei dos nossos dias, dos nossos momentos. Você deixou uma foto no meu celular. Doeu. Não chorei, mas doeu. Ainda assim foi bom ficar contigo. E aí você teve que ir, e eu te dei um beijo no rosto, um abraço sem graça, e um tchau de amigo. Mas aqui estou eu, escrevendo sobre algo que já tivemos e que sinto falta, olhando sua foto, e abraçando minha camisa como se abraçasse você só por ter seu cheiro nela...

10 janeiro 2013

Nada Demais.

Algo me diz que perdemos algo. Pode ser que não seja nada demais. Pode ser que seja a coisa mais importante do mundo. Não faz diferença. A coisa mais importante do mundo, não é nada demais. Você acha que o amor é tudo na vida e, de repente, vê que não sabe nadar. É, você não sabe nadar. E se o avião cair no mar? O amor vai te salvar? Não, a natação vai te salvar. E se você escorregar na piscina? E se o barco afundar? E se um tsunami atingir a tua praia? Eu tô nadando contra a corrente.

Perdas.

Eu perdi muito tempo. Não, eu não perdi. Eu estou perdendo muito tempo. Eu perdi as palavras. Na verdade, estou repleto delas. Não tenho é coragem pra falar. Eu perdi o sono. Ah, esse eu nem quero mais. Eu perdi uma porção de camisetas das minhas bandas preferidas. Eu perdi a razão, perdi a vergonha, perdi meu isqueiro, perdi minha coragem. Perdi minha coragem, merda.
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Tavares

07 janeiro 2013

Farpa.



Memórias que eu não esqueci
Problemas que eu não superei
Verdades que eu não aprendi
Feridas que eu nunca curei

Só me resta agora prometer
Andar sem olhar pra trás
Esperar pelo amanhecer
Não correr novamente atrás

Preciso vencer pra não me apagar
Preciso conseguir pra não morrer
Preciso urgentemente triunfar

Eu não procuro te viver
Mas não consigo controlar
E outra vez vou te perder
Pra aprender a superar

Preciso te deixar sair
E essa praga enfrentar
Mas eu vou conseguir partir
E daqui te afugentar?

03 janeiro 2013

Ar.

Ah, se voce pudesse sentir
Como é não conseguir dormir sem ouvir a tua voz cansada
Você devia estar aqui pra ver
Aqui nao pára de chover desde que você voltou pra casa

Se meu lar for onde houver tua respiração
Vou morar na tua voz
Ao menos até o final dessa canção
No teu coração

Ah, será que você vai lembrar
Onde é que você vai guardar o rascunho dessa história?
Ou vai fazer fogueira pra queimar
E ver que não dá pra fechar a biblioteca da memória?

Você já me conheceu o bastante pra saber
Se eu sou ou não bom o bastante pra você
Quando acordar
E o meu nome sussurar

Eu posso te ouvir
E eu sinto como se nós
Não estivéssemos a sós
Você está aqui
Eu sinto que eu posso estar
Em qualquer lugar
Eu sinto que eu sou
O ar

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Lucas Silveira