29 março 2015

Isaak.

Uma noite melancólica. Uma visita ao bar. Jazz suave tocando ao fundo, o cenário perfeito de uma madrugada infeliz. Uísque duplo, um gole e um aceno que faz o barman deixar a garrafa. Olhos semicerrados sem muita explicação, não é sono, nem cansaço. Bom, talvez não cansaço físico, porque a mente e o coração estão pesados; pesados o suficiente pra puxá-lo mar adentro, cada onda escura e gélida engolfando tudo que lhe permitiria escapar. Foda-se, ele não queria escapar, e sim beber, mas porque sempre gostou de beber, não porque sempre tentou escapar. Mais um gole e ficou perceptível que não conseguiria mentir pra si mesmo. A percepção trouxe um sorriso ao canto da boca, pelo menos tivera tentado. Jazz suave tocando, como a voz de um amigo a aconselhar, a compreender. Outro uísque duplo. Alguns goles rápidos seguidos de uma careta, e de algumas notas deixadas no balcão. Ainda madrugada. Muitas nuvens, sem estrelas, sem lua. Acende um cigarro, fuma devagar, o Jazz ecoa em seus ouvidos, trazendo nostalgia. O vento aumenta repentinamente por alguns segundos, afasta o torpor da bebida. Acende outro cigarro. Um carro vem ao longe, e vem rápido. Pensa em se atirar na frente, mas não o faz, o carro passa por ele e some de vista. Não, isso ele não vai fazer, algum tipo de orgulho insensato não deixa. Não, isso é para os fracos, os incapazes. Um sorriso quase imperceptível. Não tirar a própria vida não significa mais do que isso, não é sinal de bravura ou capacidade, isso são outras atitudes que definem. Último trago no cigarro e uma nova visita ao bar. A noite vai ser longa...

17 março 2015

Céu Estrelado.

Todos os dias ele sorri timidamente pra todos que lhe são queridos. Estes são poucos, mas não importa. Todos os dias ele compartilha esse ritual agradável, mesmo que seja apenas com duas ou três pessoas. Ele passa horas trabalhando, assim como todo mundo, e ao final do dia vai vier sua própria vida. Ele sorri timidamente e age como alguém reservado. Ele, logo ele...

Ele finge. Ele não ama nenhuma dessas poucas pessoas, ele não sorri de verdade. Ele vive em uma espiral de vazio absoluto, numa dimensão própria, onde pra não ser invadido precisa se adequar; e ele o faz. Não há amor, às vezes não há sequer melancolia, mas o vazio sempre estará ali, como uma cláusula contratual entre chefe e empregado. Ele sabe que jamais haverá outra forma de viver que não essa, e ao notar, não sorri.

- O preço do meu contrato eu pago diariamente. E sempre irei pagar.

16 março 2015

Lost Confessions.

I love your voice, your smile, the way you look at me with your brown shiny eyes. I love the way you throw your hair back, and how you make your fingers dance between every wick. You're the most enchanting and lovely girl I've ever met, and everything about you makes me smile. I dream with that day, when you'll hold my hand and I'll kiss you, and we'll finally be together. I know it's just an illusion, but I can't avoid these dreams. Sometimes I can't stand to be near you. I can't pretend you're only a friend to me, 'cause you're not. You're so much more than that. You're my sweetest illusion...
You're every line. You're every word. You're everything.