"Why do we give ourselves to other people? Not just for their bodies,
but for everything else, too. Their dreams, their scars, their stories. I
only ever fall in love with the broken, because I am broken, and I know
without that other piece of me, I will never be the person I was
destined to be".
.
.
Oliver Sykes
13 novembro 2016
Ageless.
Nunca tive
Em nenhum de meus dias
Uma natureza otimista
Não de fato.
Em nenhum de meus dias
Uma natureza otimista
Não de fato.
Nunca acreditei
De forma alguma
Que eu seria algo além
De minha sina.
Transfigurado
Em oceano profundo
Entre criaturas
Me afogo em mim.
E eu não espero
Sobreviver ao peso
Nem mesmo ao fardo
Das pessoas.
Só queria por um dia
Não ver tédio, e tristeza
E esse desinteresse
Em tudo.
De forma alguma
Que eu seria algo além
De minha sina.
Transfigurado
Em oceano profundo
Entre criaturas
Me afogo em mim.
E eu não espero
Sobreviver ao peso
Nem mesmo ao fardo
Das pessoas.
Só queria por um dia
Não ver tédio, e tristeza
E esse desinteresse
Em tudo.
08 novembro 2016
Morada.
A noite ia alta, já em seu esplendor dominante da madrugada, poderosa e fulminante. Fazia frio, mas o clima estava agradável, o que me deixava pensando se aquele frio não era apenas algo que emava de meu coração assustado. Eu costumava passar horas acordado, pensando em como tudo havia mudado, e em como eu já fazia parte de outro mundo ao fim das contas. Era um pensamento inquietante, o tipo de pensamento que me fazia querer afogar meu cérebro em um balde de uisque. Eu vagava pela casa, de cômodo em cômodo, quando ouvi a maçaneta girar e ele entrou. Parecia feliz de uma forma impiedosa. Ele era assim, eu não entendia, mas procurava não questionar em voz alta. Me viu de pé na sala, ao lado do piano.
- Bom dia, irmão - Sorriu, embora não fosse um sorriso agradável de notar. - Continua observando as horas que passam?
Não era um interesse genuíno, eu sabia, mas não me incomodei.
- Observar é melhor do que me perder - Respondi.
- Você não devia se preocupar com o que não há como mudar. É desperdício de tempo.
- Você tem um jeito interessante de se entregar.
- Você tem um jeito interessante de se culpar. - Respondeu enquanto ria e tirava os sapatos.
- Acho que você não sabe do que está falando.
- Ah, mas eu sei sim, sei do seu arrependimento. É tarde, irmão, basta que aceite.
- Aceitar?
- Sim, aceitar. Aceite que não somos diferentes.
- Isso eu não poderia dizer, eu vejo cada hora que você ocupa com antídotos momentâneos e falsos prazeres. Vejo cada uma de suas ações e não posso apagar nenhuma delas.
- Está me chamando de pecador? - Falou divertido.
- O que mais eu poderia dizer? - Acrescentei, sentindo um escárnio em minha voz que não me era característico.
- Veja só, rosnando ao próprio irmão. Somos iguais, S.
- Nunca serei igual você, M.
- É, pensando bem você pode ter razão, temos uma diferença determinante, e isso devo admitir que é inegável.
- Não sei do que está falando.
- Sabe sim, e eu também. Você luta contra seus medos, eu brinco com os meus, aceito minha condição de pecador, tal como deve ser.
- Meu pecado não consiste nisso ou naquilo, mas em ter trocado apertos de mão com o Diabo. Agora faço parte desse outro mundo, mas me dói não poder retornar.
- E então você finge sua inocência. Sinto dizer-lhe, mas sua busca por redenção é a maior das mentiras. Nada mais vai te salvar.
- Não procuro salvação, uma penitência banhada em perdão será ainda uma penitência.
- De fato, mas diga-me, se está tão preocupado em abandonar a noite, por que sai pra beber, fumar, e dizer mentiras?
Emudeci. Eu não sabia o que dizer, e mesmo que soubesse, meu reflexo ao espelho saberia que seria apenas uma resposta vazia.
Fui ao banheiro, lavei o rosto, deitei de camisa e gravata. S e M, eu era os dois. Dia e noite. Pólos distintos. Duas personalidades e um só corpo. Conheci o mal e fiz dele morada, mas ainda assim teimava em querer ser bom. Que piada.
- Bom dia, irmão - Sorriu, embora não fosse um sorriso agradável de notar. - Continua observando as horas que passam?
Não era um interesse genuíno, eu sabia, mas não me incomodei.
- Observar é melhor do que me perder - Respondi.
- Você não devia se preocupar com o que não há como mudar. É desperdício de tempo.
- Você tem um jeito interessante de se entregar.
- Você tem um jeito interessante de se culpar. - Respondeu enquanto ria e tirava os sapatos.
- Acho que você não sabe do que está falando.
- Ah, mas eu sei sim, sei do seu arrependimento. É tarde, irmão, basta que aceite.
- Aceitar?
- Sim, aceitar. Aceite que não somos diferentes.
- Isso eu não poderia dizer, eu vejo cada hora que você ocupa com antídotos momentâneos e falsos prazeres. Vejo cada uma de suas ações e não posso apagar nenhuma delas.
- Está me chamando de pecador? - Falou divertido.
- O que mais eu poderia dizer? - Acrescentei, sentindo um escárnio em minha voz que não me era característico.
- Veja só, rosnando ao próprio irmão. Somos iguais, S.
- Nunca serei igual você, M.
- É, pensando bem você pode ter razão, temos uma diferença determinante, e isso devo admitir que é inegável.
- Não sei do que está falando.
- Sabe sim, e eu também. Você luta contra seus medos, eu brinco com os meus, aceito minha condição de pecador, tal como deve ser.
- Meu pecado não consiste nisso ou naquilo, mas em ter trocado apertos de mão com o Diabo. Agora faço parte desse outro mundo, mas me dói não poder retornar.
- E então você finge sua inocência. Sinto dizer-lhe, mas sua busca por redenção é a maior das mentiras. Nada mais vai te salvar.
- Não procuro salvação, uma penitência banhada em perdão será ainda uma penitência.
- De fato, mas diga-me, se está tão preocupado em abandonar a noite, por que sai pra beber, fumar, e dizer mentiras?
Emudeci. Eu não sabia o que dizer, e mesmo que soubesse, meu reflexo ao espelho saberia que seria apenas uma resposta vazia.
Fui ao banheiro, lavei o rosto, deitei de camisa e gravata. S e M, eu era os dois. Dia e noite. Pólos distintos. Duas personalidades e um só corpo. Conheci o mal e fiz dele morada, mas ainda assim teimava em querer ser bom. Que piada.
06 novembro 2016
Doomed.
Sometimes I wonder
Why are we all here?
Call me a nihilist
I guess I'm just unclear.
To why I bother
Why I try
Death is on my mind so much
It makes me wanna die.
I lost my wife this year
We've lost our friend
Always fighting battles
But they never seem to end.
Are we just ladders
In a world of snakes?
Cus' if lifes just one big fucking game
Well I don't wanna play.
So come and sing me
Sing me asleep
I dealt with too much fucking shit
And now I'm in too deep.
Cut off my wings
My flowers bloomed
You want salvation
Well I'm sorry...
We're all doomed.
.
.
Oliver Sykes
05 novembro 2016
Normalidade.
Alguns anos atrás, dez anos atrás, pra ser mais exato, eu tentava me tornar um jogador de futebol profissional. Naquela época eu era mais baixo e magrelo do que sou agora, mas era também mais rápido e preciso no que se referia a esse esporte. Eu treinava em um clube amador, e de todos, era talvez o mais mirrado, o mais tímido, quieto e modesto, mas eu já estava acostumado, e lidava com normalidade. Certa manhã, estávamos treinando e o professor mandou treinarmos finalizações. Era, sem dúvida alguma, a pior parte do treino pra mim. Eu era um lateral direito muito bom, cruzava bolas longas, fazia alguns lançamentos, mas meu chute a gol de média e longa distância era deficiente. Eu não conseguia empregar a força necessária em um chute direto a gol. Começamos o treino. Um por um, tocávamos a bola ao professor, ele ajeitava a bola mais ou menos na entrada da área, e nós corríamos e chutávamos, na tentativa de marcar o gol. Meus colegas começaram bem, marcando a cada chute que davam, mas meus chutes o goleiro sempre defendia e sorria, debochado. Eu não ligava. O treino seguiu, e depois de algum tempo o cansaço começava a minar a pontaria e a potência dos chutes de todos, e o goleiro começou a defender tudo que era disparado contra ele. O garoto era bastante convencido, e começou a fazer defesas plásticas, com ângulos bonitos, exibindo seus reflexos. O professor percebeu e perguntou "será que ninguém mais vai marcar no fulano?", enquanto ajeitava a bola pra mim, que não tinha marcado nenhum gol, e estava louco de raiva. O que narro a seguir aconteceu numa fração de segundos, mas em minha percepção aconteceu devagar. Ao notar que o chute era meu, o garoto abriu um sorriso, mas tentou se conter e manter a concentração. Pensei no que devia fazer. Eu sabia que ele era ótimo em chutes rasteiros, e que tinha um reflexo ótimo pra chutes de meia altura. Nesse caso o que me restava era o que eu não conseguia fazer: um chute potente com efeito que acertasse o ângulo superior. Eu sabia que seria difícil, mas estava danado como o diabo, e decidi que marcaria aquele gol e murcharia a soberba daquele garoto. Minha postura fez o goleiro perceber que viria um balaço, e ele se adiantou para defender. Corri pra bola o mais rápido que pude, aumentando a velocidade a cada passo, me concentrei, armei o chute e... errei! Quando firmei o pé esquerdo de apoio no chão, ele estava longe demais da bola, isso me tirou alcance, e meu pé direito acabou pegando embaixo na bola, embaixo demais. Pelo que me constava, essa bola iria para fora de um estádio. Mas o alcance reduzido que tirou a precisão, também fez com que eu perdesse a força no chute. Isso combinado fez a bola subir, surpreendendo o goleiro, que havia se adiantado, preparado para algo diferente. Ao perceber a bola subindo ele travou a corrida e pulou para trás, tentando espalmar a bola. Não conseguiu. Caiu de costas e a bola o encobriu, caindo dentro do gol com suavidade. Eu tinha feito um golaço por cobertura! O professor me olhou e gritou aos outros "agora sim! Façam como ele, surpreendam!", e depois disse ao goleiro "e você tem que aprender a não deixar o sucesso te subir a cabeça". Meus colegas me cumprimentaram, pois sabiam que aquilo não era comum pra mim. E eu, envaidecido, aceitei o mérito, escondendo de todos que na verdade eu tinha errado completamente. No dia seguinte, ainda animado, fui treinar, os colegas me pediram para que surpreendesse o goleiro de novo. Eu não prometi, mas decidi tentar, tomado por uma confiança súbita. Depois de um tempo chutando, decidi que era hora. Dessa vez me preparei desde o começo da corrida até a bola para um chute por cobertura. Deu tudo errado. Minha corrida lenta me denunciou, percebendo isso, o goleiro não se adiantou, o chute foi fraco demais, a bola não subiu o suficiente, e com um pulo ele encaixou a bola entre as mãos facilmente. Ninguém riu, tudo apenas voltou a normalidade: Régis não marcava gols.
Naquele dia percebi que eu era um mentiroso clássico. O mentiroso que acaba se convencendo que sua própria mentira é verdade, e tenta viver algo que não existe, e depois acaba frustrado por suas próprias ilusões, derrotado por sua vaidade. O interessante é que dez anos depois, continuo me perdendo em minhas próprias mentiras, e saber disso não faz com que eu consiga escapar de nenhuma delas. Dez anos depois percebo que continuo a ser aquele menino que não sabia chutar em gol. Pensar nisso me faz enxergar que de fato, o tempo é impiedoso, implacável, e acima de tudo relativo. É assombroso.
Naquele dia percebi que eu era um mentiroso clássico. O mentiroso que acaba se convencendo que sua própria mentira é verdade, e tenta viver algo que não existe, e depois acaba frustrado por suas próprias ilusões, derrotado por sua vaidade. O interessante é que dez anos depois, continuo me perdendo em minhas próprias mentiras, e saber disso não faz com que eu consiga escapar de nenhuma delas. Dez anos depois percebo que continuo a ser aquele menino que não sabia chutar em gol. Pensar nisso me faz enxergar que de fato, o tempo é impiedoso, implacável, e acima de tudo relativo. É assombroso.
13 outubro 2016
Reflection.
Eu sei, todas as vidas são um filme
Temos estrelas e histórias diferentes
Temos noites e manhãs diferentes
Nossos cenários não são só entediantes.
Eu acho esse filme muito divertido
Todos os dias, eu quero gravá-lo bem
Eu quero me acariciar
Eu quero me acariciar...
Mas você sabe, às vezes
Eu realmente, realmente me odeio
Francamente, isso é frequente
Eu realmente me odeio
Quando me odeio vou pra Dduksum
Eu apenas fico lá, com a escuridão familiar
Com as pessoas que estão sorrindo,
E a cerveja que me faz sorrir
Vindo até mim suavemente
O medo que segura minha mão
Tudo bem, porque todo mundo está em dois ou três
Seria legal se eu tivesse amigos também.
O mundo é só um outro nome para desesperança
Minha altura é só outro diâmetro para a Terra
Eu sou toda a minha felicidade e ansiedade
Ela se repete todos os dias,
O amor e o ódio direcionados à mim.
Ei, você que está olhando para o rio Han
Se nós nos esbarrarmos enquanto passamos um pelo outro, seria destino?
Talvez tenhamos nos esbarrado diversas vezes...
Na escuridão, as pessoas
Parecem mais felizes do que no dia
Todo mundo sabe onde eles têm que estar,
Mas apenas eu ando sem um propósito
Mas, ainda assim, se misturar com eles é mais confortável
Dduksum, que engoliu a noite
Me oferece um mundo totalmente diferente.
Eu quero ser livre
Eu quero ser livre da liberdade
Porque agora estou feliz, porém, infeliz
Estou olhando para eu mesmo em Dduksum
Eu queria poder me amar.
Eu queria poder me amar.
Eu queria poder me amar.
Eu queria poder me amar.
.
.
RM.
.
.
RM.
19 setembro 2016
Blooming Heart.
Meu coração é uma rosa
Tão bela e inexplicável
Quanto vermelha e poética
Cada espinho habita em mim
Nascendo de minhas veias
E certas vezes
Machucando quem se atreve
A me tocar.
Carrego o primor da Primavera
Que um dia deixei sair
E que pra poder sobreviver
Lentamente aprisionei.
Um dia sei que vou murchar
Uma pétala por vez
E cada um que por mim passou
Agora tem o mesmo dom
E essa mesma sina
Me perdoem mas é inevitável.
Carrego a maldição de florescer
E vocês, agora também.
Tão bela e inexplicável
Quanto vermelha e poética
Cada espinho habita em mim
Nascendo de minhas veias
E certas vezes
Machucando quem se atreve
A me tocar.
Carrego o primor da Primavera
Que um dia deixei sair
E que pra poder sobreviver
Lentamente aprisionei.
Um dia sei que vou murchar
Uma pétala por vez
E cada um que por mim passou
Agora tem o mesmo dom
E essa mesma sina
Me perdoem mas é inevitável.
Carrego a maldição de florescer
E vocês, agora também.
12 setembro 2016
Deus.
Com o som dos sapatos
Ecoando contra o asfalto
Caminho sem rumo certo pela madrugada
Pelo meio da rua
Imaginando quando tudo irá acabar
Muito embora não tenha registro
De um começo.
As lojas fechadas são fantasmas
Memórias físicas de amores proibidos
E de pesadelos psicodélicos.
Eu não me abalo mais com nada
O fogo vermelho e azul já não incomoda.
Eu me entreguei
Sou dos demônios, o senhor
E dos anjos, o criador.
Tenho minha própria força de destruir e também
De ser destruído.
Eu sou tudo que jamais pensei que me tornaria
E nada do que queria ser
O som dos sapatos ecoa
E eu entendo que sou e serei sempre
Dotado de impaciência
E solidão.
Ecoando contra o asfalto
Caminho sem rumo certo pela madrugada
Pelo meio da rua
Imaginando quando tudo irá acabar
Muito embora não tenha registro
De um começo.
As lojas fechadas são fantasmas
Memórias físicas de amores proibidos
E de pesadelos psicodélicos.
Eu não me abalo mais com nada
O fogo vermelho e azul já não incomoda.
Eu me entreguei
Sou dos demônios, o senhor
E dos anjos, o criador.
Tenho minha própria força de destruir e também
De ser destruído.
Eu sou tudo que jamais pensei que me tornaria
E nada do que queria ser
O som dos sapatos ecoa
E eu entendo que sou e serei sempre
Dotado de impaciência
E solidão.
Poente.
Sozinho em meu quarto observo
As rachaduras macabras dos móveis
E minha respiração me atormenta
Com flashes de vidas passadas.
Eu me encolho na cama
E os quadros pendurados sussurram
Um convite a andar pela casa
E em meus passos sonâmbulos
Percebo e me compadeço
A casa vai me engolir
E nela vou perecer
E não há nada que eu possa fazer
Contra isso.
As rachaduras macabras dos móveis
E minha respiração me atormenta
Com flashes de vidas passadas.
Eu me encolho na cama
E os quadros pendurados sussurram
Um convite a andar pela casa
E em meus passos sonâmbulos
Percebo e me compadeço
A casa vai me engolir
E nela vou perecer
E não há nada que eu possa fazer
Contra isso.
Gema.
Sob a luz do sol e as nuvens do céu azul
A noite cresce infinita dentro de mim
Vejo somente as pétalas caírem
Junto das penas de minhas asas
Outrora fortes e ansiosas.
Nada além do perfeito me foi confiado
Sendo assim não tenho nada
E o sangue de meus dedos estáticos
Mancha o caminho que um dia trilhei
Entre lembranças assustadoras
Terra árida, cicatrizes
Espelhos quebrados, suicídios
Vozes desconhecidas, vícios incontroláveis
E morte.
A noite cresce infinita dentro de mim
Vejo somente as pétalas caírem
Junto das penas de minhas asas
Outrora fortes e ansiosas.
Nada além do perfeito me foi confiado
Sendo assim não tenho nada
E o sangue de meus dedos estáticos
Mancha o caminho que um dia trilhei
Entre lembranças assustadoras
Terra árida, cicatrizes
Espelhos quebrados, suicídios
Vozes desconhecidas, vícios incontroláveis
E morte.
10 setembro 2016
A Linda Garota e a Rosa.
Havia uma garota.
Uma linda e sensível garota. Ela caminhava por campos de grama verde com um céu azul celeste a sua frente, contemplando tuas nuvens brancas de paz.
A linda garota tinha a mais bela paisagem para observar, o clima era leve e gentil para ela. Pois o mundo lhe era grato por existir.
Mas em algum lugar dentro de seus olhos, era possível notar o frio que seu coração emanava. A linda garota não queria mais caminhar.
Portanto parou e olhou para trás, e viu o céu mudar para azul turquesa enquanto estrelas despontavam no lugar das nuvens, com a lua brilhando ternamente.
No meio de um dia perfeito e de uma noite maravilhosa, a linda garota sentou-se e cruzou as pernas, sentindo a relva fresca entre as mãos.
Suspirou lentamente, ajeitando os cabelos e olhando a divisão da noite para o dia, exatamente em cima de onde ela estava sentada.
- O que houve, linda garota? – Perguntou-lhe o sol.
- Por que parou de andar? – Completou a lua.
A linda garota não olhou para nenhum dos dois astros, mas ouviu suas perguntas, e lágrimas parecidas com gotas de orvalho brotaram-lhe aos olhos.
- Eu perdi minha rosa, minha única rosa. – Ela disse entre pequenos soluços. – Ela estava no bolso do meu vestido, mas agora ela sumiu.
- Eu posso lhe dar calor e alegria. – Disse o sol.
- Eu lhe darei minha mais brilhante estrela. – Bajulou a lua.
Mas tudo que a linda garota fez foi continuar sentada, sem expressar a menor felicidade em seu rostinho amável. Ela tinha medo de ir em frente e esquecer de sua rosa, porém não queria voltar e não conseguir encontrá-la.
E assim a linda garota ficou entre o dia e a noite, triste e silenciosa. Durante três dias inteiros ela permaneceu ali. E cada vez que o sol ou a lua imperavam no horizonte a sua frente, tentavam fazer com que ela seguisse, sem sucesso. Mas o vento notou que tua admiradora, antes feliz e sorridente, estava sem esperança, e resolveu tentar ajudá-la.
- Olá, linda garota. Como você está indo? – Disse ele.
A linda garota levantou-se, espantada. Não reconhecia aquela voz tão diferente da voz bem humorada do sol, e da voz compreensiva da lua.
- Não se assuste, minha pequena. Não lhe farei mal algum.
- Quem está ai? – Perguntou ela, de forma cautelosa.
- Sou aquele para quem você sorria, aquele que te impulsionava e dava asas aos teus sonhos. Sou o vento, linda garota, e tenho sentido tua falta.
A linda garota procurou, mas não o viu. Fechou os olhos e prestou atenção, mas não o sentiu. Que tipo de vento não se fazia sentir ao redor?
- O vento que eu conheço era diferente...
O vento riu, e com tua voz imponente respondeu calmamente.
- Me conheces quando sopro, linda garota, mas não estou a soprar neste momento. E não estou a soprar, pois paraste de sorrir.
A linda garota sentou novamente, com lágrimas de orvalho voltando a enfeitar os olhos. Mas o vento era esperto, e assim falou novamente.
- Sei o que te aflige, linda garota. E sei como ajudar-te.
- Como? – Ela perguntou.
- O sol e a lua são tão antigos quanto eu, mas só veem o mundo lá de cima. Eu, porém, sou um viajante sábio, e conheço cada canto e segredo desta terra. Posso trazer-te a flor amiga de volta.
A linda garota sentiu excitação de reencontro aquecer teus sentimentos. E sorrindo levantou, erguendo os braços para o céu, tentando abraçar o vento.
- Você pode? Você pode amigo vento? Pode mesmo?
- Posso, porém você precisa fechar os olhos. – Respondeu o vento, no alto de tua sabedoria.
A linda garota fechou os olhos e ficou imóvel, prestando atenção aos sentidos. Mas não entendia como iria ver sua rosa se estivesse de olhos fechados.
- Respire fundo, linda garota, e preste atenção.
O vento não podia mover a rosa de tão longe pelo ar, mas trouxe de volta teu perfume. A linda garota respirou e sentiu o perfume de tua rosa, era como se pudesse ouvir tuas pétalas e sentir teu caule entre os dedos outra vez. O coração da linda garota acelerou, e o frio que emanava dele transformou-se em calor de saudade, de felicidade.
Ela abriu os olhos, mas ao olhar ao redor não achou tua amiga. Perplexa, ela olhou para o céu, numa expressão de dúvida. O vento porém, respondeu antes que ela pudesse dizer algo.
- Tua amiga rosa não é mais corpórea, linda garota. Porque tudo tem de seguir teu próprio caminho, mas isso não quer dizer que você a perdeu. Apenas significa que a ama e deixou que ela seguisse tua sina.
- Mas como vou conversar com ela, vento, se ela não está aqui?
- Ela está aqui. Eu trouxe de volta tua essência e teu calor. Sempre que quiser, poderá senti-la dentro do teu coração, e assim conversar com tua amiga rosa.
A linda garota sorriu, era verdade o que o vento dizia. Podia sentir que a amiga flor estava ao redor, protegendo-a da tristeza que antes lhe cortava. Assim ela percebeu que nem sempre é preciso ter algo para conhecê-lo, ver algo para amá-lo, ou falar em voz alta para conversar.
A linda garota voltou a caminhar, olhando os dias passarem entre dia e noite, seguindo o próprio caminho assim como ela sabia que tua flor também seguia.
Durante suas horas de solidão, o vento generoso sempre trazia a essência de tua amiga novamente, para que ela pudesse animar-se e manter o sorriso.
Entretanto a linda garota sabia que apesar de não vê-la, a rosa estava viva e feliz onde quer que estivesse, pois sempre podia sentir tua amiga e falar com ela em teu coração.
05 setembro 2016
Amálgama.
Te observar tão de perto foi um momento que não consigo definir com somente uma palavra, mas eu bem que gostaria. Foi um desses momentos em que as coisas param de fazer sentido, mas isso se torna menos importante do que uma gota em uma cachoeira. Seu olhar parecia fazer tudo mais leve do que realmente é, e por um momento a gravidade se desfez, por um momento me desprendi e não senti medo. Ouvi sua voz, observei seu sorriso. Tão natural, tão confortável como a noite morna, e debaixo de um céu noturno com estrelas coloridas eu presenciei você e toda a beleza que, eu sabia, só você podia emanar daquela forma tão essencial. Eu saí do barulho, das pessoas, saí de meu coração pra deixar você preenchê-lo com as borboletas que você conseguia criar só com o som de sua risada. Eu observei cada fresta de luz que você deixou no ar com seus movimentos delicados e sinceros. Olhos castanhos, afáveis, amendoados. Eu segurei sua mão e me deixei levar, deixei você voar e flutuei contigo, e o mundo era meu abrigo, mas cada passo sobre as nuvens me faziam notar que eu não precisaria de um abrigo estando em sua companhia. Porque você era incalculável, indescritível, o único momento de uma realidade mais real que a do acordar. Um segundo a mais e você era um anjo, que num abraço cheio de calma, me envolveu com tuas asas e desceu ao chão numa espiral doce e gentil, em sua própria coreografia, da qual eu tomava parte sem saber que o fazia. Era você de quem fazia sentido realmente estar perto. Ilusória e tão real quanto o fôlego que escapava dos meus pulmões. Uma fusão, pensei. Seria... uma amálgama. Te observar tão de perto foi um momento que eu não conseguia definir somente com um palavra. Agora eu consigo. Amálgama, que à partir desse momento, terá sempre como sinônimo o teu nome.
02 setembro 2016
Avalanche.
"Cut me open and tell me what's inside
Diagnose me 'cause I can’t keep wondering why
And no it's not a phase 'cause it happens all the time
Start over, check again, now tell me what you find
'Cause I'm going out of frequency
Can anyone respond?
It's like an avalanche
I feel myself go under
'Cause the weight of it's like hands around my neck
I never stood a chance
My heart is frozen over
And I feel like I am treading on thin ice
Am I broken? What's the chance I will survive?
Don't sugarcoat me, 'cause I feel like suicide
Just give it to me straight 'cause I'm running out of time
I need an antidote now, what can you prescribe?
It's like an avalanche
I feel myself go under
'Cause the weight of it's like hands around my neck
I never stood a chance
My heart is frozen over
And I feel like I am treading on thin ice
And I'm going under
I need a cure for me 'cause a square doesn't fit the circle
Give me a remedy 'cause my head wasn't wired for this world
I need a cure for me 'cause a square doesn't fit the circle
Give me a remedy 'cause my head wasn't wired for this world
I'm going out of frequency
Can anyone respond?
'Cause I'm going out of frequency
Can anyone respond?
It's like an avalanche
I feel myself go under
'Cause the weight of it's like hands around my neck
I never stood a chance
My heart is frozen over
And I feel like I am treading on thin ice
And I'm going under
I need a cure for me 'cause a square doesn't fit the circle
Give me a remedy 'cause my head wasn't wired for this world
I need a cure for me 'cause a square doesn't fit the circle
Give me a remedy 'cause when it hits, well it hits like an avalanche"
.
.
Bring Me The Horizon
Diagnose me 'cause I can’t keep wondering why
And no it's not a phase 'cause it happens all the time
Start over, check again, now tell me what you find
'Cause I'm going out of frequency
Can anyone respond?
It's like an avalanche
I feel myself go under
'Cause the weight of it's like hands around my neck
I never stood a chance
My heart is frozen over
And I feel like I am treading on thin ice
Am I broken? What's the chance I will survive?
Don't sugarcoat me, 'cause I feel like suicide
Just give it to me straight 'cause I'm running out of time
I need an antidote now, what can you prescribe?
It's like an avalanche
I feel myself go under
'Cause the weight of it's like hands around my neck
I never stood a chance
My heart is frozen over
And I feel like I am treading on thin ice
And I'm going under
I need a cure for me 'cause a square doesn't fit the circle
Give me a remedy 'cause my head wasn't wired for this world
I need a cure for me 'cause a square doesn't fit the circle
Give me a remedy 'cause my head wasn't wired for this world
I'm going out of frequency
Can anyone respond?
'Cause I'm going out of frequency
Can anyone respond?
It's like an avalanche
I feel myself go under
'Cause the weight of it's like hands around my neck
I never stood a chance
My heart is frozen over
And I feel like I am treading on thin ice
And I'm going under
I need a cure for me 'cause a square doesn't fit the circle
Give me a remedy 'cause my head wasn't wired for this world
I need a cure for me 'cause a square doesn't fit the circle
Give me a remedy 'cause when it hits, well it hits like an avalanche"
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Bring Me The Horizon
24 agosto 2016
Das Coisas Que Me Pesam Mais Que O Choro.
Eu não tenho vontade de fazer nada. Muitas vezes deixo as coisas de lado simplesmente porque nenhuma delas me faz querer ir além disso. Vou passando pelos dias sem dar muita importância e sentindo uma culpa gigantesca sobre os ombros. Eu queria ser melhor, ter pra onde ir. Eu nunca temi o cansaço do esforço, mas apenas não consigo aplicar esforço real se nada me impulsiona de verdade. Um dia, aos 18 anos mais ou menos, eu cheguei à conclusão de que meu maior talento é ser razoável em boa parte do que eu tentar. Acho que essa é maior prova de que não encontrei seja lá o que se deve ser encontrado pra evoluir. Eu tive um sonho. Somente um. Quando ele morreu acho que eu morri junto. Falo sério. E por favor, parem, isso não é só questão de olhar ao redor e "achar algo que você goste de fazer". Na minha concepção, não existe fórmula pra isso, eu já tentei seguir rumos diferentes, não é fidedigno. Tento encontrar meu valor nesse mundo, mas parece que estarei destinado a vagar, fingindo existir, convivendo com minha solidão, e sempre negando cuspir esse veneno que me enche os pulmões cada vez que me olham e aconselham, achando, pensando, supondo, mas principalmente; falando, e falando, e falando. Eu estou cansado de ser um imenso fracasso, mas sem minha própria resposta, de que adianta? Se eu - que sei mais de mim do que todos ao redor - não posso alterar minha constante, quem pode? Não pode. Ninguém pode. Parem. Suas palavras mal escritas e atravessadas só fazem enegrecer minha escuridão. Por favor, se afastem, ou eu afastarei cada um de vocês, nem que seja à força. Eu não tenho vontade de fazer nada. E estou, dia após dia, me fechando. Não posso evitar, a vista vai sumindo, a vida vai turvando. O tempo vai vencendo, meu ar está acabando...
20 julho 2016
Sobre As Coisas De Mim Para Eu Mesmo.
Pode parecer que não, mas eu me esforço. Em certas coisas eu apenas faço meu melhor. Mas parece que não é suficiente. Estou decepcionado comigo, e com um pouco de tudo. Parece que nada funciona, nada dá certo. Acho que devo ter algum problema, algum defeito tão profundo que não consigo sequer ter dimensão da raiz. Quem dera se isso desse certo. Não dá. Nunca deu. Acordado sou um sonâmbulo, dormindo sou presa de minha própria mente. Não há paz, e estou me sentindo incapaz. Estou cansado. Não sei lidar com esse fardo. Não deixo a ferida cicatrizar, sempre tenho que abrir e ver sangrar. Tenho que admitir, é tão certo quanto a existência do ar, estou perdido, não sei como (sobre)viver e acreditar.
"E não há nada ou ninguém que diga que ele é assim. Por fora tudo está tão bem, por dentro o choro não tem fim. E hoje ele está tentando implantar memórias de um passado que não é real, pra amenizar a dor de aceitar, que tudo que ele fez pra ser alguém normal, não serviu."
"E não há nada ou ninguém que diga que ele é assim. Por fora tudo está tão bem, por dentro o choro não tem fim. E hoje ele está tentando implantar memórias de um passado que não é real, pra amenizar a dor de aceitar, que tudo que ele fez pra ser alguém normal, não serviu."
Plágio De Um Dadaísta.
"Quando eu grito não faz barulho".
Li essa frase hoje, faz parte de um quadrinho nacional independente. Me fez pensar. Eu não sei dizer quantas vezes me senti impotente, ultrapassado, quebrado, como um daqueles videogames da primeira linha de produção que vão à venda com defeitos, e depois são recolhidos e substituídos. Infelizmente eu faço parte de um jogo real, e a dificuldade é justamente seguir com estes defeitos internos que faz com que cada um tenha a individualidade, o diferencial. É igual e diferente pra todos ao mesmo tempo. Confuso, não? Eu sei. Mas voltando a meu próprio ser, não posso desistir do jogo. Aliás, poder até posso, mas não haverá segunda chance se eu fizer isso, e os que me acompanham ficariam decepcionados, talvez até tristes com minha desistência. Aparentemente minha caminhada é importante pra eles, e só sei disso porque a deles é importante pra mim. Essas pontes e laços são intrigantes, mas não é algo que se precise explicar. Tudo que sei é que não quero apenas ir embora, e honestamente não posso dizer se é normal sentir-se assim na minha idade, mas ficar imerso nesse mundo é incômodo e entediante. Mas eu sigo. Não sou nada do que poderia ter sido e não tenho ideia do que posso ainda vir a ser, mas vou levando da melhor forma possível, de acordo com meus defeitos de fabricação. Acho que é bonito conseguir encontrar momentos e ações gratificantes ao redor, mesmo que aos tropeços, mesmo que sem ter uma ideia exata de como se faz isso. Eu acredito que tenho minhas qualidades, não sou um vazio completo. O que me faz cair em desesperança é notar que o vazio é grande, e que a desolação vem por meios ainda desconhecidos, de modo que não posso prever. Seria mais fácil se não fosse tão frequente, se eu não sentisse esse pesar entrar em meu corpo no ar que respiro, se não soubesse que me envenena por dentro. Cabe a mim encontrar uma maneira de decifrar os mistérios desse labirinto, marcá-lo de um jeito lógico, entender como ele funciona, e finalmente alcançar o conhecimento de como encontrar a beleza real por vontade própria. O caso é que se existe essa fórmula, até hoje eu não consegui descobrir. O caminho é tortuoso e cheio de armadilhas, sendo algumas mortais. E quando olho em volta, tudo que vejo é cinza, é névoa, é infertilidade. Sei que não se muda de um dia pro outro, mas nem eu e nem ninguém parece ter evoluído, e se eu chamo, não vejo retorno. Talvez seja por isso que eu escrevo, mas não divulgo. Falo, mas não converso. Vejo, mas não enxergo. Vivo, mas não existo. Os traumas das quedas ainda estão machucando. Caminhar é cansativo. E eu tentei e tentarei ainda mais. Mas é como li. Quando eu grito não faz barulho. Acho que esse vácuo é denso demais pra diluir. Caramba, quando eu grito não faz barulho. Pensa nisso.
Li essa frase hoje, faz parte de um quadrinho nacional independente. Me fez pensar. Eu não sei dizer quantas vezes me senti impotente, ultrapassado, quebrado, como um daqueles videogames da primeira linha de produção que vão à venda com defeitos, e depois são recolhidos e substituídos. Infelizmente eu faço parte de um jogo real, e a dificuldade é justamente seguir com estes defeitos internos que faz com que cada um tenha a individualidade, o diferencial. É igual e diferente pra todos ao mesmo tempo. Confuso, não? Eu sei. Mas voltando a meu próprio ser, não posso desistir do jogo. Aliás, poder até posso, mas não haverá segunda chance se eu fizer isso, e os que me acompanham ficariam decepcionados, talvez até tristes com minha desistência. Aparentemente minha caminhada é importante pra eles, e só sei disso porque a deles é importante pra mim. Essas pontes e laços são intrigantes, mas não é algo que se precise explicar. Tudo que sei é que não quero apenas ir embora, e honestamente não posso dizer se é normal sentir-se assim na minha idade, mas ficar imerso nesse mundo é incômodo e entediante. Mas eu sigo. Não sou nada do que poderia ter sido e não tenho ideia do que posso ainda vir a ser, mas vou levando da melhor forma possível, de acordo com meus defeitos de fabricação. Acho que é bonito conseguir encontrar momentos e ações gratificantes ao redor, mesmo que aos tropeços, mesmo que sem ter uma ideia exata de como se faz isso. Eu acredito que tenho minhas qualidades, não sou um vazio completo. O que me faz cair em desesperança é notar que o vazio é grande, e que a desolação vem por meios ainda desconhecidos, de modo que não posso prever. Seria mais fácil se não fosse tão frequente, se eu não sentisse esse pesar entrar em meu corpo no ar que respiro, se não soubesse que me envenena por dentro. Cabe a mim encontrar uma maneira de decifrar os mistérios desse labirinto, marcá-lo de um jeito lógico, entender como ele funciona, e finalmente alcançar o conhecimento de como encontrar a beleza real por vontade própria. O caso é que se existe essa fórmula, até hoje eu não consegui descobrir. O caminho é tortuoso e cheio de armadilhas, sendo algumas mortais. E quando olho em volta, tudo que vejo é cinza, é névoa, é infertilidade. Sei que não se muda de um dia pro outro, mas nem eu e nem ninguém parece ter evoluído, e se eu chamo, não vejo retorno. Talvez seja por isso que eu escrevo, mas não divulgo. Falo, mas não converso. Vejo, mas não enxergo. Vivo, mas não existo. Os traumas das quedas ainda estão machucando. Caminhar é cansativo. E eu tentei e tentarei ainda mais. Mas é como li. Quando eu grito não faz barulho. Acho que esse vácuo é denso demais pra diluir. Caramba, quando eu grito não faz barulho. Pensa nisso.
17 julho 2016
Sempiterno.
Eu acho que estou cansado.
Quando você nasce e cresce em meio ao caos de uma cidade grande decadente, é difícil perceber quando realmente se está cansado. Se você passa tempo demais sob a chuva, não sente mais ela cair, não ouve mais o som. É como se nunca tivesse começado, e como se nunca fosse ter fim. É desesperador, mas dormente. Passo meus dias respirando, mas tenho a impressão que é impossível fazer isso de forma lógica, compassada. Nada vai embora. As vozes na minha cabeça me condenam, mas eu tenho medo de seguir o que dizem. Não consigo me adequar, não consigo respirar. Sinto como se me fosse permitido somente vagar, sem realmente existir, uma queda tão rápida que altera minha noção de movimento, que me faz ficar parado em queda livre. É a benção mais maldita que já tive, e eu não consigo sair.
Você já tentou expelir todo o ar dos pulmões? Já tentou aspirar o máximo de ar que conseguir? É quase como um colapso, como secar em morte ou explodir em vida. Fique cheio ou vazio demais e vai se ver quebrar, despedaçar. Não há salvação, não há saída. Encha seus pulmões de ar e será como uma maldita onda gigante, que vai te arrastar e quebrar seus ossos. Não há aviso. Esvazie-os e você estará acorrentado ao chão do poço mais profundo, enquanto a chuva vai te matar lentamente. Não há esperança. O fato é que existe uma forma de atravessar o lago sombrio em que fomos atirados sem consentimento, mas eu não a conheço, eu não sei nadar. Estou no fundo do lago, mas sequer o alcancei. Estou caindo, mas continuo parado. É perpétuo. Sempiterno.
Gostaria de ter forças pra gritar até sentir minha garganta sangrar, até os olhos saltarem das órbitas, até o coração parar, mas dia após dia, passo após passo, e eu continuo ofegante. O engraçado é que realmente se torna difícil notar o estado da minha consciência inconsciente. Quando você permanece tanto tempo preso dentro do caixão de suas próprias barreiras existenciais, você simplesmente se acostuma. Mas quando se dá conta, é claustrofóbico. Eu arranho a tampa desse caixão até minhas unhas caírem, até o sangue gotejar no meu rosto e o suor escorrer testa abaixo, mas é impossível transpassar. Eu não sei mais. Continuarei seguindo, mas sentindo tudo isso dentro de mim, tenho que me corrigir.
Sim, eu estou cansado.
Quando você nasce e cresce em meio ao caos de uma cidade grande decadente, é difícil perceber quando realmente se está cansado. Se você passa tempo demais sob a chuva, não sente mais ela cair, não ouve mais o som. É como se nunca tivesse começado, e como se nunca fosse ter fim. É desesperador, mas dormente. Passo meus dias respirando, mas tenho a impressão que é impossível fazer isso de forma lógica, compassada. Nada vai embora. As vozes na minha cabeça me condenam, mas eu tenho medo de seguir o que dizem. Não consigo me adequar, não consigo respirar. Sinto como se me fosse permitido somente vagar, sem realmente existir, uma queda tão rápida que altera minha noção de movimento, que me faz ficar parado em queda livre. É a benção mais maldita que já tive, e eu não consigo sair.
Você já tentou expelir todo o ar dos pulmões? Já tentou aspirar o máximo de ar que conseguir? É quase como um colapso, como secar em morte ou explodir em vida. Fique cheio ou vazio demais e vai se ver quebrar, despedaçar. Não há salvação, não há saída. Encha seus pulmões de ar e será como uma maldita onda gigante, que vai te arrastar e quebrar seus ossos. Não há aviso. Esvazie-os e você estará acorrentado ao chão do poço mais profundo, enquanto a chuva vai te matar lentamente. Não há esperança. O fato é que existe uma forma de atravessar o lago sombrio em que fomos atirados sem consentimento, mas eu não a conheço, eu não sei nadar. Estou no fundo do lago, mas sequer o alcancei. Estou caindo, mas continuo parado. É perpétuo. Sempiterno.
Gostaria de ter forças pra gritar até sentir minha garganta sangrar, até os olhos saltarem das órbitas, até o coração parar, mas dia após dia, passo após passo, e eu continuo ofegante. O engraçado é que realmente se torna difícil notar o estado da minha consciência inconsciente. Quando você permanece tanto tempo preso dentro do caixão de suas próprias barreiras existenciais, você simplesmente se acostuma. Mas quando se dá conta, é claustrofóbico. Eu arranho a tampa desse caixão até minhas unhas caírem, até o sangue gotejar no meu rosto e o suor escorrer testa abaixo, mas é impossível transpassar. Eu não sei mais. Continuarei seguindo, mas sentindo tudo isso dentro de mim, tenho que me corrigir.
Sim, eu estou cansado.
10 julho 2016
Tango y Promesas de Amor.
Voy por el año en el 78 santa fe
Llego a tu casa y en la calle hacía mucho frio
Pasaron veinte años vas perdida en Saint Germain
Pasan los gritos por la calle te fuiste de copas
Ya no recuerdo bien cuándo fue la última vez
Atravesamos ipanema como dos extraños
Yo me perdía por la Europa de ciudad en ciudad
Vos te besabas con tu novio en nuestra Barcelona
Promesas de amor
Que el tiempo llevo de aquí allá
Seguimos en el mundo intentado todo mientras el mundo se va…
Los dos nos dimos cuenta que no daba para mas
Entre las sombras de una discoteca en Buenos Aires
Me diste fuego y esa luz fue la que ilumino
Tu rostro joven y mis ojos algo ya cansados
Promesas de amor
Que el tiempo llevo de aquí hacia allá
Amamos en el mundo peleamos en el mundo
No llevo un resto de rencor
Sos una parte de mi corazón
Yo sé, siempre fui un canalla sabes
Pero también sé que te ame
Es que me acorde del ayer Mi amor
No espero que lo entiendes, solo que quería hoy
Voy a dar un concierto y pienso en vos
Ahora si te dejo y sigo con la música
Que las palabras se me vuelven más y más confusas
Te mando besos, mil cariños y que seas feliz
Mañana que otro martes toco
Y a seguir la ruta
Promesas de amor que el tiempo
Que el tiempo llevo
Yo se que estas muy bien en otros brazos
Ya no me hagas caso
Yo me vuelvo a caminar
La noche que volves a iluminar.
Llego a tu casa y en la calle hacía mucho frio
Pasaron veinte años vas perdida en Saint Germain
Pasan los gritos por la calle te fuiste de copas
Ya no recuerdo bien cuándo fue la última vez
Atravesamos ipanema como dos extraños
Yo me perdía por la Europa de ciudad en ciudad
Vos te besabas con tu novio en nuestra Barcelona
Promesas de amor
Que el tiempo llevo de aquí allá
Seguimos en el mundo intentado todo mientras el mundo se va…
Los dos nos dimos cuenta que no daba para mas
Entre las sombras de una discoteca en Buenos Aires
Me diste fuego y esa luz fue la que ilumino
Tu rostro joven y mis ojos algo ya cansados
Promesas de amor
Que el tiempo llevo de aquí hacia allá
Amamos en el mundo peleamos en el mundo
No llevo un resto de rencor
Sos una parte de mi corazón
Yo sé, siempre fui un canalla sabes
Pero también sé que te ame
Es que me acorde del ayer Mi amor
No espero que lo entiendes, solo que quería hoy
Voy a dar un concierto y pienso en vos
Ahora si te dejo y sigo con la música
Que las palabras se me vuelven más y más confusas
Te mando besos, mil cariños y que seas feliz
Mañana que otro martes toco
Y a seguir la ruta
Promesas de amor que el tiempo
Que el tiempo llevo
Yo se que estas muy bien en otros brazos
Ya no me hagas caso
Yo me vuelvo a caminar
La noche que volves a iluminar.
10 junho 2016
Throne.
"Remember the moment
You left me alone and
Broke every promise you ever made
I was an ocean
Lost in the open
Nothing could take the pain away
So you can throw me to the wolves
Tomorrow I will come back
Leader of the whole pack
Beat me black and blue
Every wound will shape me
Every scar will build my throne
The sticks and the stones that
You used to throw have
Built me an empire, so don't even try
To cry me a river
'Cause I forgive you
You are the reason I still fight
I'll leave you choking
On every word you left unspoken
Rebuild all that you've broken
And now you know...
Every wound will shape me
Every scar will build my throne
So you can throw me to the wolves
Tomorrow I will come back
Leader of the whole pack
Beat me black and blue
Every wound will shape me
Every scar will build my throne"
.
.
Bring Me The Horizon
You left me alone and
Broke every promise you ever made
I was an ocean
Lost in the open
Nothing could take the pain away
So you can throw me to the wolves
Tomorrow I will come back
Leader of the whole pack
Beat me black and blue
Every wound will shape me
Every scar will build my throne
The sticks and the stones that
You used to throw have
Built me an empire, so don't even try
To cry me a river
'Cause I forgive you
You are the reason I still fight
I'll leave you choking
On every word you left unspoken
Rebuild all that you've broken
And now you know...
Every wound will shape me
Every scar will build my throne
So you can throw me to the wolves
Tomorrow I will come back
Leader of the whole pack
Beat me black and blue
Every wound will shape me
Every scar will build my throne"
.
.
Bring Me The Horizon
31 maio 2016
Das Coisas Que Falei Pelo Acalento.
Não sei dizer quantas vezes me senti assim, mas esse sou eu. O barulho da chuva lá fora transborda aqui dentro, enche o vazio, mas o eco continua alto, ensurdecedor. Eu vejo meus detalhes em cada uma das palavras que se formam, elas me acompanham junto com toda a tristeza que eu puder levar, e dessa eu encho os bolsos e a alma sem sequer piscar. A escuridão se faz necessária sem querer, eu descobri que não sei andar sob o sol. Talvez o excesso de claridade me incomode. Talvez eu apenas tenha medo de encarar a realidade que essa luz vai me mostrar. Na escuridão reina o frio, e esse dói. Se infiltra nos ossos, causa as pontadas e os tremores, insiste na crueldade e nos temores, mas permanecendo em trevas eu dou cada passo com a ilusão de algo que provavelmente não existe, e essa ilusão me carrega quando as pernas estão cansadas. Não sei se quero a claridade pra mostrar que fracassei, pra me cegar entre os amores que enterrei. Esses, aliás, eu devia ter aprendido que não sei lidar. Sou indefinido, imperfeito, disforme e ainda assim gigantesco em meus trejeitos invisíveis. Esse sou eu, um andarilho solitário, e aprendiz da madrugada, compreendo mais uma vez que minha capacidade padece no saber, pois notei que diferente da chuva, meu coração é sólido. De certa forma, não possui a simplicidade de caber.
30 maio 2016
Inevitável.
Hoje usei a palavra inevitabilidade numa conversa. À partir do segundo em que a proferi senti uma inquietação no cérebro. Como uma coceira, um formigamento. Pareceu um tipo de aviso do meu próprio ser para as coisas que digo. Hipocrisia. Depois de algumas horas, ainda com um gosto amargo na boca, quase como um efeito colateral, eu percebi que alertei quanto a algo que teimo a ignorar dia após dia. A inevitabilidade. Continuo teimando em negar meus instintos, e assim a inevitabilidade me atinge sempre. De novo e de novo, um maldito círculo onde eu sou devorado por minhas próprias negligências. Eis me aqui, tão confuso quanto alguns, mais perdido que muitos, tão longe de alcançar a superfície quanto qualquer outro. Ainda assim ousei falar de inevitabilidade como se eu entendesse de alguma fagulha que seja dessa fogueira viva. Me queimei e vou continuar me queimando. Isso sim é o conceito da inevitabilidade. Que me sirva de lição.
24 maio 2016
Horas De Uma Noite Qualquer.
Faz frio aqui dentro. Posso sentir cada uma das rachaduras no assoalho me observando com olhos secretos, pesados e inexistentes. Faz anos que me sinto assim, devo estar ficando paranóico. Sentado de modo a parecer confortável, vejo a foto de uma mulher em um dos quadros na parede. A lembrança dela é uma farpa sangrenta no meu cérebro, deve ser essa a causa das dores de cabeça tão frequentes. Droga, eu estou velho demais pra agir desse jeito. Sou um desajustado.
Estou cansado disso. Apago as luzes, visto a roupa mais quente, pego cigarros, meu isqueiro, todos os meus arrependimentos e saio. Não sei pra onde ir, só quero caminhar. Eu sou um idiota. Acendo um cigarro na noite densa, a culpa se acumulando sobre meus ombros. Diabos, esqueci das luvas. Tudo bem, por algum motivo o corpo não parece reclamar tanto, talvez não esteja tão frio assim, talvez minha temperatura esteja mais baixa, igual minha pressão, não sei, mas o frio é suportável. A cada trago vejo a fumaça dançar de forma imprevisível no ar. Ela odiava o cheiro do cigarro, me lembro. Céus, quando foi que fiquei assim? Acho que nunca me decepcionara tanto comigo mesmo quanto agora. Eu afundava cada dia mais, sem nenhuma perspectiva de melhora, de salvação. Conforme meus passos avançam a escuridão aumenta. Mais um cigarro, só a brasa me ilumina mais do que a luz morta das estrelas agora. Percebo uma mudança no relevo do chão. O som a cada passo mudou. Estou na ponte. Que diabos vim fazer na ponte? Tanto faz, só quero caminhar. Acendo mais um cigarro e continuo atravessando vagarosamente, ouvindo o ranger agourento sob meus pés. Lá pelo meio da travessia ouço um estalo mais alto, o chão some e eu sou sugado, tateando as cegas na fração de um segundo inevitável. Um silêncio curto de queda livre e um baque no rio macabro. Abro os olhos embaixo da água gélida e sombria, mas não vejo nada. Agora o frio perfura meu corpo como facas. Tento me debater e chegar a superfície, sem sucesso. O coração bate rápido. Passaram os anos e eu não aprendi a nadar, sou um inútil mesmo. A cada movimento fico mais lento, ou o rio estaria ficando mais denso? Eu não sabia dizer, tudo que sabia é que o ar estava quase extinto nos pulmões. Talvez eu morra aqui. Droga, o maço no meu bolso já deve ter sido inutilizado. Ao menos disso ela poderia sorrir, sempre odiou que eu fumasse, pensei, isso teria de bastar pra me tornar alguém melhor.
E de repente uma calma me atingiu. Parei de me debater, parei de sentir frio. Deixei a correnteza escura me levar. Deixei a água entrar pelo nariz. Tossi, senti a visão turvar. Diabos, estava doendo. Pelo menos eu não sentia mais frio. Não havia do que reclamar agora. Nem haveria mais.
Estou cansado disso. Apago as luzes, visto a roupa mais quente, pego cigarros, meu isqueiro, todos os meus arrependimentos e saio. Não sei pra onde ir, só quero caminhar. Eu sou um idiota. Acendo um cigarro na noite densa, a culpa se acumulando sobre meus ombros. Diabos, esqueci das luvas. Tudo bem, por algum motivo o corpo não parece reclamar tanto, talvez não esteja tão frio assim, talvez minha temperatura esteja mais baixa, igual minha pressão, não sei, mas o frio é suportável. A cada trago vejo a fumaça dançar de forma imprevisível no ar. Ela odiava o cheiro do cigarro, me lembro. Céus, quando foi que fiquei assim? Acho que nunca me decepcionara tanto comigo mesmo quanto agora. Eu afundava cada dia mais, sem nenhuma perspectiva de melhora, de salvação. Conforme meus passos avançam a escuridão aumenta. Mais um cigarro, só a brasa me ilumina mais do que a luz morta das estrelas agora. Percebo uma mudança no relevo do chão. O som a cada passo mudou. Estou na ponte. Que diabos vim fazer na ponte? Tanto faz, só quero caminhar. Acendo mais um cigarro e continuo atravessando vagarosamente, ouvindo o ranger agourento sob meus pés. Lá pelo meio da travessia ouço um estalo mais alto, o chão some e eu sou sugado, tateando as cegas na fração de um segundo inevitável. Um silêncio curto de queda livre e um baque no rio macabro. Abro os olhos embaixo da água gélida e sombria, mas não vejo nada. Agora o frio perfura meu corpo como facas. Tento me debater e chegar a superfície, sem sucesso. O coração bate rápido. Passaram os anos e eu não aprendi a nadar, sou um inútil mesmo. A cada movimento fico mais lento, ou o rio estaria ficando mais denso? Eu não sabia dizer, tudo que sabia é que o ar estava quase extinto nos pulmões. Talvez eu morra aqui. Droga, o maço no meu bolso já deve ter sido inutilizado. Ao menos disso ela poderia sorrir, sempre odiou que eu fumasse, pensei, isso teria de bastar pra me tornar alguém melhor.
E de repente uma calma me atingiu. Parei de me debater, parei de sentir frio. Deixei a correnteza escura me levar. Deixei a água entrar pelo nariz. Tossi, senti a visão turvar. Diabos, estava doendo. Pelo menos eu não sentia mais frio. Não havia do que reclamar agora. Nem haveria mais.
16 abril 2016
Lembrança Da Rotina.
Durante a tarde, com o Sol batendo no rosto, ouço as músicas com meus fones de ouvido e tudo ao redor emudece. Eu fumo meu cigarro e meus passos ganham trilha sonora. Fico olhando os detalhes desse mesmo trajeto que faço todos os dias, e com isso acabo familiarizado a alguns rostos pontuais. Eu sempre passo por algumas cerejeiras, vejo nuvens no céu azul e cinza, e o tempo para. Eu fico ali caminhando e não estou mais ali. A trilha sonora some. De repente o meu caminho é somente algo que eu observo dentro de um globo de vidro na palma da minha mão, que treme, meio de anemia, meio de medo. Eu apago em consciência e tudo acaba perdendo o significado. "Podia acabar tudo junto com o último trago do meu cigarro, a gente pode ser só o tabaco perto do filtro, e o Sol é a brasa queimando, aproximando... um dia terminam o cigarro, jogam a gente no chão e acaba tudo com a sola de um sapato amassando a guimba, um di..." e eu volto. O tempo passa de novo, a trilha sonora volta, e eu tô na frente do trabalho, cumprimentando alguém enquanto entro pra mais um expediente. Eu guardo minhas coisas no meu armário, passo meu crachá na catraca e esqueço. E no outro dia tudo volta de algum outro jeito. Eu devo ser retardado, eu acho.
15 março 2016
Von...
Von. Palavra islandesa que significa Esperança.
Talvez isso tenha morrido dentro de mim, talvez em alguma parte do caminho eu tenha perdido definitivamente esse sentimento que renova a vontade de seguir em frente pelas próprias pernas. Faz muito tempo que sou alguém triste na essência, mas eu não lembrava de já ter pesado tanto a amargura dentro do peito como agora. Os dias parecem iguais, como se fossem feitos de plástico, saídos de uma fábrica de produção em massa. Hoje até perdi a vontade de me fazer entender por poesia ou lirismo. Hoje estou só despejando cada palavra que me inunda o ser pra que eu não enlouqueça. Pra que eu não ponha uma maldita bala na cabeça.
Todos os dias eu tento não pensar na grande melancolia que me invade, e às vezes até consigo, mas isso é raro demais. É como se eu fosse um sonâmbulo, andando, fazendo coisas, comendo, pensando em horários, prazos, derrotas. Me sinto estagnado, como uma mancha de sangue seco, ultrapassado, obsoleto, esmagado pelo peso dos meus próprios pensamentos. Queria conseguir ser mais do que somente uma enganação, um embuste, queria conseguir não precisar de cada uma dessas palavras pra não surtar lá fora. Não consigo, eu sou assim. Sou assim e não sei mudar isso. Juro, já tentei, na verdade tentei até demais. Não é quem sou.
Isso me dilacera, mas ao fim das contas tudo que posso fazer é seguir meus dias, muito embora eu não tenha esperança de mudança. Não importa qual aspecto da minha vida eu tento melhorar, nada se encaixa, nada faz sentido, eu sou uma grande bagunça, um mentiroso clássico, tentando fugir das verdades que continuam me perseguindo a cada passo. Verdades essas que dizem, entre tantas outras coisas, que uma certa palavra islandesa está cada vez mais distante de mim. "Por favor alguém me ajude". Não... eu sei que só eu posso me ajudar. E esse é o problema.
Von.
Talvez isso tenha morrido dentro de mim, talvez em alguma parte do caminho eu tenha perdido definitivamente esse sentimento que renova a vontade de seguir em frente pelas próprias pernas. Faz muito tempo que sou alguém triste na essência, mas eu não lembrava de já ter pesado tanto a amargura dentro do peito como agora. Os dias parecem iguais, como se fossem feitos de plástico, saídos de uma fábrica de produção em massa. Hoje até perdi a vontade de me fazer entender por poesia ou lirismo. Hoje estou só despejando cada palavra que me inunda o ser pra que eu não enlouqueça. Pra que eu não ponha uma maldita bala na cabeça.
Todos os dias eu tento não pensar na grande melancolia que me invade, e às vezes até consigo, mas isso é raro demais. É como se eu fosse um sonâmbulo, andando, fazendo coisas, comendo, pensando em horários, prazos, derrotas. Me sinto estagnado, como uma mancha de sangue seco, ultrapassado, obsoleto, esmagado pelo peso dos meus próprios pensamentos. Queria conseguir ser mais do que somente uma enganação, um embuste, queria conseguir não precisar de cada uma dessas palavras pra não surtar lá fora. Não consigo, eu sou assim. Sou assim e não sei mudar isso. Juro, já tentei, na verdade tentei até demais. Não é quem sou.
Isso me dilacera, mas ao fim das contas tudo que posso fazer é seguir meus dias, muito embora eu não tenha esperança de mudança. Não importa qual aspecto da minha vida eu tento melhorar, nada se encaixa, nada faz sentido, eu sou uma grande bagunça, um mentiroso clássico, tentando fugir das verdades que continuam me perseguindo a cada passo. Verdades essas que dizem, entre tantas outras coisas, que uma certa palavra islandesa está cada vez mais distante de mim. "Por favor alguém me ajude". Não... eu sei que só eu posso me ajudar. E esse é o problema.
Von.
09 março 2016
Cor De Madeira.
Eu gostaria de te contar a história dos olhos que mudaram meu mundo.
Lembro-me que passava meus dias evitando olhares, eles não eram relevantes de forma alguma, eu não acreditava na necessidade de me conectar dessa forma, ao menos não verdadeiramente. Me incomodava o fato de tentarem enxergar minha alma e coração através dos meus olhos tão amargurados. Era impensável, algo distante demais. Eu me escondia e gostava disso. Mas um dia conheci uma garota, e sabe, era uma linda garota, de voz suave e agitada ao mesmo tempo. Eu achava intrigante o fato de ela falar tanto sobre si mesma, e tirar do baú grande parte dos próprios segredos. Eu achava intrigante porque eu não falava sobre mim, não era nem de longe uma troca de confidências, e eu achava aquilo absurdo de certa forma. "Como pode alguém se expor tanto assim?" eu me perguntava. Embora eu não falasse mais que o superficial sobre mim, ela não parecia se importar, e continuava gostando da minha companhia, e continuava mostrando detalhes de suas próprias linhas. Ela não era uma ameaça, na verdade parecia me fazer muito bem, e percebi que honestamente gostava de sua companhia. Foi quando, meio que sem querer, comecei a compartilhar minhas linhas com ela também. A essa altura eu não me preocupava mais em manter uma distância segura, e um dia, sem receio algum, olhei verdadeiramente em seus olhos. Foi um momento atemporal. Foi impressionante. O que vi mudou minha percepção sobre ela, e sobre eu mesmo. Um calor gentil escapava das frestas de suas expressões, era algo natural, algo raro. Eu via força e coragem no tom amadeirado de seus olhos, exatamente como uma árvore que se mantém de pé diante do vento, estação após estação. Eu via beleza, delicadeza e graciosidade, assim como flores, assim como um dia de Primavera. Naquele momento percebi que ela seria minha flor de cerejeira. Cada traço de seus olhares transmitiam o esplendor de sua existência, e até hoje eu fico fascinado com a forma que o olhar dela causa sensações tão imparáveis. Me perco na profundidade cor de madeira, sempre tão bela e reluzente, cheia de vida. Me apaixonei por cada detalhe, cada contraste, cada nuance. Me apaixonei por cada gesto, cada riso, cada passo. Eu queria estar ali pra ela durante a minha eternidade, e queria que ela permanecesse pelo tempo que quisesse. Eu soube ali que jamais seria o mesmo, que meu mundo tinha mudado para sempre. Torcia pra que ela quisesse ficar pra sempre também. Eu sabia que desejar tudo isso seria, no mínimo, imprudente, e que eu tinha aberto todas as minhas defesas e camadas. Deveria ser inquietante, mas...
Pela primeira vez me senti em paz com a ideia.
Lembro-me que passava meus dias evitando olhares, eles não eram relevantes de forma alguma, eu não acreditava na necessidade de me conectar dessa forma, ao menos não verdadeiramente. Me incomodava o fato de tentarem enxergar minha alma e coração através dos meus olhos tão amargurados. Era impensável, algo distante demais. Eu me escondia e gostava disso. Mas um dia conheci uma garota, e sabe, era uma linda garota, de voz suave e agitada ao mesmo tempo. Eu achava intrigante o fato de ela falar tanto sobre si mesma, e tirar do baú grande parte dos próprios segredos. Eu achava intrigante porque eu não falava sobre mim, não era nem de longe uma troca de confidências, e eu achava aquilo absurdo de certa forma. "Como pode alguém se expor tanto assim?" eu me perguntava. Embora eu não falasse mais que o superficial sobre mim, ela não parecia se importar, e continuava gostando da minha companhia, e continuava mostrando detalhes de suas próprias linhas. Ela não era uma ameaça, na verdade parecia me fazer muito bem, e percebi que honestamente gostava de sua companhia. Foi quando, meio que sem querer, comecei a compartilhar minhas linhas com ela também. A essa altura eu não me preocupava mais em manter uma distância segura, e um dia, sem receio algum, olhei verdadeiramente em seus olhos. Foi um momento atemporal. Foi impressionante. O que vi mudou minha percepção sobre ela, e sobre eu mesmo. Um calor gentil escapava das frestas de suas expressões, era algo natural, algo raro. Eu via força e coragem no tom amadeirado de seus olhos, exatamente como uma árvore que se mantém de pé diante do vento, estação após estação. Eu via beleza, delicadeza e graciosidade, assim como flores, assim como um dia de Primavera. Naquele momento percebi que ela seria minha flor de cerejeira. Cada traço de seus olhares transmitiam o esplendor de sua existência, e até hoje eu fico fascinado com a forma que o olhar dela causa sensações tão imparáveis. Me perco na profundidade cor de madeira, sempre tão bela e reluzente, cheia de vida. Me apaixonei por cada detalhe, cada contraste, cada nuance. Me apaixonei por cada gesto, cada riso, cada passo. Eu queria estar ali pra ela durante a minha eternidade, e queria que ela permanecesse pelo tempo que quisesse. Eu soube ali que jamais seria o mesmo, que meu mundo tinha mudado para sempre. Torcia pra que ela quisesse ficar pra sempre também. Eu sabia que desejar tudo isso seria, no mínimo, imprudente, e que eu tinha aberto todas as minhas defesas e camadas. Deveria ser inquietante, mas...
Pela primeira vez me senti em paz com a ideia.
04 março 2016
100 Razões.
1 - Amigável
2 - Carinhosa
3 - Gentil
4 - Amorosa
5 - Forte
6 - Linda
7 - Deslumbrante
8 - Honesta
9 - Inteligente
10 - Cheirosa
11 - Estilosa
12 - Sensitiva
13 - Otimista
14 - Calorosa
15 - Compreensiva
16 - Ciumenta
17 - Comunicativa
18 - Sensata
19 - Envolvente
20 - Sexy
21 - Culta
22 - Corajosa
23 - Humilde
24 - Sensível
25 - Divertida
26 - Delicada
27 - Maravilhosa
28 - Atenciosa
29 - Interessante
30 - Realista
31 - Imprevisível
32 - Dinâmica
33 - Inesquecível
34 - Independente
35 - Sonhadora
36 - Batalhadora
37 - Tentadora
38 - Feliz
39 - Inspiradora
40 - Prática
41 - Geniosa
42 - Sorridente
43 - Aconchegante
44 - Nostálgica
45 - Virtuosa
46 - Presente
47 - Sentimental
48 - Solícita
49 - Charmosa
50 - Incrível
E essas são 50 razões pelas quais eu te amo. Agora vamos pra outras 50.
51 - O jeito que você arruma o cabelo.
52 - Sua coçadinha no nariz
53 - O som da sua voz
54 - Sua risada
55 - A cor dos seus olhos
56 - O modo que você faz biquinho quando está indecisa
57 - O seu olhar que passa de surpreso para sedutor em poucos segundos
58 - A forma que você faz tudo ficar mais bonito mesmo sem querer
59 - As boas lembranças que você é capaz de trazer
60 - Sua pequena cicatriz acima do olho esquerdo
61 - Seu jeito tímido e ao mesmo tempo tão confiante
62 - Seu sorriso sempre tão leve
63 - O modo que você bate na palma da minha mão com o dedo
64 - Suas tatuagens
65 - Seu abraço tão cheio de saudade
66 - O jeito que as coisas parecem tão simples quando estou com você
67 - As sardas no seu rosto
68 - Seu jeito de se vestir
69 - A forma que você me fez admirar o Natal sem querer
70 - Suas fotos
71 - A cumplicidade que você sempre demonstra
72 - O modo em que você faz qualquer assunto ser interessante de ouvir
73 - Seu modo apaixonado de viver pequenos momentos
74 - O jeito que você dorme
75 - A pedra do seu signo que me deu de presente
76 - Seu esforço pra lidar com meu jeito introspectivo
77 - Os poemas que seus detalhes me deram a chance de criar
78 - O modo que sua existência marcou uma música pra mim
79 - A confiança que você sempre transmitiu em minhas confidências
80 - As semelhanças e as diferenças que temos
81 - Sua lealdade
82 - A forma que você me aceita do jeito que sou
83 - O seu nariz um tiquinho arrebitado na ponta
84 - Sua vaidade tão cheia de significado
85 - Sua confiança em mim
86 - Sua aceitação aos meus elogios e o jeito que você não me recrimina por fazê-los
87 - Sua intelectualidade
88 - Seus ideais
89 - Seu gênio forte, porém justo
90 - As linhas delicadas do seu rosto
91 - Suas pernas tão atraentes
92 - O respeito que tem por mim, mas principalmente por si mesma
93 - Seus valores
94 - Suas pintinhas gêmeas
95 - Seus tranquinhos durante o sono
96 - Seu modo incondicional de amar o que quer que seja
97 - Sua preocupação com aqueles que te fazem bem
98 - O seu nome
99 - Nossos anos de amizade
E finalmente, o mais simples de todos...
100 - O fato de que você é simplesmente você, e nada é mais importante que isso pra mim.
2 - Carinhosa
3 - Gentil
4 - Amorosa
5 - Forte
6 - Linda
7 - Deslumbrante
8 - Honesta
9 - Inteligente
10 - Cheirosa
11 - Estilosa
12 - Sensitiva
13 - Otimista
14 - Calorosa
15 - Compreensiva
16 - Ciumenta
17 - Comunicativa
18 - Sensata
19 - Envolvente
20 - Sexy
21 - Culta
22 - Corajosa
23 - Humilde
24 - Sensível
25 - Divertida
26 - Delicada
27 - Maravilhosa
28 - Atenciosa
29 - Interessante
30 - Realista
31 - Imprevisível
32 - Dinâmica
33 - Inesquecível
34 - Independente
35 - Sonhadora
36 - Batalhadora
37 - Tentadora
38 - Feliz
39 - Inspiradora
40 - Prática
41 - Geniosa
42 - Sorridente
43 - Aconchegante
44 - Nostálgica
45 - Virtuosa
46 - Presente
47 - Sentimental
48 - Solícita
49 - Charmosa
50 - Incrível
E essas são 50 razões pelas quais eu te amo. Agora vamos pra outras 50.
51 - O jeito que você arruma o cabelo.
52 - Sua coçadinha no nariz
53 - O som da sua voz
54 - Sua risada
55 - A cor dos seus olhos
56 - O modo que você faz biquinho quando está indecisa
57 - O seu olhar que passa de surpreso para sedutor em poucos segundos
58 - A forma que você faz tudo ficar mais bonito mesmo sem querer
59 - As boas lembranças que você é capaz de trazer
60 - Sua pequena cicatriz acima do olho esquerdo
61 - Seu jeito tímido e ao mesmo tempo tão confiante
62 - Seu sorriso sempre tão leve
63 - O modo que você bate na palma da minha mão com o dedo
64 - Suas tatuagens
65 - Seu abraço tão cheio de saudade
66 - O jeito que as coisas parecem tão simples quando estou com você
67 - As sardas no seu rosto
68 - Seu jeito de se vestir
69 - A forma que você me fez admirar o Natal sem querer
70 - Suas fotos
71 - A cumplicidade que você sempre demonstra
72 - O modo em que você faz qualquer assunto ser interessante de ouvir
73 - Seu modo apaixonado de viver pequenos momentos
74 - O jeito que você dorme
75 - A pedra do seu signo que me deu de presente
76 - Seu esforço pra lidar com meu jeito introspectivo
77 - Os poemas que seus detalhes me deram a chance de criar
78 - O modo que sua existência marcou uma música pra mim
79 - A confiança que você sempre transmitiu em minhas confidências
80 - As semelhanças e as diferenças que temos
81 - Sua lealdade
82 - A forma que você me aceita do jeito que sou
83 - O seu nariz um tiquinho arrebitado na ponta
84 - Sua vaidade tão cheia de significado
85 - Sua confiança em mim
86 - Sua aceitação aos meus elogios e o jeito que você não me recrimina por fazê-los
87 - Sua intelectualidade
88 - Seus ideais
89 - Seu gênio forte, porém justo
90 - As linhas delicadas do seu rosto
91 - Suas pernas tão atraentes
92 - O respeito que tem por mim, mas principalmente por si mesma
93 - Seus valores
94 - Suas pintinhas gêmeas
95 - Seus tranquinhos durante o sono
96 - Seu modo incondicional de amar o que quer que seja
97 - Sua preocupação com aqueles que te fazem bem
98 - O seu nome
99 - Nossos anos de amizade
E finalmente, o mais simples de todos...
100 - O fato de que você é simplesmente você, e nada é mais importante que isso pra mim.
24 fevereiro 2016
Fall.
"You can't love someone unless you love yourself first". Bullshit. I have never loved myself, but you... oh God, I loved you so much I forgot what hating myself felt like.
21 fevereiro 2016
Sigh.
To be honest, there’s nothing I can do and I know that. But I can’t ignore the fact that I’m love with you and all the little things that make of you such a wonderful person. I can’t ignore the fact that nothing could be more powerful and perfect than we together, and not just as best friends, as a couple. There's nothing like the sound of your voice, the sound of your laugh. I love the way you smile, the way you look at me with your beautiful eyes, and leaves me breathless the way you throw your hair back. Everything about you is amazing. Your presence fills me up with passion, respect, admiration, loyalty. And this happens everyday, 'cause you're right here, inside my heart and soul. Since our first kiss I can't look at you without thoughts of love, in a way so much more intense than just friendship. You know that I'll always be your best friend, but you should know that I'll be here forever in levels much more poetical too. I love you, I miss you and I need you. And I think we should be together. But I know it’s not gonna happen. I’ll have to deal with it.
18 fevereiro 2016
Cherry Blossom.
Já li diversos poemas, já vi e ouvi outros também. Já li em livros, escrito em paredes, nos detalhes que as linhas mantém. Já vi em quadros, e já ouvi meu redor. Declamados ou num singelo dó menor. Tenha sido criado pelo homem ou pelo mundo, tive o prazer de poder reconhecer o ardor e o frescor de um poema, seja ele solução ou dilema. Tenho muito que ver e viver, mas certas coisas aprendi no dia a dia, e é tudo que eu posso querer, pois passei a notar poesia. Passo meus dias contemplando cada uma delas, desfrutando a leveza da noite, a clareza do dia, a beleza da chuva, e a sua companhia. Você, que está comigo mesmo quando não está ao meu lado, que tem esse olhar belo de tom amadeirado. Do sorriso mais caloroso, tão amável e espledoroso. Você, minha flor de cerejeira, é sem dúvida alguma um poema. O mais belo que já vi e ouvi, quase em todas as vertentes possíveis, quase em todos os níveis cabíveis. Você é deslumbrante, singela e intrigante, uma melodia pura e acolhedora. Uma poesia viva e encantadora. Como um acalento, como um perfume trazido pelo vento, como a vida ao passar de um momento. O amor leva teu nome, tuas manias e trejeitos. E você é incalculável, tal qual esse sentimento.
20 janeiro 2016
Daquilo Que Somos.
Somos incapazes. Incapazes de notar nossa mudança diária ao olhar no espelho. Incapazes de ver que o tempo se acumula dentro do peito, mas que vai embora num sopro, num grito, no silêncio. Somos incapazes de fazer as pazes com nós mesmos. Somos réu, juri e juiz, e queremos cortar o mal pela raiz, mas esquecemos que do mal também vivemos. Somos tão incapazes quanto sonhadores, vivemos decepções e amores, entre erros e acertos, na nossa dualidade usual que para nós já é banal. Mas no meio disso tudo, ardemos a chama da coragem, cada um em sua própria viagem, mas ainda assim juntos, ainda assim inseparáveis. Ao final de tudo, entretanto, nada perde seu encanto, mesmo em pranto sorrimos, ainda assim caminhamos. É nossa maior virtude, morremos em juventude. Querendo ou não, seguimos, quando ficamos ou partimos. Sim, somos incapazes, mas acima de tudo... disso somos capazes.
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