31 maio 2016

Das Coisas Que Falei Pelo Acalento.

Não sei dizer quantas vezes me senti assim, mas esse sou eu. O barulho da chuva lá fora transborda aqui dentro, enche o vazio, mas o eco continua alto, ensurdecedor. Eu vejo meus detalhes em cada uma das palavras que se formam, elas me acompanham junto com toda a tristeza que eu puder levar, e dessa eu encho os bolsos e a alma sem sequer piscar. A escuridão se faz necessária sem querer, eu descobri que não sei andar sob o sol. Talvez o excesso de claridade me incomode. Talvez eu apenas tenha medo de encarar a realidade que essa luz vai me mostrar. Na escuridão reina o frio, e esse dói. Se infiltra nos ossos, causa as pontadas e os tremores, insiste na crueldade e nos temores, mas permanecendo em trevas eu dou cada passo com a ilusão de algo que provavelmente não existe, e essa ilusão me carrega quando as pernas estão cansadas. Não sei se quero a claridade pra mostrar que fracassei, pra me cegar entre os amores que enterrei. Esses, aliás, eu devia ter aprendido que não sei lidar. Sou indefinido, imperfeito, disforme e ainda assim gigantesco em meus trejeitos invisíveis. Esse sou eu, um andarilho solitário, e aprendiz da madrugada, compreendo mais uma vez que minha capacidade padece no saber, pois notei que diferente da chuva, meu coração é sólido. De certa forma, não possui a simplicidade de caber.

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