01 agosto 2024

Eterno primeiro de Agosto.

Outra noite de vazio, outro dia muito cheio
As tarefas acumulam pensamentos no meu peito
Se tornou uma vitória dormir de madrugada
"Eu não me sinto mal, eu só não sinto nada"
Me olho pelo espelho e apenas não me reconheço
Sonâmbulo e doente eu vou seguindo mas padeço
As coisas se misturam, passo por muita gente
A bebida me apaga e entorpece minha mente
Cada batida de vida é um sopro de lamento
Rotina indistinta se tornou o meu tormento
Como é que isso funciona, a gente cresce e adoece
Passa a viver sorrindo do que não nos entorpece
Passado e presente me abraçam e afogam
Eu só não sei jogar do jeito que as pessoas jogam
Quando eu subo é muito alto, quando desço é além do chão
Eu só levanto e sigo em frente, já nem sinto o coração
Os olhos viciados e eu só vejo escuridão
Eu já me acostumei a não sentir animação
De um jeito ou de outro a minha vida segue em frente
É só questão de aceitar que o ser humano é decadente

Enjaulado.

Enclausurado pelos sussurros
Me escondo por brechas e sombras
Rastejando com cautela
Tentando unir-me ao piso de madeira
A névoa paira acima de mim
Como dentes-de-leão soltos pelo ar
E as paredes me enclausuram
Como reflexos de chuva na calçada
Como uma jaula pintada de lar
Eu não quero lutar ou ficar de pé
Quero apenas continuar respirando
Sem engasgar com minha saliva
Me comprimo e com olhos fechados
Apenas me encolho e tento caber
Com humildade e muito medo
Apenas me encolho e tento caber