26 março 2013
Sobre Viver e Acreditar.
Faço de tudo pra não lembrar, eu não quero lembrar. Não quero reviver na memória tudo aquilo que um dia eu passei, mesmo sabendo que esses dias estão cravados em mim eternamente, como uma cicatriz na alma, na retina, na pele. Ainda assim eu não quero lembrar, principalmente, não quero lembrar que te esqueci, porque então percebo o quão infrutífero é o meu esforço em não olhar pra trás. É pesado, é um fardo complicado, um tanto amargo, parecido com pecado, mas tenho que deixar de lado; pois se existe algo que esses meus poucos longos anos me ensinaram, é que querendo ou não as coisas mudam, passam, enfraquecem e acabam. E então lembrar é quase inofensivo. Digo 'quase' porque é parte do viver, e viver é perigoso, mas um mal necessário. Tentar seguir em frente, se levantar, acreditar que você conhece o suficiente do caminho pra não tropeçar de novo, e então tropeçar e cair novamente, talvez até pior que da primeira vez, mas a cada derrota, levantar e acreditar, acreditar, acreditar. Cansa. Cansa muito. Chega uma hora em que o corpo não quer mais responder, e a mente começa a duvidar, tudo que você vê te mostra a realidade, e a realidade geralmente não é acolhedora. Mas faz parte do viver, o que molda isso é o seu modo de acreditar. Você pode crer no sucesso ou na derrota. Como eu, pode andar de mãos dadas ao pessimismo e manter a saudação cordial com o otimismo. Quem escolhe é você, como eu escolhi, ainda que sem saber. De qualquer forma eu não quero lembrar, não consigo mas não quero, e vou continuar tentando carregar o peso que levo dentro do peito, mesmo sabendo que não consigo suportar. Talvez esse seja meu modo de seguir em frente. De viver e acreditar.
22 março 2013
Exílio.
Você fez mais do que podia, ousou demais em errar. Você sabia no que daria, ainda assim mentiu demais. Não dá pra dizer quantas vezes estive na linha de fogo, entre a cruz e a espada, e quantas vezes carreguei seu peso com você. Não sei descrever a sensação, ou talvez até saiba, é como ser confidente do réu e do juiz. Mas eu não pude mais, eu não posso mais, e eu não irei mais tentar enxergar seu lado bom. Você esgotou tudo. Acabou. Assuma as consequências dos seus atos ao menos uma vez, e de cabeça erguida, veja o seu castelo de mentiras desmoronar sobre a máscara feita de ouro dos tolos, que você tão cuidadosamente esculpiu sob a fachada de um sorriso. O respeito que restava acabou, a confiança ruiu, a saudade cessou. Perdoar não é esquecer, espero que você saiba. E tenha a decência de não falar novamente sobre sentimentos, porque você não entende disso. Ao menos sei que a verdade realmente demora, mas chega, e chega sem avisar. Pois o tempo enfim fez seu papel, e mostrou a mim e a quem um dia já te quis o seu verdadeiro ser.
16 março 2013
Sobre Meus Dilemas.
Eu fui tentar lutar, e veja o que aconteceu... Fui brincar de aceitar, e no fim fui eu quem perdeu. Seria mais sensato aceitar que eu não sei lidar, seria mais verdadeiro. Mas eu sempre tento mudar minha essência, afastar a carência, ocultar o que eu sei que sou eu. Não dá. Eu tenho que aprender a usar pretérito no pretérito, do jeito que as coisas são, feias e sem rimas. Mas eu insisto em dar o toque de beleza por palavras no drama que deveria ser mudo. Isso é absurdo.
Jamais imaginei que as curvas da estrada seriam tão traiçoeiras e escorregadias, tão faceiras e vazias, igual o resto do timbre de minha voz, que um dia já foi ensaio de poema. Hoje em dia só sobrou o meu olhar que não consegue esconder nada, e o peso dentro do peito, que eu sei, só vai cessar quando eu aprender que não dá pra brincar, fingir, e vencer. Parei de rimar, já é um bom começo. Com sorte passo por mais essa curva perto do abismo.
Jamais imaginei que as curvas da estrada seriam tão traiçoeiras e escorregadias, tão faceiras e vazias, igual o resto do timbre de minha voz, que um dia já foi ensaio de poema. Hoje em dia só sobrou o meu olhar que não consegue esconder nada, e o peso dentro do peito, que eu sei, só vai cessar quando eu aprender que não dá pra brincar, fingir, e vencer. Parei de rimar, já é um bom começo. Com sorte passo por mais essa curva perto do abismo.
11 março 2013
Tempo e Esquecimento.
O conceito de esquecer é difícil de lidar. Sempre há algo pra se tentar superar, algo pra abandonar, deixar pra trás. Mas por mais que o esquecimento esteja, por definição, atrelado ao tempo, é impossível depender de um para se obter o outro. Não se deve deixar iludir. O esquecimento é falho. Por outro lado, o tempo sempre vai estar presente pra mudar e tirar a paz, a dor, o dia, o amor, e tudo que você não esperar. Mas ainda assim você vai se lembrar.
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