11 dezembro 2013

Refrões.

E eu sei que com o tempo essa tristeza vai passar
Que as folhas de Outono mortas vão se renovar
O dia vai surgir e novamente eu vou tentar
Mas ficam os refrões...
...são tantos pensamentos pra enterrar.

Necessidade.

Eu me lembro, e sempre vou me lembrar. Um sentimento destes não se vai assim. Mas talvez eu deva compreender que nunca começou, então não tem como acabar. Tenho que entender, não era eu, não assim, não era, não é, e não será. Eu tentei tanto quanto pude, e quase me convenceram de muitas coisas durante esse tempo, mas acho que talvez seja o momento de apenas desistir. Acho que é hora de começar a olhar quem realmente me olha, e cogitar quem me cogita. Dói muito escrever palavras que soam tão definitivas, e eu queria poder dizer que existe algum tipo de maneira, de saída, mas não há. Você não me deixa escolha, e na verdade nunca deixou, mas talvez eu devesse admirar isso em você, porque só assim eu percebi que estou fazendo a mesma coisa, e a partir da percepção posso tentar mudar. Você não é uma pessoa ruim, e na realidade não fez nada de errado, meu erro foi ter tentado mudar o imutável, e não ter percebido que uma soma jamais dependerá apenas do querer de um só coração. Parto agora pra não tentar de novo, pois não quero que você faça o mesmo que eu fiz, nem que cometa os erros que eu cometi, só te peço que não reclame da tua solidão, havia um buquê em sua porta, e todas as rosas queriam te alegrar, mas você preferiu voltar pro quarto e se trancar...

Continuarei a ser teu, mas de outra forma.
Tentarei mudar e estar com quem me quer agora.
Abra a porta e saia, do buquê só eu morri.
Pegue uma das rosas, e um motivo pra sorrir.

07 dezembro 2013

Plágio De Outras Vidas.

E então alguns cientistas já decadentes, tristes e bêbados, toparam com o desafio mais contundente de suas vidas, e na dificuldade intransponível de desvendar, resolveram ao menos criar um título pra quem sabe ganhar um Nobel. Analisaram as opções, as situações, as vertentes, e toda a complexidade que vinha de uma simplicidade sem tamanho. Ao fim de tudo, nomearam de amor. Mas espera, já não existia esse nome? Não se lembravam mais, e pensando agora, porque estavam bêbados mesmo? Algo a ver com decepção. De quê? Vida? Ou o tal amor? Já não sabiam mais. Beberam e se entristeceram muito mais. Bem, pensando melhor, pra que eles queriam um Nobel mesmo?

28 novembro 2013

Naquela Época.

Naquela época era tudo mais fácil de lidar, embora não seja tão mais difícil hoje. Era um tempo de inocência e perda da mesma, bem como de enxergar melhor tudo que estava ao meu redor. Era sempre complicado resolver questões simples, talvez por não haver questões realmente complicadas, talvez por eu ser tão inseguro. Ainda assim eu pensava em tudo como se não tivesse mais caminho à percorrer, realmente, eu tinha apenas 16 e já achava que eu sabia demais. Me pergunto se por saber que o muito que sei é pouco hoje em dia, continuo sofrendo da mesma assimetria. Ainda assim não posso admitir quando você olha pra mim como se soubesse de tudo que passei ou deixei de passar, pelo simples fato de você também ter tido a experiência inesgotável de viver.

02 novembro 2013

Cara B.

Se quando voltas pra casa
Me vês sombrio
Dando voltas na valsa
Do desconsolo,
Tem piedade dessa falta de luz,
Hoje eu sou uma moeda que tem dois lados de cruz

E se me notas distante
Estando a teu lado
Como uma réplica mal feita
Do que eu era,
Leve na brincadeira meu salto mortal
Hoje sou apenas uma cópia e você tem o original


Não faças caso
A tanto mistério,
Você já sabe a verdade;
Que não há nada pior para essa seriedade
Que levá-la a sério.

Deixa que fale
Sua proximidade,
Você sabe o motivo,
E não há nada pior para esse coração
Que uma casa vazia


Deixa passar
Essa falta de fé,
Esse disco arranhado que hoje
Tem apenas
Lado B...

01 novembro 2013

Visconde e Viscondessa.

Quis o destino que o Visconde perdesse tua Viscondessa por tão pouco, já ao fim da busca, e com ela foi o amor, que por tanto tempo esteve em seu antigo apuro, tal qual a donzela pela qual o incauto herói voou para tão longe, a fim de encontrar o paradeiro, querendo destruir a maldição que lhe afogava o peito, já tão amargurado em solidão. Nunca mais ouviram falar de tal rapaz, ou de sua meta inalcançável, seja por receio de sua bela, ou por rebeldia do amor, e portanto não se sabe mais do que uma lenda paupérrima, mas enquanto a Viscondessa não lhe estender a mão em resposta, haverá sempre um Visconde por detrás da tua busca, pois coube à ele encontrar o paradeiro do amor, e enfim salvá-lo de seu eterno apuro, e ele o fará, não importando quantas vidas tenha de viver para enfim poder amar.

Lembrança De Uma Noite De Verão.

Abriu os olhos. Estava difícil conseguir dormir. Ela dormia profundamente ao seu lado. Ele olhou para o seu rosto enquanto ela dormia, notando o modo tão compassado de sua respiração, o semblante num tipo de paz quase inalcançável, os gestos agora restritos a curtas demonstrações de conforto e inconsciência. Ele acariciou seus cabelos, ajeitando uma mecha atrás da orelha, sentindo cada nuance de seu gesto como um tipo de verdade indubitável em que ela se traduzia maravilhosa apenas por conseguir dormir tão profundamente e ainda assim anunciar todos os detalhes de sua existência deslumbrante.

Cila e Caribde.

Cila era o nome de um afloramento de rochas afiadas contra o qual os navios se chocavam até afundar. Caribde era um redemoinho. Um redemoinho muito forte. Uma vez que se fosse apanhado por ele, era impossível escapar. O redemoinho sugava e despedaçava. De certa forma somos nós, Cila e Caribde, a cruz e a espada, uma escolha pra duas terríveis opções. Eu, do alto de minha incapacidade em lidar, torno-me com o tempo a causa dos naufrágios, da queda, dos fracassos, e tu, com toda a sua ambivalência, torna-se impiedosa em tua própria natureza, e sem querer devasta, despedaça, com toda a tua desgraça. É inquietante que dois tipos de caos com vida tenham pensado em dar as mãos ao menos uma vez, e que tenha sido surpresa a forma que acabou. Eu fui destruído, você naufragou. O que esperávamos? Sou a cruz, tu é a espada, sou Cila, tu é Caribde. O lado errado da batalha corre em nossas veias, cuspimos veneno, mesmo sem ter presas. E separados já causamos incontáveis danos imensos, deveríamos ter notado que não daria certo, que estando juntos jamais ficaríamos ilesos.

19 outubro 2013

Barba, Café, e Cigarros.

Era só mais uma manhã. Abriu a janela, olhou o céu. Bonito. Bonito até demais. O suspiro foi mais uma resignação do que desabafo, mas odiava dias bonitos assim. É claro que não gostava de chuva, mas o que custava amanhecer nublado? Não sabia bem quando começara a pensar assim, mas tinha convicção que aceitaria melhor a vida de merda que levava se o dia simplesmente raiasse mal humorado. Preparou café, sem açucar, gostava puro. Sentou na varanda, deu um gole, acendeu um cigarro. Imediatamente lembrou do que ela dizia. "Isso ainda vai te matar!" ou "Por que você precisa tanto dessa porcaria? Muitas pessoas param e vivem bem melhor, sabia?". Sorriu e soltou a fumaça no ar. De tudo que tinha alívio, não precisar mais escutar aquilo era o que mais aliviava. Era homem feito, adulto faz tempo, pagava as próprias contas, fumava porque queria, porra! Não custava nada tolerar um pequeno prazer como esse. Mas quem disse que ela era de tolerar? Quase nunca o fazia, e quando fazia, era pra provar que ela estava certa e ele errado. Passou a mão pelo rosto, bebeu mais uns goles, a barba estava começando a ficar grande. Todos os anos era assim nas férias, deixava a barba crescer e ficava com o que ela chamava de "ar sisudão", embora ele ainda achasse que só parecia desleixado. Terminou o café. Entrou, pegou mais, acendeu outro cigarro. Um raio de sol adentrou a sala enquanto voltava pra varanda. Que merda. Um dia tão bonito, tão agradável, tão ela. Já estava de saco cheio de vê-la em cada dia bonito e em cada canto daquela casa, não aguentava mais tanta lembrança, tanta coisa sem mudança, ainda que já tivesse mudado tanto. Olhou o movimento na rua, era um dia de semana comum, trânsito, passos apressados, metas, relatórios, prazos. Sentiu-se mais tranquilo ao constatar que ao menos as pessoas não estavam felizes e bonitas como o céu logo acima. Ele começava a pensar que tinha um problema em ver outras pessoas felizes, coisa de egoísmo mesmo, de criancice. Não queria saber de ninguém feliz perto dele, isso irritava mais que os dias de sábado em que ela costumava levantar cedo e ouvir música alta. Droga, mais uma vez ela. Toda hora era ela, ela isso, ela aquilo, ela, ela, ela. Devia vender a casa e quem sabe um pouco das lembranças. Quem dera fosse possível. Entrou, deitou no sofá, acendeu mais um cigarro. Ele sabia que não iria à lugar algum, nem mudaria mais coisa alguma, a ausência dela já era suficiente, e mesmo odiando lembrar, ele ainda amava, e mesmo aliviado, ainda sentia falta daquele jeito tão diferente que ela tinha pra enxergar as coisas. Deu uma longa tragada. Desde que ela se fora estava fumando com muito mais frequência, e agora estava se convencendo que em cada tragada tentava trazer mais de si pra dentro do próprio peito, e mais dela pra fora dele. Coçou a barba, apagou o cigarro e sorriu. Se havia algo que não estava conseguindo, era exatamente isso.

10 outubro 2013

E Não Irá Sumir...

Eu não sei direito o que é. 
Culpa, raiva, tristeza, inveja. Não sei. Mas está aqui.
É inacreditável como algumas coisas mudam, e outras não.
Responsabilidade às vezes é tudo que não quero.
Agir como adulto às vezes é muito decepcionante.
Existem coisas que eu apenas não posso fazer.
E outras que eu apenas não posso evitar.
A pressão é muito grande.
Eu consigo ficar impassível por fora, fazer o certo.
Mas não consigo ser tão nobre por dentro.
E me dói esse egoísmo, pesa dentro do peito.
Mas eu sou falho como todo mundo.
Será que podem parar de me olhar?
De esperar que eu consiga ser sempre infalível?
Eu me sinto uma pessoa horrível.
E não sei muito bem porque.
Eu não sei direito o que é. Não sei. Mas está aqui.

01 outubro 2013

Nota Antiga.

Eu gostaria que não precisasse ser assim, bem mais por você que realmente por mim. A tua asfixia me sufoca o peito, queria que pra ti não terminasse desse jeito. Temos a mania de querer quem não nos quer, e é por te querer tanto que te ver triste me entristece, que a tua dor me dói e a tua doença me adoece. Entendo que em sua vida eu não seja a resposta, mas ver tua ferida faz a minha estar exposta. Não importa se não é comigo, só quero te ver feliz, e me faz sentir perdido que tu não seja por um triz. Se não posso te ter, que você tenha quem quer. Se não posso ser teu, que você possa o que quiser.

28 setembro 2013

Das Coisas Que Encontrei Sem Perceber.

Por muito tempo pensei ser a maré viva. Essa parede colossal que passa num turbilhão único e inexplicável, que faz com que o restante pareça insignificante em seus esforços de fugir. Eu sabia o que já tinha sido feito à mim, e o que eu já tinha feito, eu conhecia esse meu lado, e assim sendo, comecei a me esquivar cada vez mais do embate, do encontro ao muro de concreto que eu sabia, iria ser despedaçado diante da enorme força destrutiva tão mal canalizada dentro do meu peito angustiado. E eu fugia, e eu dizia: Eu sou a maré viva, se entrar vai se afogar.
Por muito tempo guardei a sete chaves o máximo que pude armazenar, até te conhecer, pra enfim perceber que não dá pra vislumbrar algo novo sem me aventurar, e você chegou pra me mostrar isso da forma mais inesperada possível, personificando no erro da inocência um tipo de esquecimento que jamais me atingiu tão forte, e eu esqueci, esqueci do que eu achava ter, do que eu pensava entender, do que eu jurava esconder. Eu já nem lembrava o que dizia ser.
Mas ao adentrar com passos mudos e inexperientes a floresta densa e inesgotável dos teus pensamentos, passei a observar cada pegada, passado, presente, medo, cada cicatriz, cada ferida, e ao te conhecer tão intimamente eu me deixei levar, muito embora à essa altura já quisesse resistir, e já me lembrasse do que eu dizia ser tempos atrás. E eu tentei, mas você aconteceu, e você veio da forma mais feroz e insaciável possível, e eu, do alto de toda aquela antiga fúria adormecida só pude arregalar os olhos e perceber que à partir daqui nada mais seria como antes. Você me atropelou, e eu fui levado aos empurrões por sua avalanche disforme. Por mais que eu tentasse, não tinha ideias pra lutar, pra medir forças como antigamente eu sem dúvida faria. Eu vi o muro ao longe, o muro de concreto, que eu tanto evitara por saber o que aconteceria, e foi de longe a sensação mais destrutiva que pude vivenciar.
E nós batemos contra ele, rachando e depois pulverizando qualquer resistência que ele pudesse oferecer. Perdi a consciência e ao recobrá-la, notei estar à deriva, num tipo de cadência que você ditava seja querendo ou sem querer. Tentei enxergar teus horizontes, mas você não os tinha, a sua imensidão era incalculável e o seu fim era inexistente. Eu afundei, indo cada vez mais ao encontro do que eu sabia ser você. Tentei respirar mas não consegui, asfixia tomou conta do meu peito, tão cheio e vazio ao mesmo tempo, e a visão turvou por um instante, apenas pra que eu entendesse: eu não era nada perto de você, eu nunca fui e nunca seria. Por muito tempo pensei ser a soma mais cruel possível, mas me enganei. Não era eu, você era a maré viva. Eu entrei e me afoguei.

21 setembro 2013

Ah...

É, você falou que ia partir, eu não sabia como agir, você estava tão fechada. Não me restava muito o que fazer, que não tentar compreender, mesmo que isso fosse só fachada. Se ficar não era mais a tua intenção, se não há mais querer, vou tentar emudecer meu coração, pra te dar razão.

É, já não havia o que falar, nem me restou o que cuidar, não havia escapatória. Não pude mais viver a me enganar, eu precisava aceitar, a condição era ilusória. Você me surpreendeu pra depois se arrepender, e eu percebi não ser o certo pra você. Quando acordar, em mim não vai mais pensar.

Não quero mais ouvir, quero esquecer da tua voz, não quero mais pensar em nós. Mas eis que estou aqui, eu fico a me contrariar, a me perguntar...
Por que é tão difícil de lidar?

20 setembro 2013

Lembrete.

Tudo que não é verão é inverno
Tudo que não é céu é inferno
E o que não finda hoje é eterno...
Não precisa acreditar em mim
Mas as coisas não são assim
Há sempre início, meio e fim...

Canções.

Jamais me dirão
Nunca mais vão dizer
Não te encontrarão
Me farão entender

Entender que o tudo passou
E que já não dá mais pra achar
Que o nosso limite chegou
E chegou pra fazer acabar

Poderiam me dizer
Mas isso elas não farão
Apenas assim vou saber
Pra cada sim existe um não

Era Você...

Talvez apenas não fosse pra ser, não é? Talvez não tenha passado de um ganho na experiência, bagagem pro futuro, algo para servir de parâmetro. Ou talvez eu só esteja querendo me convencer disso. Talvez, como em tantos outros momentos, naquele nosso diálogo mudo, de gestos e olhares, de entrelinhas, tenhamos concordado intimamente que seria mais fácil de assimilar pensando dessa forma. Ainda assim é tudo muito circunstancial, de qualquer forma, descobrir não vai fazer tudo mudar. Mas me recuso a crer demais nessa forma de ver, nesse nosso sorriso sem graça que quer dizer 'talvez não fosse pra ser'. Pois pra mim, guria, era você. Não apenas era... ainda é.

27 agosto 2013

Como Te Vejo.

Relva curta e madeira. Algo de floral, de natural, de roupa limpa. Doçura ocasional, perfeita e imprecisa. Rosa vermelha tal qual chamas em cachos emoldurados. Translucidez, algo que nos vigia sem dirigir o olhar. Luz da lua e estrelas, mistério, vento a soprar. Verde acobreado, às vezes da cor do mar. Profundo, incalculável, sincero, indecifrável. Chamas frias coloradas que dançam em tom cadenciado, do vermelho vivo ao castanho aveludado. Do verde ao moreno, metendo mais medo que um raio de sol, trazendo o frio nórdico e um calor portunhol, como notas vítreas e complexas, que trazem ardor quando menos se espera, na fração de um segundo imaginário. Vida rara num pequeno orquidário. Tão intensa que o sabor revela cor, por nuances de tudo que de alguma forma é belo. Bem como a simplicidade de um quadro sobre os pequenos prazeres da vida. Valor imensurável. Pra sempre a mais bonita.

18 julho 2013

Coltrane.

Fico imaginando quanto tempo se leva pra perceber que se sabe pouco. Na verdade não se sabe nada, e se você pensar bem, nunca se soube realmente. O céu, o sol, a lua, o tempo, pessoas e os seus sentimentos; tudo parte de um grande palco, um salto no escuro do desconhecido. Improvisação.
É sempre inesperado notar que não se conhece a letra completa da canção, que não se sabe o resultado da equação. No fim nos baseamos no que vemos pra supor o que sentimos, escrevemos, cantamos. Uma eterna peça de teatro ao passar dos anos. Eu não sei quanto tempo levei, mas hoje gosto de pensar que aprendi. Mas não há mal nisso, não era assim desde o início?
Há muitas vidas pra viver dentro de uma, umas com peso de um piano, outras mais leves que uma pluma. Não se deve generalizar, é muito pra se analisar. Deve-se apenas viver, seja sabendo ou sem saber.

28 junho 2013

Reflexão.

Era tudo muito novo, tanto eu como tudo ao meu redor. Era difícil manter-me no mesmo lugar por algum período de tempo. Eu tinha tanto pra dizer, pra escrever, pra querer, pra mostrar. Era inimaginável só de imaginar. Mas caí algumas vezes num percurso até que fácil, até que curto, e nas gotas vermelhas de alguns arranhões notei que eu sempre tive medo do confronto, e com algumas horas de experiência, descobri também ter medo do novo. Logo eu, que queria abraçar o mundo todo de uma vez, resolvi que era melhor abraçar só até o que as pontas dos meus dedos alcançassem. Passaram alguns anos, eu ainda sou muito novo, ainda é tudo muito novo, ainda sei muito pouco. As amizades escolho melhor, creio eu. Os sentimentos separo melhor, creio eu. Mas isso não muda o que sou, é tudo distração. A vontade de surpreender vem passando de uma forma que eu não poderia explicar, embora não pareça que vai acabar. De qualquer forma, hoje em dia eu só observo ao caminhar, tento manter as ideias no lugar, e deixo as mãos nos bolsos, e finjo estar à toa. Até tenho qualidades, sei que sou um bom amigo, mas isso não quer dizer que eu seja uma boa pessoa.

23 junho 2013

Pequena Nota.

O que há entre eu e você? Que nos une e nos separa na medida em que se passa um só instante, que me faz acreditar que nada vai voltar a ser como antes, que me abre os olhos e o paladar ao amargo da textura disso que se chama querer. Nem parece que entre tanta mudança teve tão pouco tempo, quase que apenas um momento de ontem pra hoje, e nós já nem nos reconhecemos. Eu não sei mais, só sei que o que eu sei é pouco pra poder dizer o que há, e mesmo que pudesse não diria, que de nós restou só a apatia e um sorriso amarelo de outro dia.

17 junho 2013

Diálogo.

A - E aí, escrevendo bastante?
B - Não, tô meio parado.
A - Muita coisa pra fazer?
B - Não, só tô parado.
A - Cadê a inspiração de uns dias atrás?
B - Não sei, acho que tá com você.
A - E por que estaria?
B - Só sei que sumiu junto contigo.
A - Mas eu tô aqui agora.
B - Tá, mas não tá.
A - Então escreve pra passar.
B - Sem inspiração não dá.
A - Mas eu não tenho culpa disso.
B - Eu tampouco.
A - Então como fica?
B - Não sei, me diz você.
A - Mas não é você que precisa decidir?
B - Eu decido, mas você passa por cima.
A - Quando isso?
B - Não faz mais sentido analisar.
A - E por quê não faria?
B - Porque o final não vai mudar.
A - Mas que final?
B - Eu decidi ficar, você quis ir embora.
A - Acho que vou pra casa.
B - Pode ir, eu fico.
A - Vê se te cuida, e se volta a escrever.
B - Cuida você, que eu tô sem.
A - Sem o quê?
B - Sem você.

11 junho 2013

Manhã.

Já é manhã
Eu abro os olhos devagar
Meio com medo do que possam ver
Mas vejo a luz, e só a luz
De seu esmero

É tão manhã
Que vejo a urgência chegar
Dizendo tudo que devo fazer
Mas não traduz nem seduz
Tudo que espero

Pois é manhã
E por querer sorrio do que vejo
Meio perto e longe ao mesmo tempo
Como alguém que gosta de intriga

E na manhã
Vou procurar tudo que almejo
Pois do que não sei estou sedento
E vou sem medo de enxergar a vida

Das Coisas Que Entendi Depois Do Ponto.

Eu não queria olhar mais uma vez, eu não queria. Não aguentei sair de cena sem um último vislumbre, mas ao notar eu percebi, que não queria novamente precisar ver tudo aquilo que um dia foi denominado nosso. Nosso tempo, nosso amor, nosso domínio. Eu fingi não me importar e andei por cada curva, e abracei cada ruga, sarda, marca de expressão daquilo que um dia achei ser um romance incalculável e imprevisível. Previsível. Mas ao longo das linhas saí dos trilhos e percebi que a fotografia do sorriso e das mãos dadas desbotara, e algo assim não há como restaurar, por mais que se tente e se perdoe, por mais que se evolua, por mais que se enalteça em nossas mentes como a luz de um farol na escuridão a capacidade de recomeçar, torna-se incurável o mal dentro do peito, e o peso das escolhas já se encontra insuportável demais a ponto de fazer o perfume apodrecer. E é antes desse ponto que se deve perceber, não dá mais, é hora de partir. Pra que não se perca o mínimo restante, pra que não se esqueça o último instante, pra que você possa olhar pra trás e sorrir ao se lembrar, por mais que doa no princípio, como o espinho do caule a perfurar a carne, serve pra ensinar que a cautela e o tato estão aí para serem aprendidos e usados, e que se ignorados podem transformar o que quer que seja em algo inimaginável. Difícil de lidar. Impossível de aceitar.

Pra variar, aprendi tarde demais.

18 maio 2013

Santa Chuva.

Vai chover de novo,
Deu na tevê que o povo já se cansou de tanto o céu desabar,
E pede a um santo daqui que reza a ajuda de Deus,
Mas nada pode fazer se a chuva quer é trazer você pra mim

Vem cá que tá me dando uma vontade de chorar,
Não faz assim, não vá pra lá, meu coração vai se entregar à tempestade

Quem é você pra me chamar aqui se nada aconteceu?
Me diz, foi só amor ou medo de ficar sozinho outra vez?

Cadê aquela outra mulher?
Você me parecia tão bem,
A chuva já passou por aqui, eu mesma que cuidei de secar

Quem foi que te ensinou a rezar?
Que santo vai brigar por você?
Que povo aprova o que você fez?
Devolve aquela minha tevê que eu vou de vez,

Não há porque chorar por um amor que já morreu
Deixa pra lá, eu vou, adeus
Meu coração já se cansou de falsidade...

.
.

Camelo

16 maio 2013

Daquilo Que Desejei.

Qual sua flor preferida? Esta você me será.
E nada vai mudar o sabor do vento ao rosto enquanto andarmos de mãos dadas, mesmo que só por pura caminhada, mesmo que sem alguma pretensão.
Qual sua estação preferida? Esta me definirá.
E iremos ao campo ou à praia, ainda que entre o cinza dos dias estejamos. Você como flor, eu como estação.Vamos apenas nos lembrar de esquecer...

E viver.

15 maio 2013

Saborosa.

Saborosa a dor do amor à carne, tão especial em tua imagem, tão ensandecida de calor. De vermelho definiu-se, como se ao luar fingisse, como se quisesse deste amor apenas o torpor, como se o espinho traduzisse a flor, e a fatalidade fosse um favor. Tenta não mudar, finge enxergar, condena a própria existência, e o faz sem hesitar. Saborosa, saborosa poderia ser a hora do dia, mas procura estadia sempre onde não quer estar, por fazer de si a oferenda sem pudor. Morre em lenta agonia, morre um pouco a cada dia, por ver dor no amor e sentir amor na dor.

14 maio 2013

Fumaça Tóxica.

Fases e frases de efeito alucinógeno que tingem o céu com a amalgama espessa e duradoura dos seus dias fustigados de veneno, tão doce e sufocante quanto o mal da consiência imaginária. Tão vil e civil quanto a lei do mais forte é o riso num misto de satisfação forçada ao véu da cortina de fumaça colorida, que traz à mente do incauto a paz latente e infrutífera do acaso, modo certo, meio errado, tudo sempre combinado, e ao fim, vencido, dito o mal de tuas mentiras tão intensas e industrializadas, feito refrigerante ou água gaseificada.

13 maio 2013

Mensek.

"Ei... Não espera nada de mim, tá?", disse ela antes de tocar levemente seus lábios aos meus e se afastar calmamente, ainda sob o efeito da bebida. Talvez essa tenha sido a coisa mais sensata que alguém poderia ter dito pra mim. Foi um tipo de chave, a forma de lidar com o que pudesse ou não acontecer pra melhor ou pra pior, e assim foi. Rimos, brincamos, bebemos, sentamos no chão e conversamos, ouvimos e falamos, eu sorri minha melancolia, ela chorou sua mágoa, explicou sua tristeza, tentei ser o acalento, e assim nos compreendemos. Abraçados ficamos, entre um colchão e um cobertor, no escuro do quarto sozinho, na casa que já dormia, e assim vimos a noite tornar-se madrugada, e então manhã. E conversando trocamos alguns carinhos, um beijo e elogios, calor humano. Foi inusitado, inesperado, um bom momento, mas foi só, e tudo bem, pois eu sabia, e após a bebedeira eu ainda entendia aquela frase curta, mas tão marcante.


Ei... Não espera nada de mim, tá?

06 maio 2013

Aquele Drama Mudo Sem Sentido.



É tudo que eu queria ser, mas não sou
E eu sei que disso nada mais restou
E que não vai acontecer
É como perfume borrifado no ar
O cheiro, a sensação, só pra desaparecer
Vou me esconder e observar
Vai ser melhor pra superar
Pois só de longe eu entendi... Descobri que não sei amar.

03 maio 2013

Moça.

Corre ela, corre e corre feliz. Mas tropeça, se equilibra por um triz. Um pedaço da original, um tema antigo, melancólico e ainda assim banal. Bebida, rosas e cigarros, perdida no perfume e entre a luz dos carros. E corre, e tenta sorrir, e o porre continua a impedir. Mais um trago do fumo, um gole pra esquentar, num estrago sem rumo, vendo a noite esfriar... As horas passam, a ressaca veio pra ficar...

01 maio 2013

Visita.



De que adianta gostar, amar

Se a resposta não vai mudar

O que já se anunciou?



De que adianta viver

Pensando no que pode acontecer

Se os dias já não podem mais

Trazer de volta o que passou?



Se arrepender depende apenas de você



Não pense em tentar fugir

Só pra aprender como fingir

Não vá se iludir dizendo que o final chegou



Se não partiu, nem se entregou

Mas só caiu por dizer que tentou

Depende apenas de você

Se arrepender depende apenas de você



Não pare jamais

Não mude jamais

Não fuja jamais

Não cale jamais

Não pare jamais

Não mude jamais



E se quiser ficar, procure não se isolar

Se o tempo te impedir, não diga que irá surgir

Não viva pensando em dizer adeus
Não ria pensando em dizer adeus
Não minta pensando em dizer adeus
Não fique se quer me dizer adeus...

Sigh...

Don't try to make me laugh or make me smile,
I just want to be sad and alone for a while.
I don't care about the sun, I don't want any fun
I just want to get away from here, run...

29 abril 2013

Última Corrida.

Tenho me sentido cansado. Não apenas como um pensador exaurido por suas próprias questões e conclusões, mas também como um atleta, um velocista que tem como meta a linha de chegada, também como um animal fiel ao seu instinto de sempre dar o bote antes de recebê-lo. É cansativa essa rotina louca, imprevisível - e muitas vezes desleal - da vida. Os limites de velocidade estão lá por escolha dela, mas são quebrados pela mesma, sem maiores sinais arrependimento ou hesitação. É quase como a lei do mais forte, onde o animal mais letal fica no topo da cadeia alimentar, tendo os demais como presa, mas nenhum como caçador. Azar o meu, aliás, o nosso, que temos de acompanhar da melhor forma possível, tentando não tropeçar nos próprios pés na tentativa de enfim emparelhar e encontrar uma maneira de vencer de forma implacável, sem consequências póstumas. Não é possível. Existem os que estão lado a lado na corrida, que já são fortes o suficiente para aguentar no mesmo ritmo, mas é aí que pisam em falso e caem assustados demais pra levantar. Mas como deixar pra lá? Como parar de correr e deixar a vida vencer, sair de vista? Não dá. Os que perdem o interesse de vencer a eterna corrida perdem também o interesse pela pista, param e sentam, deitam pra descansar, e por lá ficam. Não tombam, mas findam da mesma forma que o mais veloz, que tanto acompanhou a vida lado a lado até perder a cautela e pisar em falso. É preciso saber dosar, entender que durante o processo é possível acompanhá-la de perto, e às vezes até ultrapassá-la, mas que ao final ela vence, por ser a única que conhece todo o trajeto de cabo a rabo, por ser a criadora dos prêmios e das armadilhas. Compreendendo tal situação se estabalece um próprio nível, as metas dentro da meta, as vitórias pessoais, e enfim o crescimento. Mas a prática é extenuante, ainda mais para os jovens e afobados, categoria na qual ainda me incluo, e ter noção disso ainda não é a chave para mudar de categoria, de etapa. Estou cansando cada vez mais rápido, o pique longo já se tornou curto, talvez porque assim quer a vida, ou porque ainda não sei como fazer para ignorar aquela vitória impossível que só a vida terá, e enfim encontrar meu próprio ritmo.

21 abril 2013

Nesse Caso.

Nesse caso não houve chance. Não houve tentativa. Não houve esperança, revanche, vingança. Não houve forma, jeito, atalho, saída, final perfeito. Nesse caso não houve maneira de conseguir, de dar tempo ao tempo, de falar, de tentar mudar. Nesse caso perdi e fim, e até doeu, mas não guardo rancor, certas coisas são assim.

20 abril 2013

Tava.

Eu tentei. Uma. Duas. Três vezes. Tentei viver sem planos, sem promessas. Mas de novo, um oceano nos separa. Só que dessa vez não é um oceano literal. É um oceano de coisas, de vidas, de pessoas, de histórias. De variações de humor, de sentimentos conhecidos que fingimos desconhecer. Um oceano de sentimentos que temos e que fingimos não ter.
E não tem outra forma de atravessar um oceano que não seja de avião. Ou de navio. Mas eu sempre tive medo de avião. E se o avião cair? E se o barco afundar? O amor não vai impedir de afogar. O amor não ensinou a nadar. A gente aprende a nadar na escola. Ou por conta.
O problema da paixão é que ela envolve outra pessoa. E a outra pessoa está do outro lado do oceano. Ninguém constrói uma ponte para atravessar um oceano. Ficar na margem é mais seguro.
Os planos se foram com o avião. As promessas afundaram com o navio. E a paixão ficou pra terceira pessoa, do outro lado da margem.

Pouco Pra Dizer.

Aquele farol que um dia me guiou, que um dia me fez acreditar que era possível
Hoje é luz perdida no mar que me afogou, e a sensação de afundar é indescritível
Jamais acreditei naquele belo azul do céu, eu sabia que era apenas ilusão
Mas me surpreendeu que um laço dito tão fiel, me trairia em troca de perdão


Pouco pra dizer, muito pra sentir, e agora é irrelevante
Nada a se fazer, nem pra onde fugir, e é aterrorizante
E se o sorriso é de mentira, eu já não sei dizer
Mas o teu vício é a ferida, e o meu é o perecer

26 março 2013

Sobre Viver e Acreditar.

Faço de tudo pra não lembrar, eu não quero lembrar. Não quero reviver na memória tudo aquilo que um dia eu passei, mesmo sabendo que esses dias estão cravados em mim eternamente, como uma cicatriz na alma, na retina, na pele. Ainda assim eu não quero lembrar, principalmente, não quero lembrar que te esqueci, porque então percebo o quão infrutífero é o meu esforço em não olhar pra trás. É pesado, é um fardo complicado, um tanto amargo, parecido com pecado, mas tenho que deixar de lado; pois se existe algo que esses meus poucos longos anos me ensinaram, é que querendo ou não as coisas mudam, passam, enfraquecem e acabam. E então lembrar é quase inofensivo. Digo 'quase' porque é parte do viver, e viver é perigoso, mas um mal necessário. Tentar seguir em frente, se levantar, acreditar que você conhece o suficiente do caminho pra não tropeçar de novo, e então tropeçar e cair novamente, talvez até pior que da primeira vez, mas a cada derrota, levantar e acreditar, acreditar, acreditar. Cansa. Cansa muito. Chega uma hora em que o corpo não quer mais responder, e a mente começa a duvidar, tudo que você vê te mostra a realidade, e a realidade geralmente não é acolhedora. Mas faz parte do viver, o que molda isso é o seu modo de acreditar. Você pode crer no sucesso ou na derrota. Como eu, pode andar de mãos dadas ao pessimismo e manter a saudação cordial com o otimismo. Quem escolhe é você, como eu escolhi, ainda que sem saber. De qualquer forma eu não quero lembrar, não consigo mas não quero, e vou continuar tentando carregar o peso que levo dentro do peito, mesmo sabendo que não consigo suportar. Talvez esse seja meu modo de seguir em frente. De viver e acreditar.

22 março 2013

Exílio.

Você fez mais do que podia, ousou demais em errar. Você sabia no que daria, ainda assim mentiu demais. Não dá pra dizer quantas vezes estive na linha de fogo, entre a cruz e a espada, e quantas vezes carreguei seu peso com você. Não sei descrever a sensação, ou talvez até saiba, é como ser confidente do réu e do juiz. Mas eu não pude mais, eu não posso mais, e eu não irei mais tentar enxergar seu lado bom. Você esgotou tudo. Acabou. Assuma as consequências dos seus atos ao menos uma vez, e de cabeça erguida, veja o seu castelo de mentiras desmoronar sobre a máscara feita de ouro dos tolos, que você tão cuidadosamente esculpiu sob a fachada de um sorriso. O respeito que restava acabou, a confiança ruiu, a saudade cessou. Perdoar não é esquecer, espero que você saiba. E tenha a decência de não falar novamente sobre sentimentos, porque você não entende disso. Ao menos sei que a verdade realmente demora, mas chega, e chega sem avisar. Pois o tempo enfim fez seu papel, e mostrou a mim e a quem um dia já te quis o seu verdadeiro ser.

16 março 2013

Sobre Meus Dilemas.

Eu fui tentar lutar, e veja o que aconteceu... Fui brincar de aceitar, e no fim fui eu quem perdeu. Seria mais sensato aceitar que eu não sei lidar, seria mais verdadeiro. Mas eu sempre tento mudar minha essência, afastar a carência, ocultar o que eu sei que sou eu. Não dá. Eu tenho que aprender a usar pretérito no pretérito, do jeito que as coisas são, feias e sem rimas. Mas eu insisto em dar o toque de beleza por palavras no drama que deveria ser mudo. Isso é absurdo.
Jamais imaginei que as curvas da estrada seriam tão traiçoeiras e escorregadias, tão faceiras e vazias, igual o resto do timbre de minha voz, que um dia já foi ensaio de poema. Hoje em dia só sobrou o meu olhar que não consegue esconder nada, e o peso dentro do peito, que eu sei, só vai cessar quando eu aprender que não dá pra brincar, fingir, e vencer. Parei de rimar, já é um bom começo. Com sorte passo por mais essa curva perto do abismo.

11 março 2013

Tempo e Esquecimento.

O conceito de esquecer é difícil de lidar. Sempre há algo pra se tentar superar, algo pra abandonar, deixar pra trás. Mas por mais que o esquecimento esteja, por definição, atrelado ao tempo, é impossível depender de um para se obter o outro. Não se deve deixar iludir. O esquecimento é falho. Por outro lado, o tempo sempre vai estar presente pra mudar e tirar a paz, a dor, o dia, o amor, e tudo que você não esperar. Mas ainda assim você vai se lembrar.

27 fevereiro 2013

Seria Bom...



Um abraço. Um passo, um laço, nosso enlaço, eu no teu encalço. Seria bom você nos meus braços, não por acaso, eu com você sem medo do atraso, de cruzar a ponte, de olhar a lua, de virar a noite, a nossa noite feita da rosa que eu te dei. Como o segundo em que te puxei, junto com o beijo que eu roubei, e num sorriso te abracei sem devaneio, e você retribuiu sem receio, seria bom o calor, o frescor do seu cheiro, seria bom seu sorriso, sua voz, eu e você como nós. Num abraço sem pretensão de acabar. Sem enxergar a hora passar.

17 fevereiro 2013

Lebruce


Queria, por um dia, conseguir mudar
Deixar de ser errante, por um dia, não andar
Eu tenho uma ferida de cada lugar
Em que deixei guardada a solidão

E agora, o rosto no espelho eu não conheço mais
Não tem volta, e tudo que me resta é prometer

Não pretendo te iludir, dizer que isso vai durar pra sempre
Não pretendo te enganar até o meu coração não bater mais
Há muito tempo eu aprendi, nem mesmo a nossa morte é permanente
O tempo vai se encarregar de tirar a minha e a tua paz

Não, eu não sei lidar
Não, eu não sei amar

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Lucas Silveira