01 novembro 2013
Cila e Caribde.
Cila era o nome de um afloramento de rochas afiadas contra o qual os navios se chocavam até afundar. Caribde era um redemoinho. Um redemoinho muito forte. Uma vez que se fosse apanhado por ele, era impossível escapar. O redemoinho sugava e despedaçava. De certa forma somos nós, Cila e Caribde, a cruz e a espada, uma escolha pra duas terríveis opções. Eu, do alto de minha incapacidade em lidar, torno-me com o tempo a causa dos naufrágios, da queda, dos fracassos, e tu, com toda a sua ambivalência, torna-se impiedosa em tua própria natureza, e sem querer devasta, despedaça, com toda a tua desgraça. É inquietante que dois tipos de caos com vida tenham pensado em dar as mãos ao menos uma vez, e que tenha sido surpresa a forma que acabou. Eu fui destruído, você naufragou. O que esperávamos? Sou a cruz, tu é a espada, sou Cila, tu é Caribde. O lado errado da batalha corre em nossas veias, cuspimos veneno, mesmo sem ter presas. E separados já causamos incontáveis danos imensos, deveríamos ter notado que não daria certo, que estando juntos jamais ficaríamos ilesos.
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