19 setembro 2016

Blooming Heart.

Meu coração é uma rosa
Tão bela e inexplicável
Quanto vermelha e poética
Cada espinho habita em mim
Nascendo de minhas veias
E certas vezes
Machucando quem se atreve
A me tocar.
Carrego o primor da Primavera
Que um dia deixei sair
E que pra poder sobreviver
Lentamente aprisionei.
Um dia sei que vou murchar
Uma pétala por vez
E cada um que por mim passou
Agora tem o mesmo dom
E essa mesma sina
Me perdoem mas é inevitável.
Carrego a maldição de florescer
E vocês, agora também.

12 setembro 2016

Deus.

Com o som dos sapatos
Ecoando contra o asfalto
Caminho sem rumo certo pela madrugada
Pelo meio da rua
Imaginando quando tudo irá acabar
Muito embora não tenha registro
De um começo.
As lojas fechadas são fantasmas
Memórias físicas de amores proibidos
E de pesadelos psicodélicos.
Eu não me abalo mais com nada
O fogo vermelho e azul já não incomoda.
Eu me entreguei
Sou dos demônios, o senhor
E dos anjos, o criador.
Tenho minha própria força de destruir e também
De ser destruído.
Eu sou tudo que jamais pensei que me tornaria
E nada do que queria ser
O som dos sapatos ecoa
E eu entendo que sou e serei sempre
Dotado de impaciência
E solidão.

Poente.

Sozinho em meu quarto observo
As rachaduras macabras dos móveis
E minha respiração me atormenta
Com flashes de vidas passadas.
Eu me encolho na cama
E os quadros pendurados sussurram
Um convite a andar pela casa
E em meus passos sonâmbulos
Percebo e me compadeço
A casa vai me engolir
E nela vou perecer
E não há nada que eu possa fazer
Contra isso.

Gema.

Sob a luz do sol e as nuvens do céu azul
A noite cresce infinita dentro de mim
Vejo somente as pétalas caírem
Junto das penas de minhas asas
Outrora fortes e ansiosas.
Nada além do perfeito me foi confiado
Sendo assim não tenho nada
E o sangue de meus dedos estáticos
Mancha o caminho que um dia trilhei
Entre lembranças assustadoras
Terra árida, cicatrizes
Espelhos quebrados, suicídios
Vozes desconhecidas, vícios incontroláveis
E morte.

10 setembro 2016

A Linda Garota e a Rosa.

Havia uma garota.
Uma linda e sensível garota. Ela caminhava por campos de grama verde com um céu azul celeste a sua frente, contemplando tuas nuvens brancas de paz.
A linda garota tinha a mais bela paisagem para observar, o clima era leve e gentil para ela. Pois o mundo lhe era grato por existir.
Mas em algum lugar dentro de seus olhos, era possível notar o frio que seu coração emanava. A linda garota não queria mais caminhar.
Portanto parou e olhou para trás, e viu o céu mudar para azul turquesa enquanto estrelas despontavam no lugar das nuvens, com a lua brilhando ternamente.
No meio de um dia perfeito e de uma noite maravilhosa, a linda garota sentou-se e cruzou as pernas, sentindo a relva fresca entre as mãos.
Suspirou lentamente, ajeitando os cabelos e olhando a divisão da noite para o dia, exatamente em cima de onde ela estava sentada.
- O que houve, linda garota? – Perguntou-lhe o sol.
- Por que parou de andar? – Completou a lua.
A linda garota não olhou para nenhum dos dois astros, mas ouviu suas perguntas, e lágrimas parecidas com gotas de orvalho brotaram-lhe aos olhos.
- Eu perdi minha rosa, minha única rosa. – Ela disse entre pequenos soluços. – Ela estava no bolso do meu vestido, mas agora ela sumiu.
- Eu posso lhe dar calor e alegria. – Disse o sol.
- Eu lhe darei minha mais brilhante estrela. – Bajulou a lua.
Mas tudo que a linda garota fez foi continuar sentada, sem expressar a menor felicidade em seu rostinho amável. Ela tinha medo de ir em frente e esquecer de sua rosa, porém não queria voltar e não conseguir encontrá-la.
E assim a linda garota ficou entre o dia e a noite, triste e silenciosa. Durante três dias inteiros ela permaneceu ali. E cada vez que o sol ou a lua imperavam no horizonte a sua frente, tentavam fazer com que ela seguisse, sem sucesso. Mas o vento notou que tua admiradora, antes feliz e sorridente, estava sem esperança, e resolveu tentar ajudá-la.
- Olá, linda garota. Como você está indo? – Disse ele.
A linda garota levantou-se, espantada. Não reconhecia aquela voz tão diferente da voz bem humorada do sol, e da voz compreensiva da lua.
- Não se assuste, minha pequena. Não lhe farei mal algum.
- Quem está ai? – Perguntou ela, de forma cautelosa.
- Sou aquele para quem você sorria, aquele que te impulsionava e dava asas aos teus sonhos. Sou o vento, linda garota, e tenho sentido tua falta.
A linda garota procurou, mas não o viu. Fechou os olhos e prestou atenção, mas não o sentiu. Que tipo de vento não se fazia sentir ao redor?
- O vento que eu conheço era diferente...
O vento riu, e com tua voz imponente respondeu calmamente.
- Me conheces quando sopro, linda garota, mas não estou a soprar neste momento. E não estou a soprar, pois paraste de sorrir.
A linda garota sentou novamente, com lágrimas de orvalho voltando a enfeitar os olhos. Mas o vento era esperto, e assim falou novamente.
- Sei o que te aflige, linda garota. E sei como ajudar-te.
- Como? – Ela perguntou.
- O sol e a lua são tão antigos quanto eu, mas só veem o mundo lá de cima. Eu, porém, sou um viajante sábio, e conheço cada canto e segredo desta terra. Posso trazer-te a flor amiga de volta.
A linda garota sentiu excitação de reencontro aquecer teus sentimentos. E sorrindo levantou, erguendo os braços para o céu, tentando abraçar o vento.
- Você pode? Você pode amigo vento? Pode mesmo?
- Posso, porém você precisa fechar os olhos. – Respondeu o vento, no alto de tua sabedoria.
A linda garota fechou os olhos e ficou imóvel, prestando atenção aos sentidos. Mas não entendia como iria ver sua rosa se estivesse de olhos fechados.
- Respire fundo, linda garota, e preste atenção.
O vento não podia mover a rosa de tão longe pelo ar, mas trouxe de volta teu perfume. A linda garota respirou e sentiu o perfume de tua rosa, era como se pudesse ouvir tuas pétalas e sentir teu caule entre os dedos outra vez. O coração da linda garota acelerou, e o frio que emanava dele transformou-se em calor de saudade, de felicidade.
Ela abriu os olhos, mas ao olhar ao redor não achou tua amiga. Perplexa, ela olhou para o céu, numa expressão de dúvida. O vento porém, respondeu antes que ela pudesse dizer algo.
- Tua amiga rosa não é mais corpórea, linda garota. Porque tudo tem de seguir teu próprio caminho, mas isso não quer dizer que você a perdeu. Apenas significa que a ama e deixou que ela seguisse tua sina.
- Mas como vou conversar com ela, vento, se ela não está aqui?
- Ela está aqui. Eu trouxe de volta tua essência e teu calor. Sempre que quiser, poderá senti-la dentro do teu coração, e assim conversar com tua amiga rosa.
A linda garota sorriu, era verdade o que o vento dizia. Podia sentir que a amiga flor estava ao redor, protegendo-a da tristeza que antes lhe cortava. Assim ela percebeu que nem sempre é preciso ter algo para conhecê-lo, ver algo para amá-lo, ou falar em voz alta para conversar.
A linda garota voltou a caminhar, olhando os dias passarem entre dia e noite, seguindo o próprio caminho assim como ela sabia que tua flor também seguia.
Durante suas horas de solidão, o vento generoso sempre trazia a essência de tua amiga novamente, para que ela pudesse animar-se e manter o sorriso.
Entretanto a linda garota sabia que apesar de não vê-la, a rosa estava viva e feliz onde quer que estivesse, pois sempre podia sentir tua amiga e falar com ela em teu coração.

05 setembro 2016

Amálgama.

Te observar tão de perto foi um momento que não consigo definir com somente uma palavra, mas eu bem que gostaria. Foi um desses momentos em que as coisas param de fazer sentido, mas isso se torna menos importante do que uma gota em uma cachoeira. Seu olhar parecia fazer tudo mais leve do que realmente é, e por um momento a gravidade se desfez, por um momento me desprendi e não senti medo. Ouvi sua voz, observei seu sorriso. Tão natural, tão confortável como a noite morna, e debaixo de um céu noturno com estrelas coloridas eu presenciei você e toda a beleza que, eu sabia, só você podia emanar daquela forma tão essencial. Eu saí do barulho, das pessoas, saí de meu coração pra deixar você preenchê-lo com as borboletas que você conseguia criar só com o som de sua risada. Eu observei cada fresta de luz que você deixou no ar com seus movimentos delicados e sinceros. Olhos castanhos, afáveis, amendoados. Eu segurei sua mão e me deixei levar, deixei você voar e flutuei contigo, e o mundo era meu abrigo, mas cada passo sobre as nuvens me faziam notar que eu não precisaria de um abrigo estando em sua companhia. Porque você era incalculável, indescritível, o único momento de uma realidade mais real que a do acordar. Um segundo a mais e você era um anjo, que num abraço cheio de calma, me envolveu com tuas asas e desceu ao chão numa espiral doce e gentil, em sua própria coreografia, da qual eu tomava parte sem saber que o fazia. Era você de quem fazia sentido realmente estar perto. Ilusória e tão real quanto o fôlego que escapava dos meus pulmões. Uma fusão, pensei. Seria... uma amálgama. Te observar tão de perto foi um momento que eu não conseguia definir somente com um palavra. Agora eu consigo. Amálgama, que à partir desse momento, terá sempre como sinônimo o teu nome.

02 setembro 2016

Avalanche.

"Cut me open and tell me what's inside
Diagnose me 'cause I can’t keep wondering why
And no it's not a phase 'cause it happens all the time
Start over, check again, now tell me what you find


'Cause I'm going out of frequency
Can anyone respond?


It's like an avalanche
I feel myself go under
'Cause the weight of it's like hands around my neck
I never stood a chance
My heart is frozen over
And I feel like I am treading on thin ice

Am I broken? What's the chance I will survive?
Don't sugarcoat me, 'cause I feel like suicide
Just give it to me straight 'cause I'm running out of time
I need an antidote now, what can you prescribe?

It's like an avalanche
I feel myself go under
'Cause the weight of it's like hands around my neck
I never stood a chance
My heart is frozen over
And I feel like I am treading on thin ice
And I'm going under

I need a cure for me 'cause a square doesn't fit the circle
Give me a remedy 'cause my head wasn't wired for this world

I need a cure for me 'cause a square doesn't fit the circle
Give me a remedy 'cause my head wasn't wired for this world

I'm going out of frequency
Can anyone respond?
'Cause I'm going out of frequency
Can anyone respond?

It's like an avalanche
I feel myself go under
'Cause the weight of it's like hands around my neck
I never stood a chance
My heart is frozen over
And I feel like I am treading on thin ice
And I'm going under

I need a cure for me 'cause a square doesn't fit the circle
Give me a remedy 'cause my head wasn't wired for this world

I need a cure for me 'cause a square doesn't fit the circle
Give me a remedy 'cause when it hits, well it hits like an avalanche"

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Bring Me The Horizon