05 setembro 2016
Amálgama.
Te observar tão de perto foi um momento que não consigo definir com somente uma palavra, mas eu bem que gostaria. Foi um desses momentos em que as coisas param de fazer sentido, mas isso se torna menos importante do que uma gota em uma cachoeira. Seu olhar parecia fazer tudo mais leve do que realmente é, e por um momento a gravidade se desfez, por um momento me desprendi e não senti medo. Ouvi sua voz, observei seu sorriso. Tão natural, tão confortável como a noite morna, e debaixo de um céu noturno com estrelas coloridas eu presenciei você e toda a beleza que, eu sabia, só você podia emanar daquela forma tão essencial. Eu saí do barulho, das pessoas, saí de meu coração pra deixar você preenchê-lo com as borboletas que você conseguia criar só com o som de sua risada. Eu observei cada fresta de luz que você deixou no ar com seus movimentos delicados e sinceros. Olhos castanhos, afáveis, amendoados. Eu segurei sua mão e me deixei levar, deixei você voar e flutuei contigo, e o mundo era meu abrigo, mas cada passo sobre as nuvens me faziam notar que eu não precisaria de um abrigo estando em sua companhia. Porque você era incalculável, indescritível, o único momento de uma realidade mais real que a do acordar. Um segundo a mais e você era um anjo, que num abraço cheio de calma, me envolveu com tuas asas e desceu ao chão numa espiral doce e gentil, em sua própria coreografia, da qual eu tomava parte sem saber que o fazia. Era você de quem fazia sentido realmente estar perto. Ilusória e tão real quanto o fôlego que escapava dos meus pulmões. Uma fusão, pensei. Seria... uma amálgama. Te observar tão de perto foi um momento que eu não conseguia definir somente com um palavra. Agora eu consigo. Amálgama, que à partir desse momento, terá sempre como sinônimo o teu nome.
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