Havia uma garota.
Uma linda e sensível garota. Ela caminhava por campos de grama verde com um céu azul celeste a sua frente, contemplando tuas nuvens brancas de paz.
A linda garota tinha a mais bela paisagem para observar, o clima era leve e gentil para ela. Pois o mundo lhe era grato por existir.
Mas em algum lugar dentro de seus olhos, era possível notar o frio que seu coração emanava. A linda garota não queria mais caminhar.
Portanto parou e olhou para trás, e viu o céu mudar para azul turquesa enquanto estrelas despontavam no lugar das nuvens, com a lua brilhando ternamente.
No meio de um dia perfeito e de uma noite maravilhosa, a linda garota sentou-se e cruzou as pernas, sentindo a relva fresca entre as mãos.
Suspirou lentamente, ajeitando os cabelos e olhando a divisão da noite para o dia, exatamente em cima de onde ela estava sentada.
- O que houve, linda garota? – Perguntou-lhe o sol.
- Por que parou de andar? – Completou a lua.
A linda garota não olhou para nenhum dos dois astros, mas ouviu suas perguntas, e lágrimas parecidas com gotas de orvalho brotaram-lhe aos olhos.
- Eu perdi minha rosa, minha única rosa. – Ela disse entre pequenos soluços. – Ela estava no bolso do meu vestido, mas agora ela sumiu.
- Eu posso lhe dar calor e alegria. – Disse o sol.
- Eu lhe darei minha mais brilhante estrela. – Bajulou a lua.
Mas tudo que a linda garota fez foi continuar sentada, sem expressar a menor felicidade em seu rostinho amável. Ela tinha medo de ir em frente e esquecer de sua rosa, porém não queria voltar e não conseguir encontrá-la.
E assim a linda garota ficou entre o dia e a noite, triste e silenciosa. Durante três dias inteiros ela permaneceu ali. E cada vez que o sol ou a lua imperavam no horizonte a sua frente, tentavam fazer com que ela seguisse, sem sucesso. Mas o vento notou que tua admiradora, antes feliz e sorridente, estava sem esperança, e resolveu tentar ajudá-la.
- Olá, linda garota. Como você está indo? – Disse ele.
A linda garota levantou-se, espantada. Não reconhecia aquela voz tão diferente da voz bem humorada do sol, e da voz compreensiva da lua.
- Não se assuste, minha pequena. Não lhe farei mal algum.
- Quem está ai? – Perguntou ela, de forma cautelosa.
- Sou aquele para quem você sorria, aquele que te impulsionava e dava asas aos teus sonhos. Sou o vento, linda garota, e tenho sentido tua falta.
A linda garota procurou, mas não o viu. Fechou os olhos e prestou atenção, mas não o sentiu. Que tipo de vento não se fazia sentir ao redor?
- O vento que eu conheço era diferente...
O vento riu, e com tua voz imponente respondeu calmamente.
- Me conheces quando sopro, linda garota, mas não estou a soprar neste momento. E não estou a soprar, pois paraste de sorrir.
A linda garota sentou novamente, com lágrimas de orvalho voltando a enfeitar os olhos. Mas o vento era esperto, e assim falou novamente.
- Sei o que te aflige, linda garota. E sei como ajudar-te.
- Como? – Ela perguntou.
- O sol e a lua são tão antigos quanto eu, mas só veem o mundo lá de cima. Eu, porém, sou um viajante sábio, e conheço cada canto e segredo desta terra. Posso trazer-te a flor amiga de volta.
A linda garota sentiu excitação de reencontro aquecer teus sentimentos. E sorrindo levantou, erguendo os braços para o céu, tentando abraçar o vento.
- Você pode? Você pode amigo vento? Pode mesmo?
- Posso, porém você precisa fechar os olhos. – Respondeu o vento, no alto de tua sabedoria.
A linda garota fechou os olhos e ficou imóvel, prestando atenção aos sentidos. Mas não entendia como iria ver sua rosa se estivesse de olhos fechados.
- Respire fundo, linda garota, e preste atenção.
O vento não podia mover a rosa de tão longe pelo ar, mas trouxe de volta teu perfume. A linda garota respirou e sentiu o perfume de tua rosa, era como se pudesse ouvir tuas pétalas e sentir teu caule entre os dedos outra vez. O coração da linda garota acelerou, e o frio que emanava dele transformou-se em calor de saudade, de felicidade.
Ela abriu os olhos, mas ao olhar ao redor não achou tua amiga. Perplexa, ela olhou para o céu, numa expressão de dúvida. O vento porém, respondeu antes que ela pudesse dizer algo.
- Tua amiga rosa não é mais corpórea, linda garota. Porque tudo tem de seguir teu próprio caminho, mas isso não quer dizer que você a perdeu. Apenas significa que a ama e deixou que ela seguisse tua sina.
- Mas como vou conversar com ela, vento, se ela não está aqui?
- Ela está aqui. Eu trouxe de volta tua essência e teu calor. Sempre que quiser, poderá senti-la dentro do teu coração, e assim conversar com tua amiga rosa.
A linda garota sorriu, era verdade o que o vento dizia. Podia sentir que a amiga flor estava ao redor, protegendo-a da tristeza que antes lhe cortava. Assim ela percebeu que nem sempre é preciso ter algo para conhecê-lo, ver algo para amá-lo, ou falar em voz alta para conversar.
A linda garota voltou a caminhar, olhando os dias passarem entre dia e noite, seguindo o próprio caminho assim como ela sabia que tua flor também seguia.
Durante suas horas de solidão, o vento generoso sempre trazia a essência de tua amiga novamente, para que ela pudesse animar-se e manter o sorriso.
Entretanto a linda garota sabia que apesar de não vê-la, a rosa estava viva e feliz onde quer que estivesse, pois sempre podia sentir tua amiga e falar com ela em teu coração.
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