O ano é 2023 e o mundo agora é feito de fotografias verticais.
31 dezembro 2023
Black and blue.
Wounds of regret
I am made of wounds of regret
Broken and exhausted
With a silver tongue and rotten teeth
And bleeding scars all over my body
Thinking about death
Contemplating dispair and suicide
Inside a square that I call life
Totally beated
And totally blue as the sky
29 dezembro 2023
Das coisas que me transportam daqui.
Uma tarde ensolarada no marasmo. Crianças de férias da escola brincam no fim do ano. Os vizinhos escutam os risos e os gritos inocentes de alegria com algum desconforto inerente aos mais velhos. Os pequenos se divertem com o pouco muito que conhecem. Uma piscina inflável no quintal de cimento, pega-pega, esconde-esconde. Compram geladinho e sentam na calçada na frente de casa. Chinelo de dedo, roupas coloridas que não precisam combinar. A bola de futebol faz gol, mas vira bola de vôlei e de queimada. Almoçar a comida da mãe, comer o bolo de fubá da avó, sem preocupações e sem precisar pensar em nada demais. Compartilhar e estar com os amiguinhos, sem preconceitos, sem interesses, gostar por gostar, sorrir. Aqueles foram tempos dourados que com certeza marcaram a vida. Naqueles dias de verão, o mundo foi melhor, e o reinado mais pacífico da história aconteceu.
Sessão gritos inaudíveis #04
Meu coração de vidro é frágil e não pulsa
Meus olhos de piche não enxergam e vazam
Minhas mãos de foice ferem e amputam
Meus dentes de serra dilaceram
E minha existência corrompe indefinidamente
Como cianureto eu espumo
E como um vírus eu contamino
Talvez eu nunca mais encontre aquele eu
Inocente, esperançoso e feliz
Talvez eu nunca mais seja uma pessoa
Um ser humano
E talvez eu permaneça
Eternamente sendo essa besta
Sendo essa coisa
Essa coisa indefinida e quebrada
Sessão gritos inaudíveis #03
Por mais que eu queira
Por mais que eu anseie
Sob a luz do luar
Ou debaixo do sol invencível
Por trás do sorriso
E dos abraços de dor e amor
Debaixo da minha pele
E sob minhas unhas
Por mais que eu mentalize
Imagine e romantize
Entre os orgasmos
E toda a depressão
Nas minhas cicatrizes
E nas palavras de conforto
A cada queda
E também a cada recomeço
A vida se apega a mim
E rasga minha pele
De dentro pra fora
Intimamente dilacerando
Como um nervo
Como um tumor
Sessão gritos inaudíveis #02
É bizarro o que acontece comigo atualmente. Quero viver plenamente na mesma medida que quero deixar tudo pra trás. Como naquela música que diz "às vezes quero tudo que sonhei, às vezes o que eu quero é desistir." Mas nunca senti essa dualidade nessa medida tão extrema. É um balanço em alto mar que me esmaga. Às vezes sinto que estou além da vida e do tempo, mas de uma maneira que não me deixa inerte. É como se eu seguisse em frente de uma maneira sem propósito por me sentir obsoleto em todas as instâncias. Acho que isso tudo torna muito de mim e do que faço... sem sentido.
