30 março 2012

Fim De Semana.

É difícil ficar dentro de casa durante o final de semana. A madrugada foi complicada e dormi o mais tarde que pude, para poder acordar o mais tarde possível. Quando abri os olhos o sol já estava a pino, e os barulhos da tarde já imperavam no ar. Ainda assim não consegui me sentir em paz.
As vozes lá fora me lembram de momentos que eu não quero lembrar, me fazer enxergar vultos que não deveriam existir. Estou subitamente envergonhado de minha idade e isso não é certo. A internet já não me distrai tão efetivamente, e a cada cinco minutos eu saio à janela e olho o dia lá fora.
Porque eu sinto que estou tão fora do lugar? Porque eu sinto que não pertenço à isso?
Da janela vejo belas nuvens gigantescas, e ao longe vejo pássaros traçando linhas despreocupadas no céu. É mais fácil olhar para cima, posso fingir que estou em outro lugar, longe de tudo que me condena e de todos ao meu redor.
Pensando bem eu não deveria ter problemas com esse tipo de questão, pois é o que acontece com todos e agora aconteceu comigo, é normal. Saber disso só me deixa mais triste por não conseguir me desprender de algo tão inútil apenas porque estou com medo. Questões, questões, malditas questões. Se é tudo apenas um jogo eu realmente não faço a mínima ideia das regras e de como jogar.
Quando foi que me tornei isso? Quando foi que fiquei tão perdido?
Estou à deriva. Quero sair daqui...

17 março 2012

Chega.

Chega disso.
Chega de jogar bola todos os dias.
Chega de ser tão simpático.
Chega de ser um bom ouvinte.
Chega de sorrir desnecessariamente.
Chega de ser inspiração.
Chega de tentar fingir.
Chega de sonhos idiotas.
Chega de fugas impossíveis.
Chega.
Já é hora de acordar.

13 março 2012

Querer De Solidão.

Penso em nós dois.
E em tudo que jamais fomos ou seremos.
E te enxergo em dias invisíveis.
Lembrando de momentos que não existiram.
Onde sorrimos e vamos em frente.
Porque temos pleno conhecimento.
De nós dois e da liberdade.
Vivendo um dia de cada vez.
Abraçados pelo sabor do inesperado.
Mas esta é a crueldade.
A crueldade da consciência.
E ao final cumprimento a paixão.
Nenhuma mentira é maior do que a mente.
E por isso sou tão bom em pensar.
Pois não passa de fantasia.
É como dormir de olhos abertos.
Sem pretensão alguma de acordar.
Um querer de solidão na vontade de amar.

Cidades Sem Nomes.

Eu te mostrei meus pensamentos.
E tudo que um dia eu amei.
Mas tão incondicionalmente.
Fracassei em ser compreendido.
Talvez se eu voltasse ao passado.
Onde tudo era diferente.
Eu poderia olhar e enxergar tudo.
Para finalmente controlar o que é meu.
Mas fiquei abaixo da culpa.
E esqueci o caminho até você.
Perdido em cidades sem nomes.
Das quais ergui os muros.
Os muros que me aprisionam.

Tempos Em Tempos.

Eu pego o que está morto.
E dou vida novamente.
E deixo tudo partir.
Sem maiores interrupções.
Torcendo para que fique bem.
Mesmo assim não sei dizer.
Quem se machucou mais.
Pois lhe comprei flores murchas.
E lhe escrevi um poema.
Mas não há nada para dizer esta noite.
Tenho vinte e quem sabe mais um.
Ao sabor da rua e à sua saúde.
Dominando meu pobre mundo.
E mostrando perfumes novos.
Pelos quais amargamente amadureci.
Nestas curvas abrangentes.
Mas ainda assim...
Não tenho quem me sopre vida.

09 março 2012

Tricentésimo Quinquagésimo Segundo.

B.

"Eu vejo um belo sorriso.
E teus lábios o fazem sincero.
E vejo chegar sem aviso.
O traço que tão bem espero.

O modo espontâneo encanta.
Mesclado com impaciência.
E o teu jeito doce espanta.
Os males que tenho ciência.

No castanho há traços vermelhos.
Bem como há um verde no olhar.
Mas prefere estar longe de espelhos.
Com medo do que vai achar.

Só sei que te gosto em tudo.
Gentileza tua essência abriga.
E digo em meu poema mudo.
Obrigado por ser minha amiga."

By - [Halos]

Renegada.

Olá de novo...
Eu te enterrei, por onde você tem andado?
Minha renegada,
Você voltou do labirinto.

Ao contrário de mim,
Você procurou por coisas que podem ser achadas.
E o fio...
Que a guia por maus tempos.

Quando os pensamentos
Ultrapassaram as palavras ditas.
Nas primeiras horas
Nós falhamos em estabelecer
Quem se machucou mais.
.
.

KOC.

07 março 2012

Halcyon Nights.

Mais uma noite difícil de dormir. O bom senso me diz que beber não vai ajudar, mas desconsidero isso vertiginosamente enquanto deixo o uísque descer vagarosamente pela garganta. Saio à porta e sento-me friamente, o semblante fechado.
A lua está magnífica, me pergunto quando foi que me tornei este homem tão sinceramente estagnado. Enquanto não encontro resposta o vento sopra e fecho meus olhos para apreciar melhor a sensação. É como mágica ou algo semelhante, meu corpo se arrepia enquanto inspiro longamente o que sei por definição ser o cheiro da maciez de sua pele tão sensível embora também saiba ser impossível.
Outro gole, abro os olhos marejados e ao encarar as nuvens noturnas vejo teu rosto e o semblante de paz que ele carrega. A sensação de solidão aumenta, é horrível não te ter ao meu lado. Tudo lembra você de alguma forma, talvez seja outra artimanha da distância, outro efeito colateral da saudade e das lembranças.
Deixo o copo sobre a pia e me deito cansadamente. Não sei o que é, nem porque você permanece dentro de mim, mas sei que vou conseguir descobrir, tempo longe de você para pensar e não dormir com certeza não faltará.

01 março 2012

Assim Mesmo...

Amar é perigoso.
É uma grande armadilha.
Uma poça sem fundo.
Onde você afunda e afunda.
Onde o ar se extingue.
E quando você morre, acorda.
Seu corpo está marcado.
Sua mente ensadecida.
Você se movimenta.
Mas não é você.
Você é só um corpo.
Uma casca inútil e vazia.
Mas é assim que tem ser.