29 outubro 2015

Sangue Morto.

 A vida é burocrática, triste e desinteressante, e as pessoas me cativam cada vez menos, embora eu finja que não. Não posso dizer que não sou culpado, mas é impossível aceitar todo esse peso dentro do peito sozinho, mas é assim que termino, sozinho. Sinto como se eu fosse um grande fracasso da natureza e não pudesse fazer nada pra mudar isso. Me repito muito nas palavras ultimamente, cada vez mais escrevo somente sobre todas essas cicatrizes, todo o peso que sei, terei de carregar até o fim da vida, e talvez até depois dela. Não há como descrever com precisão, mas eu sei que estou caindo cada vez mais fundo nesse lago maldito. A água negra invade meus pulmões como um veneno, sangue morto, necrosado. Tão gelada e cruel quanto meu fim apoteótico. Eu sou apenas um insignificante tentando lutar contra um grande peso. É claustrofóbico. 

20 outubro 2015

Me. Again.

Quanto tempo será que vai demorar?
Por algum tempo eu consegui seguir bem os meus dias, e consegui me enganar. Por um bom tempo eu cheguei a pensar que dessa vez seria diferente, que eu estava conseguindo entender, me adaptar. Isso foi uma ilusão desde o começo. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete; muitas cicatrizes pra carregar, muitas ondas pra varrer tudo ao meu redor e me afogar lentamente, me tirando o equilíbrio, levando embora meu ar. É um déjà vu infinito de uma queda onde quebro meus ossos, onde bato meu rosto contra o chão e sinto gosto de sangue, e sinto a vista tremer e embaçar. Agora eu sei que nada mudou, e que eu continuo a ser alguém que não sabe lidar. Foram sete golpes, sete tiros mortais, sete mágoas a impregnar o peito. Continua tudo muito violento. Ainda estou matando e morrendo, e mais cedo ou mais tarde eu sei, o número oito vai chegar, e eu não serei capaz de evitar. Tudo que posso fazer é andar cuidadosamente, sorrir e me perguntar:
Quanto tempo será que vai demorar?