03 dezembro 2015

Crushing.

Respirando lentamente
Ouvindo a própria respiração.
Fingindo estar presente
Na consciência um furacão.


Nada pode ser mais real
Sangue escorrendo pelos dedos.
No peito um veneno letal
Mistura dos próprios segredos.


Lembranças sussurradas em vão
Não há saída que possa te confortar.
Ferindo a pele e trazendo solidão
Pétalas vermelhas mais leves que o ar.


Sentindo a dor do tempo
Caindo sem parar.
Na queda contra o vento
A morte vai chegar.

23 novembro 2015

25.

Lembro que 10 anos atrás era tudo muito diferente. Eu tinha 15 anos e tudo parecia já bem resolvido, de certa forma. Não era como se eu já soubesse o caminho que iria seguir, mas de alguma forma tudo parecia bem, muito embora eu já fosse um rapaz melancólico nas horas que ficava sozinho. Sabe, a gente nunca acha que vai chegar aos 25 anos se sentindo deslocado assim. Lembro que naquela época às vezes eu sentia como se não me encaixasse no ambiente ao redor, mas quando a gente é mais novo pensa que sabe a razão de quase tudo, e eu não era diferente. Eu tinha uma certeza cega que as coisas mudariam só de eu olhar pra elas, como se só o fato de eu desejar algo fosse o suficiente pra tudo ser diferente. Eu vivia por aí dando risada sem motivo, com alguns poucos amigos, fazendo coisas sem pensar, mas no fim do dia sempre me sentia triste. Era esquisito.
Não achava que aos 25 anos eu seria um adulto triste. Não achava que seria um adulto sozinho, que passa a noite sem dormir pensando em como as coisas desandaram sem querer. Aliás, naquela época eu não achava nem que seria adulto. Ter 25 anos parecia algo tão distante, tão além... Pelo que me constava, eu tinha muito tempo pra viver os melhores anos, que no fim das contas passaram como se fosse a duração de uma música. Hoje eu me sinto velho demais pra pensar sobre isso. E jovem demais também. Tudo que eu sei é que 10 anos atrás eu me achava muito mais capaz e inteligente, mas os anos foram passando, e hoje eu sei que continuo tão perdido quanto antes. Talvez mais.

11 novembro 2015

Darren Shan.

"Quando eu tinha nove anos, meus pais me deram uma pequena tarântula. Não era venenosa, nem muito grande, mais foi o melhor presente que recebi na vida. Eu brincava com aquela aranha quase todas as horas do dia. Dava a ela todo tipo de guloseimas: moscas e baratas e pequenas minhocas. Eu a estraguei com mimos.
Então, um dia, fiz uma coisa idiota. Eu estava assistindo a um desenho no qual um dos personagens era sugado por um aspirador. Não aconteceu nada de mau com ele. Ele saiu do saco, cheio de poeira e lixo, e furioso. Era muito engraçado.
Tão engraçado que tentei fazer o mesmo. Com a tarântula.
Não preciso dizer que as coisas não aconteceram como no desenho animado. A aranha foi feita em pedaços. Eu chorei bastante, mas era tarde demais para lágrimas. Meu bicho de estimação estava morto, por minha culpa, e eu não podia fazer nada a respeito. Meus pais quase derrubaram o teto, tamanha foi a gritaria quando souberam o que eu tinha feito - a tarântula tinha custado caro. Disseram que eu era um bobo irresponsável e desse dia em diante nunca mais me deixaram ter um bicho de estimação, nem mesmo uma aranha comum do jardim.
O problema com a vida real é que, quando você faz uma coisa idiota, geralmente tem de pagar. Nos livros, os heróis podem cometer erros à vontade. Não importa o que façam, porque tudo acaba bem. Eles espancam os bandidos e endireitam as coisas e tudo acaba bonitinho.
Na vida real, aspiradores de pó matam aranhas. Se você atravessa uma rua movimentada sem olhar, acaba atropelado por um carro. Se você cai de uma árvore, quebra alguns ossos. A vida real é horrível. É cruel. Não se importa com heróis e finais felizes e como as coisas devem ser. Na vida real, acontecem coisas más. As pessoas morrem. Lutas são perdidas. O mal sempre vence. Eu só queria deixar isso bem claro."

07 novembro 2015

Pétalas Que Voam.

Ficarei a te esperar, parado no mesmo lugar.
Estarei observando as tardes de sol, e as noites de chuva.

Admirando cada flor viva da Primavera.
Acompanhando cada folha morta do Outono.

Ouvindo as mesmas músicas, lembrando cada passo.
Vou sentir seu perfume em cada sopro do vento.
Recordar nossas mãos dadas em todos os meus momentos.
Eu sei, tudo tem seu próprio tempo...
Você pode não voltar, e eu jamais vou te culpar.
Mas ficarei a te esperar. Aqui nesse lugar.
O lugar em que nos conhecemos...

29 outubro 2015

Sangue Morto.

 A vida é burocrática, triste e desinteressante, e as pessoas me cativam cada vez menos, embora eu finja que não. Não posso dizer que não sou culpado, mas é impossível aceitar todo esse peso dentro do peito sozinho, mas é assim que termino, sozinho. Sinto como se eu fosse um grande fracasso da natureza e não pudesse fazer nada pra mudar isso. Me repito muito nas palavras ultimamente, cada vez mais escrevo somente sobre todas essas cicatrizes, todo o peso que sei, terei de carregar até o fim da vida, e talvez até depois dela. Não há como descrever com precisão, mas eu sei que estou caindo cada vez mais fundo nesse lago maldito. A água negra invade meus pulmões como um veneno, sangue morto, necrosado. Tão gelada e cruel quanto meu fim apoteótico. Eu sou apenas um insignificante tentando lutar contra um grande peso. É claustrofóbico. 

20 outubro 2015

Me. Again.

Quanto tempo será que vai demorar?
Por algum tempo eu consegui seguir bem os meus dias, e consegui me enganar. Por um bom tempo eu cheguei a pensar que dessa vez seria diferente, que eu estava conseguindo entender, me adaptar. Isso foi uma ilusão desde o começo. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete; muitas cicatrizes pra carregar, muitas ondas pra varrer tudo ao meu redor e me afogar lentamente, me tirando o equilíbrio, levando embora meu ar. É um déjà vu infinito de uma queda onde quebro meus ossos, onde bato meu rosto contra o chão e sinto gosto de sangue, e sinto a vista tremer e embaçar. Agora eu sei que nada mudou, e que eu continuo a ser alguém que não sabe lidar. Foram sete golpes, sete tiros mortais, sete mágoas a impregnar o peito. Continua tudo muito violento. Ainda estou matando e morrendo, e mais cedo ou mais tarde eu sei, o número oito vai chegar, e eu não serei capaz de evitar. Tudo que posso fazer é andar cuidadosamente, sorrir e me perguntar:
Quanto tempo será que vai demorar?

28 setembro 2015

Cair Do Anoitecer.

Ouço a chuva cair durante a noite, suas gotas batendo rapidamente contra meu corpo, estimulando cada terminação nervosa. O vento sopra refrescante, exatamente como sua preseça ao meu lado. Um raio corta o céu escuro, eu vejo seu rosto, e ao som do trovão entrelaçamos nossos dedos. Já não sei quanto tempo faz que estamos sentados sob a chuva, mas não importa, sei que você está confortável, e eu também estou. Isso é tudo que preciso saber. Você observa meu sorriso, e sabendo em qual música estou pensando, encosta a cabeça no meu ombro e canta baixinho o refrão. Eu te enlaço em um abraço e nos beijamos, a chuva nos cumprimentando e nos aceitando, a noite ainda longe de acabar. Depois de mais alguns beijos você se levanta, olha pra mim e sorri, daquele jeito que só você pode fazer, me tirando um pouco da sensibilidade ao ambiente que nos cerca. Me levanto e seguro suas mãos. Sinto sua pele mais fria e percebo que é hora de irmos pra casa nos abrigar. Nos beijamos novamente e fomos caminhando sob a chuva, mãos dadas, num silêncio cheio de cumplicidade, calmamente quebrado por mim.
- Eu te amo.
Era como se tudo agora fosse silêncio. Parecia estar num mundo desprovido de som que não viesse de sua respiração suave, e em seguida, de sua voz maravilhosa.
- Eu também te amo.
Sorrimos. Eu sentia meu coração bater compassado ao seu. Tudo ficaria bem conosco. Com você ao meu lado, nada poderia fazer mais sentido. Nada poderia ser mais real. 

21 setembro 2015

00:52

Acho que ainda tenho muito pra viver. Sei que tenho muito pra amadurecer e que muita coisa ainda vai mudar, mas às vezes parece que vou permanecer vazio e sozinho até o amargo fim. Nesses momentos tudo que consigo sentir é desânimo e desespero. Sei que não vai ser sempre assim, mas às vezes realmente parece que vai, às vezes eu quase me convenço, e não consigo evitar de me sentir assim. Eu sou estranho.

08 setembro 2015

Noção das Estações.

O frio do Outono chega, e com ele as folhas caem vagarosamente das árvores, lembrando noites de um passado recente, onde tudo que importava era o modo que o amantes andavam de mãos dadas, envoltos em cachecóis e sorrindo calmamente, porque a companhia do amor lhes bastava.
A última folha finalmente cai, declarando o fim do Outono, prevendo a chegada do Inverno que sopra rapidamente, varrendo as folhas mortas da estação e levando junto alguns amores. Para esses, resta apenas a lembrança do que foram e o desejo daquilo que jamais terão ou serão outra vez. Durante belas madrugadas insones, afogarão suas mágoas e ressentimentos com goles vacilantes de uísque e tragos de cigarro, ou com goles quentes de café, enquanto as páginas de um bom livro as lembrarão daquele sentimento que nasceu em Primaveras passadas e lentamente desbotou e morreu, como tudo que é tocado pela força incontestável do tempo.

Por mais que você sonhe, vai sempre acabar acordando e enxergando o que é real.

01 setembro 2015

Vazio?

Às vezes sinto como se nenhuma ação minha fosse realmente produtiva. Parece que nada do que eu faço vale à pena, e nessas horas, por algum motivo, eu não sinto vontade de tentar mudar isso. É como se eu apenas estivesse me deixando levar pela correnteza. Enfim, eu não sei nadar, e honestamente não sei se quero aprender. Eu acendo um cigarro e vago por aí ouvindo jazz suave, sem um propósito real, somente algo disforme e de cor indefinida, querendo mais um gole de uísque ou de cerveja. Vivo entre sorrisos forçados e suicídios a longo prazo. Passo meus dias me sentindo solitário, ouvindo a chuva que não cessa a cobrir a mente e o peito amargurado. Bem... ainda que madrugadas como essa me façam sentir encurralado, ao menos a trilha sonora ainda me acompanha.

21 agosto 2015

Algumas Horas Do Dia 20.

Me senti calmo e feliz observando você lentamente adormecer sob meus cafunés, enquanto ouvíamos Kings of Convenience. Esqueci de todos os meus problemas e sorri silenciosamente, ajeitei o cobertor sobre seu corpo e te deixei dormir, aceitando que tudo ficasse como estava. Você dormindo, Kings of Convenience tocando, e eu ao seu lado. Mais que calmo e feliz, me senti em paz.

18 agosto 2015

Músicas E Madrugadas.

Não posso mais fingir que não lembro de você cada vez que escuto determinadas músicas, ou que minha imaginação não cria momentos de mãos dadas entre nós quando estou em algum parque, ou quando tenho uma vista bonita pra admirar. Eu realmente gostaria de poder estar perto de você e longe do restante, poder ouvir sua voz, te beijar e dizer meus clichês sem me preocupar. Reparar nos teus detalhes e pensar sobre cada um deles, o olhar, o sorriso, a pintinha embaixo do queixo, os gestos, os timbres. Não posso mais fingir que não quero momentos de um mundo só nosso, onde esqueçamos do restante e troquemos os horários pela vista do céu e um abraço carinhoso.
No momento tudo que tenho é meu blog, minhas músicas e tuas fotos. Infelizmente isso já não basta pra afastar você do pensamento, mas eu tenho que me contentar, não há nada que eu possa fazer pra algo mudar.

23 julho 2015

Over the Garden Wall.

Guiados pela névoa, sob a suave luz do luar
Tudo o que foi perdido é revelado
Nossos pesados fardos do passado, meros ecos da Primavera
Mas de onde viemos e onde vamos parar?
Se sonhos não podem se realizar, então por que não fingir?
Como o vento suave acena através das folhas
Enquanto as cores do Outono caem...

18 julho 2015

Atlântico.

Espero que todos os meus dias
Sejam iluminados por seu rosto
Espero que todos os anos
Segurem firmemente nossas promessas


Eu não quero envelhecer e dormir sozinho
Uma casa vazia não é um lar
Eu não quero envelhecer e sentir medo


Eu preciso de um lugar
Que está escondido nas profundezas
Onde anjos solitários cantem para você dormir
Ainda que todo o mundo esteja quebrado


Eu preciso de um lugar
Onde eu possa fazer minha cama
Do colo de uma amante onde
Eu possa descansar minha cabeça
Porque agora a sala está girando
O dia está começando...

14 julho 2015

Propósito.

De repente sou jovem, alto, forte o suficiente pra aguentar cada soco no estômago que a vida possa me dar. De repente eu sou tudo o que esperam de mim. E então não. Então eu tusso, eu sinto o gosto de sangue. Tudo muda tão rapidamente e dói pra respirar. Meu coração lentamente passa de vermelho à preto, tão sombrio quanto cada pesadelo e cada derrota que me sufoca de dentro pra fora. Mas ainda assim eu dou um sorriso enquanto caio de joelhos, eu cuspo sangue, que varia do preto ao vermelho vivo, e me faz lembrar de cada demônio disfarçado de rosa que levo tatuado em carne viva. Mas eu sirvo ao propósito, eu sou jovem, alto e forte o suficiente pra aguentar o que precisam, mas eu queimo de dentro pra fora. Não há esperança. Nunca houve.

06 julho 2015

Linha Do Horizonte.

O jeito que você me olha me desarma. Tira brevemente de mim os adjetivos. Não importa quantas pessoas estejam ao nosso redor, sempre que seu olhar encontra o meu, do teu jeito tão único, eu perco o chão, perco o fôlego, perco a sensibilidade pra qualquer outra coisa que não seja transmitida por você e seu olhar tão caloroso. E então tudo que eu quero é te envolver em meus braços e te admirar... Nada além de você é importante nesses momentos. Tudo se resume ao seu olhar.

05 julho 2015

50 E Poucos.

Era mais uma daquelas noites frias, onde você podia usar várias camadas de roupas e cobertores e mesmo assim ficaria com os pés gelados. Eu estava deitado, encarando o teto com certa impaciência, querendo um sono que não vinha. Olhei o celular, passava um pouco das dez, e me senti velho por querer dormir tão cedo.
Era uma sexta-feira. Eu odiava sextas-feiras. Houve um tempo em que eu saía sempre que podia, com ou sem dinheiro, pra beber com os amigos, ouvir música alta, matar a fome com uma cerveja. Hoje em dia minhas saídas eram mais pontuais, só o suficiente pra não enlouquecer, e agora quando sentia fome eu comia em vez de beber, mas continuava a ter cerveja no meu repertório, só que hoje em dia ela dividia espaço com o uísque. Eu encarava o teto escuro, experimentando uma sensação que eu acreditava se assemelhar a cegueira. Impaciente, sentei na cama e esfreguei o rosto, dormir não era tarefa fácil desde os 20, os comprimidos ajudavam, mas eu tomava além da conta, então parei. Não queria me viciar em comprimidos. Se fosse pra me matar lentamente, que fosse pelos meus prazeres já sabidos, álcool e tabaco.
Levantei e fui lentamente até a cozinha, enchi meio copo com uísque, peguei o maço, sentei no sofá e respirei fundo. Não me incomodei em acender as luzes, nem em colocar alguma música pra tocar, às vezes eu gostava do silêncio em maioria, de ouvir apenas o cigarro queimar a cada tragada, ou o som cadenciado de meus próprios goles. Era sabático. Quase como uma forma de lembrar que ainda existiam formas de suportar o tédio e a melancolia, muito embora fossem as companhias mais leais que eu já tivera em 50 e tantos anos de vida. Eu devia ser algum tipo de ingrato.
Embora o uísque estivesse me esquentando cada vez mais, os pés continuavam gelados, mas gente velha devia ser assim, eu acho. Tanto faz. Eu não era velho de fato, mas a muito que não era novo. Eu era um desses shows da tevê que o público vai perdendo o interesse no meio da temporada, eu era a porra de uma série cancelada. A essa altura eu já havia bebido umas três doses, e fumado alguns cigarros. Maldita sexta-feira. Eu odiava sextas-feiras. Elas não eram mais sinônimo de diversão, porque eu não me divertia mais saindo. Eu me divertia mais quando me isolava do restante. Fui deitar com esse pensamento, será que eu era mesmo alguém que entendia o que era se divertir? Eu não sabia mais dizer. Ironicamente, aos 30 e poucos eu acreditava que saberia mais da vida aos 50 e poucos. Pois é, parecia que eu sabia menos do que antes. Depois de algum tempo o sono finalmente chegou, e enquanto o resto da cidade urrava pelos bares, eu ia finalmente dormir. Tive que rir, eu era uma porra de uma série cancelada.

26 junho 2015

For You.

Às vezes respiro fundo e consigo sentir seu perfume, como na época em que nos víamos tão frequentemente. Lembro da forma que costumávamos nos olhar com carinho, e como eu podia facilmente deixar qualquer atividade de lado pra poder conversar com você, mesmo que certas vezes falássemos sobre nada em particular. A cor dos seus olhos, que são tão únicos, sempre me impressionava, e eu sentia essa vontade de te abraçar, de te fazer sorrir, rir de qualquer bobagem que eu dissesse ou fizesse. Era agradável a forma como você sempre parecia estar disposta a me ver, e como era aconchegante a sensação de presenciar seu sorriso sincero. Eram dias simples e bonitos, e eu tenho saudade deles. Agora a barreira entre nossa convivência parece intransponível, e só eu sei o quanto me culpei, o quanto me senti horrível por causa disso, mas passou. Hoje em dia só torço pra encontrar contigo de novo, como naquele dia em que fomos ao parque e nos deitamos na grama pra olhar o céu. Não sei quando isso será possível novamente, não sei nem se chegará a se repetir, mas a ideia de poder estar perto de ti novamente enche meu peito de saudade e nostalgia, e por isso eu continuo a esperar. Às vezes, quando ouço certas músicas, quando sinto o vento soprar, eu respiro fundo e por um instante tudo volta a ser como antes, e o seu perfume paira ao meu redor, indo embora no momento seguinte, como uma flor de cerejeira levada pelo vento.

18 junho 2015

Esteban - Martes

Sabes la realidad
Toda la verdad
Lo que siento por vos
Es más que un mundo de amor...


Yo te quiero decir que sí
Yo te quiero pedir
Que no vayas a ir
Por toda calle de este mundo.


Te invito a caminar
Tomar unos tragos y
Abrazar el amor,
Quemar todo lo que causa el dolor...


Que no lloremos como antes
Oh nena, la tormenta ya pasó
Oh, tráeme las flores distantes
Y dale alegría a mi corazón
Yo busco una limosna mi amor
De ti.


Llévame, a cualquier lugar
En cualquier ciudad
Llévame de aquí ahora
Estoy listo para irme
Y vos sabébs a donde ir...

15 junho 2015

Milonga Minha.

Eu realmente me pergunto se um dia vou conseguir algo assim, se vou conseguir me ultrapassar. Até hoje é impossível. Preciso entender mais das pessoas, do que vale à pena, do mundo e suas vertentes imprevisíveis. Preciso aprender. Mas eu não sei. Eu não sei. Ainda há muita coisa atrelada aos meus trejeitos. Não se esquece o costume de uma vida em um dia. Tu é minha Milonga mais antiga, e eu estou eternamente esperando o que não vem.

29 maio 2015

Tá Foda...

Tô cansado de sonhar com as pessoas que amo mortas, com elas me puxando pro fundo do mar escuro com garras podres e afiadas no lugar de mãos. Aliás, tô cansado de sonhar com cadáveres, quedas, suicídio, homicídio, demônios, aranhas gigantes, lobos sanguinários, serpentes... Puta que pariu, tô cansado desses pesadelos de merda, quero voltar a gostar de dormir. Já nem sei mais quando foi que isso começou, só sei que até agora não parou e eu só durmo porque se não dormir não me aguento em pé. Nem dormir em paz eu consigo, sério, isso é muita sacanagem da vida. Tô reclamando sem poesia nenhuma, tô de saco cheio desses lugares sombrios que a minha mente cria. Eu tive uma infância feliz, a adolescência foi uma bosta, mas nunca tive traumas irreparáveis nem nada do tipo. Não sei porque agora, depois de grande, eu tô com essa putaria de ter pesadelo direto. Acordar banhado em suor, ou gritando, achar que tô caindo, me afogando, queimando vivo... Sinceramente, vai se foder, inconsciente.

27 maio 2015

É O Diabo.

Quando é bem tarde
E a saudade invade.
Parece clichê,
Não tenho nada.
Por toda cidade

Me procuro e não acho.
Pergunto pra Deus,
Quem responde é o Diabo.


No meu contrato
Eu vendo a minha alma.
Chego no espelho,
Não vejo nada.
Por toda a cidade
Me procuro e não acho.
Pergunto pra Deus,
Quem responde é o Diabo.


Eu imagino,
Sigo pistas falsas.
Não tenho nada
Mas eu disfarço.
Por toda cidade
Me procuro e não acho.
Pergunto pra Deus,
Quem responde é o Diabo.

Só.

Só, eu vou sempre só.
O que me fez ser assim?
Quem poderá saber?
Só, por que eu sou tão só?
Vê, tudo é tão blasé.
Dói e é o que eu digo só.
Diz, eu quero saber.
Quem pode ser tão só?

.
.

Skylab

25 maio 2015

Não Vai Acontecer.

Você é deslumbrante. Como um dia de sol ameno, o cumprimento de um céu azul, e o sopro suave do vento. É harmoniosa. Como um acorde de violão, detalhes que somados formam a complexidade e leveza de uma melodia inesquecível. Quero proteger seu sorriso pálido. Penso em nós dois, ao som da melodia, de mãos dadas, caminhando sem pressa, folhas de Outono a nos rodear. Sentados ao entardecer...

18 maio 2015

Tarde De Outono.

Naquela tarde de Outono, você foi minha. Nos abraçamos e eu pude sentir o perfume de sua pele, pude fechar meus olhos e sentir o calor de seu corpo contra o meu, naquele abraço tão sincero e aconchegante. Mal consegui disfarçar a urgência em ficar perto de você, o desejo de poder segurar suas mãos tão delicadas sem maiores preocupações. A tarde lentamente tornava-se noite, e tudo estava confortável, porque ao seu lado tudo é mais leve. Ouvimos músicas, conversamos, demos risada juntos. Nos beijamos e durante esse beijo esqueci das paredes ao redor. Eu finalmente sentia seus lábios belos e macios contra os meus, e naqueles instantes o mundo parou. A tarde já se tornara noite e você ainda era minha, e eu podia realmente ser honesto. As horas passaram, e apesar de eu querer prolongar esse momento, você teve que ir embora, mas jamais vou me esquecer de como encarei seus olhos amendoados antes de nossos lábios se tocarem, e de como tudo pôde se resumir a sua presença. Ainda contemplo esse momento em minhas madrugadas, em cada foto sua, sempre que ouço sua voz, em cada pequeno detalhe imprevisível e deslumbrante do que é sua beleza, do que é estar perto de você.

17 maio 2015

Frustrações.

Palavras não ditas ficaram amargas ao serem negadas, e agora pesam dentro do peito, veneno criado por minha própria precaução. O destino está esperando a queda. Agindo silenciosamente nas sombras de meus pensamentos inóspitos e traiçoeiros. É denso, pesado. Parece que estou dentro do mar em pleno ar. Estou lentamente me perdendo nas vertentes de meus próprios sentimentos. Não pude admitir, mas talvez eu já não saiba o caminho de volta. Agora eu sei... O que tenho na palma da minha mão, é o tal coração, mas de qualquer forma eu nunca pretendi pertencer a nada disso. Nunca mesmo. Já conheço os passos dessa estrada. Sei que não vai dar em nada...

29 abril 2015

3 De Dezembro.

Às vezes, no silêncio das madrugadas, ouvia o mundo. Os fios de alta tensão, os eletrodomésticos desligados, os passos vacilantes de alguém chegando da festa, o som compassado da respiração de cada um que estava dormindo. Ouvia tudo em um certo desespero, vozes eletrônicas desconexas em sua cabeça, enquanto encarava o teto no escuro, quase num tipo de cegueira. Que a manhã chegasse logo. Todo aquele som o ensurdecia.

15 abril 2015

#01 Falling.

Noites de Luar prateado, com Estrelas brilhantes trazendo vislumbres do que já morreu. Dias nublados de Inverno, como o toque gélido de um beijo indiferente em sua bochecha. O Vento é cruel, e corta o canto dos olhos ao passar, corta os laços vermelhos como o sangue de suas veias, tão mal escondidas sob a pele branca e azulada. Não há o que fazer fora caminhar até a margem e contemplar o reflexo perturbado na beira do Lago negro e vítreo, tão pegajoso quanto o som de sua voz adocicada. Não há como retroceder, ou coragem para nadar entre os segredos e cadáveres guardados nas profundezas misteriosas desse Lago. Pare e observe. Neve cairá, recado das Nuvens durante o dia, deboche das Estrelas durante a noite. Pode lamentar, mas não há volta. Sinta seu desespero chegar como um sorriso malicioso, como a chantagem de um criminoso passional. Morra lentamente pela hipotermia de suas próprias mentiras.

02 abril 2015

Just For The Record.

Se desfazer de suas próprias medidas de auto preservação é inquietante. Por mais que as coisas permaneçam silenciosas, confiar é um peso. Mostrar segurança diante desse peso é um desafio tão grande quanto fingir que seus segredos não existem.

Permanente.

Às vezes me sinto claustrofóbico. Algumas coisas parecem apenas não encaixar, lacunas deixadas para a transição de lembranças incômodas demais, incômodas a ponto de eu racionalmente negar que existem sem sequer piscar. Pesadelos, corações partidos, dúvidas e listas invisíveis com nomes a culpar, tudo dentro de mim, correndo como um veneno por minhas veias já maculadas o suficiente. Às vezes respirar torna tudo mais pesado do que pareço conseguir suportar, e é quase como uma sensação física. É assim que sabemos quando devemos colocar nossas próprias medidas de precaução em desconfiança? É assim que percebemos os erros cometidos? É analisando tudo isso que se descobre uma maneira de não cometê-los? Ou isso tudo é apenas outra medida de precaução que nos faz perder tempo e que logo cairá em descrédito também? O conceito de evolução parece não se aplicar da forma correta em nenhum de nós, mas principalmente em mim. Nunca sei dizer se estou me tornando alguém mais eficiente, ou se estou apenas perdido em minhas visões pessoais de moralidade e culpa. A falta de lógica em meu reflexo me incomoda, mas por enquanto tudo que sei fazer é disfarçar, fazer parecer lógico. Talvez essa seja a grande permanência no comportamento humano: disfarce, encenação. De alguma forma eu sinto que preciso me esconder, então eu o faço. De certa forma, é isso que garante a minha sobrevivência. É, como a vida, inevitável. É, como a morte, permanente.

29 março 2015

Isaak.

Uma noite melancólica. Uma visita ao bar. Jazz suave tocando ao fundo, o cenário perfeito de uma madrugada infeliz. Uísque duplo, um gole e um aceno que faz o barman deixar a garrafa. Olhos semicerrados sem muita explicação, não é sono, nem cansaço. Bom, talvez não cansaço físico, porque a mente e o coração estão pesados; pesados o suficiente pra puxá-lo mar adentro, cada onda escura e gélida engolfando tudo que lhe permitiria escapar. Foda-se, ele não queria escapar, e sim beber, mas porque sempre gostou de beber, não porque sempre tentou escapar. Mais um gole e ficou perceptível que não conseguiria mentir pra si mesmo. A percepção trouxe um sorriso ao canto da boca, pelo menos tivera tentado. Jazz suave tocando, como a voz de um amigo a aconselhar, a compreender. Outro uísque duplo. Alguns goles rápidos seguidos de uma careta, e de algumas notas deixadas no balcão. Ainda madrugada. Muitas nuvens, sem estrelas, sem lua. Acende um cigarro, fuma devagar, o Jazz ecoa em seus ouvidos, trazendo nostalgia. O vento aumenta repentinamente por alguns segundos, afasta o torpor da bebida. Acende outro cigarro. Um carro vem ao longe, e vem rápido. Pensa em se atirar na frente, mas não o faz, o carro passa por ele e some de vista. Não, isso ele não vai fazer, algum tipo de orgulho insensato não deixa. Não, isso é para os fracos, os incapazes. Um sorriso quase imperceptível. Não tirar a própria vida não significa mais do que isso, não é sinal de bravura ou capacidade, isso são outras atitudes que definem. Último trago no cigarro e uma nova visita ao bar. A noite vai ser longa...

17 março 2015

Céu Estrelado.

Todos os dias ele sorri timidamente pra todos que lhe são queridos. Estes são poucos, mas não importa. Todos os dias ele compartilha esse ritual agradável, mesmo que seja apenas com duas ou três pessoas. Ele passa horas trabalhando, assim como todo mundo, e ao final do dia vai vier sua própria vida. Ele sorri timidamente e age como alguém reservado. Ele, logo ele...

Ele finge. Ele não ama nenhuma dessas poucas pessoas, ele não sorri de verdade. Ele vive em uma espiral de vazio absoluto, numa dimensão própria, onde pra não ser invadido precisa se adequar; e ele o faz. Não há amor, às vezes não há sequer melancolia, mas o vazio sempre estará ali, como uma cláusula contratual entre chefe e empregado. Ele sabe que jamais haverá outra forma de viver que não essa, e ao notar, não sorri.

- O preço do meu contrato eu pago diariamente. E sempre irei pagar.

16 março 2015

Lost Confessions.

I love your voice, your smile, the way you look at me with your brown shiny eyes. I love the way you throw your hair back, and how you make your fingers dance between every wick. You're the most enchanting and lovely girl I've ever met, and everything about you makes me smile. I dream with that day, when you'll hold my hand and I'll kiss you, and we'll finally be together. I know it's just an illusion, but I can't avoid these dreams. Sometimes I can't stand to be near you. I can't pretend you're only a friend to me, 'cause you're not. You're so much more than that. You're my sweetest illusion...
You're every line. You're every word. You're everything.

24 fevereiro 2015

Skeletons.

Noites cada vez mais difíceis. Cansaço físico, mas não quero mais dormir. As coisas têm ficado fora de controle durante um certo espaço de horas, mas não é exatamente como se eu pudesse lutar contra. Minha vida está uma bagunça. Falta de dinheiro, desentendimentos, histórias mal contadas... Me sinto cercado por ciclos defeituosos dos quais eu sou apenas mais uma engrenagem obsoleta.
Durante meu tempo acordado cada dia têm sido mais frustrante que o outro, e ultimamente quase tudo parece uma perda de tempo, o que me assusta porque está chegando em um ponto nunca alcançado por mim antes. Quando durmo tenho pesadelos. Tenho pesadelos dentro de pesadelos. Não tenho paz acordado, mas se nem dormindo posso encontrá-la, o que fazer? É desesperador e patético. Sempre uma história de tentativas inúteis, infrutíferas, vazias.
Não tenho pra onde fugir. Essa casa não tem teto, eu sinto o sol queimar minha pele dolorosamente, e quando tento olhar pra cima logo volto a olhar pro chão porque as Águias estão prontas pra arrancar meus olhos. Estou sentado numa cadeira dessa casa sem teto, e aos meus pés as Serpentes começam a cantar. Eu canto com elas pra evitar que me ataquem, e depois de muito tempo consigo levantar e caminhar entre elas. É quase uma vitória. Mentira, não passa de outra derrota. Por quê? Porque ainda estou preso, e eu preciso sair daqui, preciso sair de mim. Mas os Lobos estão na minha porta, esperando que meu império caia. E um dia eu sei que ele vai cair. Até esse dia chegar só me resta tampar os buracos da minha alma com o sangue em minhas mãos.


"Os Lobos estão prontos pra te dilacerar até o osso. Mastigando e rasgando, eles não vão te deixar em paz jamais. Águias arrancando seus olhos desprotegidos... e Serpentes que começam a cantar. Elas não precisam te atacar, o veneno já está no seu coração, te matando lentamente."

23 janeiro 2015

Lesão Crônica.

Comprometimento. O tipo de coisa que implica em não estragar as coisas e resolver todos os possíveis problemas, mesmo que não sejam seus. O tipo de coisa em que na verdade nunca fui bom. É fato que finjo muito bem ser racional e estar no controle de minha própria mente e sentimentos na maioria das vezes, mas não é real. Não vai acontecer, visto que as circunstâncias apontam exatamente pro mais longe possível de mim, e eu sei disso. Por outro lado, tem ela, a única que está parada no mesmo lugar há quase 7 anos. Ou mais. É irônico. Não vai acontecer. Existem impedimentos demais que não posso suplantar somente com um "Vai ficar tudo bem". Ainda há muito tempo pra passar. Nesse ponto posso dizer que sou mais experiente. Farei meu papel dignamente. Tantas noites perdidas com dilemas e monólogos, ou com pesadelos e pensamentos ruins. Sou novo demais pra isso ao passo que sou velho demais também. Seria cômico se não fosse trágico. Acho que não estou realmente conectado a mais ninguém nesse sentido, não desde aquela última página virada. Foi um ponto final, e por enquanto eu ainda estou segurando a caneta no ar, esperando a inspiração pra uma frase nova. Algo que me complete. Uma frase bela e excitante, marcante e singela, o tipo de frase que não vai precisar de outra em sua frente pra fazer sentido. É como se a inspiração fosse sugada lentamente por minhas impressões digitais, marcando tudo que toco com o passado. Por mais que eu lave minhas mãos continuo manchando cada pedaço dos cérebros e corações alheios com impressões desbotadas do meu passado infértil. Parece que sou um tipo de desastre com vida. Pior pra vocês.

22 janeiro 2015

Minha Mais Bela Mentira.

Era inegável que ela fosse encantadora em todos os aspectos, era inegável que cada riso, cada olhar, até mesmo cada respiração dela fossem um tipo de alívio ao caos que cada um tem dentro de si. O modo como seu cabelo podia dizer tanto sobre sua personalidade, e o jeito que cada gesto podia ser confundido com a melodia de uma música preferida... Tudo aquilo era raro, belo, confortável. Ela é a descrição da beleza em sua própria maneira, não um padrão, mas sim a leveza e individualidade quase teatral de uma orquestra. E tudo na simples fração de segundo de um toque. Uma impressão rápida e lenta ao mesmo tempo, como pisar em falso. É isso, ela podia se contradizer e se completar sem necessidade de ensaio, ela é indecifrável, indefinível, e ainda assim clichê. Ela é, assim como a vida, a consequência de um dom que se expressa em cada momento inesquecível. Mistura entre real e irreal, som que se torna tangível, cor que se torna palpável. Ela é a obra de arte mais prodigiosa a ser delicadamente admirada.

08 janeiro 2015

Noite Impossível.

Aqui dentro, uma foto. Lá fora, as estrelas. Não posso encarar nenhuma das duas coisas. Eu devia dormir, mas não consigo. Eu devia parar de pensar em coisas tão vazias ou tão cheias de sentimentos. Eu não sei por quanto tempo ainda consigo fingir isso. Não sei mesmo. O cerco está se fechando cada vez mais e eu não tenho escapatória. As coisas são do jeito que são e eu não posso evitar que meu lado mais obscuro apareça, mesmo que seja somente na sombra de um olhar. Esse não era meu plano. É como a série, é como a música, uma assimetria bipolar, e não há tempo para questionamentos. Eu devo parar enquanto é tempo, mas não consigo. Não posso quebrar esse código de energia. Não posso. Não sei mais o que fazer, como atuar, como sorrir sem transparecer. Parece besteira, e talvez seja, mas pra mim não é. Pra mim é importante. Aterrador. Eu vou colocar a cabeça no lugar, vou sim.

Mas quando? E como?