11 novembro 2015

Darren Shan.

"Quando eu tinha nove anos, meus pais me deram uma pequena tarântula. Não era venenosa, nem muito grande, mais foi o melhor presente que recebi na vida. Eu brincava com aquela aranha quase todas as horas do dia. Dava a ela todo tipo de guloseimas: moscas e baratas e pequenas minhocas. Eu a estraguei com mimos.
Então, um dia, fiz uma coisa idiota. Eu estava assistindo a um desenho no qual um dos personagens era sugado por um aspirador. Não aconteceu nada de mau com ele. Ele saiu do saco, cheio de poeira e lixo, e furioso. Era muito engraçado.
Tão engraçado que tentei fazer o mesmo. Com a tarântula.
Não preciso dizer que as coisas não aconteceram como no desenho animado. A aranha foi feita em pedaços. Eu chorei bastante, mas era tarde demais para lágrimas. Meu bicho de estimação estava morto, por minha culpa, e eu não podia fazer nada a respeito. Meus pais quase derrubaram o teto, tamanha foi a gritaria quando souberam o que eu tinha feito - a tarântula tinha custado caro. Disseram que eu era um bobo irresponsável e desse dia em diante nunca mais me deixaram ter um bicho de estimação, nem mesmo uma aranha comum do jardim.
O problema com a vida real é que, quando você faz uma coisa idiota, geralmente tem de pagar. Nos livros, os heróis podem cometer erros à vontade. Não importa o que façam, porque tudo acaba bem. Eles espancam os bandidos e endireitam as coisas e tudo acaba bonitinho.
Na vida real, aspiradores de pó matam aranhas. Se você atravessa uma rua movimentada sem olhar, acaba atropelado por um carro. Se você cai de uma árvore, quebra alguns ossos. A vida real é horrível. É cruel. Não se importa com heróis e finais felizes e como as coisas devem ser. Na vida real, acontecem coisas más. As pessoas morrem. Lutas são perdidas. O mal sempre vence. Eu só queria deixar isso bem claro."

Nenhum comentário:

Postar um comentário