26 dezembro 2012

Saudade.



Bebi saudade de você hoje. Não sei se pelo calor, que tá demais, ou se eu só queria lembrar do gosto pra não te esquecer de vez, muito embora eu saiba que isso não aconteceria, porque você morreu, mas vive de um jeito insuportável que não posso controlar. Senti na pele o resto do sol aumentando as queimaduras que você me deixou, porque eu nunca tive coragem de usar um protetor solar. Talvez esse tenha sido meu grande erro. Querer abraçar tudo de uma vez, aguentar o que viesse, como viesse, só porque vinha de você. Mas não era assim que morriam os corajosos e os desavisados? De qualquer forma não seria útil um protetor solar, que você me queimou de tão fria, me afogou de tanto gelo, me matou de hipotermia.
Não sei dizer quantas vezes eu achei que tinha ido embora de você, nem quantas achei que tinha deixado você ir de mim, só sei que não encontrei a paz que procurava longe de você, ainda que tenha sido pela falta dela que nós seguimos caminhos opostos. Se o tempo leva a dor das feridas embora, podia levar as cicatrizes também, que vê-las me lembra tudo que não quero, e nessas horas sinto raiva, pois você achou que não machucava apenas porque não via sangue. Bem, hoje eu bebi saudade de você... Do que você acha que esse drink tão gelado é feito?

24 dezembro 2012

Beleza.

Eu olhei aquela garota, e foi impossível não contemplá-la em silêncio, admirando diligentemente seu modo de arrumar os cabelos acerca de seus dedos delicados. Ela se destacava na multidão, e entre todos os decotes e olhares provocantes eu só conseguia enxergar seu rosto de feições tão ternamente bem desenhadas.
Havia algo de belo em tudo aquilo, algo de divino, e também algo de maléfico, de assustador. Como a beleza pode ser algo extraordinariamente controverso. O mesmo olhar que atrai, intimida. A mesma mão que chama, afasta. Como o fato deste dom ser tão exaltado também o condena amargamente à solidão dos perfeitos, ao isolamento dos imaculados. Jamais senti tanto conflito quanto naquele momento de admiração única. Jamais senti tanta inveja e tanta pena de uma mesma pessoa, jamais senti tanto amor e tanto ódio. A beleza é um mundo paralelo, um lugar inexplorado. Tão desconhecido por aqueles que o habitam quanto eu era para a garota inspiradora sobre qual meu olhar recaiu...

18 dezembro 2012

É Tarde.

Eu não vou mais tentar achar
Respostas que um nem sonhei em perguntar
Não posso mais tentar mudar
Não quero que a tristeza ocupe o seu lugar
Eu vou deixar pra poder passar
O tempo vai se encarregar
Pois que partamos daqui
Seguindo pra qualquer lugar
Mas é tão tarde demais
Nós dois não vamos mais amar
Ficamos tão mais banais
Um filme só com dois finais...

Delonga.

Na minha vida não existe apenas o agora. Existe o antes no meu peito e o depois lá fora. Mas se eu não quero outra vez usar o termo outrora, preciso aprender o jeito certo de ir embora. Preciso destruir a minha caixa de Pandora. Andar pra todo o sempre como alguém que ignora. Mas se eu não sei notar que tudo é só por hora... Serei enternamente quem a tal tristeza adora.

17 dezembro 2012

Resquício.

O que for meu agora é seu, mas dá um pouco da tristeza, que é pra não te amargurar. As cartas que você me deu traduzem toda a beleza, eu já nem sei o que falar. Daqui de cima me lembro de momentos, de nós andando de mão dadas. Das conversas sobre nossos sofrimentos, de deitar com você sobre almofadas. Foi bonito, verdadeiro, real. Mas finito, derradeiro, fatal.
Eu jamais faria nada pra te fazer chorar, embora você não acredite. Ninguém começa algo assim pensando em terminar, mesmo assim você não admite. Pensei que eu saberia o que fazer agora, eu sabia que ficaria sozinho. Mas tenho medo de sair lá fora, não quero ter de seguir outro caminho.
Quando você partiu eu sei que não prometeu voltar. Mas vou contigo mesmo sabendo que não prometi ficar. Vou de longe que é pra não te magoar ainda mais. Vou te amando e odiando te deixar em paz. Vou fazer o que for certo e o que puder por nós, mesmo que nossa sobra seja não ficar a sós.

16 dezembro 2012

Às Vezes.

Às vezes nada dá certo. Às vezes nada é capaz de te distrair. Nada é bom o bastante. Às vezes ficar na chuva não adianta, e ela não lava os pecados nem a paranóia pro ralo da memória. Às vezes o som dos dias te fazem desmoronar pelos ecos do passado, recente ou antigo, mas inesquecível.
Às vezes a bebida infecciona as feridas e tentar sorrir só te deixa mais doente que o normal, o som do jazz só te traz amargura, e respirar fundo não é suficiente pra trazer paz à mente. Às vezes os degraus pesam tanto dentro do peito que chega a doer, e fingir ser forte não passa de uma forma de te deixar mais fraco ainda.
Às vezes tudo o que você quer é desistir, é jogar tudo para o ar, é acabar com tudo de uma forma rápida e indolor. Às vezes não há mais esperança, e até a garganta se recusa a gritar, e o corpo já não quer mais caminhar. Às vezes você só quer que o tempo passe, pra você poder fechar os olhos e dormir sem pretensões de acordar...
Às vezes o às vezes dói, e céus, como dói.

14 dezembro 2012

O Adeus em 3 Atos.

No começo seu rosto vivia na minha memória.
Depois o tempo fez você parecer um rascunho mal feito.
Agora pra mim você é só uma mancha.
Pra alguns é arte abstrata, sei lá.

09 dezembro 2012

Não Outra Vez.

Não tenho mais forças pra tentar de novo.
É simples de dizer, apenas não tenho mais paciência ou esperança, embora me sinta extremamente sozinho e machucado, mas por hora não consigo, não mais.
Eu trago algum tipo de marca, algum tipo de maldição, não sei, algo que se mostra no pior momento, algo que magoa, fere, afasta, algo que pune sem pudor e sem razão. Não é mais que um simples dizer ou gesto ou olhar, mas devasta indistintamente, é um abismo. Estou cansado de perceber dia após dia que não sei amar, que ainda não aprendi, que parece cada vez mais que não irei aprender. Estou conformado com o conformismo, mas me sentindo um lixo. Mesmo assim não pretendo tentar mudar nada, vou deixar as coisas seguirem seu curso natural, porque às vezes lutar é apenas um desperdício, e eu não tenho razões para tal.
Sou um problema com vida, um furacão ambulante. Me resta aceitar.