Ouço a chuva cair durante a noite, suas gotas batendo rapidamente contra meu corpo, estimulando cada terminação nervosa. O vento sopra refrescante, exatamente como sua preseça ao meu lado. Um raio corta o céu escuro, eu vejo seu rosto, e ao som do trovão entrelaçamos nossos dedos. Já não sei quanto tempo faz que estamos sentados sob a chuva, mas não importa, sei que você está confortável, e eu também estou. Isso é tudo que preciso saber. Você observa meu sorriso, e sabendo em qual música estou pensando, encosta a cabeça no meu ombro e canta baixinho o refrão. Eu te enlaço em um abraço e nos beijamos, a chuva nos cumprimentando e nos aceitando, a noite ainda longe de acabar. Depois de mais alguns beijos você se levanta, olha pra mim e sorri, daquele jeito que só você pode fazer, me tirando um pouco da sensibilidade ao ambiente que nos cerca. Me levanto e seguro suas mãos. Sinto sua pele mais fria e percebo que é hora de irmos pra casa nos abrigar. Nos beijamos novamente e fomos caminhando sob a chuva, mãos dadas, num silêncio cheio de cumplicidade, calmamente quebrado por mim.
- Eu te amo.
Era como se tudo agora fosse silêncio. Parecia estar num mundo desprovido de som que não viesse de sua respiração suave, e em seguida, de sua voz maravilhosa.
- Eu também te amo.
Sorrimos. Eu sentia meu coração bater compassado ao seu. Tudo ficaria bem conosco. Com você ao meu lado, nada poderia fazer mais sentido. Nada poderia ser mais real.
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