"Ei... Não espera nada de mim, tá?", disse ela antes de tocar levemente seus lábios aos meus e se afastar calmamente, ainda sob o efeito da bebida. Talvez essa tenha sido a coisa mais sensata que alguém poderia ter dito pra mim. Foi um tipo de chave, a forma de lidar com o que pudesse ou não acontecer pra melhor ou pra pior, e assim foi. Rimos, brincamos, bebemos, sentamos no chão e conversamos, ouvimos e falamos, eu sorri minha melancolia, ela chorou sua mágoa, explicou sua tristeza, tentei ser o acalento, e assim nos compreendemos. Abraçados ficamos, entre um colchão e um cobertor, no escuro do quarto sozinho, na casa que já dormia, e assim vimos a noite tornar-se madrugada, e então manhã. E conversando trocamos alguns carinhos, um beijo e elogios, calor humano. Foi inusitado, inesperado, um bom momento, mas foi só, e tudo bem, pois eu sabia, e após a bebedeira eu ainda entendia aquela frase curta, mas tão marcante.
Ei... Não espera nada de mim, tá?
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