Eu gostaria de te contar a história dos olhos que mudaram meu mundo.
Lembro-me que passava meus dias evitando olhares, eles não eram relevantes de forma alguma, eu não acreditava na necessidade de me conectar dessa forma, ao menos não verdadeiramente. Me incomodava o fato de tentarem enxergar minha alma e coração através dos meus olhos tão amargurados. Era impensável, algo distante demais. Eu me escondia e gostava disso. Mas um dia conheci uma garota, e sabe, era uma linda garota, de voz suave e agitada ao mesmo tempo. Eu achava intrigante o fato de ela falar tanto sobre si mesma, e tirar do baú grande parte dos próprios segredos. Eu achava intrigante porque eu não falava sobre mim, não era nem de longe uma troca de confidências, e eu achava aquilo absurdo de certa forma. "Como pode alguém se expor tanto assim?" eu me perguntava. Embora eu não falasse mais que o superficial sobre mim, ela não parecia se importar, e continuava gostando da minha companhia, e continuava mostrando detalhes de suas próprias linhas. Ela não era uma ameaça, na verdade parecia me fazer muito bem, e percebi que honestamente gostava de sua companhia. Foi quando, meio que sem querer, comecei a compartilhar minhas linhas com ela também. A essa altura eu não me preocupava mais em manter uma distância segura, e um dia, sem receio algum, olhei verdadeiramente em seus olhos. Foi um momento atemporal. Foi impressionante. O que vi mudou minha percepção sobre ela, e sobre eu mesmo. Um calor gentil escapava das frestas de suas expressões, era algo natural, algo raro. Eu via força e coragem no tom amadeirado de seus olhos, exatamente como uma árvore que se mantém de pé diante do vento, estação após estação. Eu via beleza, delicadeza e graciosidade, assim como flores, assim como um dia de Primavera. Naquele momento percebi que ela seria minha flor de cerejeira. Cada traço de seus olhares transmitiam o esplendor de sua existência, e até hoje eu fico fascinado com a forma que o olhar dela causa sensações tão imparáveis. Me perco na profundidade cor de madeira, sempre tão bela e reluzente, cheia de vida. Me apaixonei por cada detalhe, cada contraste, cada nuance. Me apaixonei por cada gesto, cada riso, cada passo. Eu queria estar ali pra ela durante a minha eternidade, e queria que ela permanecesse pelo tempo que quisesse. Eu soube ali que jamais seria o mesmo, que meu mundo tinha mudado para sempre. Torcia pra que ela quisesse ficar pra sempre também. Eu sabia que desejar tudo isso seria, no mínimo, imprudente, e que eu tinha aberto todas as minhas defesas e camadas. Deveria ser inquietante, mas...
Pela primeira vez me senti em paz com a ideia.
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