15 março 2016

Von...

Von. Palavra islandesa que significa Esperança.

Talvez isso tenha morrido dentro de mim, talvez em alguma parte do caminho eu tenha perdido definitivamente esse sentimento que renova a vontade de seguir em frente pelas próprias pernas. Faz muito tempo que sou alguém triste na essência, mas eu não lembrava de já ter pesado tanto a amargura dentro do peito como agora. Os dias parecem iguais, como se fossem feitos de plástico, saídos de uma fábrica de produção em massa. Hoje até perdi a vontade de me fazer entender por poesia ou lirismo. Hoje estou só despejando cada palavra que me inunda o ser pra que eu não enlouqueça. Pra que eu não ponha uma maldita bala na cabeça.
Todos os dias eu tento não pensar na grande melancolia que me invade, e às vezes até consigo, mas isso é raro demais. É como se eu fosse um sonâmbulo, andando, fazendo coisas, comendo, pensando em horários, prazos, derrotas. Me sinto estagnado, como uma mancha de sangue seco, ultrapassado, obsoleto, esmagado pelo peso dos meus próprios pensamentos. Queria conseguir ser mais do que somente uma enganação, um embuste, queria conseguir não precisar de cada uma dessas palavras pra não surtar lá fora. Não consigo, eu sou assim. Sou assim e não sei mudar isso. Juro, já tentei, na verdade tentei até demais. Não é quem sou.
Isso me dilacera, mas ao fim das contas tudo que posso fazer é seguir meus dias, muito embora eu não tenha esperança de mudança. Não importa qual aspecto da minha vida eu tento melhorar, nada se encaixa, nada faz sentido, eu sou uma grande bagunça, um mentiroso clássico, tentando fugir das verdades que continuam me perseguindo a cada passo. Verdades essas que dizem, entre tantas outras coisas, que uma certa palavra islandesa está cada vez mais distante de mim. "Por favor alguém me ajude". Não... eu sei que só eu posso me ajudar. E esse é o problema.

Von.

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