16 abril 2016

Lembrança Da Rotina.

Durante a tarde, com o Sol batendo no rosto, ouço as músicas com meus fones de ouvido e tudo ao redor emudece. Eu fumo meu cigarro e meus passos ganham trilha sonora. Fico olhando os detalhes desse mesmo trajeto que faço todos os dias, e com isso acabo familiarizado a alguns rostos pontuais. Eu sempre passo por algumas cerejeiras, vejo nuvens no céu azul e cinza, e o tempo para. Eu fico ali caminhando e não estou mais ali. A trilha sonora some. De repente o meu caminho é somente algo que eu observo dentro de um globo de vidro na palma da minha mão, que treme, meio de anemia, meio de medo. Eu apago em consciência e tudo acaba perdendo o significado. "Podia acabar tudo junto com o último trago do meu cigarro, a gente pode ser só o tabaco perto do filtro, e o Sol é a brasa queimando, aproximando... um dia terminam o cigarro, jogam a gente no chão e acaba tudo com a sola de um sapato amassando a guimba, um di..." e eu volto. O tempo passa de novo, a trilha sonora volta, e eu tô na frente do trabalho, cumprimentando alguém enquanto entro pra mais um expediente. Eu guardo minhas coisas no meu armário, passo meu crachá na catraca e esqueço. E no outro dia tudo volta de algum outro jeito. Eu devo ser retardado, eu acho.

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