13 janeiro 2013

Minha Forma.


Se tudo que me faz esquecer também me faz ser esquecido é porque tudo virou. Se manchei o céu de tinta é porque meu fim chegou. E se a tinta fosse sangue, o que você faria? Se eu morresse aqui e agora, alguma coisa mudaria?
Não saber dizer o que me faz amargo aos poucos vai me estragando, vou definhando, me apagando, a imagem partindo, o gosto ficando. É frustrante. Meu melhor é só normal perto do que você quer, e eu tento ser alguém importante, mas sempre acabo como um qualquer. É alarmante. Não dá pra prever quando tudo isso vai ceder, quando vai acontecer de chegar o momento daquela conversa, do embate, da sina perversa. Quando vou te magoar sem querer, sem ter insistido, quando irei pra casa como um zumbi, morto, e de coração partido. Vai chegar? Já chegou. Já quebrei o mundo ao meio. Não sei mais o que é amor, estou aqui só a passeio. O sol enegreceu, a lua se ocultou, a terra apodreceu, o mar evaporou. Acabou. Eu matei tudo, pintei tudo ao meu gosto, passei dos limites pra tentar esquecer. Deixei marcas na tua pele, me arrependo de entender, que mesmo zumbi andarilho, morri e esqueci de morrer.

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