Se tudo que me faz esquecer também me faz ser esquecido é
porque tudo virou. Se manchei o céu de tinta é porque meu fim chegou. E se a
tinta fosse sangue, o que você faria? Se eu morresse aqui e agora, alguma coisa
mudaria?
Não saber dizer o que me faz amargo aos poucos vai me
estragando, vou definhando, me apagando, a imagem partindo, o gosto ficando. É
frustrante. Meu melhor é só normal perto do que você quer, e eu tento ser alguém
importante, mas sempre acabo como um qualquer. É alarmante. Não dá pra prever
quando tudo isso vai ceder, quando vai acontecer de chegar o momento daquela
conversa, do embate, da sina perversa. Quando vou te magoar sem querer, sem ter
insistido, quando irei pra casa como um zumbi, morto, e de coração partido. Vai
chegar? Já chegou. Já quebrei o mundo ao meio. Não sei mais o que é amor, estou
aqui só a passeio. O sol enegreceu, a lua se ocultou, a terra apodreceu, o mar
evaporou. Acabou. Eu matei tudo, pintei tudo ao meu gosto, passei dos limites
pra tentar esquecer. Deixei marcas na tua pele, me arrependo de entender, que
mesmo zumbi andarilho, morri e esqueci de morrer.
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