20 janeiro 2013

Domingo.


Ainda ouço passos ecoando no porão da minha memória. Passos leves e faceiros, mas tão densos e pesados quanto cada gota salgada do mar de minhas lamúrias, como um tipo de eco permanente feito de imagens maltratadas pelo tempo. Infelizmente o que está na memória não passa junto com o tempo. Borra, desbota, empoeira; às vezes até embolora um pouco por conta da umidade, mas nunca passa.
Não sei ao certo se é correto afirmar isso, mas certas coisas você simplesmente mantém mesmo que sem querer, e isso te faz esquecer de coisas que gostaria de lembrar. O dia de céu azul na praia, a tarde com os amigos, a letra da música, a cor favorita, o seu lado bom da vida. Eu paro de me perguntar quando e como isso vai findar, eu paro de tentar prever como vou conseguir transcender, me ultrapassar, mas por vezes me pego escrevendo sobre espinhos de caules e perfumes florais. Ah, eu e essa minha mania de ser cicatriz. Fazer o que se eu nasci pra ser assim...

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